Parelheiros | |
|---|---|
| Área | 153 km² |
| População | (21°) 153.695 hab. (2022) |
| Renda média | R$ 1.800,00 |
| IDH | 0,747 - médio (95°) |
| Subprefeitura | Parelheiros |
| Região Administrativa | Sul |
| Área Geográfica | 6 (Sul) |
| Distritos de São Paulo | |
Parelheiros é um distrito situado na Zona Sul do município de São Paulo, pertencente à Subprefeitura de Parelheiros. Com cerca de 153 km², é o segundo maior distrito em extensão territorial do município, atrás apenas de Marsilac, mais ao sul. Integra a divisão administrativa da capital e compõe a Região Metropolitana de São Paulo. Dista 15 a 25 quilômetros de Itanhaém e de São Vicente, na Baixada Santista, e 50 a 60 quilômetros do região central do município de São Paulo.
O território de Parelheiros destaca-se por sua relevância ambiental, abrigando remanescentes significativos de Mata Atlântica, áreas de proteção de mananciais e bacias hidrográficas estratégicas para o abastecimento de água da metrópole, como as das represas Guarapiranga e Billings. A urbanização do distrito é marcada por núcleos urbanos dispersos, bairros rurais, comunidades tradicionais e áreas de ocupação irregular, refletindo uma dinâmica singular em relação ao restante da cidade. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Parelheiros é de 0,747, considerado médio e inferior à média do município, evidenciando desafios históricos em renda, educação e longevidade.
Apesar disso, o distrito é pouco povoado, com maior parte de sua área coberta por reservas ambientais da Mata Atlântica — nele, localiza-se a área de proteção ambiental Capivari-Monos e parte da área Ilha do Bororé-Colônia. Em Parelheiros, também se encontra a aldeia indígena guarani Krukutu.
A história de Parelheiros remonta ao período pré-colonial, quando a região era habitada por povos indígenas do tronco tupi-guarani e por caboclos que viviam da caça, pesca e agricultura de subsistência. A presença indígena permanece viva até hoje, com as aldeias guarani Krukutu e Tenondé Porã, que mantêm suas tradições, língua e práticas culturais, além de atuarem na recuperação ambiental do território. Além dos indígenas, registros históricos apontam a existência de um grande quilombo de ex-escravizados afro-brasileiros na região, evidenciando a pluralidade de grupos que compuseram o território.
A transformação do território intensificou-se a partir de 1829, com a chegada de cerca de noventa famílias de imigrantes alemães, austríacos e suíços, incentivados pelo governo imperial e pela atuação da imperatriz Leopoldina, que buscava promover a colonização agrícola e a “clareza” da população brasileira, então majoritariamente negra e mestiça. Esses imigrantes fundaram a Colônia Alemã, núcleo que deu origem ao bairro Colônia e ao Cemitério de Colônia, inaugurado em 1829 e considerado o mais antigo da cidade de São Paulo. O cemitério, com 28 800 m², foi parcialmente desativado após a Segunda Guerra Mundial, mas reaberto em 2000 e hoje é reconhecido como Zona Especial de Preservação Cultural, mantendo o padrão arquitetônico do século XIX. O nome “Parelheiros” tem origem nas corridas de cavalos em parelhas, promovidas entre alemães e brasileiros, que se tornaram tradição local e diferenciavam a região, anteriormente conhecida como Santa Cruz devido a uma cruz erguida por Amaro de Pontes, fundador da igreja homônima. O desenvolvimento do distrito foi impulsionado pela abertura de estradas, especialmente a Estrada Ecoturística de Parelheiros, idealizada no século XIX pelo imigrante alemão Henrique Schunck, que facilitou o acesso entre Embu-Guaçu, São José e Santo Amaro, promovendo a integração regional e evitando a passagem pela Colônia.

No século XX, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, Parelheiros recebeu um expressivo contingente de imigrantes japoneses, que se estabeleceram nos bairros de Jaceguava e Casa Grande, dedicando-se à agricultura e consolidando o chamado “cinturão verde” da Região Metropolitana de São Paulo. Esses agricultores tornaram-se fundamentais para o abastecimento de hortifrutigranjeiros da metrópole, transformando Parelheiros e Marsilac na maior área agrícola do município. A urbanização do distrito, entretanto, foi marcada por forte especulação imobiliária e pela publicação da Lei de Proteção aos Mananciais em 1976, que restringiu a ocupação e resultou em numerosos loteamentos irregulares, agravando os desafios de infraestrutura e preservação ambiental. Entre as figuras de destaque do distrito está Carolina Maria de Jesus, escritora reconhecida nacionalmente pelo livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, que viveu em Parelheiros a partir dos anos 1960 e foi homenageada com uma estátua na Praça Júlio César de Campos, ao lado da Igreja de Santa Cruz.

Localizado no extremo sul da cidade e integrante da Subprefeitura de Parelheiros. Com área oficial de 353 km², o que corresponde a cerca de 24% do território municipal, Parelheiros é o maior distrito em extensão da capital paulista e se destaca por sua relevância ambiental, estratégica e social no contexto da Região Metropolitana de São Paulo. O distrito limita-se ao norte com Jardim Ângela, ao nordeste com Cidade Dutra, ao norte e leste com Grajaú, ao sul com Marsilac, ao noroeste com Itapecerica da Serra, ao oeste com Embu-Guaçu e ao leste com São Bernardo do Campo. Apesar de sua vasta extensão, apenas 2,5% do território é urbanizado e 7,7% apresenta ocupação dispersa, sendo a totalidade da área classificada como zona de proteção aos mananciais, o que confere ao distrito um papel fundamental na preservação dos recursos hídricos e da biodiversidade do município.

O relevo de Parelheiros é caracterizado por formas suavemente onduladas, colinas e planícies, com altitudes médias entre 700 e 800 metros, além de áreas de várzea e encostas que contribuem para a diversidade de habitats naturais. Um dos marcos geológicos mais notáveis do distrito é a Cratera de Colônia, uma formação circular de 3,5 km² originada pelo impacto de um meteorito há milhões de anos, tombada pelo Condephaat desde 2003 e reconhecida como patrimônio ambiental e histórico do estado. Parte da cratera é ocupada por cerca de 25 000 pessoas em loteamentos irregulares e abriga um presídio estadual com aproximadamente 1 500 detentos, enquanto o restante permanece preservado como área agrícola tradicional. O distrito apresenta ainda clima úmido, com elevado índice pluviométrico anual, frequentemente superior a 2 000 mm, e as temperaturas mais baixas do município, com registros de mínimas absolutas inferiores a 11°C durante o inverno e ocorrência frequente de geadas.

A hidrografia de Parelheiros é composta por uma complexa rede de rios, córregos e represas, incluindo as bacias hidrográficas das Guarapiranga, Billings e do Capivari, esta última situada na vertente marítima da Serra do Mar e integrando a bacia do rio Itanhaém. As represas Guarapiranga e Billings são responsáveis pelo abastecimento de cerca de 30% da população da Região Metropolitana de São Paulo, tornando o distrito estratégico para a segurança hídrica da metrópole. O território é ainda cortado por uma ferrovia destinada ao escoamento da produção agrícola para o porto de Santos, reforçando o papel histórico da região como zona produtora e exportadora de alimentos. O trecho sul do Rodoanel Mário Covas atravessa o distrito, mas não há acesso direto para a população local, o que limita o potencial de integração viária e logística.
A urbanização em Parelheiros é predominantemente desordenada, marcada por ocupações irregulares e pressão constante sobre áreas ambientalmente sensíveis. O zoneamento municipal classifica a maior parte do distrito como Zona de Preservação e Desenvolvimento Sustentável e Zona Especial de Proteção Ambiental, com restrições severas ao uso do solo para garantir a proteção dos mananciais e da biodiversidade. Apesar das restrições, o distrito enfrenta problemas ambientais graves, como desmatamento, impermeabilização do solo, despejo de esgoto in natura e assoreamento dos corpos d’água, agravados pelo crescimento populacional irregular, que já atinge cerca de 200 000 habitantes. O distrito é a área mais preservada do município, com 62,4% de seu território coberto por remanescentes de Mata Atlântica e cerca de 4% de reflorestamento com espécies como pinus e eucaliptos.
O território de Parelheiros é composto por uma grande variedade de bairros, entre eles Colônia, Embura, Vargem Grande, Barragem, Bosque do Sol, Casa Grande, Curucutu, Itaim de Parelheiros, Jaceguava, Jardim dos Álamos, Jardim Progresso, Jardim Santa Cruz, Jardim Silveira, Jardim Vera Cruz, Parque Florestal, Parque Recreio, Praia Paulistana, Rancho Alegre, Recanto Campo Belo, Sítio Casa Grande, Sítio Santa Cecília, Sítio Vale Verde, Sumaré, Vila Bororé, Vila Esperança, Vila Isabel, Vila Marcelo, Vila Nova Esperança e Vila Roschel, entre outros. A presença de comunidades indígenas, como a Aldeia Krukutu e Morro da Saudade, reforça a diversidade cultural e a importância histórica do território, originalmente habitado por povos tupis e, posteriormente, por subgrupos guarani, que hoje somam cerca de 600 pessoas. O distrito abriga ainda áreas de produção agrícola tradicional, parques naturais, reservas ambientais e iniciativas de reflorestamento e educação ambiental, consolidando-se como um dos principais redutos de biodiversidade e patrimônio ambiental do município de São Paulo.
| Dados climatológicos para Parelheiros | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima média (°C) | 24,8 | 24,8 | 24,2 | 22,4 | 20,5 | 19,5 | 18,9 | 19,8 | 20,7 | 21,4 | 22,7 | 23,8 | 22 |
| Temperatura média (°C) | 20,4 | 20,5 | 19,8 | 17,8 | 15,8 | 14,4 | 13,7 | 14,7 | 15,8 | 16,9 | 18,2 | 19,3 | 17,3 |
| Temperatura mínima média (°C) | 16 | 16,2 | 15,4 | 13,3 | 11,1 | 9,4 | 8,6 | 9,6 | 11 | 12,4 | 13,7 | 14,9 | 12,6 |
| Precipitação (mm) | 274 | 264 | 236 | 143 | 109 | 76 | 69 | 80 | 122 | 212 | 191 | 251 | 2 027 |
| Fonte: Climate Data. | |||||||||||||
O distrito apresenta um perfil demográfico singular no contexto do município de São Paulo, caracterizado por baixa densidade populacional, juventude predominante e marcantes desigualdades sociais e territoriais. Segundo o Censo 2022 do IBGE, a população total do distrito é de 153 687 habitantes, distribuídos em uma área de 353 km², o que resulta em uma das menores densidades demográficas da cidade, com cerca de 435 habitantes por quilômetro quadrado. A composição etária do distrito é notavelmente jovem: quase metade da população (49,4%) tem até 29 anos, sendo 11,6% crianças de até seis anos, índices significativamente superiores à média municipal, que é de 39,9% de jovens.

A formação social de Parelheiros foi profundamente marcada por sucessivos fluxos migratórios internos e externos. O distrito recebeu, em 1827, cerca de duzentos imigrantes alemães, austríacos e suíços, que fundaram a Colônia Alemã de São Paulo, núcleo que ainda hoje influencia a cultura local, especialmente no bairro da Colônia. Na década de 1940, imigrantes japoneses se estabeleceram na região, contribuindo para o desenvolvimento agrícola e para a diversidade cultural. Posteriormente, a região passou a receber migrantes nordestinos, mineiros e de outras partes do Brasil, atraídos pela possibilidade de acesso à terra e à moradia, ainda que em condições precárias. A presença indígena é significativa, com cerca de 600 pessoas da etnia guarani vivendo nas aldeias Aldeia Krukutu e Morro da Saudade, reforçando a pluralidade étnica e cultural do território.
No campo religioso, Parelheiros apresenta grande diversidade de templos e práticas. O catolicismo e o protestantismo foram introduzidos pelos primeiros imigrantes europeus e permanecem presentes em igrejas históricas e comunidades locais, como as paróquias da Diocese de Santo Amaro, Setor Parelheiros. O distrito abriga ainda a Igreja Messiânica Mundial do Brasil, responsável pelo Solo Sagrado de Guarapiranga, um dos principais centros religiosos de origem japonesa do país, que recebe visitantes de diversas crenças e promove eventos de grande porte. Além disso, há presença de templos budistas ligados à comunidade japonesa, terreiros de matriz afro-brasileira, centros espíritas e igrejas evangélicas, compondo um mosaico religioso que reflete a multiplicidade cultural da população.

A segurança pública em Parelheiros é um desafio histórico e estrutural. O distrito é atendido pelo 25º Distrito Policial, localizado na Rua Humberto Ravello, 9, e também pelo 100º DP, no Jardim Herculano, ambos vinculados à 6ª Delegacia Seccional de Santo Amaro. Os índices de criminalidade são elevados: em 2024, Parelheiros registrou 35 homicídios, igualando-se a outros bairros historicamente violentos da zona sul, como Capão Redondo. O distrito enfrenta ainda altos índices de furtos, tentativas de assalto e precária infraestrutura urbana, fatores que contribuem para a sensação de insegurança. Em 2004, o risco de um homem entre 15 e 24 anos morrer era 21 vezes maior em Parelheiros do que em Pinheiros, evidenciando a vulnerabilidade da juventude local.
Os indicadores sociais de Parelheiros refletem profundas desigualdades internas e precariedade de infraestrutura em muitas áreas. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) médio do distrito é de 0,747, um dos mais baixos da cidade, com áreas como o Centro de Parelheiros e o núcleo da Colônia apresentando índices entre 0,740 e 0,760, enquanto bairros como Vargem Grande e Recanto Campo Belo registram IDH-M entre 0,610 e 0,630, associados a loteamentos precários e isolados. Cerca de 35% dos domicílios estão localizados em favelas, e o índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, é de 0,58, um dos mais altos da cidade. A renda média per capita é baixa, e a taxa de desemprego é elevada, especialmente entre jovens e mulheres, refletindo a precariedade de infraestrutura, a carência de oportunidades de trabalho e a dificuldade de acesso a serviços públicos. O distrito é classificado pelo CRECI-SP como "Zona de Valor E", ao lado de outros distritos periféricos como Campo Limpo, Brasilândia e Itaim Paulista, indicando baixa valorização imobiliária e persistência de vulnerabilidades sociais.
A administração local do distrito está sob responsabilidade da Subprefeitura de Parelheiros, órgão da administração direta do município de São Paulo que também abrange o distrito vizinho de Marsilac. Com sede na Estrada Ecoturística de Parelheiros, 5 252, a subprefeitura é a unidade administrativa de maior extensão territorial da cidade, cobrindo aproximadamente 353 km², o que representa cerca de 24% do território municipal. Sua estrutura organizacional é composta por setores de governo local, planejamento urbano, zeladoria, fiscalização, obras, meio ambiente e atendimento ao cidadão, além de chefia de gabinete e coordenações técnicas, atuando em articulação com secretarias municipais e órgãos estaduais para a implementação de políticas públicas e prestação de serviços à população do extremo sul paulistano.
A participação popular na gestão do território é garantida por mecanismos institucionais, com destaque para o Conselho Participativo Municipal (CPM) de Parelheiros/Marsilac, órgão autônomo da sociedade civil reconhecido pelo poder público municipal como espaço consultivo e de representação da população junto à subprefeitura. O CPM é composto por representantes eleitos diretamente pelos moradores dos distritos, com mandato de dois anos, e tem como atribuições exercer o controle social, fiscalizar ações e gastos públicos, sugerir políticas públicas e monitorar a execução orçamentária e dos serviços municipais. As reuniões do conselho são mensais, abertas à população e realizadas na sede da subprefeitura, com atas e deliberações publicadas no portal institucional, garantindo transparência e acesso à informação. Além do CPM, atuam no território conselhos setoriais e fóruns locais, como o Conselho Gestor da APA Capivari-Monos e o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que promovem o diálogo entre poder público e sociedade civil em temas específicos. Outro instrumento relevante de participação é o Orçamento Cidadão, mecanismo de orçamento participativo que permite aos munícipes apresentar propostas e prioridades para a aplicação dos recursos públicos no território da subprefeitura, por meio de audiências públicas e da plataforma digital “Participe Mais”.
No âmbito dos serviços cartorários, Parelheiros é atendido pelo Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito de Parelheiros, sob o CNS 11.814-1, ativo desde 1945. Este cartório exerce as funções de registro civil das pessoas naturais, interdições e tutelas, além de tabelionato de notas, com sede principal na Estrada Ecoturística de Parelheiros, 1 762, Jardim Paulo Afonso, e uma unidade na Avenida Senador Teotônio Vilela, 10 960, Jardim Casa Grande. Para registro de imóveis, títulos e documentos, o distrito é atendido por cartórios localizados em outras regiões da capital, conforme a divisão territorial dos serviços extrajudiciais do município, sendo necessário consultar o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para identificar o cartório competente para cada endereço específico.
No campo eleitoral, o distrito de Parelheiros está vinculado à 381ª Zona Eleitoral de São Paulo, conforme a divisão oficial do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Esta zona eleitoral é responsável pelo alistamento, transferência, revisão e organização das eleições para os eleitores domiciliados em Parelheiros, sendo referência para a participação democrática local. No que se refere à segurança pública, a jurisdição policial sobre o território de Parelheiros é exercida principalmente pela 25ª Delegacia de Polícia (25º DP – Parelheiros), localizada na Rua Humberto Ravello, 9, unidade integrante da 6ª Delegacia Seccional de Santo Amaro da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Esta delegacia é responsável pelo registro de ocorrências, investigações criminais e atendimento à população do distrito, compondo o arcabouço institucional que garante o acesso da população aos direitos civis, políticos e à segurança pública no extremo sul de São Paulo.

A infraestrutura urbana do distrito reflete a condição de território estratégico para a preservação ambiental e abastecimento hídrico da metrópole, mas também evidencia desafios históricos de urbanização periférica, déficit de serviços e desigualdade socioespacial. O saneamento básico apresenta índices de acesso inferiores à média do município de São Paulo, sobretudo em áreas de ocupação irregular e assentamentos precários. Embora o abastecimento de água potável e a coleta de lixo estejam garantidos nos núcleos urbanizados, parte significativa dos domicílios, especialmente em favelas e loteamentos como Vargem Grande e Recanto Campo Belo, permanece sem ligação formal à rede de esgoto e coleta regular de resíduos sólidos. Programas de urbanização e regularização fundiária, como o Programa Mananciais, têm buscado ampliar a cobertura de infraestrutura, com implantação de redes de água, esgoto, drenagem, pavimentação e áreas de lazer, mas a universalização do acesso ainda é uma meta distante para o distrito.
O padrão habitacional é marcado por forte precariedade: cerca de 35% dos domicílios estão localizados em favelas, loteamentos irregulares ou áreas de ocupação informal, frequentemente inseridas em áreas de proteção permanente (APPs), o que agrava os problemas de saneamento, pavimentação e acesso a serviços públicos. O distrito é contemplado por programas de habitação social promovidos pela COHAB-SP e pela CDHU, que atuam na construção de conjuntos habitacionais, regularização fundiária e reassentamento de famílias removidas de áreas de risco, além de projetos de urbanização de favelas e loteamentos precários.

No setor de transporte público, Parelheiros é atendido principalmente pelo Terminal Parelheiros, localizado na Estrada da Colônia, que opera 24 horas e integra linhas municipais da SPTrans e intermunicipais da EMTU, conectando o distrito a bairros vizinhos, ao centro expandido e à região do ABC Paulista. O terminal é administrado pela SPE São Paulo Sul S.A., responsável pela manutenção e requalificação do espaço. Não há estações de metrõ ou trem no distrito, o que limita as opções de deslocamento rápido para o centro e outras regiões da cidade. O tempo médio de locomoção dos moradores de Parelheiros é um dos mais elevados do município, superando noventa minutos por viagem, segundo o Mapa da Desigualdade 2025, reflexo da distância em relação aos principais polos de emprego e da dependência do transporte coletivo rodoviário. A malha cicloviária é incipiente, com ciclovias e ciclofaixas restritas a trechos urbanos e sem integração plena com os terminais de ônibus e equipamentos públicos.
A rede de educação pública em Parelheiros é composta por Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs), Centros de Educação Infantil (CEIs), Centros Educacionais Unificados (CEUs) e uma unidade da ETEC, que oferecem ensino fundamental, médio, técnico e profissionalizante, além de atividades culturais, esportivas e de inclusão digital. O CEU Parelheiros – Professora Eneida Palma Leite, destaca-se como polo de educação integral, cultura e lazer, com biblioteca, teatro, quadras, piscina e telecentro, além de cursos de extensão e atividades de férias. Entre os principais programas educacionais implementados estão o Programa de Ensino Integral, o INOVA Educação, o NOVOTEC e projetos de extensão de jornada, reforço escolar e inclusão digital. No setor de saúde, o distrito conta com Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) e clínicas de referência, que atendem tanto a população local quanto moradores de bairros vizinhos, embora a oferta de leitos hospitalares e atendimento especializado ainda seja insuficiente para a demanda do território.
A economia de Parelheiros é fortemente influenciada pela agricultura tradicional, especialmente na região da Cratera de Colônia, onde pequenas propriedades rurais produzem hortaliças, flores, plantas ornamentais e alimentos orgânicos destinados ao abastecimento da capital e do ABC Paulista. O comércio local é composto por pequenos mercados, feiras livres, padarias, bares, restaurantes e serviços essenciais, enquanto o setor de serviços é representado por escolas, postos de saúde, cartórios e órgãos públicos. O mercado de trabalho é predominantemente informal, com destaque para a agricultura familiar, o comércio ambulante, a construção civil e o setor de serviços públicos. Segundo o Mapa da Desigualdade 2025, a remuneração média do emprego formal em Parelheiros é de R$ 2 324, valor inferior à média municipal, refletindo a baixa qualificação dos postos de trabalho disponíveis e a predominância de ocupações informais ou de subsistência.
O distrito é cortado por uma ferrovia histórica, utilizada tradicionalmente para o escoamento da produção agrícola em direção ao porto de Santos, embora o ramal suburbano esteja atualmente desativado para transporte de passageiros. O trecho sul do Rodoanel Mário Covas atravessa o distrito, mas não há acesso direto para a população local, o que limita o potencial de integração viária e logística.
O turismo em Parelheiros é impulsionado pelo ecoturismo, com destaque para a Cratera de Colônia, tombada pelo Condephaat, o Solo Sagrado de Guarapiranga, áreas de Mata Atlântica, trilhas ecológicas, aldeias indígenas como a Aldeia Krukutu, e festas tradicionais que celebram a cultura local e a diversidade étnica do território.
O mercado imobiliário é classificado pelo CRECI-SP como "Zona de Valor E", com baixos índices de valorização e predominância de terrenos e imóveis de baixo valor, reflexo das restrições ambientais e da precariedade da infraestrutura urbana.
A cultura de Parelheiros é fortemente influenciada pela presença das comunidades indígenas guarani, especialmente nas aldeias Aldeia Krukutu e Morro da Saudade, que mantêm escolas indígenas, centros de educação e cultura (CECI), festas, rituais, produção de artesanato e apresentações culturais, como o coral guarani, que participa de eventos regionais e integra a programação de festas tradicionais. A influência da colonização alemã é marcante no bairro Colônia (bairro de São Paulo), fundado em 1829, onde se preservam a igreja e o cemitério mais antigo da cidade, além de tradições culinárias, arquitetônicas e festivas. O principal evento é a Colôniafest, festival anual que celebra a cultura alemã com apresentações de grupos folclóricos, bandas, desfiles de tratores, comidas típicas e participação de entidades como o Instituto Sociocultural Colônia Alemã (ISCA), além de integrar apresentações do coral guarani e de grupos de outras etnias, refletindo a diversidade cultural do distrito. O distrito é palco de eventos como o aniversário de Parelheiros, festas juninas, festivais de música, feiras de artesanato e atividades esportivas em parques e áreas de lazer, como o Parque Linear de Parelheiros, o Parque Natural Municipal Bororé-Colônia e áreas da APA Capivari-Monos, que oferecem trilhas, campos de futebol, playgrounds e espaços para convivência comunitária.