| Gran Torino | |
|---|---|
Cartaz de lançamento original. | |
2008 • cor • 116 min | |
| Género | drama |
| Direção | Clint Eastwood |
| Produção | Clint Eastwood Robert Lorenz Bill Gerber |
| Produção executiva | Jenette Kahn Adam Richman Tim Moore Bruce Berman |
| Roteiro | Nick Schenk |
| História | Dave Johannson Nick Schenk |
| Elenco | Clint Eastwood Bee Vang Ahney Her Christopher Carley Brian Haley Doua Moua John Carroll Lynch |
| Música | Kyle Eastwood Michael Stevens |
| Direção de fotografia | Tom Stern |
| Direção de arte | James J. Murakami |
| Figurino | Deborah Hopper |
| Edição | Joel Cox Gary D. Roach |
| Companhias produtoras | Village Roadshow Pictures Double Nickel Entertainment Malpaso Productions |
| Distribuição | Warner Bros. Pictures |
| Lançamento | |
| Idiomas | inglês hmong |
| Orçamento | US$ 25-33 milhões |
| Receita | US$ 269.958.228 |
Gran Torino é um filme de drama de 2008 produzido e dirigido por Clint Eastwood, que também estrela no papel principal. Kyle Eastwood e Michael Stevens compuseram a trilha sonora, enquanto Jamie Cullum e Clint Eastwood forneceram a faixa principal.
Ambientado na cidade de Highland Park, no estado americano do Michigan, o filme acompanha Walt Kowalski (Eastwood), um veterano da Guerra da Coreia recém viúvo e afastado de sua família. Quando o vizinho de Kowalski, Thao Vang Lor, é pressionado por seu primo a roubar o valioso Ford Torino de Walt como iniciação em uma gangue, Walt impede o roubo e desenvolve um amizade com o garoto e sua família. Gran Torino apresenta um elenco significativo de americanos de origem hmong, sendo a primeira produção de Hollywood a realizar este feito.
O longa estreou através de um lançamento limitado nos cinemas estadunidenses em 12 de dezembro de 2008, antes de ganhar um lançamento amplo em todo o país em 9 de janeiro do ano seguinte. Arrecadou cerca de US$ 269 milhões em todo o mundo, tornando-se o segundo filme de maior bilheteria de Eastwood até hoje. Também recebeu críticas geralmente positivas, com destaque para a direção e atuação de Eastwood, embora tenha recebido algumas críticas por sua representação imprecisa da comunidade Hmong.
Walt Kowalski, recentemente viúvo, é um veterano da Guerra da Coreia e ex-operário da Ford Motor Company. Temperamental e preconceituoso, vive sozinho em um bairro da cidade de Highland Park, na região industrial de Detroit, que passou por um processo de decadência e se tornou predominantemente habitado por imigrantes hmong. A violência entre gangues é frequente na região, incluindo uma liderada por Aranha, primo de seu vizinho Thao Vang Lor. Distante de seus filhos e netos, Walt rejeita a sugestão de se mudar para uma casa de repouso e prefere permanecer em sua residência, acompanhado apenas de sua idosa cadela Daisy. Fumante inveterado, sofre de tosse e ocasionalmente expele sangue durante as crises. O padre Janovich, que havia prometido à falecida esposa de Walt que cuidaria dele, tenta convencê-lo a se confessar na igreja, mas é constantemente rejeitado.
Como parte de um ritual de iniciação da gangue, Thao é coagido a tentar roubar o Ford Gran Torino 1972 pertencente a Walt. O idoso surpreende o jovem durante o ato e impede o roubo, fazendo com que Thao fuja de sua garagem. Posteriormente, quando membros da gangue tentam forçar Thao a se juntar ao grupo, Walt os afugenta com seu rifle M1 Garand. O episódio faz com que ele ganhe o respeito de parte da comunidade hmong. Como punição pelo envolvimento no roubo, a mãe de Thao determina que ele passe a trabalhar para Walt, realizando diversos serviços em sua casa e no bairro. Embora inicialmente mantenham uma relação hostil, os dois desenvolvem gradualmente uma relação de respeito mútuo. Walt passa a dar conselhos de vida a Thao e o ajuda a conseguir um emprego na construção civil. Walt também intervém quando Sue, irmã de Thao, é assediada por três jovens afro-americanos. Apesar de seus preconceitos, ele se aproxima cada vez mais da família Vang Lor. Enquanto isso, sua saúde continua a se deteriorar. Após consultar um médico, Walt recebe um diagnóstico preocupante, mas decide ocultá-lo de sua família e de seus conhecidos.
Certo dia, membros da gangue agridem Thao quando ele retorna para casa após o trabalho. Em resposta, Walt agride um dos integrantes do grupo e o adverte para que a gangue não volte a atacar o jovem. A gangue reage atacando a família de Thao: Sue é espancada e estuprada, enquanto Thao é ferido durante um tiroteio drive-by contra a casa dos Vang Lor. Temendo novas represálias, a família decide não denunciar os crimes às autoridades. No dia seguinte, Thao procura Walt e pede sua ajuda para se vingar da gangue. Walt, porém, pede que ele volte mais tarde. Enquanto isso, Walt compra um terno, corta o cabelo e procura o padre Janovich, a quem finalmente confessa seus pecados. Quando Thao retorna, Walt o leva ao porão de sua casa e lhe entrega sua Estrela de Prata. Ele revela que é atormentado pela lembrança de ter matado, durante a Guerra da Coreia, um jovem soldado inimigo que tentava se render. Por isso, não deseja que Thao se envolva em um ato de violência. Walt então tranca o rapaz no porão e parte sozinho para confrontar os integrantes da gangue.
Ao chegar à residência dos criminosos, Walt os confronta verbalmente e chama a atenção dos moradores da vizinhança. Os integrantes da gangue sacam suas armas. Walt coloca um cigarro na boca, leva lentamente a mão ao bolso do paletó e a retira de forma repentina. Interpretando o gesto como uma tentativa de sacar uma arma, os membros da gangue atiram contra ele. Walt cai morto e sua mão se abre, revelando que segurava apenas um isqueiro Zippo com o emblema da 1.ª Divisão de Cavalaria. Seguindo as instruções deixadas por Walt num telefonema horas antes, Sue liberta Thao do porão, e os dois seguem até o local do confronto. Um policial informa que Walt estava desarmado no momento em que foi morto e que os integrantes da gangue foram presos por seu assassinato. Segundo o policial, as testemunhas que presenciaram o ocorrido permitiram que os criminosos fossem responsabilizados pelo crime.
O padre Janovich celebra o funeral de Walt, que reúne sua família, seu barbeiro e integrantes da comunidade hmong. Posteriormente, seu testamento é lido. Para surpresa e descontentamento de seus familiares, Walt deixa sua casa para a igreja e seu Gran Torino para Thao, com a condição de que o jovem não faça modificações no veículo. Algum tempo depois, Thao dirige o automóvel pela Avenida Jefferson, em Detroit, acompanhado por Daisy.
Após realizar testes de elenco em Fresno, Califórnia; Detroit, Michigan; e Saint Paul, Minnesota, Eastwood selecionou dez atores hmong para papéis principais e coadjuvantes. Destes, apenas um não era ator estreante. Do elenco hmong, cinco, incluindo Bee Vang, uma das atrizes principais, eram do estado de Minnesota. Ahney Her é de Lansing, Michigan. A agência de atores Pound & Mooney recrutou trinta atores e mais de quinhentos figurantes. A empresa recrutou muitos atores hmong de um torneio de futebol no Condado de Macomb, também no Michigan. Sandy Ci Moua, uma atriz hmong que residia nas "cidades gêmeas" (Minneapolis e St. Paul), auxiliou na seleção de atores hmong para o filme.

Gran Torino foi escrito por Nick Schenk e dirigido por Clint Eastwood. Foi produzido pela Village Roadshow Pictures, Media Magik Entertainment e Malpaso Productions para ser distribuído pela Warner Bros. Pictures. Eastwood coproduziu a produção com seus sócios da Malpaso, Robert Lorenz e Bill Gerber. O diretor afirmou que gostou da ideia "de que [o filme] tratava de preconceito, de que nunca é tarde demais para aprender".
As filmagens começaram em julho de 2008. Vários membros de etnia hmong foram empregados no filme atuando como assistentes de produção, consultores e figurantes. O filme foi rodado ao longo de cinco semanas. Os editores Joel Cox e Gary D. Roach editaram o filme para que tivesse menos de duas horas de duração. A equipe gastou mais de 10 milhões de dólares somente nas filmagens em Detroit.
No início da década de 1990, Schenk familiarizou-se com a história e a cultura dos hmong enquanto trabalhava em uma fábrica em Minnesota. Ele aprendeu como eles se aliaram às forças do Vietnã do Sul e seus aliados americanos durante a Guerra do Vietnã, apenas para acabar em campos de refugiados, à mercê das forças comunistas do Vietnã do Norte, quando as tropas americanas se retiraram e as forças governamentais foram derrotadas. Anos depois, ele estava decidindo como desenvolver uma história envolvendo um veterano viúvo da Guerra da Coreia tentando lidar com as mudanças em sua vizinhança quando decidiu colocar uma família hmong ao lado e criar um choque cultural. Ele e Dave Johannson, colega de quarto do irmão de Schenk, criaram um esboço para a história. De acordo com Schenk, todas as noites ele usava caneta e papel para escrever o roteiro enquanto estava num bar no nordeste de Minneapolis chamado Grumpy's depois de trabalhar em seus empregos diurnos. Ele se lembrou de ter escrito 25 páginas em uma única noite no bar e de ter pedido opiniões ao garçom, que era seu amigo, sobre o andamento da história. Alguns membros da indústria disseram a Schenk que um filme estrelado por um personagem principal idoso não poderia ser produzido, pois a história não seria facilmente vendida, especialmente com um personagem principal idoso que usava linguagem sugerindo que ele tinha visões racistas. Por meio de um amigo, Schenk enviou o roteiro ao produtor da Warner Bros., Bill Gerber. Eastwood pôde dirigir e estrelar o projeto, já que as filmagens de Invictus foram adiadas para o início de 2009, deixando tempo suficiente para rodar Gran Torino durante o verão anterior. Eastwood disse que teve um "papel divertido e desafiador, e que [o filme] é uma história peculiar".
Segundo Schenk, além de mudar as referências a Minneapolis para referências a Detroit, a produção liderada por Eastwood "não mudou uma única sílaba" no roteiro. Schenk acrescentou que o conceito de os produtores não fazerem revisões substanciais a um roteiro submetido "nunca acontece". Eastwood disse que parou de fazer revisões significativas depois de tentar mudar o roteiro de Unforgiven (1992) e, posteriormente, decidir retornar à revisão original, acreditando que suas mudanças estavam "emasculando" o produto.
O roteiro original foi inspirado na comunidade de Minneapolis, Minnesota, no nordeste dos Estados Unidos, mas os cineastas optaram por filmar em Michigan, tornando-se uma das primeiras produções a aproveitar a nova lei estadual que oferecia pacotes de incentivos lucrativos para produções cinematográficas. O político americano Bill Huizenga, de Zeeland, Michigan, que já atuou na Câmara dos Representantes de Michigan, ajudou a redigir e coordenar o pacote de incentivos do Estado de Michigan para os criadores do filme. A produção de Gran Torino acabou recebendo um crédito tributário de 42%. Bruce Headlam, comentarista do The New York Times, escreveu: "Isso ajudou a facilitar para a Warner Bros. aprovar o financiamento do filme, algo que nem sempre foi garantido na relação do estúdio com o diretor".
O produtor Robert Lorenz disse que, embora o roteiro fosse originalmente ambientado em Minnesota, ele escolheu Michigan como cenário final porque Kowalski é um trabalhador aposentado de uma fábrica de automóveis. A região metropolitana de Detroit foi o ponto de origem da Ford Motor Company. Schenk disse que, às vezes, as falas do filme pareciam deslocadas em relação ao cenário de Detroit; por exemplo, uma fala sobre um dos filhos de Walt perguntando se Walt ainda conhece alguém que tenha ingressos para a temporada dos jogos do Minnesota Vikings foi alterada para ser sobre uma pessoa com ingressos para o Detroit Lions. Schenk disse: "Os ingressos não se esgotam em Detroit. E isso me incomodou. Pareceu-me realmente falso".

As locações, todas na região metropolitana de Detroit, incluíam Highland Park, Center Line, Warren, Royal Oak e Grosse Pointe Park. A casa que representa a residência de Walt Kowalski fica na Rhode Island Street, em Highland Park. A casa da gangue hmong está localizada na Pilgrim Street, também em Highland. A casa que representa a residência de um dos filhos de Walt fica na Ballantyne Road, em Grosse Pointe Shores. A igreja usada no filme, a Igreja Católica Romana de Santo Ambrósio, fica em Grosse Pointe Park. A loja de ferragens, Pointe Hardware, também fica em Grosse Pointe Park. O Posto 6756 da VFW, usado como local onde Walt se encontra com amigos para beber, fica em Center Line.
A barbearia, Widgren's Barber Shop, fica no início da 11 Mile Road, perto da Center Street, em Royal Oak. A barbearia, fundada em 1938, em um espaço agora ocupado por outro estabelecimento, mudou-se para sua localização atual, a oeste de sua localização original, em 1970. Os produtores do filme selecionaram essa barbearia entre sessenta candidatas na região metropolitana de Detroit. De acordo com Frank Mills, genro do proprietário Ted Widgren, os produtores a escolheram porque gostaram do "visual antigo de interior". Eastwood pediu a Widgren que atuasse como figurante na cena da barbearia. Na área ao redor da barbearia, o tráfego de veículos teve que ser interrompido por três a cinco minutos de cada vez, o que fez o tráfego na área ficar mais lento no dia das filmagens.
De todo o elenco do filme, apenas alguns eram atores consagrados; os atores hmong tinham relativamente pouca experiência e alguns sequer eram fluentes em inglês. Jeff Baenen disse que Eastwood usava uma "abordagem discreta para dirigir". O diretor declarou: "eu dava pequenas dicas ao longo das gravações. E eu avançava em um ritmo que não lhes dava muita chance de pensar". O ator Bee Vang disse que inicialmente se sentiu assustado, mas conseguiu se adaptar aos trabalhos. Baenen disse que Eastwood era um "professor paciente" para os atores iniciantes. Segundo Vang, Eastwood não dizia "ação" sempre que uma determinada cena começava a ser filmada.
Vang disse que estudou o roteiro como se fosse um livro didático. Segundo Vang, após o término da primeira versão do filme, ele não ouviu nenhuma resposta de Eastwood. Quando Vang perguntou se havia algo errado, outras pessoas disseram a ele que, se Eastwood não fez nenhum comentário, então sua atuação foi satisfatória. Vang acrescentou que Eastwood incentivou a improvisação com os atores hmong. Ahney Her disse que gostou do trabalho de improvisação, mesmo nas cenas onde sua personagem teve que traduzir para sua família o inglês para o hmong. Quando questionada se os insultos raciais proferidos pelos personagens ofenderam os atores na vida real, Ahney disse que não se sentiu ofendida. Vang disse: "Fui chamado de tantos nomes que não posso dizer aqui por serem tão vulgares. Isso me incomodou bastante, mas no fim das contas era apenas um roteiro".
Vang disse em um programa de 2011 que Eastwood não permitiu que os atores hmong mudassem suas falas, apesar do que ele disse em entrevistas anteriores.
Nick Schenk disse que fez amizade com muitos colegas de trabalho de origem hmong enquanto trabalhava em uma fábrica de fitas VHS em Bloomington, Minnesota. Em relação às histórias de Schenk sobre suas interações com o povo hmong, Laura Yuen, da Rádio Pública de Minnesota, disse: "Esse senso de humor e curiosidade permeiam o roteiro, embora os trailers de Gran Torino façam o filme parecer, em todos os aspectos, um drama".
Eastwood queria contar com pessoas de etnia hmong no elenco, então a diretora de elenco Ellen Chenoweth recrutou organizações hmong e organizou testes em Detroit, Fresno e Saint Paul; Fresno e Saint Paul têm as duas maiores comunidades hmong nos Estados Unidos, enquanto Detroit também tem uma população hmong considerável. Chenoweth recrutou Bee Vang em St. Paul e Ahney Her em Detroit.
O roteiro foi escrito inteiramente em inglês. Portanto, os atores de Gran Torino improvisaram o idioma hmong usado no filme. Louisa Schein, autora de Hmong Actors Making History Part 2: Meet the Gran Torino Family, disse antes do final da produção que "algumas das falas que os atores improvisaram em hmong diante das câmeras serão difíceis de traduzir de volta para as legendas". Schenk contou com a contribuição de pessoas hmong ao escrever o roteiro. Dyane Hang Garvey atuou como consultora cultural, dando conselhos sobre nomes, tradições e traduções.
Mais tarde, Vang argumentou que o uso do povo hmong não parecia relevante para o enredo geral. Ele disse: "Não há nenhuma razão real para sermos hmong no roteiro" e que, embora Walt Kowalski tivesse lutado na Coreia, ele ainda confundiu os hmong com coreanos e outros grupos étnicos asiáticos. Em um programa de 2011, Vang disse que os atores hmong foram tratados injustamente no set e que Eastwood não deu dicas sobre como construir os personagens. Vang também alegou que outros membros brancos do elenco fizeram os atores hmong se sentirem excluídos, presumindo que os falantes de hmong não entendiam inglês. Vang disse que algumas falas importantes que os personagens hmong diziam em língua hmong não foram legendadas, então o público desenvolveu uma percepção distorcida do povo hmong.
Bee Vang, parafraseado por Jeff Baenen da Associated Press, disse em 2009 que a representação dos hmong no filme é "geralmente precisa". Sobre o resultado, Vang disse: "[e]ste filme não é um documentário. Não podemos esperar 101% de exatidão".
Durante as filmagens, os membros do elenco hmong abordaram o que consideravam imprecisões culturais que estavam sendo introduzidas. Cedric Lee, um hmong-americano que trabalhou como assistente de produção e consultor cultural, disse que "algumas coisas foram exageradas para fins dramáticos. Independentemente de ser nosso trabalho ou não, ainda senti alguma responsabilidade em expressar nossa opinião e dizer algo, mas, ao mesmo tempo, o roteiro era o que era. Não tomamos a decisão final".
Em 2011, Vang disse que, embora muitos hmong tivessem se oposto a alguns elementos, os produtores selecionaram os pontos de vista dos consultores culturais hmong que "tinham a visão mais favorável sobre o assunto e dariam credibilidade a quaisquer estereótipos de Hollywood que o filme quisesse transmitir". Vang disse ainda que "[o filme] era uma produção branca, que nossa presença como atores não equivalia ao controle de nossas imagens".
As escritoras Louisa Schein e Va-Megn Thoj, autoras de Gran Torino's Boys and Men with Guns: Hmong Perspectives, disseram: "Talvez as objeções mais comuns dos hmong ao filme digam respeito às suas inúmeras imprecisões culturais, exageros e distorções"; Schein também disse que "os atores [hmong] também lutam com a sua cultura sendo transformada em espetáculo". Embora um xamã hmong real atue no filme, Schein disse que "a sua experiência foi anulada pelo roteiro e pela filmagem, que distorceram as cenas cerimoniais, tornando-as imprecisamente exóticas". Vang disse que as cerimônias do chá retratadas no filme não foram realizadas corretamente. Embora, no filme, os personagens hmong se sintam ofendidos quando Walt toca na cabeça de uma menina, Schein disse que na cultura hmong real é aceitável tocar na cabeça de uma pessoa. Em outros segmentos do filme, o xamã hmong toca na cabeça de um bebê sem qualquer crítica negativa. Schein acrescenta que o gangster Aranha toca na cabeça de Thao Vang Lor "sem consequências". Por outro lado, Christine Wilson Owens, autora de Perfil Cultural Hmong, disse: "A maioria dos anciãos hmong tradicionais, especialmente os homens, não querem que estranhos toquem em suas cabeças, ou nas de seus filhos, devido às suas crenças religiosas e valores pessoais".
Thao e Sue Lor vestem roupas hmong no funeral de Walt Kowalski. Os hmong normalmente não usam roupas tradicionais de sua cultura em funerais. A avó Lor cospe uma noz de betel que estava mascando para demonstrar desprezo por Walt Kowalski, embora os hmong não possuem quase nenhum costume de consumir tal fruta. Em outra cena do filme o xamã hmong lê o caráter pessoal de Walt, quando na vida real ele se "comunicaria com o mundo espiritual". No longa, o próprio xamã sacrifica uma galinha de uma maneira que Schein e Thoj descrevem como "de forma cerimonial dramática", quando na vida real qualquer assistente faria isso "de forma superficial". Os autores afirmaram que a cerimônia hu plis realizada em homenagem ao bebê tem um layout espacial incorreto, que as roupas e a aparência dos grupos hmong não estão corretas e que "a obsequiosa oferta de oferendas na porta da casa [de Walt]" não é precisa. Embora Thao lave a louça, Schein e Thoj acrescentam que ele não faria isso sozinho, pois mora em uma casa com outras mulheres da família. Schein e Thoj também acrescentam que há "uso inconsistente dos dois dialetos hmong dentro de uma mesma família". Eles também argumentam que membros de um clã hmong não demonstrariam agressão contra um membro de outro clã e que não estuprariam um membro de seu próprio clã, como a gangue no filme estupra Sue. Sharon Her, uma escritora hmong de Nova York, argumentou que o filme apresentava "confusão de costumes asiáticos" e que "o povo hmong não usa favores como método de expiação, nem costuma presentear incessantemente as pessoas em sinal de gratidão"; Her acrescentou: "Um rascunho inicial do roteiro tinha até nomes escritos incorretamente e fazia referência a sobrenomes chineses, um erro grosseiro que foi facilmente corrigido".
Gran Torino foi lançado nos cinemas da América do Norte em 12 de dezembro de 2008 de maneira limitada, ganhando um lançamento amplo somente em 9 de janeiro de 2009. Em seu primeiro final de semana após a estreia ampla o longa arrecadou US$ 29,5 milhões. Encerrou seu circuito nos cinemas arrecadando US$ 148 milhões na América do Norte e US$ 121,8 milhões em outros territórios, perfazendo um total global de US$ 269.958.228, tornando-se o filme de maior bilheteria de Eastwood até 2014 quando foi superado por Sniper Americano.
O filme foi lançado em 9 de junho de 2009 nos Estados Unidos, tanto em formato DVD padrão quanto em Blu-ray. Ambos os discos incluem materiais bônus e recursos extras dentre os quais um featurette, assim como um documentário sobre a correlação entre masculinidade e o automóvel. A versão em Blu-ray apresenta o filme no formato de proporção 2.40:1, uma cópia digital e o áudio em vários idiomas.
Cerca de quatro milhões de unidades do DVD foram vendidas até 2012, gerando US$ 67,4 milhões em receita extra. Outras 332.000 unidades de Blu-ray foram vendidas por US$ 4,9 milhões, elevando o total para US$ 72,3 milhões em vendas de vídeo doméstico.
O agregador Rotten Tomatoes relata que 81% dos 237 críticos consultados deram avaliações positivas a Gran Torino; a pontuação média do filme no site é de 7,10/10 sob o seguinte consenso crítico: "Embora seja uma obra menor na filmografia de Eastwood, Gran Torino é, no entanto, uma parábola à moda antiga, humorística, comovente e intrigante". No Metacritic, que atribui uma pontuação média ponderada de 100 com base em críticas de veículos de imprensa especializados, o filme recebeu a pontuação 72/100 com base em 34 críticas, indicando "resenhas geralmente favoráveis". As audiências pesquisadas pelo instituto CinemaScore deram ao filme uma nota média "A" em uma escala de "A+" a "F".
O jornal The New York Times descreveu o tom de réquiem capturado pela obra, chamando Gran Torino de "um filme elegante e potente, feito nos EUA, naquele cemitério industrial chamado Detroit". A crítica de cinema Manohla Dargis comparou a presença de Eastwood no filme à de Dirty Harry (1971) e do Pistoleiro sem nome, afirmando: "Dirty Harry está de volta, de certa forma, em Gran Torino, não como um personagem, mas como uma presença fantasmagórica. Ele paira no filme, em seus temas e imagens de alta qualidade e, claro, mais obviamente, no rosto do Sr. Eastwood. É um rosto monumental agora, tão enrugado e cheio de pregas que não parece mais apenas desgastado, como por décadas, mas sim mais próximo de madeira petrificada".
O Los Angeles Times também elogiou a atuação e a credibilidade de Eastwood como herói de ação aos 78 anos. Kenneth Turan disse sobre a atuação de Eastwood: "É um filme impossível de imaginar sem o ator no papel principal. A ideia de um herói de ação de 78 anos pode parecer uma contradição, mas Eastwood consegue, mesmo que sua dureza seja tanto verbal quanto física. Mesmo aos 78 anos, Eastwood consegue fazer com que 'Saiam da minha grama' soe tão ameaçador quanto 'Façam o meu dia', e quando ele diz 'Eu abro um buraco na sua cara e durmo como um bebê', ele parece estar falando sério".
O comentarista de cinema Roger Ebert escreveu que o filme é "sobre o florescimento tardio da melhor natureza de um homem. E é sobre americanos de diferentes raças se tornando mais abertos uns aos outros no novo século". Sang Chi e Emily Moberg Robinson, editores de Voices of the Asian-American and Pacific Islander Experience: Volume 1, disseram que, na mídia convencional, o filme recebeu "aclamação da crítica" "por seu retrato matizado de asiático-americanos". Louisa Schein e Va-Megn Thoj, autoras de Gran Torino's Boys and Men with Guns: Hmong Perspective, disseram que a resposta da crítica convencional foi "centrada no personagem de Eastwood e viu o filme principalmente como uma visão de inclusão e compreensão multicultural".
Nicole Sperling, colunista da revista Entertainment Weekly, chamou o filme de drama com "o apelo comercial de um filme de gênero" e descreveu-o ainda como "uma meditação sobre tolerância envolta no disfarce de um filme com um Clint Eastwood armado e um carro legal". Chi e Robinson disseram que, dentro da comunidade asiático-americana, alguns criticaram "as representações do povo hmong" e "o arquétipo do salvador branco que permeava o filme".
A decisão de Clint Eastwood de escalar atores hmong, incluindo atores amadores, foi bem recebida nas comunidades hmong. Tou Ger Xiong, um contador de histórias e artista performático hmong da região de Minneapolis-St. Paul que fez um teste para um papel no filme, disse que respeitava a produção porque os produtores realmente escalaram atores hmong em vez de pedir a outros asiático-americanos que os imitassem. Xiong também argumentou: "Primeiro, vamos garantir nossa entrada. Reclamamos depois". Dyane Hang Garvey, que atuou como consultora cultural para a produção de Gran Torino, disse que o filme não tinha a intenção de ser um documentário sobre o povo hmong e que destaca positivamente, como parafraseado por Laura Yuen da Rádio Pública de Minnesota, "a natureza unida da comunidade hmong em Detroit". Doua Moua, intérprete do gangster Aranha, disse que não se arrependeu de interpretar um membro de gangue, porque, nas palavras de Yuen, "as gangues consumiram a vida de seu irmão enquanto eles cresciam em Saint Paul". Moua acrescentou que muitos hmong de primeira geração são afetados por gangues e acabam entrando nelas devido à falta de figuras paternas.
A antropóloga da Universidade Rutgers e especialista na cultura hmong Louisa Schein, aprovou o conceito de os hmong alcançarem visibilidade na cultura popular dos Estados Unidos, mas acreditava que o filme poderia estar promovendo estereótipos ultrapassados sobre a etnia. Schein disse que seus amigos hmong ficaram "comovidos" com a representação da cultura deles no filme, redimindo-a e buscando contato com Walt Kowalski.
Schein acrescentou ainda que o filme parecia dar pouca importância à história dos hmong e que apenas dois homens hmong, Thao e um membro de uma gangue, tiveram profundidade na história. Schein disse: "Sinto que grande parte da trama sobre o personagem de Eastwood é impulsionada pelo fato de ele ser um veterano. No entanto, não há possibilidade de representar o fato de que os hmong também eram veteranos". Um internauta criou um blog, eastwoodmovie-hmong.com, documentando o que o autor acreditava serem imprecisões culturais na representação dos hmong no filme.
David Brauer, do portal americano MinnPost, disse que alguns hmong gostaram de Gran Torino e que muitos acreditavam que o filme era ofensivo. Em 2009, o ator Bee Vang disse que estava satisfeito com o resultado do filme. Em um artigo de opinião publicado em 2011, Brauer disse que Vang "não é gentil com o filme de Clint Eastwood". Krissy Reyes-Ortiz, do jornal semanal da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara The Bottom Line, disse, com base no depoimento de Vang em um programa de 2011, que "embora muitas das pessoas que viram o filme possam ter sentido satisfação e alegria ao ver que Walt superou seu racismo, as pessoas que interpretaram os membros hmong no filme não sentiram isso" e que "elas se sentiram ofendidas pelos traços de racismo que foram incluídos no filme e que elas mesmas vivenciaram no set". Alguns hmong em fóruns de mensagens na internet postaram críticas ao filme. Em 2011, Vang disse: "Hmongs em todo o país estavam furiosos com seus estereótipos negativos e distorções culturais" e que o confrontaram quando ele falou em eventos. Ele acrescentou que se dedicou a "explicar minha obrigação como ator, ao mesmo tempo em que reconhecia que, como um americano hmong, eu não sentia que podia me apropriar das falas que estava proferindo". O ator também afirmou que se sentiu desconfortável com a reação do público branco ao filme, achando o riso deles diante da utilização de insultos raciais como humor "inquietante" e "mais uma desculpa para ignorar a supremacia branca e o racismo".
Philip W. Chung, comentarista do extinto jornal AsianWeek, disse que Eastwood, interpretando um homem branco, era a "principal arma" do filme, embora o roteirista Nick Schenk "se esforce ao máximo para retratar a cultura hmong e os principais personagens da etnia com profundidade e sensibilidade cultural". Chung argumentou que "Gran Torino poderia ter sido mais uma história de 'homem branco salva o dia'", mas que "o que Eastwood realmente criou não é uma história sobre o homem branco salvando a minoria (embora possa ser lida nesse nível e tenho certeza de que alguns o farão), mas um exame crítico de uma marca icônica de masculinidade branca machista na qual ele desempenhou um papel significativo na criação".
O longa foi reconhecido pelo American Film Institute como um dos dez melhores filmes de 2008. A atuação de Clint Eastwood também foi reconhecida, com o ator vencendo o prêmio de Melhor ator do National Board of Review, sendo indicado também ao prêmio homônimo do Critics Choice Association e da Associação de Críticos de Cinema de Chicago. Uma canção original do filme, "Gran Torino" (interpretada por Jamie Cullum), foi indicada ao Globo de Ouro de melhor canção original. O Art Directors Guild indicou Gran Torino na categoria de Melhor filme contemporâneo.
O filme, no entanto, não recebeu nenhuma nomeação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para o Oscar 2009, o que levou a fortes críticas de muitos que sentiram que a Academia também havia deliberadamente esnobado Revolutionary Road e A Troca (que Eastwood também dirigiu) das cinco principais categorias.
Em 2010, o filme venceu o César de melhor filme estrangeiro durante a cerimônia dos Prêmios César na França.
Mark D. Lee e Cedric N. Lee, dois cineastas hmong de Detroit, dirigiram um documentário chamado Gran Torino: Next Door, sobre como Bee Vang e Ahney Her foram escolhidos para seus papéis no filme e as atividades dos atores hmong fora do set. Foi lançado em Blu-ray.
O ator Bee Vang atuou em uma paródia no YouTube de uma cena de Gran Torino, intitulada "Thao Does Walt: Lost Scenes from Gran Torino". A paródia aborda uma cena envolvendo uma barbearia e as visões de masculinidade na cena original.
Most traditional Hmong elders, especially men, do not want strangers to touch their heads, or those of their children, due to their religious beliefs and personal values.
Um, I'm very happy with the outcome