Luis de Rojas

Luis de Rojas
NascimentoMadrid
Morte1600
Caracas
CidadaniaMonarquia Católica
Filho(a)(s)María de Guzmán
Cargo(s)
governador da Província da Venezuela (1583–1589)
AntecessorJuan de Pimentel
SucessorDiego de Osorio y Villegas

Luís de Rojas y Mendoza (em espanhol: Luis de Rojas y Mendoza; Madrid, ? — Caracas, antes de Setembro de 1600) foi um administrador colonial espanhol. Foi governador da Província da Venezuela entre 1583 e 1589, sucedendo a Juan de Pimentel e sendo sucedido por Diego de Osorio y Villegas. Antes de chegar à Venezuela, exerceu as governações de Yucatán e de Santa Marta.

Origem, família e carreira anterior

Rojas era natural de Madrid. Antes de ser nomeado para a Venezuela, tinha exercido as governações de Yucatán e de Santa Marta.

Chegou ao porto de Caraballeda em Outubro de 1583, acompanhado pela mulher, Bárbula de Antesana, pelos filhos Juan e Andrés de Rojas, pela filha María de Guzmán, e por outras pessoas da sua família e criadagem. María de Guzmán veio a casar com Juan de Pimentel, antecessor de Rojas na governação da Venezuela; María morreu em Junho de 1586, deixando um filho Melchor. Pimentel depois viúvo seguiu a carreira eclesiástica.

Governo da Venezuela

Rojas chegou à Venezuela para substituir Juan de Pimentel na governação e capitania-general da província. Em Caraballeda, encontrou-se com o bispo fray Juan Martínez de Manzanillo, que seguia em visita episcopal para Caracas; segundo Luis Alberto Sucre, ambos seguiram para a cidade, onde desde então passaram a residir os bispos, embora a catedral se mantivesse em Coro até ao século XVII. A data exacta da posse aparece com pequena divergência nas fontes: Sucre afirma que Rojas se encarregou do governo em 10 de Novembro de 1583, enquanto Pedro Manuel Arcaya situa a posse perante o cabildo de Caracas a 21 do mesmo mês.

No início da governação, fez nomeações militares e retomou acções de conquista e povoamento. Mandou Garci-González de Silva conter os caribes do Orinoco, que ameaçavam a região de Valência, campanha que Oviedo y Baños situa nas margens do rio Guárico.

Autorizou também Sebastián Díaz de Alfaro a conquistar e povoar entre os quiriquires, às suas próprias custas. A empresa levou à fundação de San Juan de la Paz, nas margens do rio Tuy, e depois à fundação de San Sebastián de los Reyes, em 1584, nos llanos. Um documento extractado por Vicente Dávila refere que Sebastián Díaz recebera poderes de Rojas para povoar nas províncias dos quiriquires, tomuzas e arbacos, pacificando os naturais e fundando San Juan de la Paz e San Sebastián de los Reyes, com cabildo, igreja, ofícios municipais e repartição de índios.

Outra frente de acção foi dirigida contra os cumanagotos. Rojas encarregou Cristóbal Cobos, que a Real Audiência de Santo Domingo havia condenado a servir à sua custa em conquistas da província, de entrar contra os cumanagotos, oferecendo-lhe ajuda para a empresa. Cobos entrou na região em Março de 1585, com cento e setenta espanhóis e trezentos indígenas da costa, e enfrentou as forças do cacique Cayaurima. Depois de combates e de uma paz instável, estabeleceu a povoação de San Cristóbal de los Cumanagotos. Segundo Oviedo y Baños, porém, Cobos acabou por dar obediência a Rodrigo Núñez, governador de Cumaná, submetendo a nova povoação e o seu partido à jurisdição de Cumaná; o cronista atribui essa decisão às promessas de Núñez ou ao ressentimento de Cobos por Rojas lhe ter faltado com os socorros prometidos, considerando o episódio a origem da separação daquele território da governação da Venezuela.

Administração e conflitos locais

Em Abril de 1584, Rojas escreveu ao rei sobre os assuntos da governação. Segundo Arcaya, que resume essa correspondência, queixava-se do abuso da Real Audiência de Santo Domingo no envio frequente de juízes pesquisidores à Venezuela, cujas custas recaíam sobre os habitantes pobres da província. Na mesma conjuntura, observava que os indígenas encomendados continuavam sujeitos ao serviço pessoal, em vez de pagarem tributos aos seus encomendeiros, e advertia que o costume estava tão enraizado que os interessados se levantariam caso fossem impedidos de usar esse trabalho.

Em Dezembro de 1586, Rojas escreveu novamente ao rei, queixando-se da família Rojas de Margarita, estabelecida em Caracas e ligada por casamento aos principais conquistadores da cidade. Na carta, citada por Arcaya e Sucre, acusava um grupo de sete irmãs Rojas e os seus numerosos filhos e netos de cometerem delitos graves e de serem favorecidos pela Audiência por serem ricos. Sucre identifica essas sete irmãs como filhas de Díaz Moreno: Beatriz, casada com Simón de Bolívar, o Moço; Germana, casada com Diego Vásquez de Escobedo; María Ana, casada com Lázaro Vásquez; Leonor, casada com Mateo Díaz de Alfaro; Ana, casada com Onofre Carrasquel; Francisca, casada com Pedro Mijares de Solórzano; e Juana, casada com Juan de Guevara Samaniego.

O conflito mais grave da governação de Rojas envolveu Caraballeda. Segundo Oviedo y Baños, as cidades da província tinham quatro regidores anuais, aos quais competia, por costume ou privilégio, a eleição dos alcaldes ordinários. Em 1586, Rojas ordenou aos regidores de Caraballeda que não realizassem a eleição como de costume, por pretender nomear ele próprio os alcaldes; os regidores recusaram a ordem e, reunidos em cabildo em 1 de Janeiro, elegeram os alcaldes segundo o costume. Rojas considerou a resistência desacato e mandou levar presos para Caracas os quatro regidores que se tinham oposto à sua determinação. Em protesto, os moradores de Caraballeda abandonaram a cidade, mudando-se em grande parte para Valência; Rojas qualificou a saída como motim e instaurou processo contra os envolvidos.

Entre os acusados nesse processo esteve Juan de Guevara, vizinho influente de Caracas. Oviedo y Baños afirma que Guevara, preso por ordem do governador, enviou à Corte um mestiço chamado Juan de Urquijo para apresentar queixa e capitular contra Rojas. Quando Urquijo chegou a Espanha, o governo de Rojas aproximava-se do fim e o rei já tinha provido Diego de Osorio para o substituir; ainda assim, as acusações contra Rojas foram admitidas no Conselho.

Juízo de residência e morte

Segundo Sucre, a queixa contra Rojas tomou forma de denúncia judicial apresentada por Juan de Guevara perante a Real Audiência de Santo Domingo em 28 de Agosto de 1587. Em 9 de Junho de 1588, a Audiência, em vista dos cargos apresentados pelo seu fiscal, o licenciado Aliaga, determinou que o expediente fosse remetido ao Conselho das Índias e que seguisse à Venezuela um juiz especial com vara alta, escrivão e alguazil, para tomar declarações a Rojas, embarcá-lo para Santo Domingo e executar as ordens da Audiência que o governador não houvesse cumprido. Para a comissão, a Audiência nomeou o capitão Gerónimo de Agüero como juiz, Diego Alemán de Ayala como escrivão e Diego de Belasco como alguazil.

Sucre afirma não ter conseguido apurar o desfecho da querela em Santo Domingo, mas refere que Rojas passou sete meses naquela cidade e que, pouco depois do seu regresso a Caracas, Diego de Osorio chegou à província e lhe tomou residência. A residência, juntamente com os cargos do fiscal da Audiência de Santo Domingo, foi remetida ao Conselho das Índias, ficando garantidas fianças para as resultas. Rojas morreu em Caracas pouco antes de Setembro de 1600.

Durante o seu governo, teve por tenente-general Jácome Fantóm, natural de Santo Domingo. Sucre indica como alcaldes ordinários de Caracas, no período, Martín de Gámez em 1584, Antonio Ruiz em 1585, Francisco de Vides em 1587, e Francisco de Vides e Juan de Rivero em 1589.

Referências

  1. ↑ Sucre 1964, pp. 79–83.
  2. 1 2 3 4 Sucre 1964, p. 79.
  3. ↑ Sucre 1964, p. 78.
  4. ↑ Arcaya 1920, p. 309.
  5. ↑ Sucre 1964, pp. 79–80.
  6. ↑ Oviedo y Baños 2004, pp. 408–411.
  7. ↑ Oviedo y Baños 2004, pp. 411–414.
  8. ↑ Dávila 1927, pp. 80–81.
  9. ↑ Oviedo y Baños 2004, pp. 414–415.
  10. ↑ Oviedo y Baños 2004, pp. 415–417.
  11. ↑ Oviedo y Baños 2004, pp. 417–418.
  12. 1 2 Arcaya 1920, p. 310.
  13. ↑ Arcaya 1920, pp. 310–311.
  14. 1 2 Sucre 1964, p. 81.
  15. ↑ Oviedo y Baños 2004, pp. 418–419.
  16. ↑ Oviedo y Baños 2004, p. 419.
  17. ↑ Oviedo y Baños 2004, pp. 419–420.
  18. ↑ Oviedo y Baños 2004, p. 420.
  19. 1 2 3 Sucre 1964, p. 82.
  20. 1 2 Sucre 1964, pp. 82–83.

Bibliografia