Satélite Inmarsat-3Telefone por satélite da Inmarsat usado em Nias, na Indonésia, depois do terremoto de Nias-Simeulue de 2005. O aparelho foi fabricado pela Thrane & Thrane A/S, da Dinamarca. Fotografia de abril de 2005.
A Inmarsat é uma empresa britânica de telecomunicações por satélite que oferece serviços móveis em quase todo o planeta. Seus serviços de telefonia e dados chegam a terminais portáteis ou móveis que se comunicam com estações terrenas por meio de quinze satélites de telecomunicações em órbita geoestacionária.
A rede da Inmarsat presta serviços de comunicação a governos, organizações de ajuda, veículos de comunicação e empresas, principalmente dos setores marítimo, aéreo e de mineração, que precisam se comunicar em regiões remotas ou sem uma rede terrestre confiável. A empresa teve ações negociadas na Bolsa de Valores de Londres até ser comprada em dezembro de 2019 pela Connect Bidco, um consórcio formado pela Apax Partners, Warburg Pincus, CPP Investment Board e Ontario Teachers' Pension Plan.
Em novembro de 2021, os proprietários da Inmarsat e a Viasat anunciaram a compra da empresa pela Viasat. A aquisição foi concluída em maio de 2023.
A empresa nasceu da Organização Internacional de Satélites Marítimos, conhecida pela sigla INMARSAT. Essa organização intergovernamental sem fins lucrativos foi criada em 1979 por iniciativa da Organização Marítima Internacional, a OMI, entidade marítima das Nações Unidas. Sua criação seguiu a Convenção sobre a Organização Internacional de Satélites Marítimos, assinada por 28 países em 1976. A organização deveria instalar e operar uma rede de comunicações por satélite para a comunidade marítima.
Na década de 1980, em coordenação com a Organização da Aviação Civil Internacional, a convenção que regia a INMARSAT foi alterada para abranger melhorias nas comunicações aeronáuticas, em especial as destinadas à segurança pública. Os Estados membros detinham participações diferentes nas atividades operacionais. A sede ficava inicialmente na Euston Tower, na Euston Road, em Londres.
Privatização
Em meados da década de 1990, muitos Estados membros não queriam investir em melhorias na rede da INMARSAT, em especial por causa da concorrência no setor de comunicações por satélite. Muitos deles aceitavam, porém, que os sistemas antigos precisavam ser mantidos e que uma organização intergovernamental deveria supervisionar as questões de segurança pública nas redes de comunicação por satélite. Em 1998, firmou-se um acordo para alterar a missão da INMARSAT como organização intergovernamental e separar e privatizar suas atividades operacionais. A venda ficou sujeita a obrigações de segurança pública.
Em abril de 1999, a Organização Internacional de Satélites Móveis sucedeu à INMARSAT como órgão regulador intergovernamental das comunicações por satélite. A unidade operacional da INMARSAT foi separada e passou a constituir a empresa britânica Inmarsat Ltd. A IMSO e a Inmarsat Ltd. assinaram um acordo que impôs à nova empresa obrigações de segurança pública. A Inmarsat foi a primeira organização internacional de satélites a ser privatizada.
Em 2005, Apax Partners e Permira compraram participações na Inmarsat, que também passou a ter ações negociadas na Bolsa de Valores de Londres naquele ano. Em março de 2008, foi divulgado que o fundo de cobertura Harbinger Capital detinha 28% da empresa. Em 2009, a Inmarsat concluiu a aquisição da empresa de comunicações por satélite Stratos Global Corporation, conhecida como Stratos, e adquiriu 19% da SkyWave Mobile Communications Inc. A SkyWave prestava serviços nas redes Inmarsat D+ e IsatM2M e comprou da TransCore as operações da GlobalWave. A Inmarsat recebeu o Prêmio MacRobert de 2010 pelo serviço Broadband Global Area Network, o BGAN.
No início, a Inmarsat prestava seus serviços com os satélites Marisat, lançados pela Marinha dos Estados Unidos, e MARECS, lançados pela Agência Espacial Europeia. No começo da década de 1990, a empresa lançou sua primeira constelação de satélites própria, a Inmarsat-2. Esses satélites prestavam o serviço Inmarsat-A para uso marítimo. Entre 1996 e 1998 foi lançada a segunda constelação da empresa, a Inmarsat-3. Seus cinco satélites geoestacionários de banda L prestavam os serviços Inmarsat-B e Inmarsat-C, usados sobretudo para comunicações de baixa largura de banda e serviços de segurança na navegação mundial. Depois da privatização de 1999, a Inmarsat criou e lançou o BGAN, primeiro sistema de comunicação por satélite com cobertura mundial. O serviço usava inicialmente três satélites Inmarsat-4 lançados entre 2005 e 2008. O Alphasat ampliou o sistema em 2013.
Na década de 2010, a Inmarsat começou a desenvolver a constelação de satélites de alto rendimento Global Xpress, que opera na banda Ka. Lançada em 2015, ela oferece capacidade mundial de comunicação por satélite a mercados como os de navegação e aviação. O Global Xpress ampliou as operações comerciais da Inmarsat no mercado aeronáutico. Em 2017, a empresa lançou seu primeiro satélite de banda S, destinado a oferecer acesso à internet em voos pela Europa em conjunto com uma rede terrestre LTE. Em março de 2018, a Inmarsat e a Isotropic Systems firmaram uma parceria para desenvolver uma antena avançada de varredura totalmente eletrônica para uso com a rede Global Xpress.
Em 20 de setembro de 2018, a Inmarsat anunciou uma colaboração estratégica de dez anos com a Panasonic Avionics Corporation para oferecer banda larga a companhias aéreas comerciais. A empresa seria a fornecedora exclusiva da Panasonic para conexões pelo sinal de satélite em banda Ka. A Inmarsat também passaria a oferecer o portfólio de serviços da Panasonic a seus clientes da aviação comercial.
Compra pela Connect Bidco e nova privatização
Em março de 2019, o conselho de administração da Inmarsat decidiu recomendar uma oferta de compra de US$ 3,4 bilhões feita pela Connect Bidco, consórcio formado pela Apax Partners, Warburg Pincus, CPP Investment Board e Ontario Teachers' Pension Plan. Em 9 de outubro, a Bloomberg informou que o governo britânico se preparava para aprovar a compra e que a consulta final sobre o negócio terminaria em 24 de outubro de 2019.
Em novembro de 2019, a Inmarsat rejeitou uma tentativa de última hora de impedir a venda por US$ 6 bilhões, depois de ser acusada de ignorar uma possível valorização da empresa. A Oaktree sustentava que a oferta recomendada pela Inmarsat não levava em conta o valor potencial dos ativos de espectro usados pela Ligado, parceira da Inmarsat nos Estados Unidos. Os fundos de private equity assumiram o controle da empresa em 5 de dezembro de 2019, quando suas ações deixaram de ser negociadas na Bolsa de Valores de Londres. A Inmarsat operava então 14 satélites de comunicações geoestacionários.
Aquisição pela Viasat
Em 8 de novembro de 2021, os proprietários da Inmarsat, liderados por Apax e Warburg Pincus, anunciaram um acordo de US$ 7,3 bilhões com a Viasat. A Viasat pagaria US$ 850 milhões em dinheiro, emitiria cerca de 46 milhões de ações e assumiria US$ 3,4 bilhões em dívidas. A Viasat prometeu cumprir o compromisso assumido pelos proprietários anteriores, quando a Inmarsat passou ao controle privado em 2019, de que a empresa permaneceria sediada no Reino Unido. A promessa também abrangia outros investimentos planejados.
A Competition and Markets Authority do Reino Unido deu aprovação provisória à fusão em março de 2023, e marcou 25 de maio de 2023 como data da decisão formal. A aquisição foi concluída em 31 de maio de 2023.
Operações
A sede da Inmarsat fica perto da Old Street Roundabout, no distrito londrino de Islington. A Inmarsat também oferece gratuitamente o Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima, o GMDSS, a navios e aeronaves como serviço público.
Os serviços abrangem chamadas de voz tradicionais, sistemas de rastreamento de dados de baixa velocidade, internet de alta velocidade, outros serviços de dados, socorro e segurança. A rede BGAN presta serviços semelhantes aos de GPRS, com velocidades de até 800kbit/s e latência de 900 a 1.100 ms, por meio de um modem de satélite com IP do tamanho de um computador portátil. A rede Global Xpress oferece até 50Mbit/s, com latência de 700 ms, usando antenas com apenas 60cm. Outros serviços oferecem a RDSI móvel, usada por veículos de comunicação em transmissões ao vivo por videofone, e acesso à internet em voos pela European Aviation Network.
O preço de uma chamada pela Inmarsat caiu a um nível comparável, e em muitos casos inferior, ao do roaming internacional ou das chamadas telefônicas feitas em hotéis. A tarifa de voz é a mesma em qualquer lugar atendido pelo serviço. As tarifas das chamadas para os códigos de país da Inmarsat dependem do país de origem. A empresa usa principalmente o código 870. Os serviços mais recentes usam uma tecnologia IP com conexão permanente, na qual os usuários pagam pelo volume de dados enviado e recebido, e não pelo tempo de conexão. A Inmarsat também mantém um acordo de colaboração com a ACeS para serviços de voz em aparelhos portáteis.
Cobertura
Sede mundial da Inmarsat, no número 99 da City Road, em Londres. Fotografia de janeiro de 2006.
Cada satélite Inmarsat-4 oferece três tipos de cobertura.
Cobertura por feixe global
Cada satélite dispõe de um único feixe que cobre até um terço da superfície terrestre, com exceção dos polos. A cobertura dos feixes globais se estende das latitudes 82° sul a 82° norte, sem depender da longitude.
Cobertura por feixe pontual regional
Cada feixe regional cobre uma fração da área atendida por um feixe global. Juntos, porém, todos os feixes regionais cobrem quase a mesma área que os feixes globais. O uso de feixes regionais permite que os terminais do usuário, também chamados de estações terrestres móveis, operem com antenas muito menores. Esses feixes foram introduzidos com os satélites I-3. Cada I-3 oferece de quatro a seis feixes pontuais, e cada I-4 oferece 19 feixes regionais.
Cobertura por feixe pontual estreito
Os três satélites Inmarsat-4 oferecem feixes estreitos, que permitem o uso de antenas ainda menores e taxas de dados muito mais altas. Eles sustentam os serviços portáteis GSPS e de banda larga BGAN da Inmarsat. Essa cobertura foi introduzida com os satélites I-4, e cada um deles oferece cerca de 200 feixes pontuais estreitos.
Global Xpress, I-5
Os satélites Inmarsat I-5 cobrem a maior parte das regiões habitadas do planeta por meio de quatro satélites geoestacionários. Cada satélite comporta 89 feixes e cobre aproximadamente um terço da superfície terrestre. Há ainda seis feixes direcionáveis por satélite, que podem ser movidos para aumentar a capacidade em locais escolhidos.
Em 26 de novembro de 2019, um Ariane 5 lançou do Centro Espacial da Guiana o primeiro satélite destinado a ampliar a constelação Global Xpress original, formada por quatro satélites de primeira geração.
Banda L, família BGAN, Classic Aero, SPS, serviços de arrendamento, FleetBroadband e SwiftBroadband Transferido de 25° leste para 63° leste em meados de 2015
O código telefônico internacional permanente para chamadas destinadas à Inmarsat é:
870, SNAC, sigla em inglês de Single Network Access Code
O número 870 funciona como localizador automático, por isso não é necessário saber em qual satélite está conectado o terminal Inmarsat de destino. O SNAC pode ser usado com todos os serviços da empresa.
Os códigos desativados em 31 de dezembro de 2008 eram:
871, Região do Atlântico Leste, AOR-E
872, Região do Pacífico, POR
873, Região do Oceano Índico, IOR
874, Região do Atlântico Oeste, AOR-W
Desde 18 de julho de 2017, os usuários da Inmarsat atendidos pelo China Transport Telecommunication & Information Center podem solicitar números chineses de celular com 11 algarismos iniciados por 1749. Não é preciso usar uma função de chamada internacional ao ligar para esses números da China continental.
Serviços
Posição dos satélites Inmarsat-3
As redes da Inmarsat oferecem serviços existentes, aperfeiçoados e avançados. Os dois primeiros chegam aos usuários por estações terrestres que pertencem a empresas com contratos comerciais com a Inmarsat, e não à própria Inmarsat. Os serviços avançados são fornecidos por parceiros de distribuição, mas os gateways de satélite pertencem à empresa e são operados diretamente por ela.
Serviços de alto rendimento
Global Xpress: desde 2015, a Inmarsat oferece serviços de alto rendimento pela rede Global Xpress. O serviço mundial baseado em IP alcança 50Mbit/s no fluxo de descida e 5Mbit/s no fluxo de subida, com latência de 700 ms. Ele atende os mercados marítimo, aeronáutico, governamental e empresarial. O Global Xpress conta com o apoio da rede BGAN de banda L. Os serviços combinam as duas redes para aumentar a disponibilidade e a confiabilidade. Em março de 2018, a Inmarsat e a Isotropic Systems firmaram uma parceria para desenvolver uma antena de varredura totalmente eletrônica para uso com essa rede.
European Aviation Network: a Inmarsat oferece serviços aeronáuticos pela European Aviation Network, criada em parceria com a Deutsche Telekom. A rede usa uma infraestrutura terrestre LTE e um satélite da Inmarsat em banda S para oferecer capacidade de 50Gbit/s a aeronaves no espaço aéreo europeu. O projeto enfrentou disputas judiciais e regulatórias. Em outubro de 2017, a Inmarsat anunciou que o serviço comercial começaria em 2018. A construção da rede terrestre terminou em fevereiro de 2018. Em meados de 2019, o serviço estava disponível em mais de cem rotas partindo de destinos como Londres, Madrid, Barcelona, Atenas, Lisboa, Praga, Roma e Viena. Até o começo de 2021, a rede tinha sido usada em 200 mil voos pela Europa, realizados por 250 aeronaves da British Airways, Iberia e Vueling.
Serviços avançados
A família BGAN reúne serviços baseados em IP que compartilham uma portadora:
BGAN: serviço Broadband Global Area Network para uso em terra. O BGAN usa os satélites I-4 para oferecer um serviço de IP com comutação de pacotes e canal compartilhado de até 800kbit/s. As velocidades de subida e descida podem ser diferentes e dependem do modelo do terminal. O serviço de transmissão contínua por IP começa em 32kbit/s e chega à taxa X-Stream, conforme o modelo do terminal. A maioria dos terminais também oferece RDSI móvel por comutação de circuitos a 64kbit/s e serviços de baixa velocidade, como voz a 4,8kbit/s. O BGAN está disponível em todos os satélites I-4.
FleetBroadband, FB: serviço marítimo baseado na tecnologia BGAN. Oferece serviços semelhantes e usa a mesma infraestrutura. Há terminais FleetBroadband próprios para navios.
SwiftBroadband, SB: serviço aeronáutico baseado na tecnologia BGAN. Oferece serviços semelhantes, e seus terminais são feitos para aeronaves comerciais, particulares e militares.
Comunicações M2M
A família BGAN M2M, também vendida como Viasat IoT, reúne serviços baseados em IP destinados à gestão prolongada de ativos fixos por comunicação entre máquinas e pela internet das coisas.
BGAN M2M: lançado em janeiro de 2012, é um serviço mundial de baixa taxa de dados baseado em IP, criado para oferecer alta disponibilidade e desempenho em ambientes permanentemente desocupados. Seus relatórios frequentes e de latência muito baixa permitem monitorar ativos fixos, como oleodutos e cabeças de poços de petróleo, ou transportar os dados de consumo de eletricidade de uma concessionária.
IsatM2M: serviço mundial de dados em rajadas curtas, com armazenamento e encaminhamento. Ele transmite mensagens de 10,5 ou 25,5bytes no sentido de envio e de 100bytes no sentido de recepção. O serviço chega ao mercado pela SkyWave Mobile Communications e pela Honeywell Global Tracking.
IsatData Pro: serviço mundial de dados por satélite para comunicação bidirecional de texto e dados com ativos remotos. As mensagens podem ter até 10KB no sentido do dispositivo móvel e 6,4KB no sentido oposto, com tempo de entrega habitual de 15 segundos. O serviço foi feito para aplicações essenciais, como a gestão de caminhões, embarcações pesqueiras, equipamentos de petróleo, gás e indústria pesada, o envio de mensagens a trabalhadores remotos e aplicações de segurança. Ele é fornecido pela SkyWave Mobile Communications Inc., que faz parte da Orbcomm.
Serviços mundiais de voz
A empresa oferece serviços de telefonia portátil e fixa:
IsatPhone 2: telefone por satélite móvel que oferece telefonia de voz. Suas funções de dados abrangem SMS, envio de mensagens curtas por correio eletrônico, consulta e envio de coordenadas por GPS e um serviço de dados de até 20kbit/s.
IsatPhone Link: serviço mundial de baixo custo para telefones fixos por satélite. Ele oferece voz a pessoas que trabalham ou vivem em áreas sem cobertura celular e também permite a transmissão de dados.
FleetPhone: serviço de telefonia fixa para embarcações menores, nas quais a voz é a principal necessidade de comunicação, e para embarcações que precisam de mais linhas telefônicas. É uma opção mundial de baixo custo para quem trabalha ou navega fora da cobertura celular.
Serviços existentes e aperfeiçoados
Esses serviços usam tecnologias mais antigas:
Aeronáutico, Classic Aero: oferece voz analógica, fax e dados para aeronaves. Há três tipos de terminal. O Aero-L, com antena de baixo ganho, é usado sobretudo para pacotes de dados, entre eles ACARS e ADS. O Aero-H, com antena de alto ganho, oferece voz de qualidade média e fax ou dados a até 9.600 bit/s. O Aero-I, com antena de ganho intermediário, oferece voz de baixa qualidade e fax ou dados a até 2.400 bit/s. Existem ainda versões para aeronaves do Inmarsat-C e do mini-M/M4. A versão aeronáutica do GAN recebe o nome Swift 64.
Inmarsat-C: terminal de "telex por satélite" inteiramente digital e de baixa velocidade. Sua taxa de transmissão é de 1.200 bit/s, e a taxa de informação, de 600 bit/s. Ele permite armazenamento e encaminhamento, consulta e outros recursos. Alguns modelos de terminal Inmarsat-C com GPS são aprovados para o Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima.
Fleet: família de redes que abrange Inmarsat-Fleet77, Inmarsat-Fleet55 e Inmarsat-Fleet33. Os números 77, 55 e 33 correspondem ao diâmetro da antena em centímetros. Como o GAN, oferece serviços de baixa velocidade, como voz a 4,8kbit/s e fax ou dados a 2,4kbit/s, serviços de velocidade média, como fax ou dados a 9,6kbit/s, serviços semelhantes à RDSI a 64kbit/s, chamados RDSI móvel, e dados IP com comutação de pacotes em canal compartilhado a 64kbit/s, chamados Mobile Packet Data Service ou MPDS. Nem todos os serviços estão disponíveis em todos os integrantes da família. O mais recente é a RDSI móvel a 128kbit/s nos terminais Inmarsat-Fleet77.
Swift 64: semelhante ao GAN, oferece voz, fax e dados de baixa velocidade, RDSI a 64kbit/s e MPDS para aeronaves particulares, executivas e comerciais. O Swift 64 costuma ser vendido em uma versão multicanal que comporta conexões simultâneas de 64kbit/s.
Inmarsat D/D+/IsatM2M: serviço de pager da Inmarsat, embora seus aparelhos sejam muito maiores que os terrestres. Alguns têm GPS. Os terminais Inmarsat-D originais eram pagers unidirecionais, somente no sentido do dispositivo móvel. Os terminais Inmarsat-D+ mais recentes equivalem a um pager bidirecional. A tecnologia é usada principalmente no rastreamento de caminhões e boias e em aplicações de SCADA.
MPDS, Mobile Packet Data Service: antes chamado IPDS, é um serviço de dados baseado em IP no qual os usuários compartilham uma portadora de 64kbit/s de forma semelhante à ADSL. Não são vendidos terminais próprios para MPDS. O serviço acompanha a maioria dos terminais feitos para GAN, Fleet e Swift 64.
IsatPhone: oferece voz a 4,8kbit/s e fax ou dados de velocidade média a 2,4kbit/s. O serviço nasceu de um acordo de colaboração com a ACeS e está disponível nas regiões de satélite EMEA e APAC. Sua cobertura abrange a África, o Oriente Médio, a Ásia e a Europa, e as áreas marítimas de EMEA e APAC.
Serviços desativados
Inmarsat-B: desativado em 30 de dezembro de 2016. Oferecia voz digital, telex, fax ou dados de velocidade média a 9,6kbit/s e dados de alta velocidade a 56, 64 ou 128kbit/s. Havia ainda um modo arrendado disponível nos satélites de reserva da Inmarsat.
Inmarsat-M: oferecia voz a 4,8kbit/s e fax ou dados de velocidade média a 2,4kbit/s. Ele abriu caminho para o Inmarsat-Mini-M. O serviço foi encerrado.
Mini-M: oferecia voz a 4,8kbit/s e fax ou dados de velocidade média a 2,4kbit/s. Um canal de 2,4kbit/s ocupava 4,8kbit/s no satélite. O serviço foi encerrado no início de janeiro de 2017.
GAN, Global Area Network: oferecia serviços de baixa velocidade, como voz a 4,8kbit/s e fax ou dados a 2,4kbit/s, serviços semelhantes à RDSI a 64kbit/s, chamados RDSI móvel, e dados IP com comutação de pacotes em canal compartilhado a 64kbit/s, chamados Mobile Packet Data Service ou MPDS, antes Inmarsat Packet Data Service ou IPDS. O GAN também era chamado M4. O serviço foi encerrado no início de janeiro de 2017.
Projetos iniciados desde 2008
European Aviation Network
Em 30 de junho de 2008, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu aprovaram uma decisão que criou um processo único de seleção e autorização, o European S-band Application Process ou ESAP, para coordenar a introdução de serviços móveis por satélite na Europa. O processo de seleção, aberto no fim de 2008, recebeu inscrições de quatro possíveis operadoras: ICO Global Communications, a Inmarsat, Solaris Mobile e TerreStar.
Em maio de 2009, a Comissão Europeia escolheu duas operadoras, Inmarsat Ventures e Solaris Mobile. Cada uma recebeu o direito de usar as radiofrequências definidas na decisão da Comissão e de operar seu sistema móvel por satélite. Os Estados membros da União Europeia deveriam assegurar esses direitos por 18 anos contados da decisão de seleção. As operadoras tinham 24 meses, até maio de 2011, para começar a operar.
O programa de satélites de banda S da Inmarsat oferece transmissão multimídia móvel, telecomunicações móveis bidirecionais de banda larga e serviços móveis por satélite de nova geração em todos os Estados membros da União Europeia, chegando a Moscou e Ancara no leste por meio de uma rede híbrida terrestre e de satélite. O satélite foi construído pela Thales Alenia Space e lançado em 2017. A rede terrestre complementar tem cerca de 300 estações-base LTE construídas pela Deutsche Telekom.
Em 2018, a European Aviation Network enfrentava disputas judiciais. Uma delas partiu da Viasat, que alegava irregularidades na licitação e uso indevido do espectro. Em outra, o órgão regulador de telecomunicações da Bélgica revogou a permissão para o uso da rede terrestre.
Expansão do Global Xpress
A Inmarsat encomendou um quinto satélite Global Xpress à Thales Group. Um Ariane 5 o lançou do Centro Espacial da Guiana em 26 de novembro de 2019. O aparelho é um satélite de altíssimo rendimento e presta serviços ao Oriente Médio, à Índia e à Europa. Rupert Pearce, então diretor-executivo da Inmarsat, informou que a empresa planejava ampliar mais a rede Global Xpress. Testes de novas tecnologias alcançaram largura de banda de 330Mbit/s na rede existente, muito acima dos 50Mbit/s disponíveis.
Cobertura polar
Para atender os usuários do Ártico, a Inmarsat planeja levar a conectividade Global Xpress a latitudes superiores a 65° norte.
Dois equipamentos multifeixe de alta capacidade, o GX-10A e o GX-10B, foram planejados para órbita elíptica alta, de modo a oferecer cobertura confiável. A Inmarsat trabalhou com a Space Norway HEOSAT na Arctic Satellite Broadband Mission. A Northrop Grumman Innovation Systems deveria fabricar os satélites que transportariam os equipamentos da Inmarsat, e o lançamento do GX-10A e do GX-10B estava previsto para 2022.
Inmarsat-6
No fim de 2015, a Inmarsat encomendou à Airbus dois satélites de sexta geração. Eles teriam equipamentos de banda Ka e banda L e aumentariam a capacidade das redes BGAN e Global Xpress. Em 2017, foi anunciado que o primeiro deles seria lançado pela Mitsubishi Heavy Industries em dezembro de 2021. O Inmarsat-6 F1 foi lançado com sucesso em um foguete H-IIA em 22 de dezembro de 2021. O segundo satélite, Inmarsat-6 F2, também chamado GX 6B, foi lançado em um foguete Falcon 9 Block 5 em 18 de fevereiro de 2023. Uma falha no sistema de energia em órbita impediu que ele entrasse em operação.
Inmarsat-8
Em maio de 2023, a Inmarsat encomendou três satélites de oitava geração à SWISSto12 SA. Os aparelhos usarão a plataforma HummingSat.
IRIS e ICE
A Inmarsat participa de dois programas ARTES da Agência Espacial Europeia, o IRIS e o ICE:
IRIS: projeto destinado a melhorar o rastreamento de aeronaves e as comunicações entre pilotos e controladores de tráfego aéreo. A Inmarsat fornecerá conexões de alta capacidade por satélite às aeronaves e aperfeiçoará a determinação de sua posição no tempo e no espaço.
ICE, Inmarsat Communications Evolution: parceria com empresas do setor para encontrar tecnologias que possam ampliar e aperfeiçoar os recursos da próxima geração de comunicações por satélite.
Problemas
As faixas de frequência da INMARSAT e da constelação de satélites Iridium se encontram em 1.626,5MHz, por isso cada rádio de comunicação por satélite pode interferir com o outro. O rádio INMARSAT, muito mais potente, costuma atrapalhar o rádio Iridium a distâncias de 10 a 800m.
Usos conhecidos
Voo Malaysia Airlines 370
Em março de 2014, o Voo Malaysia Airlines 370 desapareceu com 239 passageiros e tripulantes durante a viagem de Kuala Lumpur a Pequim. Depois de sair da rota prevista e desaparecer da cobertura de radar, a unidade de dados por satélite do avião continuou em contato com a estação terrestre da Inmarsat em Perth por meio do satélite IOR, na Região do Oceano Índico, a 64° leste. A aeronave usava o serviço de telefonia por satélite Classic Aero da Inmarsat. A análise dessas comunicações pela Inmarsat e, de forma independente, por outras organizações concluiu que o avião voou em direção ao sul do Oceano Índico. A conclusão orientou as buscas pela aeronave. Em conferências, o engenheiro Jean-Luc Marchand e o piloto Patrick Blelly disseram que a empresa tentou entrar em contato com o avião, horas depois de seu desaparecimento, ligando para o telefone por satélite a bordo.
Atentados contra embaixadas dos Estados Unidos
Os atentados contra as embaixadas dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quénia, e Dar es Salaam, na Tanzânia, no verão de 1998, foram organizados em parte por comunicações via satélite. Osama bin Laden pediu a um integrante de sua equipe que comprasse em Londres um telefone por satélite Mini-M. O aparelho, pago em dinheiro, custou de US$ 10 mil a US$ 15 mil, enviados a integrantes da Al-Qaeda. Bin Laden fez cerca de novecentas chamadas pelo aparelho, mas parou de usá-lo em 1998 depois que jornais informaram que a CIA o estava grampeando. O número do telefone, 00-873-682505331, usava 00 para a chamada internacional, 873 para a cobertura por satélite no Oceano Índico e 682505331 para a linha. O número foi divulgado durante o julgamento dos autores dos atentados contra as embaixadas no Quênia. O telefone tinha o tamanho e a aparência de um computador portátil.
Ver também
Marisat, série de satélites usada nos primeiros serviços da Inmarsat
MARECS, programa europeu de satélites marítimos usado pela empresa
12345Sagar, David (1999). Harris, R. A., ed. «The privatisation of INMARSAT: Special problems». International Organisations and Space Law, Proceedings of the Third ECSL Colloquium, Perugia, Italy, 6–7 May 1999. 442: 127–142. Bibcode:1999ESASP.442..127S
↑Jonathan Higgins, Satellite Newsgathering, Focal Press, 2007, p. 204. ISBN978-0-240-51973-9.
↑Godwin, Matthew (5 de dezembro de 2007). «Interview with Roy Gibson»(PDF). Oral History of Europe in Space. European Space Agency. p.5. Consultado em 1 de junho de 2016
↑«Administrative timetable»(PDF). gov.uk. Government Publishing Service. 28 de março de 2023. Consultado em 4 de maio de 2023. 25 May 2023: Revised statutory deadline following extension
↑«Inmarsat-4 F1». National Space Science Data Center Este artigo incorpora texto de uma publicação atualmente em domínio público: «erro: parâmetro 'obra' não indicado»
↑«Satellites». Inmarsat. Consultado em 22 de dezembro de 2021. Arquivado do original em 21 de setembro de 2023. The first Inmarsat-6 spacecraft is scheduled for launch with Mitsubishi Heavy Industries (MHI) at the end of 2021 with the second to follow in 2022.
↑«Inmarsat confirms successful launch of world's most advanced satellite». Inmarsat. Consultado em 18 de fevereiro de 2023. SpaceX successfully launched Inmarsat's latest I-6 F2 satellite successfully launched last night from launch pad SLC-40 at Cape Canaveral Space Force Station in Florida.
↑Ashton, Chris; Bruce, Alan Shuster; Colledge, Gary; Dickinson, Mark (14 de setembro de 2014). «The Search for MH370». Royal Institute of Navigation. Journal of Navigation. 68: 1–22. doi:10.1017/S037346331400068X