Democracia Cristã | |
|---|---|
| Sigla | DC |
| Número eleitoral | 27 |
| Presidente | João Caldas |
| Vice-presidentes | • 1º Alessandro Marques • 2º Marcos Caran • 3º Maria Silvana Reis • 4º Eudo Freire Filho |
| Secretário-geral | Rubens Pavão |
| Tesoureiro-geral | Renato da Silva |
| Fundação | 30 de março de 1995 (31 anos) |
| Registro | 5 de agosto de 1997 (29 anos) |
| Sede | São Paulo, SP |
| Ideologia | |
| Espectro político | Centro a Centro-direita Autoproclamado: Visão Independente |
| Ala de juventude | Juventude Nacionalista Cristã |
| Antecessor | Partido Democrata Cristão |
| Membros (2026) | 185.529 filiados |
| Governadores (2026) | 0 / 27 |
| Prefeitos (2026) | 2 / 5 569 |
| Senadores (2026) | 0 / 81 |
| Deputados federais (2026) | 0 / 513 |
| Deputados estaduais (2026) | 2 / 1 024 |
| Vereadores (2024) | 251 / 58 026 |
| Cores | Azure Azul real Dourado |
| Slogan | "Fé no Brasil!" |
| Bandeira do partido | |
| Página oficial | |
| democraciacrista | |
Democracia Cristã (DC) é um partido político brasileiro de orientação democrata-cristã. Foi fundado em 1995 e registrado definitivamente em 1997 com o nome Partido Social Democrata Cristão (PSDC). Em agosto de 2017 mudou seu nome para o atual, oficializado pelo TSE em maio de 2018. É presidido pelo advogado João Caldas. Em janeiro de 2026, o partido contava com 181.435 filiados.
Inspirados nos princípios da Doutrina social da Igreja, sobretudo nas encíclicas Rerum novarum, do Papa Leão XIII e Quadragesimo anno, do Papa Pio XII surgem, no cenário de uma Europa devastada pelo final da Segunda Guerra Mundial, Konrad Adenauer na Alemanha e Alcide De Gasperi na Itália. Formulam então uma nova doutrina política, com o objetivo central de construir uma sociedade livre, justa e solidária e denominam-na de democracia cristã. Um pensamento político de caráter democrático e fundamentada nos valores humanísticos do cristianismo: liberdade, justiça e solidariedade. Mas que, a um só tempo, seja antimarxista e anticapitalista.
Em 9 de junho de 1945, inspirado nos ideais de Adenauer e De Gasperi, o professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Cesarino Júnior, juntamente com outras personalidades cristãs da época, dentre outros, Tristão de Ataíde (pseudônimo de Alceu Amoroso Lima) e Arthur Machado Paupério fundaram, na Cidade de São Paulo, no Teatro Municipal, o Partido Democrata Cristão (PDC). Em 1946, participou da Assembleia Nacional Constituinte com dois representantes, sendo estes o Monsenhor Arruda Câmara (PDC-PE) e Manuel Vitor de Azevedo (PDC-SP).
A exemplo da Europa, a democracia cristã expandiu-se rapidamente no Brasil e, através do PDC, ingressaram na vida pública grandes expoentes da política brasileira, como Jânio Quadros, Franco Montoro, José Richa e Nelson Marchesan.
Em 1962, ingressou em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, na Juventude Democrata Cristã, José Maria Eymael, futuro presidente da Social Democracia Cristã, no Brasil.
Três anos depois, em 1965, o Ato Institucional nº 2 extinguiu todos os partidos políticos, inclusive o PDC, criando em seu lugar apenas dois partidos: o ARENA e o MDB.
Em 1985, vinte anos depois, com a abertura política, novamente a democracia cristã é implantada no país, com a refundação do PDC.

No mesmo ano, José Maria Eymael é convocado pela democracia cristã para reorganizar o PDC em São Paulo e concorre à prefeitura da cidade de São Paulo pelo partido, ficando em 9º lugar. Em 1993, o partido funde-se ao PDS para formar o PPR (atual PP). Descontente com a fusão, Eymael funda o PSDC em 1995, mas seu registro definitivo só foi oficializado em 1997.
Em 1996, o PSDC fez sua estreia em eleições, tendo elegido alguns candidatos a prefeito e vereador. Em 1998, Eymael concorre pela primeira vez à presidência do Brasil, tendo como seu candidato a vice o sul-mato-grossense Josmar Oliveira Alderete. Com 171.831 votos (0,25% das intenções de voto), Eymael termina o pleito em 8º lugar. O partido elege novamente alguns prefeitos e vereadores nas eleições de 2000 a 2008.
Oito anos após sua última eleição para deputado federal, Eymael volta a concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados em 2002. Recebeu apenas 8.952 votos (0,046%) e não conseguiu se eleger. Seu filho, José Carlos Selbach Eymael, teve desempenho pior: postulante a uma vaga de deputado estadual, recebeu apenas 389 votos.
Em 2006, Eymael concorre pela segunda vez à presidência do Brasil. Seu candidato a vice foi o empresário paraibano José Paulo da Silva Neto. Com 63.294 votos, ficou na sexta posição. Em um de seus programas eleitorais, criticou a ausência do então presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva ao debate presidencial da Rede Globo, considerando-a um desrespeito à democracia e aos eleitores, e cunhou a expressão: "porque a cadeira está vazia".
No ano de 2010, Eymael concorre à presidência da república pelo partido, obtendo 89.350 votos, ficando em 5º lugar. Seu candidato a vice foi, novamente, José Paulo da Silva Neto. Em 2012, o PSDC conquistou 8 prefeituras, mesmo número conseguido em 2008. Mais uma vez, Eymael lança-se candidato à prefeitura de São Paulo, ficando dessa vez em 11º lugar entre 12 candidatos, conquistando 5.382 votos.
Em dezembro de 2013, Eymael confirmou sua pré-candidatura à presidência do Brasil em entrevista ao portal R7. Sua candidatura acabou sendo confirmada e foi a quarta vez que o ex-deputado saiu candidato ao cargo (a terceira consecutiva), agora tendo Roberto Lopes como vice em sua chapa, tendo obtido 61.250 votos (0,06% das intenções de voto). Uma novidade em seus programas foi seu famoso jingle eleitoral, usado desde 1984. Segundo Eymael, foi uma tentativa de modernizá-lo, mas a diferença foi praticamente imperceptível.
Em 2017, o PSDC protocola um pedido de mudança de nome no TSE. Em 17 de maio de 2018, o TSE homologou a mudança do nome para Democracia Cristã. A mudança de nome ocorreu no contexto da crise político-econômica de 2014, visando a obtenção de melhores resultados nas eleições vindouras. A troca de nome foi uma estratégia comum na época, tendo sido usada por vários partidos para se desvencilhar de escândalos de corrupção.
Em julho de 2018, Eymael teve sua pré-candidatura à presidência do Brasil oficializada. Foi a quinta vez que ele disputou a presidência da República (a quarta consecutiva), e o vice em sua chapa foi o pastor Hélvio Costa. Com 41.710 votos (0,04% das intenções de voto), foi a menor votação obtida por Eymael desde sua primeira tentativa, em 1998.
Em nível estadual, repetiu 2014 e lançou apenas dois candidatos a governador, também em chapa independente: Romualdo Seno (Piauí) e o Major Costa e Silva (São Paulo). O partido fez alianças com outras legendas nos outros 24 estados e no Distrito Federal. Entre os candidatos a Senador, lançou 6 postulantes ao cargo - Compadre Luiz Adão (Paraná), Dr. Joanilson (Rio Grande do Norte) e Marcos Mauricio (Bahia) integraram coligações com outros partidos, enquanto Joaquim Saraiva, Lafayette Andrade (ambos pelo Piauí) e Machado (Rio Grande do Sul) disputaram em chapa neutra. A candidatura de Kaled ao Senado por São Paulo foi indeferida.
Elegeu apenas um deputado federal: Luiz Antônio Corrêa, pelo estado do Rio de Janeiro, além de eleger novamente 9 deputados estaduais: Jory Oeiras (Amapá), Euclério Sampaio (Espírito Santo), Rafael Gouveia (Goiás), Elizeu Nascimento, Ulysses Moraes (ambos em Mato Grosso), Cleiton Oliveira (Minas Gerais), Diana Belo (Pará), João Peixoto, Marcelo Cabeleireiro (ambos no Rio de Janeiro).
Em 2020, nas eleições municipais, o partido elegeu apenas uma prefeitura no município de Bom Princípio do Piauí e 123 vereadores no resto do país.
Nas eleições gerais de 2022 o partido não elegeu o presidente, nenhum governador, senador ou deputado federal. O único cargo conquistado pelo partido foi o da deputada estadual, Maria Clara Marra (MG). Todavia, o partido não superou a cláusula de barreira mais uma vez, razão pela qual a deputada se desfiliou do partido sem perder o mandato.
Nas eleições municipais de 2024, dobrou o número de prefeitos eleitos, sendo as duas prefeituras do estado de Minas Gerais, em Patrocínio e em Divinolândia de Minas, a legenda ainda elegeu mais que o dobro de vereadores em relação a 2020, indo de 123 para 253. Em Setembro de 2026 ganhou mais uma prefeitura, desta vez, no Estado de São Paulo, em Votorantim, com o falecimento do prefeito, o vice assume o cargo, chegando a três prefeituras no Brasil.
No final de 2025, Aldo Rebelo filiou-se a Democracia Cristã (DC) e anunciou sua pré-candidatura a Presidência do Brasil para as eleições de 2026.
Em maio de 2026, o presidente nacional do partido, João Caldas, anunciou à Folha de S.Paulo a substituição da pré-candidatura de Aldo Rebelo pela do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa na disputa presidencial. O anúncio gerou controvérsia interna, sobretudo entre setores alinhados a Rebelo e aos novos integrantes do partido.
Enquanto a direção nacional passou a apoiar a candidatura de Joaquim Barbosa, setores da base partidária mantiveram apoio a Aldo Rebelo, incluindo diretórios estaduais e municipais declarando apoio ao Aldo. Durante uma convenção estadual do partido realizada em Boa Vista, em maio de 2026, o presidente do diretório do DC em Roraima, Paulo César Quartiero, criticou publicamente a substituição de Rebelo por Barbosa na disputa presidencial. Dirigindo-se ao presidente João Caldas, Quartiero classificou a decisão como “ridícula” e afirmou que Barbosa seria incompatível com posições defendidas pelo partido, citando especialmente sua atuação no julgamento da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Em declaração repercutida na imprensa, afirmou que, caso Barbosa realizasse campanha em Roraima, seria “apedrejado” por militantes do partido; a declaração foi recebida com aplausos por parte do público presente. O Presidente do Diretório de São Paulo, Cândido Vaccarezza, disse que a decisão de substituir Aldo por Joaquim Barbosa é "inapoiável".
Aldo Rebelo atribuiu a uma tentativa de blindagem diante do Supremo Tribunal Federal (STF), uma instituição do qual Rebelo é crítico, a substituição de sua pré-candidatura pela do ex-ministro Joaquim Barbosa, anunciada pelo presidente da legenda, João Caldas. De acordo com Rebelo, a troca seria uma sinalização de boa vontade diante de investigações relacionadas ao caso Master em Maceió, onde o filho de Caldas, João Henrique Caldas (PSDB), é prefeito. "A oposição já está usando esse escândalo nas eleições de Alagoas e circula o dossiê dos negócios da família Caldas na prefeitura de Maceió, e diz: olha, provavelmente ele procurou algum tipo de proteção de um ex-ministro do Supremo porque essa investigação vai para o Supremo Tribunal Federal", disse Rebelo.
De acordo com o portal Metrópoles, a Polícia Federal (PF) investiga uma consultoria que recomendou ao Maceió Previdência que fizesse investimentos em letras do Banco Master. De acordo com a reportagem, o investimento total foi de R$ 168 milhões. Hoje, já se sabe que parte dos ativos do Master eram "podres", ou seja, não possuíam valor. Para Rebelo, o aceno ao Supremo teria relação, além da própria proximidade de Joaquim Barbosa com os atuais magistrados, com sua postura crítica em relação à Corte. A substituição, nesse sentido, seria uma forma de sinalizar discordância com as críticas.
Em 9 de junho a juíza de Direito Gabriela Jardon Guimarães de Faria, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), da 6ª Vara Cível de Brasília, declarou a nulidade da decisão de expulsão do ex-deputado Aldo Rebelo do Democracia Cristã e impôs pena ao partido, mantendo a pré-candidatura dele à presidência. A decisão foi feita em instância preliminar. Conforme consta no documento, o partido Democracia Cristã teve até 72 horas para readmitir Rebelo como candidato à presidência da República. Caso a medida não fosse respeitada, o partido estaria sujeito a pagar uma multa de 50 mil reais.
Após a desistência de Joaquim Barbosa, a executiva nacional do partido lançou a pré-candidatura da advogada matogrossense Clariana Barão, oficializando a candidatura no dia 05 de agosto de 2026. Clariana se tornou a primeira candidata à presidência do partido sem ser o ex-presidente da sigla José Maria Eymael desde a sua fundação.
Aldo Rebelo, por sua vez, se desfiliou do partido, para tornar-se coordenador da campanha de Ronaldo Caiado.
A Democracia Cristã é uma ideologia política baseada na interseção da fé cristã com um modelo de governança democrática voltado à promoção do estado de bem-estar social numa economia mista. É democrática na medida em que, desde a sua origem, aderiu aos ideais da democracia pluralista ocidental e é cristã porque representa a defesa e aplicação dos valores cristãos na vida política nacional e internacional.
A Democracia Cristã, como filosofia, já estava presente na Europa desde o sec. XIX, alicerçada nos princípios da dignidade humana, colocando a pessoa como centro do processo político social e unindo através da solidariedade os valores da justiça e da liberdade. Entre os pensadores da Democracia Cristã no século passado, podem ser destacados entre outros, Jacques Maritain, Emmanuel Moriner, Étienne Gilson e Louis-Joseph Lebret.
O partido repudia assim, o que chama de "capitalismo selvagem" que não realiza a Justiça e o marxismo que "esmaga a Liberdade" e proclama como sua doutrina, a Democracia Cristã, que realiza a Justiça sem destruir a Liberdade, tornando possível a convivência desses valores através da prática da Solidariedade. Reconhece a pessoa como centro e razão fundamental de todo o processo social, econômico e político e assim sendo, afirma que o Estado deve estar sempre a serviço da sociedade e não a sociedade a serviço do Estado. Considera como fundamental para a existência de uma Sociedade Livre, Justa e Solidária e plenamente democrática, uma efetiva igualdade de oportunidades que permita a todos os membros do corpo social, iguais condições de desenvolvimento.
Número de filiados
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Legislatura | Bancada | % | ± |
|---|---|---|---|
| 51ª (1999–2003) |
0 / 513 |
0,00 | |
| 52ª (2003–2007) |
1 / 513 |
0,19 | |
| 53ª (2007–2011) |
0 / 513 |
0,00 | |
| 54ª (2011–2015) |
0 / 513 |
0,00 | |
| 55ª (2015–2019) |
2 / 513 |
0,38 | |
| 56ª (2019–2023) |
1 / 513 |
0,19 | |
| 57ª (2023–2027) |
0 / 513 |
0,13 |
Os números das bancadas representam o início de cada legislatura, desconsiderando, por exemplo, parlamentares que tenham mudado de partido posteriormente.
| Participação e desempenho da DC nas eleições estaduais de 2022 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Candidatos majoritários eleitos (4 governadores e 1 senador).
Em negrito estão os candidatos filiados à DC durante a eleição.
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| Participação e desempenho da DC nas eleições estaduais de 2018 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Candidatos majoritários eleitos (6 governadores e 13 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados à DC durante a eleição.
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| Participação e desempenho do PSDC nas eleições estaduais de 2014 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Candidatos majoritários eleitos (10 governadores e 5 senadores).
Em negrito estão os candidatos filiados ao PSDC durante a eleição.
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| Ano | Imagem | Candidato(a) a Presidente | Candidato a Vice-Presidente | Coligação | Votos | Posição |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1998 | José Maria Eymael (PSDC) |
Josmar Oliveira Alderete (PSDC) |
Sem coligação | 171.831 (0,25%) | 9ª | |
| 2006 | José Maria Eymael (PSDC) |
José Paulo da Silva Neto (PSDC) |
Sem coligação | 63.294 (0,07%) | 6ª | |
| 2010 | José Maria Eymael (PSDC) |
José Paulo da Silva Neto (PSDC) |
Sem coligação | 89.350 (0,09%) | 5ª | |
| 2014 | José Maria Eymael (PSDC) |
Roberto Lopes (PSDC) |
Sem coligação | 61.250 (0,06%) | 9ª | |
| 2018 | José Maria Eymael (DC) |
Hélvio Costa (DC) |
Sem coligação | 41.710 (0,04%) | 12ª | |
| 2022 | Constituinte Eymael (DC) |
João Bravo (DC) |
Sem coligação | 16.603
(0,01%) |
11ª | |
| 2026 | Clariana Barão (DC) |
Fabiana Torquato (DC) |
Sem coligação |