| Paramaconi | |
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| Ocupação | Cacique e dirigente indígena |
Paramaconi foi um dirigente indígena activo na região centro-norte da actual Venezuela durante a segunda metade do século XVI, descrito pela historiografia como cacique dos taramainas ou toromaimas. É conhecido sobretudo pela participação na resistência indígena à ocupação espanhola do vale de Caracas, incluindo os ataques de 1561 contra o assentamento de San Francisco e a resistência que prosseguiu depois da fundação de Santiago de León de Caracas.
Parte do que se conhece sobre a fase posterior dessa resistência provém da informação de méritos de Garci González de Silva, utilizada por autores como Nectario María, enquanto a narrativa pormenorizada do combate entre Paramaconi e Garci González é conhecida sobretudo pela obra de José de Oviedo y Baños, publicada em 1723. Os estudos modernos distinguem Paramaconi de Parnamacay ou Parmanacay, chefe ligado aos tarmas.
As designações étnicas utilizadas para Paramaconi variam conforme as fontes e os autores. Oviedo y Baños chamou-lhe «cacique dos taramainas», enquanto Nectario María empregou preferencialmente a forma toromaimas. Landa retomou a forma taramainas ao distinguir as diferentes parcialidades indígenas que resistiram à ocupação do vale de Caracas. Estas designações pertencem, contudo, ao vocabulário colonial e historiográfico disponível. A investigação interdisciplinar sobre os povos indígenas da província de Caracas adverte contra a correspondência automática entre os etnónimos registados nos documentos coloniais, unidades políticas homogéneas e culturas arqueológicas específicas.
A terminologia das fontes também varia quanto ao estatuto do próprio Paramaconi. A historiografia usa habitualmente o termo cacique, mas Nectario María, ao citar a informação de méritos de Garci González de Silva, refere um depoimento que chama Paramaconi de «principal» e o descreve ainda «de guerra», convocando outros principais e indígenas e resistindo às tentativas das autoridades de Caracas para o prender e trazer à paz.
Paramaconi não deve ser confundido com Parnamacay, também grafado Parmanacay em parte da bibliografia. Landa enumera separadamente «Paramaconi de los taramainas» e «Parnamacay de los tarmas». Nectario María também trata a campanha contra Paramaconi numa secção própria e, imediatamente depois, aborda a resistência dos tarmas, na qual aparecem Parmanacay e Prepocunate.
Oviedo y Baños conserva igualmente os dois nomes como pessoas distintas. Na sua narrativa sobre a campanha de Garci González contra Paramaconi, menciona os povoados de Guaremaisen, Parnamacay e Prepocunate nas proximidades do lugar onde Paramaconi se encontrava retirado. Mais adiante, ao resumir a submissão da costa, associa Paramaconi aos taramainas e Parnamacay aos tarmas.
Em 1560, Francisco Fajardo estabeleceu no vale de Caracas um hato e povoado chamado San Francisco. Depois dos combates na região mineira dos teques, o empreendimento tornou-se um dos alvos da resistência indígena.
A Cronología de historia de Venezuela, da Fundación Empresas Polar, situa em 1561 um primeiro ataque de Paramaconi contra o lugar. Segundo essa síntese, Guaicaipuro, depois de atacar as minas dos teques, incitou Paramaconi à rebelião; este desceu ao vale com os seus guerreiros toromaimas, queimou as casas e matou vários moradores e parte do gado. Nectario María reconstituiu o episódio de modo semelhante, chamando Paramaconi cacique dos toromaimas e descrevendo as casas queimadas, os cadáveres dispersos e parte do gado morto por flechas.
Juan Rodríguez Suárez, informado da destruição das minas dos teques e do ataque a San Francisco, avançou para o vale. A Fundación Empresas Polar situa depois a fundação formal da vila de San Francisco em 1 de Agosto de 1561, no lugar do anterior hato de Fajardo.
Pouco depois, Rodríguez Suárez saiu de San Francisco em direcção a El Collado, deixando parte dos homens sob o comando de Julián de Mendoza. Segundo a cronologia da Fundación Empresas Polar, cerca de trinta minutos depois Paramaconi desceu pela abra de Catia com aproximadamente seiscentos guerreiros e atacou de novo o assentamento. O gado teria então rompido os cercados, contribuindo para a dispersão dos atacantes; os defensores obrigaram os homens de Paramaconi a recuar em direcção a Catia. Mendoza decidiu retirar-se durante a noite com os feridos, mas encontrou Rodríguez Suárez, que regressava em socorro do grupo, e ambos voltaram para San Francisco.
Oviedo y Baños, escrevendo mais de um século depois dos acontecimentos, oferece uma versão muito mais pormenorizada. Segundo o cronista, Julián de Mendoza, Antón de Albornoz, Fraga, Pallares e Castillo avançaram a cavalo contra os atacantes; Albornoz ficou ferido nas mãos, o cavalo de Fraga morreu e Mendoza caiu sem sentidos depois de receber um golpe de macana. Oviedo atribui a Alonso Fajardo, Juan Ramírez e aos restantes espanhóis o avanço que impediu que Mendoza fosse morto ou levado pelos indígenas. A pressão dos atacantes contra os currais teria provocado a fuga do gado, que atravessou a formação indígena, criando a desordem aproveitada pelos espanhóis para contra-atacar.
A cronologia da Fundación Empresas Polar coloca ainda em Agosto de 1561 outro confronto. Segundo essa reconstrução, Paramaconi e Toconai cercaram San Francisco e saíram ao encontro de Rodríguez Suárez quando este atravessou o rio Caroata acompanhado por outro cavaleiro e oito infantes. Toconai morreu no combate, Rodríguez Suárez ficou ferido e os guerreiros indígenas dispersaram-se em grupos. A mesma fonte descreve Paramaconi e Toconai com arcos, aljavas e lanças cujas pontas teriam sido reforçadas com fragmentos de espadas recolhidas por Guaicaipuro nas minas dos teques.
A fundação de Santiago de León de Caracas por Diego de Losada em 1567 não significou o fim imediato da resistência indígena na região. Landa distingue várias frentes e dirigentes que continuaram a opor-se ao avanço espanhol, entre eles Paramaconi entre os taramainas, além de Tamanaco, Parnamacay, Parayuata, Conopioma e Terepaima.
No caso de Paramaconi, Nectario María afirma que se retirara com os seus para as elevações de Tacaya e Topogua. Segundo o mesmo autor, atraíra para a resistência Guaremaisen, Urimauri e habitantes de povoados próximos. Ao citar a informação de méritos de Garci González de Silva, Nectario refere ainda um depoimento que apresenta Paramaconi como «principal» em guerra, capaz de convocar outros principais e indígenas, apesar das tentativas das autoridades de Caracas para o capturar.
As autoridades de Caracas acabaram por encarregar Garci González de Silva de uma expedição contra Paramaconi. Nectario María afirma que o capitão reuniu trinta homens e utilizou como guia um jovem toromaima de cerca de onze ou doze anos, partindo de Caracas ao pôr do sol. A tropa teria alcançado depois da meia-noite a região onde se encontravam as comunidades relacionadas com Guaremaisen, Parnamacay e Prepocunate.
Na reconstrução de Nectario, baseada na informação de méritos de Garci González, Martín Alonso é apresentado como participante da jornada e é-lhe atribuída a declaração de que Garci González conseguira sujeitar pessoalmente Paramaconi. O mesmo autor associa ao testemunho uma ferida grave sofrida por Paramaconi durante o confronto. A formulação deve ser entendida no contexto de uma informação de méritos destinada a demonstrar os serviços do conquistador.
Oviedo y Baños descreveu a operação como uma expedição nocturna ordenada pelos alcaldes ordinários de Caracas. Segundo o cronista, Garci González passou pelos povoados de Guaremaisen, Parnamacay e Prepocunate sem os atacar e dirigiu-se ao lugar montanhoso onde Paramaconi permanecia retirado. Oviedo apresenta a casa de Paramaconi como construída numa encosta e provida de duas saídas, uma para o alto da montanha e outra voltada para um despenhadeiro.
Quando percebeu a chegada dos espanhóis, Paramaconi teria procurado retirar por esta segunda saída quatro mulheres que se encontravam com ele, enquanto seis combatentes armados de arcos e flechas defendiam o outro acesso. Segundo a narrativa de Oviedo, Paramaconi enfrentou Garci González com uma macana, conseguiu derrubá-lo e, depois de assegurar a fuga das mulheres, lançou-se pelo declive para escapar. Garci González seguiu-o e ambos combateram no fundo do vale. O cronista afirma que Paramaconi recebeu duas estocadas, caiu desmaiado e foi abandonado por Garci González, que o julgou morto; os soldados espanhóis teriam entretanto matado os seis defensores da casa.
Oviedo y Baños afirma que Paramaconi sobreviveu às feridas e permaneceu oculto durante a convalescença. Pouco mais de um ano depois, teria entrado em Caracas acompanhado por pessoas principais da sua «nação taramaina», pedido paz e oferecido obediência.
O cronista acrescenta que Paramaconi manteve posteriormente amizade com Garci González, hospedando-se na casa deste quando visitava a cidade. Nectario María reproduziu esta tradição, afirmando que, depois de recuperar das feridas, Paramaconi foi a Caracas e ofereceu paz aos conquistadores, em particular ao antigo adversário. Mais adiante, Oviedo resume a situação da região afirmando que tarmas e taramainas estavam já sujeitas depois de Garci González ter obrigado Paramaconi e Parnamacay a dar obediência.
No século XIX, Paramaconi tornou-se personagem da literatura venezuelana. Em 1881, o poeta Francisco Guaicaipuro Pardo publicou em Caracas o opúsculo Indianas: Los caciques. Paramaconi, impresso pela Imprenta Bolívar. O repertório bibliográfico de Ángel Raúl Villasana descreve a edição como «primera parte», com 36 páginas, e regista que a segunda parte foi publicada juntamente com a primeira em Obras poéticas, de 1883.
Na edição de 1883 de Obras poéticas, Indianas. Los caciques: Paramaconi começa na página 106; a primeira parte estende-se até à página 139 e a segunda inicia-se na página 140, sob o título «Tribus del Avila». A edição foi publicada como oferenda ao Libertador no primeiro centenário do seu nascimento.
No catálogo oficial da Exposição Nacional da Venezuela de 1883, Obras poéticas de Pardo aparece entre as obras científicas e literárias apresentadas, no item 28 da quinta secção. No veredicto oficial do Conselho de Jurados, dentro do grupo dedicado às «Obras de literatura patria», o «Gran Premio» é atribuído às «Poesías de Francisco Guaicaipuro Pardo».
O nome de Paramaconi foi incorporado em diferentes topónimos de Caracas. A urbanização San Bernardino possui uma Avenida Paramaconi; a denominação aparece tanto em documentação oficial como em endereços institucionais da zona.
Existe igualmente uma Calle Paramaconi na zona de El Marqués, nome que continua a ser utilizado em endereços de instituições locais.
Na parte ocidental da cidade existe ainda um sector denominado Paramaconi, junto à antiga estrada Caracas–La Guaira. Um relatório técnico da Dirección General de Protección Civil do Distrito Metropolitano de Caracas, publicado em 2005, enumera Paramaconi entre os sectores situados na encosta norte da elevação compreendida entre a quebrada La Ceiba–El Limón e a auto-estrada Caracas–La Guaira.
Em Maturín, capital do estado de Monagas, encontra-se o Fuerte Paramaconi, instalação militar utilizada pela 32.ª Brigada de Caribes do Exército venezuelano. Em 2023, por exemplo, as suas instalações acolheram o acto de transmissão de comando dessa brigada. A instalação aparece também em levantamentos da organização do Exército como sede da brigada e de várias das suas unidades.
No estado de Carabobo, a Unidade Educativa Bolivariana Paramaconi I, em Chirgua, apresenta expressamente o seu nome como homenagem ao cacique. Segundo a história institucional publicada pela própria escola, o estabelecimento começou a funcionar em 27 de maio de 1935 como Escola Federal n.º 1183, sob a designação de «Grupo Escolar Paramaconi». O nome continua em uso como designação do estabelecimento escolar da localidade.
A imagem de Paramaconi foi também difundida através de objectos de consumo e de colecção. Na década de 1960, a Fosforera Venezolana produziu uma série de caixas de fósforos intitulada «Caciques de Venezuela», composta por treze dirigentes indígenas: Chacao, Chicuramay, Guaicaipuro, Guaicamacuto, Manaure, Naiguaya, Maracaybo, Paramaconi, Sorocaima, Tamanaco, Terepaima, Tiuna e Yoraco. No anverso das caixas figurava uma representação idealizada de cada personagem e, no reverso, um breve texto biográfico. Os textos são atribuídos a Guillermo Morón e os desenhos a Pedro Centeno Vallenilla. Sobrevive documentação de uma caixa dedicada especificamente a Paramaconi, identificada como produto da Fosforera Venezolana e associada ao texto de Guillermo Morón.
A memória de Paramaconi foi também incorporada na série medalhística «Caciques de Venezuela». Uma medalha de ouro dedicada ao cacique, datada de 1960 e produzida na Venezuela, integra actualmente a colecção do John F. Kennedy Presidential Library and Museum. No anverso, a peça apresenta a cabeça de Paramaconi em baixo-relevo, acompanhada pelas inscrições «Caciques de Venezuela» e «Paramaconi»; o reverso apresenta um condor segurando flechas e a inscrição relativa à cunhagem de 1955–1960.
A representação de Paramaconi nessa série não se limitou a uma única variante. Catálogos numismáticos registam outras emissões com o seu nome, incluindo uma peça de 1957 e outra emissão atribuída aproximadamente a 1962, em diferentes módulos e pesos. A série «Caciques de Venezuela», produzida em diferentes metais e formatos ao longo do tempo, incluiu Paramaconi entre os dirigentes indígenas nela representados.
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