| Intelsat S.A. | |
|---|---|
Tysons Tower, de onde é controlada a frota de satélites da Intelsat | |
| Privada | |
| Atividade | Comunicação por satélite |
| Fundação | 20 de agosto de 1964 |
| Sede | Luxemburgo, Luxemburgo Tysons Corner, Virgínia, Estados Unidos |
| Proprietário(s) | SES |
| Empregados | 1.790 em 2021 |
| Receita | US$ 526,1 milhões no terceiro trimestre de 2021 |
| Website | www |
Intelsat S.A., chamada anteriormente de Intel-Sat e Intelsat, é uma empresa multinacional luxemburgo-americana de serviços de satélite. Sua sede corporativa fica em Luxemburgo e a sede administrativa, em Tysons, na Virgínia, Estados Unidos. A empresa teve origem na International Telecommunications Satellite Organization, ou ITSO, também chamada Intelsat. Entre 1964 e 2001, a organização foi um consórcio intergovernamental que possuía e administrava uma constelação de satélites de telecomunicações para serviços internacionais de comunicação e radiodifusão.
Em março de 2023, a operadora de satélites SES, concorrente da Intelsat, confirmou que as empresas negociavam uma fusão. As conversas terminaram em junho daquele ano. Em 30 de abril de 2024, a SES anunciou um acordo para comprar a Intelsat por US$ 3,1 bilhões. A conclusão era prevista para o segundo semestre de 2025. A compra foi concluída em 17 de julho de 2025.
Em junho de 2022, a Intelsat operava 52 satélites de telecomunicações, uma das maiores frotas do mundo naquele momento. Em 2020, a empresa anunciou planos de comprar, construir e lançar sete satélites de banda C nos anos seguintes. Esses satélites seriam usados na implantação da rede 5G dos Estados Unidos. No começo de 2022, assinou contratos para quatro satélites geoestacionários definidos por software, dois com a Airbus e dois com a Thales Alenia Space. Os lançamentos estavam previstos para 2023. Os contratos integravam um plano de transformação da rede com investimentos em maior velocidade, flexibilidade, redundância e retrocompatibilidade.
Em 2022, a empresa atendia cerca de 1.800 clientes e tinha por volta de 1.790 funcionários.



O discurso de John F. Kennedy às Nações Unidas, em 25 de setembro de 1961, deu impulso à criação da Intelsat. Menos de um ano depois, Kennedy sancionou a Communications Satellite Act of 1962. A Intelsat foi criada como International Telecommunications Satellite Organization e operou de 1964 a 2001 como consórcio intergovernamental. A organização possuía e administrava uma constelação de satélites que prestava serviços internacionais de radiodifusão. O mercado internacional de satélites tornou-se inteiramente comercial em 2001, quando a Intelsat foi privatizada e passou a operar como empresa luxemburguesa.
A organização intergovernamental começou em 20 de agosto de 1964, com sete países participantes. O acordo de 1964 era provisório e abriria caminho para um texto permanente. A organização internacional permanente foi criada em 1973, depois de negociações entre os países realizadas de 1969 a 1971. A questão mais difícil "dizia respeito à passagem da administração do sistema por uma entidade nacional para a administração pela própria organização internacional".:46
Em 6 de abril de 1965, o primeiro satélite da Intelsat, o Intelsat I, apelidado de Early Bird, foi colocado em órbita geoestacionária sobre o Oceano Atlântico por um foguete Delta D.
O nome foi alterado em 1973, quando havia 81 signatários. A Intelsat era regida inicialmente por dois acordos internacionais. O primeiro definia as disposições, os princípios básicos e a estrutura da organização e era assinado pelos governos por meio de seus ministérios das relações exteriores. O Acordo Operacional estabelecia disposições financeiras e técnicas mais detalhadas e era assinado pelos governos ou pelas entidades de telecomunicações por eles designadas. Estas eram, em geral, os ministérios das comunicações dos países participantes. Nos Estados Unidos, a signatária era a Communications Satellite Corporation, ou COMSAT. A COMSAT era uma empresa privada criada por lei federal para atuar em nome dos Estados Unidos na administração internacional do sistema mundial de satélites de comunicação.:47
Naquele momento, a Intelsat possuía e administrava diretamente o sistema mundial de satélites de comunicação. Sua estrutura tinha três órgãos:
O acordo de 1973 previa uma transição de sete anos da administração nacional para a internacional. Até 1976, a gestão técnica e operacional permaneceu com a signatária norte-americana COMSAT, que já administrava o sistema mundial sob os acordos provisórios em vigor de 1964 a 1973.:49 As etapas seguintes levaram à administração internacional plena em 1980. O aporte financeiro de cada membro, chamado de "participação no investimento", era estritamente proporcional ao uso do sistema, calculado a cada ano. A mesma proporção definia o peso do voto no Conselho de Governadores.:50
Em 2018, a Intelsat atendia mais de 600 estações terrenas em 149 países, territórios e dependências. Em 2001, tinha mais de cem membros. Nesse ano, a organização foi privatizada e adotou o nome Intelsat.
Desde sua criação, a empresa usa versões sucessivas, chamadas de blocos, de satélites projetados para a Intelsat. Cada bloco é contratado separadamente, o que levou a empresa a trabalhar com fabricantes diferentes. Em 2012, sua maior fornecedora era a Space Systems/Loral, que já havia construído 47 espaçonaves, entre elas o Intelsat 20.
A rede inicial tinha menos redundância. Uma falha no satélite sobre o Atlântico, na primavera de 1969, ameaçou interromper a missão Apollo 11. Um satélite substituto entrou na órbita errada e não pôde ser recuperado a tempo. A NASA recorreu a circuitos telefônicos em cabos submarinos para encaminhar as comunicações da missão. Durante a atividade extraveicular na Lua, o satélite natural estava sobre o Oceano Pacífico. Outras antenas puderam ser usadas, assim como o Intelsat III que se encontrava em órbita geoestacionária sobre o Pacífico.
Na década de 1990, a construção e o lançamento de satélites já não eram exclusividade dos governos. A privatização de sistemas nacionais de telecomunicações abriu espaço para operadoras privadas que buscavam atender à demanda crescente. Nos Estados Unidos, PanAmSat, Orion Communications, Columbia Communications, Iridium, Globalstar, TRW e outras operadoras formaram a Alliance for Competitive International Satellite Services, ou ACISS. O grupo defendia o fim da exclusividade das organizações intergovernamentais no setor de satélites de comunicação e da posição monopolista da COMSAT, signatária norte-americana da Intelsat e da Inmarsat. Em março de 2001, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Open-market Reorganization for the Betterment of International Telecommunications Act, conhecida como Lei ORBIT, para privatizar a COMSAT.
Em 31 de março de 1998, os membros da Intelsat aprovaram a separação de cinco satélites em órbita e de um sexto ainda em construção. Esses ativos foram transferidos para a empresa privada neerlandesa New Skies Satellites, que começou a operar em novembro daquele ano e passou a concorrer com a Intelsat.
Em 18 de julho de 2001, 37 anos depois da fundação, a Intelsat tornou-se uma empresa privada. Antes da privatização, a participação no capital e os aportes eram distribuídos entre os membros conforme o uso dos serviços. A participação de cada membro definia sua parcela do total destinado a financiar despesas de capital. A principal receita da organização vinha das tarifas de uso dos satélites. Depois da dedução dos custos operacionais, o valor era redistribuído aos membros na proporção de suas participações, como restituição do capital e remuneração por seu uso. Os serviços de satélite estavam disponíveis a qualquer organização, fosse ela membro ou não, e todos os usuários pagavam as mesmas tarifas.
O Intelsat Americas-7, antes chamado Telstar 7 e rebatizado como Galaxy 27 em 1 de fevereiro de 2007, sofreu uma falha de energia que durou dias a partir de 29 de novembro de 2004. O satélite voltou ao serviço com capacidade reduzida.
Em 28 de janeiro de 2005, a Intelsat foi comprada por cerca de US$ 3,2 bilhões em dinheiro. A aquisição manteve em aberto aproximadamente US$ 1,9 bilhão da dívida anterior. As quatro empresas de capital privado compradoras eram Madison Dearborn Partners, Apax Partners, Permira e Apollo Global Management. A empresa adquiriu a PanAmSat em 3 de julho de 2006 por cerca de US$ 3,2 bilhões em dinheiro. A Intelsat tornou-se então a maior fornecedora mundial de serviços fixos por satélite, com uma frota de cerca de 52 unidades em posições orbitais de uso comercial.
Em junho de 2007, a BC Partners anunciou a compra de 76 por cento da Intelsat por cerca de 3,75 bilhões de euros.
Em abril de 2013, a empresa, já chamada Intelsat S.A., realizou uma oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Nova Iorque. A operação levantou US$ 550 milhões líquidos, dos quais US$ 492 milhões foram usados de imediato para reduzir a dívida de US$ 15,9 bilhões. Em maio daquele ano, a empresa anunciou a compra de quatro satélites Boeing 702 MP EpicNG de alto desempenho.
A controladora Intelsat S.A. havia sido constituída em 8 de julho de 2011 como société anonyme sob as leis de Luxemburgo. Intelsat Corporation era uma subsidiária incorporada no estado norte-americano de Delaware.
Em 2017, a Intelsat negociou uma possível fusão com a OneWeb, apoiada pela SoftBank. Em 1 de junho, foi anunciado que os detentores dos títulos da dívida não aceitariam a oferta. A possível fusão foi encerrada no dia seguinte.
Em julho de 2014, a Intelsat transferiu sua sede administrativa e mais de quatrocentos funcionários de Washington, D.C. para Tysons, na Virgínia. O local abrigava o principal centro de operações de satélites da empresa. Outro centro de atendimento e operações funcionava em Ellenwood, no estado da Geórgia. Em 2014, clientes da América do Norte respondiam por 45 por cento da receita. Europa, América Latina e Caribe, África e Oriente Médio e Ásia-Pacífico reuniam os outros 55 por cento. A rede terrestre tinha oito teleports próprios nos Estados Unidos e na Alemanha.:54, 171
No Brasil, serviços de televisão por assinatura usaram capacidade da Intelsat. A GVT TV empregava essa capacidade para seu serviço DTH em 2012. A Nossa TV contratou o satélite Galaxy 28, da Intelsat, para iniciar suas operações em 2007. A Sky Brasil usou capacidade da empresa e recebeu, em 2017, o satélite Sky Brasil-1, também chamado Intelsat 32e, para ampliar seu serviço.
A Intelsat pediu proteção judicial sob o Capítulo 11 em 13 de maio de 2020, pouco antes dos novos leilões de espectro para o 5G nos Estados Unidos. A dívida total superava US$ 15 bilhões.
A empresa já estudava pedir a recuperação judicial em fevereiro de 2020. Naquele mês, retirou-se formalmente da C-Band Alliance. O consórcio reunia grandes operadoras de satélite e pressionava o órgão regulador norte-americano, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, ou FCC, em relação à redistribuição do espectro de banda C e ao pagamento às empresas que o utilizavam.
A reestruturação permitiria levantar o capital necessário para lançar nova tecnologia de satélites em 2022 e 2023, a um custo aproximado de US$ 1,6 bilhão. A tecnologia poderia concentrar os clientes licenciados da banda C em quarenta por cento do espectro usado em 2019. Com a liberação das frequências restantes até dezembro de 2023, dois anos antes do cronograma básico da FCC, a empresa poderia receber até US$ 4,86 bilhões em pagamentos pela desocupação do espectro.
Em 24 de fevereiro de 2022, a Intelsat saiu do processo do Capítulo 11 como empresa privada. A reestruturação reduziu a dívida de aproximadamente US$ 16 bilhões para US$ 7 bilhões. Todos os credores apoiaram o plano de reorganização, confirmado pelo tribunal de falências em 16 de dezembro de 2021. A empresa também obteve US$ 6,7 bilhões em novo financiamento, composto por uma linha de crédito rotativo, um empréstimo a prazo e títulos garantidos.
O então diretor-executivo Stephen Spengler declarou que a empresa pretendia acelerar a renovação da rede e iniciativas de crescimento, entre elas a construção de uma rede 5G definida por software. A empresa anunciou ainda um novo conselho de administração, presidido por Lisa Hammitt, vice-presidente executiva e diretora de tecnologia da Davidson Technologies.
Em dezembro de 2020, a Intelsat concluiu a compra da divisão Commercial Aviation, ou CA, da Gogo. A integração reuniu a rede mundial de telecomunicações da Intelsat e os serviços da Gogo CA voltados às companhias aéreas e aos passageiros, com entretenimento e conectividade a bordo.
Em 30 de abril de 2024, a operadora de satélites SES anunciou um acordo para comprar a Intelsat por 2,8 bilhões de euros, ou US$ 3,1 bilhões, em dinheiro. A aprovação regulatória era esperada para o segundo semestre de 2025. O conjunto das empresas teria mais de cem satélites em órbita geoestacionária, 26 em órbita terrestre média e treze encomendados. A frota em órbitas diferentes daria à nova empresa mais condições de concorrer com redes em órbita terrestre baixa. A receita combinada prevista para 2024 era de 3,8 bilhões de euros.
A Competition and Markets Authority do Reino Unido foi o primeiro órgão regulador a autorizar a compra, em maio de 2025, e decidiu não abrir uma investigação aprofundada. Em junho, a Comissão Europeia deu aprovação incondicional por concluir que a operação não levantava preocupações concorrenciais no Espaço Económico Europeu. A FCC norte-americana aprovou a compra em 11 de julho. A operação foi concluída seis dias depois. A marca Intelsat permaneceria em uso até sua retirada em data posterior.
Em março de 2011, a Intelsat havia concordado em comprar metade dos 2.000 kg de propelente que uma espaçonave da MDA Corporation levaria à órbita geoestacionária em um projeto de demonstração de manutenção de satélites. O veículo alcançaria quatro ou cinco satélites da Intelsat em órbita e entregaria 200 kg de combustível a cada um, o que acrescentaria de dois a quatro anos à vida útil de cada unidade. Um satélite da Intelsat perto do fim de sua vida operacional seria levado para uma órbita cemitério situada entre 200 e 300 km acima do cinturão geoestacionário. O reabastecimento seria feito ali sem afetar os serviços da empresa.
Em março de 2010, o modelo de negócios ainda estava em desenvolvimento. A MDA poderia cobrar por quilograma de combustível transferido com sucesso a cada satélite. O preço por quilograma dependeria da receita adicional que a operadora esperava obter com a extensão da vida operacional da espaçonave.
O veículo-depósito se deslocaria até cada satélite e se acoplaria ao motor de apogeu. Em seguida, retiraria uma pequena parte da manta de proteção térmica da espaçonave, conectaria uma linha de pressurização e transferiria o propelente. A MDA calculava que o acoplamento deixaria o satélite de telecomunicações fora de serviço por cerca de vinte minutos.
Em 25 de fevereiro de 2020, a espaçonave robótica de manutenção Mission Extension Vehicle 1, ou MEV 1, da Northrop Grumman, acoplou-se ao Intelsat 901. O veículo forneceu propulsão ao satélite em uma extensão de serviço de cinco anos.
Em 1 de fevereiro de 2007, a Intelsat mudou os nomes de dezesseis satélites antes apresentados sob as marcas Intelsat Americas e PanAmSat. As unidades passaram a usar os nomes Galaxy e Intelsat, respectivamente.
A Intelsat trabalhou com grande parte das empresas comerciais de lançamento do mundo. Seus satélites muitas vezes estavam entre os mais pesados de cada geração e exigiam os foguetes mais potentes e confiáveis disponíveis no mercado. No século XXI, muitas missões da Intelsat foram lançadas pela Arianespace, com os foguetes europeus Ariane 4 e Ariane 5, e pela International Launch Services, ou ILS, com os foguetes Proton-K e Proton-M fabricados pelo Centro Espacial Estatal de Produção e Pesquisa Khrunichev, na Rússia. A empresa também usou o serviço equatorial Sea Launch, cujos foguetes Zenit-3SL partiam da plataforma flutuante Ocean Odyssey, no Oceano Pacífico, até a suspensão das operações em 2014.
Em 30 de maio de 2012, a Intelsat assinou com a SpaceX um contrato para um dos primeiros lançamentos do Falcon Heavy. Com o contrato, a Intelsat planejava voltar aos lançadores norte-americanos, depois de voos em foguetes Atlas II na década de 1990 e do lançamento do Intelsat 14 por um Atlas V em 2009.