| R-73 AA-11 Archer | |
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R-73 de um MiG-29 da Força Aérea Húngara no Show Aéreo de Kecskemét em 2008 | |
| Tipo | míssil ar-ar de curto alcance |
| Local de origem | |
| História operacional | |
| Em serviço | 1984–presente |
| Histórico de produção | |
| Fabricante | Vympel NPO (original), Tbilisi Aircraft Manufacturing (atual) |
| Especificações | |
| Peso | 105 quilogramas (231 lb) |
| Comprimento | 2,93 metros (9 ft 7 in) |
| Motor | Foguete de combustível sólido |
| Envergadura | 510 milímetros (20 in) |
| Alcance operacional (míssil) | 20 quilômetros (12 mi) R-73M1: 30 quilômetros (19 mi) R-74: 40km (24.7 milhas) |
| Velocidade | Mach 2.5 |
| Plataforma de lançamento | |
O Vympel R-73 (designação da OTAN: AA-11 Archer) é um míssil ar-ar originalmente desenvolvido e produzido pela Vympel NPO.
Teve a sua entrada no serviço ativo da Força Aérea Soviética em 1984 e, desde então, foi adotado por diversos países com proximidade diplomática e estados satélite do Pacto de Varsóvia e Mongólia. Alguns dos países que surgiram com o colapso da União ainda empregam este míssil
O R-73 foi desenvolvido para substituir o míssil de curto alcance R-60 (AA-8 'Aphid') utilizado pelos caças da União Soviética. O desenvolvimento do projeto teve início em 1973 sob a designação preliminar K-73, alcançando capacidade operacional em 1982 e entrando formalmente em serviço ativo em 1984.
O R-73 é um míssil ar-ar com guiamento por infravermelho (guiamento térmico passivo), equipado com uma cabeça de busca com refrigeração criogênica de alta sensibilidade e expressiva capacidade de engajamento fora da linha de visada (off-boresight): o sensor óptico pode detectar e rastrear alvos em ângulos de até 40° em relação ao eixo longitudinal do míssil. O sistema de guiamento pode ser integrado à mira montada no capacete (HMS), permitindo ao piloto designar alvos aéreos simplesmente direcionando o olhar em direção à aeronave inimiga. O alcance mínimo de engajamento é de cerca de 300 metros, com um alcance aerodinâmico máximo de até 31 km (19 mi) em grandes altitudes. A arma integra o inventário padrão dos caças MiG-29, MiG-31, Su-27/33, Su-34 e Su-35, podendo também ser armada em versões modernizadas do MiG-21, MiG-23, Sukhoi Su-24 e Sukhoi Su-25. Pouco depois da reunificação da Alemanha em 1990, a Alemanha e outros países do antigo Pacto de Varsóvia herdaram grandes estoques de mísseis R-73 (designados pela OTAN como AA-11 Archer) e concluíram que as capacidades operacionais do artefato haviam sido notavelmente subestimadas pelos analistas ocidentais. Em avaliações técnicas e simulações de combate direto contra caças da OTAN, constatou-se que o R-73 era significativamente mais manobrável e muito superior em capacidade de aquisição e rastreamento de alvos fora da linha de visada (off-boresight) em comparação com as variantes mais modernas do AIM-9 Sidewinder norte-americano. Essa constatação motivou os países ocidentais a acelerar o desenvolvimento de uma nova geração de mísseis ar-ar de curto alcance de alta agilidade para restabelecer a paridade tecnológica, resultando em projetos como o AIM-132 ASRAAM, o IRIS-T e o AIM-9X.
O R-73 é um míssil guiado à infravermelho, com um captador de criogenia sensível, possuindo capacidade substancial de visualização, podendo localizar alvos até 40º além da linha central do míssil. O alvo pode ser indicado com uso de um HMS, possibilitando que os pilotos possam designar o alvo ao vê-lo. O alcance mínimo para engajamento é de 300 metros, com o raio aerodinâmico máximo perto de 30 km (19 mi) em altitude. Possui capacidade de ser usado em uma amplitude de aeronaves, como do MiG-29, MiG-31, Su-27, Su-34 e Su-35; e podem ser utilizados nas versões mais atualizadas dos seguintes: MiG-21, MiG-23, Sukhoi Su-24 e Su-25. No caso da Índia, busca por adaptações estão sendo feitas para o HAL Tejas. Possui compatibilidade com helicópteros de matriz russa, incluindo o Mil Mi-24, Mil Mi-28 e Kamov Ka-50/52.
O R-73 é um míssil altamente manobrável. Dogfights realizadas entre a Força Aérea dos Estados Unidos e a Força Aérea Alemã, esta usando Mig-29 provenientes da extinta República Democrática Alemã, com R-73 e localização de alvos pelo HMS, indicaram o alto grau de capacidade de "off-boresight" do míssil, que pode fazer diferença significativa em combate aproximado. Possui sistema mecânico simples, porém efetivo sistema de empuxo vetorial. O R-73 promoveu o desenvolvimento de vários mísseis ar-ar ocidentais, incluindo o ASRAAM, IRIS-T, MICA IR, Python IV e a versão Sidewinder, além do AIM-9X que entrou em operação em 2003.
A partir do ano de 1994, o R-73 foi atualizado para a versão R-73M como padrão, o qual entrou em serviço na Comunidade dos Estados Independentes em 1997. Tal versão possui maior alcance e ângulo de busca de alvos (60º além da linha central), assim como melhor sistema IRCCM (contra medidas de infravermelho). Desenvolvimentos posteriores incluíram o R-74(izdeliye 740), e a variante de exportação RVV-MD.
Uma versão aprimorada do R-74, o R-74M (izdeliye 750), apresenta sistemas totalmente digitais e reprogramáveis, sendo destinada ao emprego nos caças MiG-35, MiG-29K/M/M2, Su-27SM, Su-30MK e Su-35S. Uma modernização posterior, denominada R-74M2 (izdeliye 760), foi projetada especificamente para o caça de quinta geração Su-57. Esse míssil incorpora um sistema de navegação inercial, seção transversal reduzida com envergadura das aletas diminuída para 434 mm (17,1 in) para permitir o acondicionamento em compartimentos internos de armas (baías de armamento), sistemas de contramedidas contra interferências infravermelhas (IRCCM) e desempenho equivalente ao de mísseis ocidentais contemporâneos como o AIM-9X, o IRIS-T e o ASRAAM. O R-74M2 concluiu os testes de homologação em 2019, e sua variante para exportação, o RVV-MD2, foi apresentada publicamente em 2023. Um projeto inteiramente novo, o K-MD (izdeliye 300), está previsto para suceder o R-74M2 no futuro.
Em 24 de fevereiro de 1996, dois aviões utilitários Cessna 337 da organização humanitária Hermanos al Rescate foram abatidos em espaço aéreo internacional, a cerca de 10 milhas náuticas do espaço aéreo cubano, por um caça MiG-29UB da Força Aérea Cubana. Ambas as aeronaves civis foram destruídas por mísseis R-73.
Durante a Guerra Eritreia-Etiópia (maio de 1998 a junho de 2000), os mísseis R-73 foram amplamente utilizados em combates aéreos tanto pelos caças Su-27 da Etiópia quanto pelos MiG-29 da Eritreia. À exceção de apenas dois abates, todas as vitórias aéreas confirmadas no conflito foram obtidas mediante o emprego de mísseis guiados por infravermelho R-60 e R-73.
Em 18 de março de 2008, um MiG-29 da Força Aérea Russa interceptou um veículo aéreo não tripulado de reconhecimento Elbit Hermes 450 da Geórgia sobre o espaço aéreo da Abecásia, destruindo o drone com um míssil R-73.
Em 27 de fevereiro de 2019, autoridades militares indianas afirmaram que um caça MiG-21 Bison da Força Aérea Indiana havia engajado e abatido com sucesso um F-16 paquistanês com um míssil R-73E durante os confrontos fronteiriços em Jamu e Caxemira. O governo do Paquistão negou a perda de qualquer de suas aeronaves no episódio.
Em 7 de maio de 2022, o coronel ucraniano Ihor Bedzay morreu em combate quando seu helicóptero anfíbio Mi-14 foi interceptado e abatido por um caça russo Su-35. Relatos indicam que, após errar as rajadas iniciais disparadas com seu canhão de 30 mm, o Su-35 lançou um míssil R-73, que atingiu e destruiu a aeronave.
De acordo com relatos não confirmados oficialmente, a Sérvia desenvolveu e operou em 1999 uma versão de lançamento terrestre improvisada do R-73. Dois mísseis foram adaptados sobre o chassi de um veículo blindado M53/59 Praga, substituindo os canhões duplos antiaéreos de 30 mm por trilhos de lançamento dedicados.
O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Mísseis e as Forças de Mísseis do Movimento Houthi realizaram adaptações para disparar estoques capturados da Força Aérea do Iêmen de mísseis ar-ar R-27, R-60, R-73 e R-77 a partir de plataformas terrestres contra aeronaves da coalizão liderada pela Arábia Saudita. Enquanto os mísseis R-27R e R-77 enfrentam limitações severas pela ausência de radares diretores de tiro para guiamento, as versões de guiamento térmico infravermelho — R-27T, R-73 e R-60 — requerem apenas alimentação elétrica, nitrogênio líquido para refrigeração dos sensores ópticos e trilhos de fixação. Esses mísseis foram integrados a torretas eletro-ópticas/infravermelhas civis FLIR Systems ULTRA 8500. Todavia, como os motores-foguete e o volume de propelente dessas armas foram projetados para lançamento aéreo em alta velocidade, o alcance a partir do solo é substancialmente menor do que o de mísseis superfície-ar dedicados. Apenas uma quase-interceptação foi documentalmente verificada: um R-27T disparado contra um caça F-15SA da Real Força Aérea Saudita.
Segundo a publicação especializada The War Zone, a designação dada pelos Houthis aos mísseis R-73 modificados para lançamento em terra é Thaqib-1, operando em conjunto com sensores ópticos e radares improvisados para detecção e aquisição de alvos aéreos.
Durante a Invasão da Ucrânia pela Rússia, as forças armadas ucranianas adaptaram parte expressiva de seus arsenais de R-73 para a função de defesa antiaérea de curto alcance (míssil superfície-ar), instalando os trilhos de disparo em diversas plataformas móveis terrestres — incluindo o sistema Gravehawk, veículos blindados 9K33 Osa modificados, utilitários Humvee — e embarcações não tripuladas de superfície (drones navais).
Em 6 de maio de 2024, militares russos divulgaram imagens gravadas a partir de um helicóptero naval Ka-29 atacando com canhões um drone naval ucraniano Sea Baby. A embarcação não tripulada estava armada com um míssil R-73 para autodefesa contra helicópteros de ataque; o míssil chegou a ser disparado contra um helicóptero Mi-8, mas errou o alvo antes de o drone ser destruído pelo fogo de bordo. Em dezembro do mesmo ano, a inteligência militar ucraniana divulgou registros operacionais de um drone naval MAGURA V5 disparando um míssil R-73 que atingiu e derrubou um helicóptero Mi-8 russo sobre o Mar Negro. Segundo a Direção-Geral de Inteligência (HUR), a aeronave caiu no mar e um segundo helicóptero foi danificado por estilhaços, conseguindo retornar à base.
