O Evento Ireviken foi o primeiro de três eventos de extinção relativamente menores que ocorreram durante o período Siluriano, seguido pelos eventos Mulde e Lau. Ele teve lugar no limite entre os andares Llandovery e Wenlock, no Siluriano médio, há cerca de 432,9 ± 1,2 milhões de anos. O registro mais detalhado do evento encontra-se em Ireviken, na ilha de Gotlândia, na Suécia, onde mais da metade das espécies de trilobitas foi extinta; globalmente, estima-se que cerca de 80% das espécies de conodontes tenham desaparecido nesse intervalo.
O evento teve duração aproximada de 200 mil anos, abrangendo a base da época Wenlock, e está associado a um período de resfriamento global. Ele é caracterizado por uma sucessão de oito pulsos de extinção. Os quatro primeiros apresentam espaçamento regular, compatível com o ciclo de obliquidade de Milankovitch, enquanto o quinto e o sexto parecem corresponder a máximos dos ciclos de precessão. Os dois pulsos finais são mais espaçados, dificultando sua correlação direta com ciclos orbitais.
O mecanismo responsável pelo evento parece ter se originado nos oceanos profundos, propagando-se posteriormente para os mares rasos das plataformas continentais. Como consequência, recifes de águas rasas foram pouco afetados, enquanto organismos pelágicos e hemipelágicos, como graptólitos, conodontes e trilobitas, sofreram os impactos mais severos, um padrão também observado nos eventos Mulde e Lau.
Do ponto de vista geoquímico, após os primeiros pulsos de extinção são registradas excursões nos valores de δ¹³C e δ¹⁸O. O δ¹³C apresenta um aumento significativo, enquanto o δ¹⁸O também se eleva, indicando mudanças climáticas e oceanográficas compatíveis com o resfriamento global associado ao evento.