| Desgarrada | |
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Cantares ao Desafio ao vivo em Agosto de 2010 em Savariz, Reriz, Castro Daire, Viseu, Portugal, com os cantadores Américo Silva (Monteiras), Maria do Carmo (Sernancelhe) e o tocador de concertina Joel Gonçalves. | |
| Instrumentos típicos | Voz, Concertina, Gaita de beiços, Acordeão |
| Formas regionais | |
| Minho, Douro Litoral, Beira Alta | |
| Outros tópicos | |
| Fado, Música do Mundo | |
Desgarrada é uma cantiga popular em que os cantadores vão improvisando, desafiando e respondendo um ao outro, normalmente ao som de concertina. Para além de "Desgarradas", também recebem denominações de Cantares ao Desafio, Cantigas ao Desafio, Cantigas à Desgarrada, etc.
O termo também é utilizado para caracterizar uma forma de interpretação de fado, neste caso com acompanhamento de viola e guitarra portuguesa, com reconhecidos intérpretes como Fernando Maurício ou Vicente da Câmara.
Entre os artistas que gravaram desgarradas podemos encontrar nomes como Quim Barreiros, Augusto Canário ou até Jorge Ferreira, que por várias vezes visitou este género.
Ligadas a ocasiões festivas, como romarias, feiras, desfolhadas, serões, etc., ou em Encontros de Cantadores, as desgarradas podem eventualmente ser escutadas em todo o país, embora as tradições sejam mais profundas em Trás-os-Montes, províncias do Minho, no Douro Litoral e Beira Alta.
Nos cantares ao desafio, durante largos minutos, são abordados os temas como escárnio e maldizer, amor e ódio, fé e caridade, improvisando as rimas e respondendo, preferencialmente de forma jocosa, ao outro cantador, podendo ser encontradas origens trovadorescas.
É possível encontrar, numa edição de 1926, a seguinte referência à intervenção de uma cantadeira:
[…] uma, cantando ao desafio, despicou-se assim quando o cantador lhe aludiu às sardas:
«Vós chamais-me lentejosa, — Foi Deus servido eu tê-las; Também o céu é bonito, — E mais tem suas estrêlas!»– in, Trabalhos da Sociedade Portuguêsa de Antropologia e Etnologia, Volume 3, 1926, p. 124
Em 2005, os cantares ao desafio ou as galegas regueifas fizeram parte da candidatura da "Tradição oral galaico-portuguesa" a Património Imaterial da Humanidade, junto da UNESCO. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura rejeitou esta candidatura considerando que era demasiado abrangente.