| Ghislaine Maxwell | |
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fotografía policial de Ghislaine Maxwell | |
| Nascimento | Ghislaine Noelle Marion Maxwell 25 de dezembro de 1961 (64 anos) Maisons-Laffitte (França) |
| Residência | Federal Prison Camp, Bryan |
| Cidadania | Reino Unido, Estados Unidos, França |
| Progenitores | |
| Irmão(ã)(s) | Kevin Maxwell, Christine Maxwell, Isabel Maxwell, Ian Maxwell |
| Alma mater |
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| Ocupação | socialite, empresária |
| Empregador(a) | Oxford United Football Club, The European |
| Obras destacadas | The TerraMar Project |
Ghislaine Noelle Marion Maxwell ([ɡiːˈleɪn,_ɡiːˈlɛn] ghee-LAYN-,_-ghee-LEN; Maisons-Laffitte, 25 de dezembro de 1961) é uma ex-socialite britânica e uma criminosa sexual condenada. Em 2021, ela foi considerada culpada de tráfico sexual infantil e outros crimes relacionados ao financista falecido e criminoso sexual condenado Jeffrey Edward Epstein. No ano seguinte, ela foi condenada em um tribunal federal na cidade de Nova York a 20 anos de prisão.

Ghislaine Maxwell nasceu em 25 de dezembro de 1961. Três dias depois, seu irmão Michael, então com 15 anos, sofreu um grave acidente de carro em uma estrada com neblina em Oxfordshire; ele permaneceria em coma pelos sete anos seguintes.
Apesar de ter vindo de uma família extremamente rica, sendo filha do magnata da imprensa Robert Maxwell, relatos indicam que seus primeiros anos foram marcados por negligência emocional. Em suas memórias, sua mãe, Betty Maxwell, afirmou que, após o acidente de Michael, a filha recém-nascida recebeu pouca atenção dos pais, profundamente abalados pela tragédia.
Embora estivesse sujeita aos episódios de comportamento agressivo e explosões de raiva atribuídos ao pai, Ghislaine tornou-se sua filha favorita. Em suas memórias publicadas em 1994, Betty descreveu-a como “mimada”, afirmando ser a única de suas filhas a quem aplicaria tal caracterização.
Ela cresceu em Headington Hill Hall, uma ampla mansão de estilo italiano com vista para Oxford. A propriedade, pertencente ao conselho municipal, foi arrendada por Robert Maxwell sob condições consideradas vantajosas, em troca de sua reforma. O próprio empresário a descrevia como “a melhor casa municipal do país”.
Durante sua infância, a residência era palco de eventos sociais frequentados por políticos, celebridades e figuras influentes da mídia. No entanto, relatos indicam que, após o término dessas ocasiões, o ambiente doméstico se tornava rígido e emocionalmente exigente.
Robert Maxwell teve uma trajetória marcada pela ascensão social: nasceu em condições de pobreza na então Checoslováquia, perdeu grande parte da família no Holocausto, serviu no Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, tornou-se empresário no setor editorial, parlamentar pelo Partido Trabalhista e proprietário do jornal Daily Mirror.
Descrito por críticos como um empresário autoritário, também foi retratado, na biografia Fall, de John Preston, como um pai severo, que exercia disciplina rígida e, segundo relatos de familiares, recorria a abusos físicos e verbais. Os filhos eram frequentemente pressionados durante refeições com perguntas sobre temas complexos, e respostas consideradas inadequadas podiam resultar em punições.
Relatos indicam que Ghislaine, apesar de não estar imune a esse ambiente, procurava corresponder às expectativas do pai. Em entrevista à revista Tatler em 2000, chegou a descrevê-lo como “inspirador”. A proximidade entre ambos foi simbolizada, posteriormente, quando Robert Maxwell nomeou seu iate particular como "Lady Ghislaine", em vez de homenagear sua esposa ou outras filhas.
Maxwell foi educada no Marlborough College e, posteriormente, na Universidade de Oxford, onde estudou história moderna e línguas.
Apesar de sua atuação em iniciativas empresariais, sua imagem pública era frequentemente associada à vida social de elite. Em publicações como a revista Tatler e colunas de sociedade do Daily Mail, era descrita principalmente como uma “socialite”. Nesse período, manteve um relacionamento com o conde italiano Gianfranco Cicogna. Também esteve envolvida na criação de um clube privado voltado ao público feminino.
Em janeiro de 1991, após a aquisição do jornal New York Daily News por seu pai, que enfrentava dificuldades financeiras, Maxwell foi enviada a Nova Iorque como sua representante. A função contribuiu para sua inserção nos círculos sociais de alto nível em Manhattan.
Em novembro do mesmo ano, seu pai, Robert Maxwell, desapareceu do iate "Lady Ghislaine", nas proximidades das Ilhas Canárias; seu corpo foi posteriormente encontrado no mar. Após o ocorrido, Ghislaine Maxwell deslocou-se para Las Palmas, onde a embarcação havia atracado. Relatos indicam que demonstrou profundo abalo com a morte do pai e, no dia seguinte, fez uma declaração pública à imprensa reunida no local.
Pouco após a morte de Robert Maxwell, veio à tona que seu império editorial enfrentava sérias dificuldades financeiras e que ele havia desviado, de forma irregular, cerca de US$ 1,2 bilhão de empresas de capital aberto sob seu controle e de fundos de pensão de funcionários. Em decorrência do escândalo, dois dos filhos, Ian e Kevin Maxwell, foram acusados de fraude, mas acabaram absolvidos em 1996.
O caso provocou forte repercussão no Reino Unido e contribuiu para a perda de prestígio e influência da família Maxwell, que passou a enfrentar significativa rejeição pública. Nesse contexto, Ghislaine Maxwell deixou o país e estabeleceu-se em Nova Iorque, onde viveria por mais de duas décadas.

Ghislaine Maxwell conheceu Jeffrey Epstein no início da década de 1990, pouco depois de sua atuação no New York Daily News. Os dois mantiveram um relacionamento pessoal durante parte daquela década e continuaram próximos por muitos anos, até a prisão de Epstein em 2019. A associação foi considerada mutuamente vantajosa: Epstein, que administrava uma empresa de consultoria financeira voltada a indivíduos de altíssimo patrimônio, passou a frequentar círculos sociais influentes aos quais Maxwell tinha acesso. Entre seus contatos figuravam nomes como Bill Clinton, Donald Trump e o príncipe Andrew, duque de York. Já Maxwell, cuja situação financeira havia se deteriorado após a morte do pai, voltou a desfrutar de um estilo de vida associado à elite. Nesse período, ela também exerceu funções administrativas para Epstein, incluindo a supervisão de funcionários em suas residências.
Nesse período, envolveu-se com Ted Waitt, cofundador da Gateway Computers. Segundo o The New York Times, o fato de Waitt financiar eventos e iniciativas contribuiu para manter Maxwell presente em conferências influentes, que passaram a ocupar o lugar dos tradicionais jantares beneficentes como principais espaços de interação social no fim dos anos 2000.
A posição privilegiada que Maxwell havia construído por meio de sua associação com Jeffrey Epstein começou a se deteriorar em 2007. Naquele ano, Epstein firmou um controverso acordo judicial que lhe permitiu evitar acusações federais relacionadas a crimes sexuais envolvendo menores.
Em 2008, após investigações conduzidas por autoridades estaduais e federais sobre acusações de abuso sexual envolvendo dezenas de menores na Flórida durante a década de 1990, Epstein declarou-se culpado de crimes relacionados à solicitação de prostituição e aliciamento de menor. Como parte de um acordo judicial, foi condenado a 13 meses de prisão, com permissão para deixar o cárcere durante o dia para trabalhar em seu escritório em Palm Beach, Flórida. Após essa condenação, Epstein e Maxwell deixaram de ser vistos juntos em público, embora ela tenha mantido presença em círculos sociais.
Embora Maxwell estivesse incluída em um acordo de não-processamento, isso não a protegeu da repercussão negativa na mídia. Com o aumento das controvérsias, seu relacionamento com Waitt chegou ao fim em 2010. Durante esse período, Waitt havia contribuído com US$ 12 milhões para a fundação ligada a Bill Clinton, o que ajudou Maxwell a manter vínculos com esse círculo político. Aproveitando conexões estabelecidas em eventos associados à família Clinton, Maxwell fundou o grupo de defesa do oceano The TerraMar Project em 2012. A organização anunciou o fechamento em 12 de julho de 2019, uma semana depois que as acusações de tráfico sexual apresentadas pelos promotores federais de Nova York contra Epstein se tornaram públicas.
A partir de meados da década de 2010, Maxwell voltou a ser alvo de atenção pública e controvérsia. Virginia Giuffre a acusou de, junto com Epstein, tê-la coagido a participar de um encontro sexual com o príncipe Andrew quando ainda era menor de idade. Maxwell negou as alegações, classificando-as como falsas, o que levou Giuffre a abrir um processo por difamação em 2015. O caso foi resolvido em 2017, e, naquele momento, a repercussão parecia ter diminuído.
Entretanto, no final de 2018, o caso Epstein voltou ao centro das atenções internacionais após a publicação de uma série de reportagens investigativas pela jornalista Julie K. Brown, do Miami Herald, que reacenderam o debate público sobre o acordo judicial firmado anos antes.
Em 27 de dezembro de 2019, a Reuters informou que Maxwell estava entre os que estavam sob investigação do FBI por facilitar os crimes cometidos por Epstein. Desde a prisão de Epstein, Maxwell estava escondida, comunicando-se com os tribunais apenas através de seus advogados que, em 30 de janeiro de 2020, haviam se recusado a aceitar o serviço de três ações judiciais em nome de Maxwell. Em 12 de março de 2020, ela entrou com uma ação no Tribunal Superior nas Ilhas Virgens Americanas, buscando indenização do patrimônio de Epstein por seus custos legais. Em 2 de julho de 2020, Maxwell foi presa pelo FBI em New Hampshire.
Em dezembro de 2021, a socialite foi declarada culpada de vários crimes sexuais, incluindo o de recrutar e assediar garotas para serem abusadas por Epstein. Maxwell foi declarada culpada por um júri de 12 pessoas num tribunal de Nova Iorque de cinco das seis acusações a que respondia, incluindo a mais séria delas, a de tráfico sexual de menores.
Em 28 de junho de 2022 foi condenada a 20 anos de prisão.
Em 23 de julho de 2025, o presidente James Comer do Comitê de Supervisão e Responsabilidade da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos intimou Maxwell a depor sob juramento sobre seu envolvimento com Epstein. Em resposta, por meio de seu advogado em 29 de julho, Maxwell exigiu imunidade de novas acusações. Comer recusou-se a conceder imunidade ou fornecer conhecimento prévio das perguntas. Em novembro de 2025, afirmou que o advogado de Maxwell havia informado que ela se recusaria a responder a qualquer pergunta caso fosse obrigada a depor.
O jornalista Michael Wolff afirmou que o interesse no caso de Maxwell aumentou após a publicação, em 17 de julho de 2025, no Wall Street Journal de Rupert Murdoch, de uma carta de felicitações enviada a Epstein por Donald Trump em seu 50º aniversário, o que levou Trump a processar o jornal em US$ 10 bilhões. Maxwell havia organizado o livro de aniversário de Jeffrey Epstein em 2003.
O vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, que havia defendido Trump em 2024 e foi nomeado em 2025, entrevistou Maxwell em 24 e 25 de julho de 2025. Durante a entrevista, Maxwell afirmou que Trump não havia feito nada preocupante em sua presença.
Em 1º de agosto, o Federal Bureau of Prisons confirmou que Maxwell havia sido transferida da FCI Tallahassee para o campo prisional federal de segurança mínima de Federal Prison Camp, Bryan, em Bryan, Texas, considerado uma instalação com baixo nível de segurança e condições menos restritivas. A Casa Branca declarou que a transferência não envolveu tratamento preferencial e a classificou como procedimento rotineiro. Em 11 de fevereiro de 2026, a procuradora-geral Pam Bondi afirmou ao Congresso que não tinha conhecimento prévio da transferência e sustentou que se tratava do mesmo nível de segurança. Em 2 de março, parlamentares democratas solicitaram esclarecimentos ao diretor do Bureau of Prisons.
Em 5 de agosto, o deputado Raja Krishnamoorthi apresentou a resolução 119–635 à Câmara dos Representantes, afirmando que a condenação de Maxwell foi justificada e opondo-se a qualquer possibilidade de perdão ou comutação de pena. Posteriormente, um funcionário interino do Departamento de Justiça afirmou em vídeo que a transferência teria ocorrido para evitar declarações públicas de Maxwell, embora o órgão tenha negado vínculo do funcionário com o caso. Em 22 de agosto, o Departamento de Justiça divulgou transcrições e gravações de entrevistas com Maxwell.
Em novembro de 2025, o deputado Jamie Raskin afirmou ter sido informado por um denunciante de que Maxwell estaria recebendo tratamento especial na prisão, incluindo privilégios não concedidos a outros detentos. As alegações motivaram investigações. A ex-atriz Jen Shah também relatou benefícios semelhantes em entrevista à revista People, enquanto o Bureau of Prisons declarou que tais alegações são investigadas. O congressista Robert Garcia afirmou ter buscado esclarecimentos adicionais sobre o tema.