| Lusbela | |
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Capa da 1ª edição | |
| Autoria | Joaquim Manuel de Macedo |
| Enredo | |
| Gênero | Drama realista |
| Personagens | Damiana (Rosa Lusbela), Pedro Nunes, Graciano, A Baroneza, Leoncio, Leonel, Christina, Leonor, Beatriz |
| Atos | Um prólogo e quatro atos |
| Outras informações | |
| Data da estreia | 1862; publicada em livro em 1863 |
| Local da estreia | Teatro Ginásio (Rio de Janeiro) |
| Idioma original | Português |
| País | |
Lusbela é um drama de Joaquim Manuel de Macedo, estruturado em um prólogo e quatro atos, encenado no Teatro Ginásio do Rio de Janeiro em 1862 e publicado em livro no ano seguinte, pela editora B. L. Garnier. A peça narra a queda e a tentativa de redenção de Damiana, filha de um jardineiro, seduzida e abandonada por um rapaz rico, que se torna a célebre cortesã "Rosa Lusbela" da vida noturna carioca.
Assim como Luxo e Vaidade, é uma peça de Macedo escrita sob influência dramática francesa, contrastando com a vertente mais fantasiosa ou burlesca de boa parte de sua obra. A obra também é situada pela crítica literária dentro de uma pequena tradição do teatro brasileiro oitocentista dedicada à figura da prostituta como vítima das circunstâncias sociais, iniciada por José de Alencar. Apesar do grande sucesso de público que obteve em sua época, a peça foi duramente avaliada por Machado de Assis, que a via como um retrocesso em relação a peças anteriores de Macedo, como O Cego e Cobé.
Damiana, filha do jardineiro Pedro Nunes, é seduzida e abandonada por Leoncio de Almeida, filho da baronesa a cuja família seu pai serve há vinte e cinco anos. Ao ser confrontado, Leoncio se recusa a reparar a "falta" casando-se com ela, alegando a diferença de classe entre ambos, e atira-lhe aos pés uma quantia em dinheiro como compensação. Enfurecido, Pedro Nunes quase o agride. Nesse momento, sua mãe idosa e enferma, Leonor, testemunha a cena, amaldiçoa tanto o sedutor quanto a filha desonrada e morre de choque, levando Pedro Nunes a repudiar Damiana.
Passados dois meses, Damiana tornou-se "Rosa Lusbela", cortesã célebre da sociedade fluminense, sustentada por uma corte de admiradores dissolutos, entre eles o professor de piano Graciano, que a corteja por interesse e a envolve em esquemas obscuros. Cansada dessa vida, Damiana se apaixonou por Leonel da Silva, primo do próprio Leoncio, sem que este saiba de sua verdadeira identidade. Paralelamente, sua irmã mais nova, Christina, hoje costureira, ignora que "Lusbela" é sua própria irmã. Por manipulação de sua criada Beatriz, Christina é atraída à casa de Damiana, e as duas se reconhecem, revelando-se, ao mesmo tempo, que Leonel, apaixonado por Christina, é primo do homem que arruinara Damiana.
Damiana é pressionada por Leoncio, que teme que o casamento de Christina com seu primo Leonel manche o nome da família, e por Graciano, que tenta forçá-la a participar de um esquema de falsificação de dinheiro.. Em desespero, Damiana chega a cogitar o suicídio, mas é impedida por seu pai, que acaba por perdoá-la. Pedro Nunes, abalado pelos acontecimentos, adoece gravemente. Em um delírio, acredita ver o fantasma da própria mãe morta, ordenando-lhe que "salve" Damiana de uma caixa que julga conter veneno (na realidade, o material de falsificação deixado por Graciano). Damiana, por sua vez, recusa-se a participar do crime de Graciano e insiste para que Christina não sacrifique sua felicidade e se case com Leonel.
Machado de Assis, em sua crítica sobre o teatro de Macedo, foi especialmente severo com Lusbela, afirmando que "sofre-se este drama como um pesadelo", e que se chega ao final "não comovido, mas aturdido", surpreendendo-se de que o autor delicado de A Nebulosa não tivesse produzido, no terreno áspero do drama, uma obra à altura de seu talento poético. Para o crítico, tanto Lusbela quanto Luxo e Vaidade revelavam um modo de construir as personagens que lhes retirava "todas as condições humanas", subordinando a arte dramática à mera produção de efeito de cena. Ainda assim, Machado reconhecia o grande sucesso popular da peça, representada por longo tempo no Ginásio do Rio e levada a teatros de província, sucesso que, em sua avaliação, não deveria ser confundido com valor artístico, pois via em O Cego e Cobé o "bom caminho" que Macedo deveria ter seguido.
João Roberto Faria classifica Lusbela, assim como Luxo e Vaidade, como uma das únicas peças de Macedo produzidas sob influência do drama e da comédia realista francesa, e a descreve como sendo um "drama realista".
A pesquisadora Valéria Andrade situa Lusbela dentro de uma pequena tradição do teatro brasileiro oitocentista dedicada a retratar a prostituta como vítima das circunstâncias sociais, e não simplesmente como figura a ser condenada moralmente, tradição iniciada por José de Alencar e que teria alcançado, pouco depois, peças como História de uma Moça Rica (1861), de Francisco Pinheiro Guimarães, e a própria Lusbela de Macedo, ambas encenadas no Teatro Ginásio Dramático. Segundo essa leitura, o drama de Macedo participa de um movimento mais amplo do teatro romântico brasileiro que buscava humanizar a figura da mulher "caída", explorando as contradições entre a compaixão pela vítima e a rigidez moral da sociedade que a condena, tensão que atravessa toda a trama de Lusbela, na oscilação entre o repúdio e o perdão de Pedro Nunes à própria filha, e na hesitação de Leonel da Silva diante do amor por duas irmãs ligadas por uma mesma história de desonra.