
O Plano SALTE (acrônimo de Saúde, Alimentação, Transporte e Energia) foi um plano econômico formulado durante o governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, no contexto do período democrático pós-Estado Novo. Apresentado em 1948 e aprovado em 1950, o plano representou uma das primeiras tentativas sistemáticas de planejamento estatal no Brasil republicano.
Seu objetivo central era promover investimentos em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico e a melhoria das condições de vida da população, com ênfase em saúde pública, abastecimento alimentar, infraestrutura de transportes e expansão da matriz energética.
O Plano SALTE foi concebido em um momento de reorganização institucional do Estado brasileiro após o fim do Estado Novo (1937–1945), marcado pela retomada do regime democrático e pela redefinição das funções do Estado na economia.
Nesse período, o governo Dutra buscou conciliar políticas de estabilização macroeconômica com iniciativas de modernização da infraestrutura nacional, em um cenário de restrições fiscais e dependência de financiamento externo.
O plano foi encaminhado ao Congresso Nacional por mensagem presidencial em 19 de maio de 1948, sendo aprovado apenas em 1950.
Sua concepção esteve vinculada ao Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), responsável pela coordenação técnica do planejamento governamental à época.
O Plano SALTE estruturava-se em quatro eixos principais:
No campo regional, previa intervenções no Vale do São Francisco e na Amazônia brasileira, além de ações voltadas ao enfrentamento da seca no Nordeste.
Na área energética, destacavam-se projetos de expansão da energia elétrica, com base em diretrizes do Plano Nacional de Eletrificação, bem como iniciativas relacionadas à exploração de petróleo, ampliação da refinaria de Mataripe e constituição da Frota Nacional de Petroleiros (Fronape).

A execução do plano foi limitada por restrições orçamentárias e dificuldades institucionais. Seu financiamento dependia de recursos provenientes da arrecadação interna e de empréstimos externos, o que condicionou a implementação de diversos projetos.
Além disso, a ausência de mecanismos eficazes de coordenação intersetorial e de priorização de investimentos comprometeu a execução integral das metas previstas.
O Plano SALTE não alcançou plenamente seus objetivos e teve execução parcial. A literatura aponta como principais fatores para seu insucesso:
Apesar de seus limites, o plano é considerado um marco inicial das experiências de planejamento econômico no Brasil, antecedendo iniciativas mais estruturadas, como o Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek.
Contemporaneamente, o plano foi alvo de críticas quanto à sua elaboração e viabilidade. Parte da imprensa e de analistas apontava seu caráter excessivamente burocrático e a fragilidade de suas bases empíricas.
Segundo o jornalista José Eduardo Macedo Soares, o plano refletia uma lógica administrativa distante das realidades regionais brasileiras, baseada em diagnósticos considerados insuficientes.
Na historiografia econômica, o SALTE é frequentemente interpretado como uma experiência pioneira, porém limitada, de planejamento estatal, evidenciando as dificuldades iniciais de coordenação e execução de políticas públicas de caráter nacional.