Giaur

Théodore Géricault: O Giaur (1820, lithografia; Museu Metropolitano de Arte, Nova Iorque)
Eugène Delacroix: O Combate do Giaur e Hassan (1826, óleo sobre tela; Art Institute of Chicago), inspirado por O Giaur, de Lord Byron

Giaur, Gâvur ou Giaour ([ˈdʒaʊər]; em turco: gâvur, pronúncia em turco: [ɟaˈvuɾ]; do turco otomano e em persa: گور gâvor; em romeno: ghiaur; em albanês: kaur; em grego: γκιαούρης; romaniz.: gkiaoúris; em búlgaro: гяур; em bósnio: kaur/đaur; adigue: джаур) significando "infiel", é um termo pejorativo usado principalmente nos territórios do antigo Império Otomano para se referir a não-muçulmanos ou, mais particularmente, a cristãos nos Balcãs.

Terminologia

Os termos "kafir", "gawur", e "rûm" (este último significando "Rum millet") eram comumente usados ​​em defters (registros fiscais) para cristãos ortodoxos, geralmente sem distinção étnica. Os grupos étnicos cristãos nos Balcãs otomanos incluíam gregos (rûm), búlgaros (bulgar), sérvios (sırp), albaneses (arnavut) e valáquios (eflak), entre outros.

A Enciclopédia Britânica de 1911 descreveu o termo da seguinte forma:

Giaour (uma adaptação turca do persa gâwr ou gōr, um infiel), palavra usada pelos turcos para descrever todos aqueles que não são muçulmanos, com especial referência aos cristãos. A palavra, inicialmente usada como termo de desprezo e reprovação, tornou-se tão comum que, na maioria dos casos, seu uso não tem a intenção de insultar; por exemplo, em algumas partes da China, a expressão demônio estrangeiro deixou de ser ofensiva. Uma analogia direta a giaour é encontrada no árabe kafir, ou descrente, que é tão comum em seu uso que se tornou o nome próprio de povos e países.

Durante a era Tanzimat (1839–1876), um hatt-i humayun proibiu o uso do termo por muçulmanos em referência a não muçulmanos para evitar problemas nas relações sociais.

Referências culturais europeias

Giaours fumando o tchibouque com o paxá dos Dardanelos, ilustração de livro de 1839.

Musselmans and Giaours
Throw kerchiefs at a smile, and have no ruth
For any weeping.

Ver também

Procure por infiel no Wikcionário, o dicionário livre.

Notas

  1. ↑ uma variante obsoleta do moderno گبر gaur, originalmente derivado de em aramaico: 𐡂𐡁𐡓𐡀; romaniz.: homem; pessoa

Referências

  1. ↑ «giaur». michaelis.uol.com.br. Consultado em 10 de maio de 2026
  2. ↑ «gâvur». educalingo. Consultado em 10 de maio de 2026
  3. ↑ Speros Vryonis (1993). The Turkish State and History: Clio Meets the Grey Wolf. [S.l.]: Institute for Balkan Studies. ISBN 978-0-89241-532-8. The Turkish term "giaour" a term of contempt, was applied to these Balkan Christians,
  4. 1 2 Entangled Histories of the Balkans: Volume One: National Ideologies and Language Policies. [S.l.]: BRILL. 13 de junho de 2013. p. 44. ISBN 978-90-04-25076-5. In the Ottoman defters, Orthodox Christians are as a rule recorded as kâfir or gâvur (infidels) or (u)rum.
  5. ↑ «The Eastern Question». London: E.C. Barton. London Quarterly Review: 407. 1868. Consultado em 20 de novembro de 2023. The application of the word giaour, dog, is forbidden by the Hatt-i-Humayoou [...].
  6. ↑ Gawrych, George (2006). The Crescent and the Eagle: Ottoman Rule, Islam and the Albanians, 1874-1913. [S.l.]: I.B.Tauris. p. 15. ISBN 978-1-84511-287-5
  7. ↑ Beckford, William (2013). Vathek. [S.l.]: OUP Oxford. ISBN 978-0-19-164578-5
  8. ↑ Pesquisas en la obra tardía de Juan Goytisolo, page 66, Volumen 33 de Foro hispánico, ISSN 0925-8620, Brigitte Adriaensen, Marco Kunz, Rodopi, 2009, ISBN 9042025476, ISBN 9789042025479. Quotes Estambul otomano, page 62, Juan Goytisolo, 1989, Barcelona, Planeta.

Bibliografia