Um filme de exploração (em inglês: exploitation) é um filme que busca sucesso comercial capitalizando em tendências atuais, gêneros de nicho ou conteúdo sensacionalista. Filmes de exploração frequentemente apresentam temas como sexo sugestivo ou explícito, violência sensacionalista, uso de drogas, nudez, sangue, destruição, rebelião, caos e o bizarro. Embora frequentemente associados a "filmes B" de baixo orçamento, alguns filmes de exploração influenciaram a cultura popular, atraíram atenção da crítica, ganharam importância histórica e desenvolveram seguidores cult.
Filmes com essas características "apelativas" são vistos desde os anos de 1920 mas eles ganharam popularidade nas décadas de 1960 e 1970 com a liberação dos costumes e a quebra de tabus cinematográficos nos Estados Unidos e Europa. A Motion Picture Association of America (e, antes, a MPPDA) cooperaram com autocensores e organizações que queriam manter a imagem de uma Hollywood "limpa", mas distribuidores de filmes operavam num mercado secundário e exploravam as "controvérsias" como forma de promoção, buscando fórmulas que trouxessem a audiência perdida para a televisão. A partir dos anos de 1990, esses filmes ganharam as atenções de acadêmicos americanos, alguns que os denominam "paracinema".
A definição de um "cinema apelativo" é vaga, dependendo mais do ponto de vista de quem assiste do que o conteúdo do filme em si. Material apelativo e conteúdo artístico podem coexistir, como demonstrado por alguns filmes de arte que no passado foram banidos pelo Código Hays e relegados a exibição em pequenos cinemas como filmes apelativos. Diretores europeus transgressores como Derek Jarman, Luis Buñuel e Jean-Luc Godard não temem filmar material com esse tipo de controvérsia. Numerosos filmes reconhecidos como "clássicos", trazem altos níveis de sexo, violência e cenas chocantes tipicamente associados a filmes apelativos, inclusive A Clockwork Orange, Freaks e Repulsion. Un chien andalou é outro exemplo de filme que traz elementos considerados atualmente como apelativos. É verdade que há alguma discórdia pois o europeu Carnival of Souls é considerado um filme de arte enquanto o similar americano Eyes Without a Face é visto apenas como um filme de horror de baixo orçamento. Tanto o público dos filmes de arte como os apelativos demonstram a tendência de rejeição às fórmulas de Hollywood
Filmes apelativos gostam de explorar escândalos e notícias dos jornais chamativas graças a maior rapidez de produção com que contam em relação aos grandes estúdios. Por exemplo, Child Bride (1938) retratava um casamento problemático de um homem velho com uma mulher jovem que ocorreu em Ozark. Outro exemplo é o consumo de drogas em filmes como Reefer Madness (1936) que atraiam uma audiência diferente dos filmes considerado respeitáveis. Sex Madness (1938) mostrava os perigos de doenças venéreas e sexo fora do casamento. O filme Mom and Dad (1945) tratava sobre gravidez e partos. She Shoulda Said No! (1949) combinou temas de consumo de drogas e sexo promíscuo. Ao mesmo tempo que tratavam de temas sensacionalistas, esses filmes eram apresentados dentro de um contexto de uma moral conservadora.
Já filmes de guerra abordavam a Guerra na Finlândia, a Guerra da Coreia e a Guerra do Vietnã, antes que os principais estúdios se interessassem em produções com esses temas. Quando Orson Welles no Halloween de 1938 transmitiu o programa de rádio sobre a The War of the Worlds e que assustou muitos americanos, a Universal Pictures editou o seriado Flash Gordon's Trip to Mars e o transformou no filme Mars Attacks the World, lançado em novembro daquele ano.
Algumas pequenas produtoras de filmes B exploravam projetos dos grandes estúdios. Com a vantagem da maior rapidez de produção e aproveitando a grande publicidade, elas lançavam filmes similares visando ganhos rápidos. Um exemplo é a do produtor Edward L. Alperson e do diretor William Cameron Menzies com o filme Invaders from Mars que foi feito na esteira da esperada produção da Paramount Pictures do diretor George Pal chamada The War of the Worlds. Outro filme de Pal, The Time Machine também foi antecedido pela produção de Robert Clarke e o diretor Edgar G. Ulmer, Beyond the Time Barrier (1960). Como consequência, os grandes estúdios começaram a guardar segredo dos seus principais projetos.
Esses filmes exploram as revoltas da Natureza, mostrando animal ou grupos de animais mais agressivos do que o usual das espécies. E que aterrorizam humanos. Esse subgênero começou na década de 1950 com o temor dos efeitos no ambiente dos testes nucleares, principalmente a geração de monstros gigantescos. Era comum criaturas pré-históricas serem "acordadas" pelas explosões, ou animais comuns que sofriam mutações em decorrência da exposição à radiação. Dentre esses filmes estão Godzilla, Them! e Tarântula. Na década de 1970 houve um ressurgimento, dessa vez culpando a poluição provocada por corporações e militares irresponsáveis. Night of the Lepus, Frogs e Godzilla vs. Hedorah são exemplares desse tipo. Após o grande sucesso de Steven Spielberg e seu filme de 1975 Jaws, um grande número de filmes similares foi produzido na sequência: Alligator, Cujo, Day of the Animals, Great White, Grizzly, Humanoids from the Deep, Monster Shark, Orca, The Pack, Piranha, Prophecy, Razorback, Tentacles e Tintorera. Roger Corman foi um grande produtor desse subgênero. Em anos recentes verificou-se uma revitalização desses filmes com o lançamento de Mulberry Street e The Last Winter, que abordam o aquecimento global e a superpopulação.
Esses filmes são cópias de grandes sucessos dos estúdios principais. A produtora The Asylum que prefere o nome para seus filmes de "tie-ins", é uma proeminente realizadora nesse subgênero. Historicamente são mais associados ao cinema italiano, que fez várias imitações de Westerns, da série com James Bond e filmes de zumbis. The Asylum recebeu uma ordem judicial para interromper The Day the Earth Stopped para vídeo, produzido na esteira de The Day the Earth Stood Still.
Nos anos 1950 houve The Monster of Piedras Blancas (claramente derivado de Creature from the Black Lagoon) mas só foi reconhecido como subgênero com os filmes dos anos de 1970 como Starcrash, Dünyayı Kurtaran Adam e Süpermen dönüyor, sendo que esses dois últimos usavam sem autorização a música de John Williams para Star Wars, sendo comumente classificados em uma outra categoria, a de Turksploitation, cujos filmes produzidos entre as décadas de 60 e 80 copiavam elementos ou mesmo, o filme por completo dos grandes estúdios.
Originariamente surgido nos anos de 1930, com o Código Hays em vigor, o nudismo foi mostrado como um modo de vida alternativo. Os filmes foram produzidos nos anos de 1950, quando a Corte de Apelação do Estado de Nova Iorque apreciou o caso de Excelsior Pictures vs. New York Board of Regents e considerou que nudismo não era obscenidade. Isso abriu a porta para vários outros filmes, tais como o dirigido por Russ Meyer em 1959 chamado The Immoral Mr. Teas, creditado como o primeiro filme do gênero que não se preocupou em passar uma mensagem moral ou educacional. Após o irônico Garden of Eden os filmes com nudismo se dividiam em "nudismo sem toque", "nudismo e violência" e "comportamento antissocial".
Alguns filmes apresentados como educacionais mostravam campos de nudismo com moças bonitas como frequentadoras embora sem mostrar a genitália. Outros traziam elementos de rebeldia, mostrando os nudistas como pessoas que rejeitavam os valores da sociedade moderna. Alegavam que o não uso das roupas igualava a todos, independentemente da classe social a que pertenciam. Numa cena de The Unashamed é discutida a artificialidade do uso de roupas por um grupo de pintores de nu artístico.
Abordando temas de horror, erotismo e crime, essa onda surgiu na Austrália nas décadas de 1970 e 1980. Naquele país houve uma reforma da classificação dos filmes em 1971 e impulsionou a produção de baixo orçamento, com investidores beneficiados por isenções tarifárias e procurando o mercado exportador. Personagens lacônicos e cenas no deserto apareciam em muito desses filmes, levando a classificação de um subgênero (em inglês, Ozploitation). Como exemplares estão o conhecido Mad Max além de Alvin Purple, Patrick e Turkey Shoot; um documentário sobre essa história é Not Quite Hollywood: The Wild, Untold Story of Ozploitation!.
São filmes que uma mulher é violentada e deixada à morte, recupera-se e parte para uma vingança sanguinolenta contra os agressores. Um bem conhecido é I Spit on Your Grave (também chamado de Day of the Woman). Em geral a protagonista desses filmes é uma mulher independente e bem-sucedida, violada por pessoas comuns. Carol J. Clover no livro feminista Men, Women, and Chainsaws: Gender in the Modern Horror Film examina as implicações desse subgênero, que pode ser explicado como uma variação dos filmes de vigilantes masculinos. Jacinda Read defende que estupro/vingança não seria um subgênero próprio mas sim uma estrutura narrativa presente em filmes de diferentes gêneros tais como "suspense" (Ms. 45), "dramas" (Lipstick), "faroestes" (Hannie Caulder), e filmes de arte (Memento). Um dos mais significativos exemplares, The Last House on the Left, é uma refilmagem sem créditos do filme de Ingmar Bergman de 1960 The Virgin Spring, mudado para um filme de horror extremamente violento. Deliverance, em que o estuprado é um homem, é creditado como o precursor do subgênero. Outros restrigem esse subgênero somente os filmes em que a mulher é a vítima a partir para a vingança. Uma luta contra o sistema legal é visto em The Accused.