| Borboleta-da-restinga Parides ascanius | |||||||||||||||||||||
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Fotografia dorsal da fêmea de P. ascanius; cortesia Smithsonian Institution. | |||||||||||||||||||||
| Estado de conservação | |||||||||||||||||||||
Vulnerável (IUCN 3.1) | |||||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||||
Parides ascanius (Cramer, 1775) | |||||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||||||
Papilio ascanius Cramer, 1775 Papilio orophobus d'Almeida, 1942 Papilio neascanius Toxopeus, 1951 (Markku Savela/IUCN) | |||||||||||||||||||||
A borboleta-da-restinga, cientificamente denominada Parides ascanius, também denominada popularmente, em português, borboleta-da-praia ou rabo-de-andorinha-fluminense (em inglês, Ascanius cattleheart, Ascanius swallowtail ou Fluminense swallowtail), é uma espécie de inseto da ordem Lepidoptera; uma borboleta da região neotropical litorânea do sudeste da América do Sul, endêmica do estado brasileiro do Rio de Janeiro, habitando pequenas manchas de vegetação brejosa ou pantanosa entre Atafona (um distrito de São João da Barra) e Itaguaí, ao sul da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Suas lagartas se alimentam de plantas do gênero Aristolochia, conhecidas por conter compostos secundários de alcaloides tóxicos, mais precisamente da espécie Aristolochia trilobata (= Aristolochia macroura, seu sinônimo), conhecida como "jarrinha", o que torna a sua coloração um alerta aposemático para seus predadores.
Parides ascanius foi descrita em 1775 por Pieter Cramer na página 20 da obra De uitlandsche kapellen: voorkomende in de drie waereld-deelen Asia, Africa en America, volume I, classificada com o nome Papilio ascanius e com uma ilustração central registrada na PL. XIV.
Em Parides ascanius é possível detectar um dimorfismo sexual pouco perceptível: os machos dorsalmente sendo de tonalidades mais enegrecidas do que as fêmeas, que possuem tonalidades castanhas mais claras, com asas um pouco mais largas e não apresentando as pregas androconiais das asas posteriores do macho; ambos os sexos dotados de caudas espatuladas e manchas avermelhadas nessa região. Adultos voam em restinga, freneticamente, e buscam as flores do "cambará" (Lantana camara) e do "gervão" (Stachytarpheta cayennensis). Suas lagartas são de cor bordô em seu último estágio, dotadas de osmetério, com diversos nódulos arredondados e espiniformes em sua superfície, com algumas áreas amareladas, e suas crisálidas imitam galhos.
Esta foi a primeira espécie de inseto a figurar como ameaçada de extinção no Brasil, pelo IBDF, em 1973 e ainda no século XX; uma década após ainda citada pelo lepidopterologista Luiz Soledade Otero como "o único inseto na lista brasileira de animais ameaçados de extinção", enfrentando o fim do seu habitat por antropização, incluindo a construção de estradas e edifícios, drenagem de pântanos, supressão de vegetação e coleta ilegal para colecionismo; seus espécimes registrados se restringido apenas a poucas localidades; desde 2018 colocada no status de espécie vulnerável (VU) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e inserida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, como espécie em perigo (EN). É considerada uma espécie primitiva, pouco vigorosa e que enfrenta a competição das espécies simpátricas Parides zacynthus e Parides anchises nephalion, os dois sendo membros mais evoluídos do gênero Parides, ambas mais fortes e agressivas do que Parides ascanius, cujos ovos, de cor amarela e colocados isoladamente, são também parasitados por pequenas vespas.
A espécie Parides ascanius nomeia um grupo de cerca de dez espécies de borboletas, suas congêneres, da América tropical e subtropical, entre o México e Argentina, denominado "grupo ascanius".
Em seu nome científico o seu descritor específico ascanius, em língua grega, é um nome próprio: Ascânio (Ἀσκάνιος), de significado original desconhecido. Na mitologia grega e romana Ascânio, também chamado Júlio, era filho de Eneias, que era filho de Afrodite e foi um dos principais heróis que defenderam Troia dos gregos; o poeta romano Virgílio continuando a sua história na Eneida, na qual Eneias viaja para a Itália e funda o Estado romano.