Juan de Pimentel

Juan de Pimentel
Nascimentoséculo XVI
Espanha
Morte1586
Caracas
CônjugeMaría de Guzmán
Ocupaçãomilitar, governador
Cargo(s)
governador da Província da Venezuela (até 1583)
SucessorLuís de Rojas y Mendoza
governador (1576–1583)
Religiãocatolicismo

Juan de Pimentel (Espanha, século XVI – Caracas, 1586) foi um administrador colonial espanhol e cavaleiro da Ordem de Santiago. Exerceu como governador e capitão-general da província da Venezuela entre 1576 e 1583. O seu governo ficou associado à fixação da sede administrativa em Caracas, à organização do cabildo local e à elaboração de uma descrição geográfica da província acompanhada pelo primeiro plano conhecido da cidade.

Governo da província da Venezuela

Por real cédula de Filipe II de Espanha de 12 de dezembro de 1575, Pimentel foi nomeado governador e capitão-general da província da Venezuela. Tomou posse em 8 de maio de 1576 e, depois de desembarcar em Caraballeda, seguiu para Santiago de León de Caracas, onde estabeleceu residência, sendo o primeiro governador a fixar a sua casa na cidade e a elevá-la a capital da província.

No início do mandato, promoveu o juízo de residência do seu antecessor, Diego de Mazariegos, e enviou comissões a outras localidades do interior para conduzir procedimentos equivalentes. Reforçou também as atribuições do cabildo de Caracas, criou os arquivos do ayuntamiento e os registos eclesiásticos e procurou obter da Coroa a eliminação da mediação da Audiência de Santo Domingo nas relações entre o governo provincial e a Espanha. Pediu ainda que o cabildo caraquenho pudesse eleger um dos seus alcaides.

Durante o seu governo concluiu-se a da fase de conquista e «pacificação» da província, a partir da qual foram enviadas comissões em diversas direcções, relacionadas com a expansão colonial e a fundação de novas povoações. Em 1578, por ordem de Pimentel, foi também fundado o convento de São Francisco de El Tocuyo.

Populações indígenas e encomiendas

Pimentel procurou fiscalizar o tratamento dispensado pelos encomenderos às populações indígenas. Contudo, a sua correspondência revela os limites dessa política no quadro colonial. Um estudo de Horacio Biord Castillo regista que, numa carta dirigida ao rei em 13 de agosto de 1577, Pimentel reproduziu a ideia colonial de que os indígenas eram «muito preguiçosos» e, ao mesmo tempo, reconheceu que, sem taxas de trabalho regulamentadas, o trabalho indígena revertia integralmente para os encomenderos.

Na mesma documentação, citada por Biord, Pimentel informou que a extracção de ouro impunha trabalhos pesados às populações indígenas e causava mortes, mas considerava que a interrupção imediata dessa actividade poderia prejudicar gravemente a subsistência da província. O estudo enquadra estas posições no funcionamento da encomienda, sistema que associava evangelização, controlo social e apropriação da mão-de-obra indígena.

Descrição geográfica e cartografia

Plano de Caracas de 1578, atribuído a Juan de Pimentel

Em 1578, para cumprir uma real cédula, Pimentel ordenou que fosse elaborada uma descrição do território da província. Redigiu pessoalmente a parte relativa a Santiago de León de Caracas e juntou-lhe um plano da cidade, considerado pela fonte enciclopédica venezuelana o mais antigo conhecido.

A obra é conhecida como Relación geográfica y descripción de la provincia de Caracas y Gobernación de Venezuela. Começou a ser preparada em 1578, reunindo dados de geografia, história e história natural, vindo a ser enviada a Espanha no ano seguinte.

O plano de Caracas apresenta uma malha urbana quadrangular de 25 quarteirões, organizada por quatro ruas dispostas no sentido norte–sul. Allan R. Brewer-Carías identifica-o como um dos principais testemunhos da configuração inicial da cidade após a sua fundação em 1567.

Uma crónica de Alexis Coello atribui também a Pimentel um croqui de 1578 do Golfo Triste, no qual aparece a mais antiga referência conhecida ao rio Morón. Segundo Coello, o topónimo foi inicialmente aplicado ao curso de água e só depois se estendeu ao núcleo populacional formado nas suas margens.

Últimos anos

Em 1580, ocorreu uma epidemia de varíola que causou a morte de grande parte da população da província. Pimentel entregou o governo em 21 de novembro de 1583, alegando problemas de saúde, e permaneceu em Caracas; foi sucedido por Luis de Rojas.

Em 26 de setembro de 1584, casou com María de Guzmán. Em 1586 nasceu um filho do casal, parto que causou a morte de María. Viúvo, Pimentel dedicou-se à carreira eclesiástica, vindo a morrer em Caracas, no mesmo ano.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Letizia Vaccari. «Pimentel, Juan de». Diccionario de Historia de Venezuela (em espanhol). Fundación Empresas Polar. Consultado em 30 de junho de 2026
  2. ↑ «1576». Cronología de historia de Venezuela (em espanhol). Fundación Empresas Polar. Consultado em 30 de junho de 2026
  3. 1 2 «1578». Cronología de historia de Venezuela (em espanhol). Fundación Empresas Polar. Consultado em 30 de junho de 2026
  4. 1 2 Horacio Biord Castillo (2016). «Inserción colonial temprana y transfiguración étnica: los aborígenes de la región centro-norte de Venezuela (1560–1625)» (PDF) (em espanhol). Centro de Investigaciones Históricas Mario Briceño Iragorry. pp. 191–216. Consultado em 30 de junho de 2026
  5. ↑ Allan R. Brewer-Carías (1996). «La formación del Estado venezolano» (PDF) (em espanhol). Universidad Católica del Táchira. pp. 237–238. Consultado em 30 de junho de 2026
  6. ↑ Alexis Coello. «El toponímico Morón» (em espanhol). Archivo QHEM — La Voz de Morón 93.5 FM. Consultado em 30 de junho de 2026