


Geraizeiro é um habitante tradicional que vive nos cerrados do norte de Minas Gerais (região Sudeste do Brasil). Este termo deriva do fato de que o norte do estado, uma região de cerrado, é conhecido como os Gerais, contração de Minas dos Matos Gerais. .
Há um grupo específico de comunidades tradicionais geraizeiras que vivem nas chapadas e outras formações serranas similares que é chamado de "chapadeiros", isso quando não se autoidentificam com essa denominação identitária. Por outro lado, há grupos que consideram as nomenclaturas "geraizeiros" e "chapadeiros" como variações terminológicas de uma mesma comunidade tradicional.
As particularidades atribuídas às comunidades geraizeiras estão vinculadas aos seus modos de vida tradicional, como a agricultura familiar, a criação de animais em pastos de vegetação nativa, a colheita de frutos do Cerrado, como por exemplo o pequi, araticum e buriti, além do manejo sustentável dos recursos naturais.
As comunidades geraizeiras permaneceram por longos períodos em relativo isolamento, condição que favoreceu o desenvolvimento de práticas culturais próprias, dentre elas, estão o uso medicinal de plantas nativas, técnicas específicas de cultivo e manejo do solo, respeitando os ciclos naturais. Além disso, sua conexão espiritual, cultural e econômica com o território são baseadas na coletividade e ancestralidade influenciadas por comunidades indígenas, africanas e sertanejas.
Em 2007, os povos tradicionais foram reconhecidas oficialmente pelo Governo do Brasil, se enquadrando na política de desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais (PNPCT).
Em 2007, os povos tradicionais, entre eles o geraizeiro, foram reconhecidas pelo Governo do Brasil, que através da política nacional de desenvolvimento sustentável dessas comunidades (PNPCT), ampliou o reconhecimento feito parcialmente na Constituição de 1988, agregando aos indígenas e aos quilombolas outros povos tradicionais, a saber: ribeirinho, caiçara, castanheira, catador de mangaba, retireiro, cigano, cipozeiro, extrativista, faxinalense, fecho de pasto, geraizeiro, ilhéu, isqueiro, morroquiano, pantaneiro, pescador artesanal, piaçaveiro, pomerano, terreiro, quebradeira de coco-babaçu, seringueiro, vazanteiro e, veredeiro. Aqueles que mantêm um modo de vida primordial, intimamente ligado aos recursos naturais e ao meio ambiente em que vivem.
Assim, todas as políticas públicas decorrentes da PNPCT beneficiarão oficialmente o conjunto das populações tradicionais.
A região norte do estado mineiro possui um falar diferente dos falares mineiro e caipira. É assemelhado ao falar do interior do estado da Bahia, segundo o EALMG (Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais), publicado pela UFJF em 1977. O EALMG foi o segundo atlas linguístico feito no Brasil. Tem como autores os professores linguistas Mário Roberto Lobuglio Zágari, José Ribeiro, José Passio e Antônio Gaio.
Alguns núcleos urbanos que apresentam o sotaque geraizeiro são: Montes Claros, Paracatu, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Galileia, Nacip Raydan e Várzea da Palma.
Desde 2011, comemora-se anualmente no dia 8 de dezembro (dia da festa litúrgica católica Imaculada Concepção de Nossa Senhora) o Dia dos Gerais, com festa no município de Matias Cardoso, fundado pelos bandeirantes paulistas Januário Almeida e seu filho, Matias Cardoso de Almeida. A data foi iniciativa do deputado estadual Paulo Guedes. A data foi escolhida por ser o dia da padroeira da igreja matriz municipal, construída em 1664. O município de Matias Cardoso se torna, nesse dia, a capital estadual simbólica.
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