Ray Mabus

Ray Mabus
Retrato oficial, 2014
Período19 de maio de 2009 – 20 de janeiro de 2017
Robert O. Work<br /[Robert Martinage (interino)
Thomas W. Hicks (interino)
Janine A. Davidson
Antecessor(a)B. J. Penn (interino)
Sucessor(a)Richard V. Spencer
Período5 de julho de 1994 – 25 de abril de 1996
Período12 de janeiro de 1988 – 14 de janeiro de 1992
Brad Dye
Período5 de janeiro de 1984 – 7 de janeiro de 1988
Dados pessoais
Nascimento 11 de outubro de 1948 (78 anos)
Ackerman Mississippi, Estados Unidos
Cônjuge
Julie Hines Mabus (c. 1987; div. 2000),

Lynne Horecky (c. 2007)

Filhos(as)3
PartidoPartido Democrata
Serviço militar
PatentePrimeiro-tenente

Raymond Edwin Mabus Jr. (pronúncia em inglês: [ˈmeɪbəs]; nascido em 11 de outubro de 1948) é um político e advogado norte-americano. Filiado ao Partido Democrata, foi o 75.º Secretário da Marinha dos Estados Unidos entre 2009 e 2017.

Anteriormente, exerceu os cargos de Auditor do Mississippi entre 1984 e 1988, 60.º Governador do Mississippi entre 1988 e 1992 e embaixador dos Estados Unidos na Arábia Saudita entre 1994 e 1996.

Primeiros anos e educação

Mabus nasceu em 11 de outubro de 1948, em Ackerman, Mississippi. Era filho único de Raymond Mabus Sr. (1901–1986), um bem-sucedido produtor de madeira, e de Lucille (nascida Curtis) Mabus (1909–2000), professora. Seu tio paterno, o comerciante Leslie E. Mabus (1896–1992), foi membro do Senado do Mississippi entre 1932 e 1936.

Mabus formou-se na Ackerman High School em 1966 como o primeiro colocado de sua turma. Graduou-se summa cum laude pela Universidade do Mississippi, onde foi membro da Beta Theta Pi, obtendo o grau de Bacharelado em Artes em literatura inglesa e ciência política. Em seguida, recebeu o título de Master of Arts em ciência política pela Universidade Johns Hopkins e o de Juris Doctor, magna cum laude, pela Faculdade de Direito da Universidade Harvard. Recebeu uma bolsa Fulbright, foi bolsista da Woodrow Wilson Fellowship e viajou extensivamente pela Europa, Oriente Médio, Rússia e América Latina.

Antes de ingressar na faculdade de direito, serviu durante dois anos na Marinha dos Estados Unidos, entre 1970 e 1972, como oficial de guerra de superfície, a bordo do cruzador USS Little Rock CLG-4, alcançando o posto de primeiro-tenente. Posteriormente, atuou como assistente jurídico no Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Quinto Circuito e como consultor jurídico de um subcomitê da Comissão de Agricultura da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Início da carreira política

Mabus atuou como voluntário na malsucedida campanha de William F. Winter ao governo do Mississippi, em 1967.

Após a eleição de Winter para o governo do estado em 1979, Mabus retornou ao Mississippi e, em 1980, tornou-se assessor jurídico do governador. Durante o governo de Winter, ele e sua equipe promoveram uma ampla reforma legislativa do sistema de educação pública do estado, que culminou na aprovação da Lei de Reforma Educacional do Mississippi de 1982. Mabus foi um dos auxiliares do governador encarregados de realizar palestras em diversas partes do estado para conquistar apoio popular ao projeto de reforma educacional.

O senador estadual Ellis B. Bodron, que se opunha amplamente à reforma, criticou Mabus e outros jovens assessores de Winter — entre eles Dick Molpus, David Crews, Bill Gartin, Andy P. Mullins e John Henegan — chamando-os de 'Boys of Spring ("Garotos da Primavera"), apelido que posteriormente passou a ser adotado pelo grupo com orgulho.

Mabus também colaborou na elaboração de uma lei de acesso aos documentos públicos e de uma legislação mais rigorosa para combater a condução sob influência de álcool. Deixou o cargo de assessor jurídico em 1983.

Auditor do Mississippi

Eleição

Enquanto integrava a equipe do governador William Winter, em 1982, Mabus solicitou ao Departamento de Auditoria os três relatórios de auditoria mais recentes do governo do Condado de Hinds. O órgão enviou três relatórios, sendo o mais recente datado de 1977. Surpreso, Mabus reiterou que desejava receber as três auditorias mais recentes. O departamento informou que 1977 havia sido o último ano em que uma auditoria do condado fora realizada e que as auditorias estavam sendo executadas com um atraso de cinco anos.

Pretendendo disputar um cargo eletivo, Mabus pesquisou as atribuições do Auditor do Mississippi. >Nash, Jere; Taggart, Andy (2009). Mississippi Politics: The Struggle for Power, 1976–2008. [S.l.]: University Press of Mississippi. p. 196 </ref> Ao perceber que o cargo possuía autoridade para investigar praticamente todos os órgãos dos governos estadual e locais, declarou posteriormente:

Fiz uma coisa radical: fui ler a lei. Aquele cargo tinha mais jurisdição do que quase qualquer outro no estado do Mississippi. Nunca havia sido utilizado dessa forma. Era o único lugar onde se podia combater a corrupção sem mudar a legislação. Estava ali, esperando que alguém como eu aparecesse.

Convencido de que aquele poderia ser "o cargo mais poderoso do estado", decidiu candidatar-se ao posto de Auditor do Mississippi nas eleições de 1983.

Nas eleições primárias do Partido Democrata, Mabus enfrentou Mason Shelby, funcionário do Departamento de Auditoria, e Murray Cain, ex-proprietário de uma emissora de rádio. Shelby era considerado o candidato preferido do auditor estadual em fim de mandato, Hamp King, e de outras lideranças do departamento. Mabus e Cain criticaram o órgão onde Shelby trabalhava, classificando seus métodos como ultrapassados e afirmando que ele fazia parte de uma old boy network ("rede de compadrio").

Mabus declarou que o departamento estava entre dois e quatro anos atrasado na maior parte de suas auditorias. Em resposta, King publicou uma carta aberta contestando as alegações de Mabus, que classificou como exageradas, e solicitou que uma comissão legislativa revisasse o funcionamento do Departamento de Auditoria.

Mabus acabou vencendo a eleição. O relatório da comissão legislativa foi publicado em dezembro daquele ano e identificou diversas deficiências na estrutura e nas práticas do departamento, concluindo que havia um atraso equivalente a 581 anos fiscais de auditorias pendentes.

Mandato

Mabus tomou posse como Auditor do Mississippi em 5 de janeiro de 1984. Ao assumir o cargo, encontrou o Departamento de Auditoria em situação de desorganização. Além de haver centenas de anos fiscais de auditorias em atraso, o órgão não possuía um sistema de arquivamento, e cheques totalizando milhares de dólares referentes a serviços de auditoria prestados a governos locais e outros órgãos eram mantidos em uma caixa de sapatos no gabinete do auditor. Mabus convenceu a Assembleia Legislativa a autorizar o departamento a contratar empresas privadas de contadores públicos certificados (Certified Public Accountant, CPA) para reduzir o acúmulo de trabalho. Com essas medidas, o atraso foi eliminado em dois anos.

Em 1.º de julho de 1985, seu gabinete adotou os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos (Generally Accepted Accounting Principles, GAAP) para a elaboração de relatórios financeiros. Também publicou um único relatório financeiro anual abrangente para todo o governo estadual referente ao ano fiscal de 1986, em substituição aos relatórios separados de cada órgão, sendo a primeira vez que isso ocorria no Mississippi.Pugh, Brian R. (2020). The History of Public Accounting in Mississippi. [S.l.]: University Press of Mississippi. pp. 33–34 </ref> A iniciativa foi bem recebida, levando a Assembleia Legislativa a tornar obrigatória, por lei, a publicação de um relatório financeiro consolidado, embora a responsabilidade por sua elaboração tenha sido posteriormente transferida ao Conselho de Gestão Fiscal.

Logo no início de seu mandato, Mabus constatou que muitos auditores responsáveis pelas finanças dos condados precisavam reconstruir os registros contábeis à medida que realizavam seu trabalho. Embora o estado cobrasse US$ 25 por dia de auditoria, muitos condados consideravam esse custo preferível ao de manter seus próprios sistemas contábeis. Diversos auditores verificavam que documentos haviam desaparecido, o que, segundo Mabus, poderia ocultar indícios de fraude. Para melhorar as práticas contábeis dos condados, ele passou a exigir que os governos locais mantivessem registros atualizados, elevou o custo diário das auditorias para US$ 100 e criou uma divisão de investigações dentro do Departamento de Auditoria. Os auditores de campo também passaram a utilizar placas veiculares discretas, impedindo que seus veículos fossem identificados durante as investigações.

Mabus advertiu a Associação dos Conselhos de Supervisores do Mississippi de que faria cumprir rigorosamente a legislação financeira, não tolerando o uso indevido de recursos públicos nem o descumprimento das normas de compras governamentais. Para facilitar o cumprimento dessas exigências, criou uma divisão de assistência técnica no Departamento de Auditoria para fornecer orientação jurídica e contábil aos conselhos de supervisores dos condados. Também reuniu-se com os conselhos dos 82 condados do estado para esclarecer a legislação aplicável e suas expectativas quanto à administração pública. Para receber denúncias de irregularidades, criou uma linha telefônica direta (hotline) destinada ao público. O serviço recebeu inúmeras denúncias envolvendo supervisores de condados, incluindo uso de recursos públicos para fins privados, celebração de contratos em situações de conflito de interesses, repasse irregular de verbas públicas a entidades beneficentes e extorsão de contratados.

Ao longo de seu mandato, seu gabinete auditou todos os 82 condados do Mississippi, permitindo que cinco deles recuperassem sua classificação de crédito e resultando na devolução de US$ 1,7 milhão em recursos utilizados indevidamente aos cofres estaduais. Suas medidas desagradaram profundamente muitos supervisores dos condados.

No início de sua gestão, Mabus passou a colaborar com o Federal Bureau of Investigation (FBI) em uma investigação sobre corrupção nos governos dos condados do Mississippi, conhecida como Operation Pretense. Por razões de sigilo, inicialmente apenas Mabus e o chefe da divisão de investigações de seu departamento tinham conhecimento da dimensão da operação federal, até que as primeiras acusações contra autoridades locais foram anunciadas em fevereiro de 1987. Ao término da Operation Pretense, 57 agentes públicos haviam sido denunciados. A participação do Departamento de Auditoria consistiu principalmente no fornecimento de registros de compras utilizados pelos promotores federais como prova das irregularidades.

Após a divulgação pública da investigação, Mabus instou a Assembleia Legislativa a substituir o sistema beat de administração dos condados pelo sistema unit, exigir a contratação de administradores profissionais para os condados e reforçar os padrões de manutenção de registros públicos. Também defendeu a proibição de condenados por crimes federais de ocuparem cargos públicos, a vedação de empresas condenadas por fraude de celebrarem contratos com o governo e a criação de uma unidade especializada em crimes de colarinho branco no gabinete do Procurador-Geral do Mississippi.

Foi sucedido no cargo de Auditor do Mississippi por Pete Johnson, que tomou posse em 7 de janeiro de 1988.

Governador do Mississippi

Eleição de 1987

Mabus como governador

Mabus começou a planejar sua candidatura ao governo do Mississippi em 1985 e anunciou oficialmente sua candidatura quatro dias após a divulgação pública da Operation Pretense, em 1987. O governador em exercício, William Allain, optou por não disputar a reeleição.Nash, Jere; Taggart, Andy (2009). Mississippi Politics: The Struggle for Power, 1976–2008 2 ed. [S.l.]: University Press of Mississippi. pp. 196–198 </ref>

Nas eleições primárias do Partido Democrata, enfrentou outros sete candidatos, entre eles o ex-governador Bill Waller, o procurador-geral Ed Pittman, Maurice Dantin, John Arthur Eaves e Mike Sturdivant. Mabus possuía a vantagem de ser oriundo do nordeste do Mississippi, região que tradicionalmente registrava elevada participação nas primárias democratas. Também desfrutava de boa reputação entre muitos jornalistas por seu combate à corrupção. Alguns observadores alertaram que os supervisores dos condados poderiam organizar oposição à sua candidatura em represália por sua atuação como auditor estadual, mas esses receios mostraram-se infundados.

Na eleição primária de 4 de agosto, Mabus obteve 37% dos votos, enquanto Mike Sturdivant — que investira pesadamente em sua campanha — ficou em segundo lugar, com 16%.

Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta, realizou-se um segundo turno em 25 de agosto, no qual Mabus conquistou 65% dos votos, registrando a maior margem de vitória já obtida em um segundo turno para o governo do Mississippi até então.

Na eleição geral de 1987, enfrentou o candidato republicano Jack Reed. Empresário de Tupelo, Reed havia colaborado com William Winter na reforma educacional e concorreu como um republicano moderado, fazendo com que muitos eleitores percebessem poucas diferenças ideológicas entre os dois candidatos.

Mabus conduziu sua campanha sob o lema "Mississippi will never be last again" ("O Mississippi nunca mais ficará em último lugar"). Embora sua campanha não apresentasse muitas propostas detalhadas, enfatizava uma mensagem de renovação e mudança. Comprometeu-se a elevar os salários dos professores do estado até a média dos estados do Sul dos Estados Unidos, proposta criticada por Reed, que argumentava que ela exigiria aumento de impostos ou cortes em outras áreas do governo.

Mabus gastou aproximadamente US$ 2,9 milhões em sua campanha, o maior valor já empregado em uma eleição para governador do Mississippi até aquele momento. Foi eleito com 53,4% dos votos, apoiando-se em uma coalizão formada por eleitores negros, moradores de áreas urbanas e democratas tradicionais do nordeste do estado. Cerca de dois terços dos eleitores brancos votaram contra sua candidatura, mas ele recebeu aproximadamente 90% dos votos do eleitorado negro.

Mabus tomou posse como o 60.º governador do Mississippi em 12 de janeiro de 1988. Aos 39 anos de idade, tornou-se o governador mais jovem dos Estados Unidos naquele momento.

Atuação no Poder Executivo e nomeações

Mabus formou sua administração com um número significativo de moderados políticos oriundos de outros estados dos Estados Unidos. Também nomeou os primeiros afro-americanos para integrar a Comissão Estadual de Tributos e a primeira mulher para chefiar o Departamento de Segurança Pública do Mississippi.

Antes de efetuar nomeações para o Poder Judiciário, Mabus submetia os potenciais indicados à avaliação de uma comissão, realizando a escolha final entre os candidatos por ela recomendados.

Atuação legislativa

Reforma da administração dos condados

No início de seu mandato, Mabus contava com a cooperação da Assembleia Legislativa do MississippiPugh, Brian R. (2020). The History of Public Accounting in Mississippi. [S.l.]: University Press of Mississippi. p. 34 </ref> e com um superávit orçamentário de US$ 85 milhões.

Em 1988, apresentou à Assembleia Legislativa um projeto de lei que determinava que os condados substituíssem o sistema beat pelo sistema unit e contratassem um administrador profissional para gerir as finanças e os processos de compras públicas.

O Senado do Mississippi aprovou um projeto que obrigava todos os condados a adotar uma forma simplificada do sistema unit, enquanto a Câmara dos Representantes do Mississippi aprovou uma proposta que permitiria aos condados adotar o sistema unit completo mediante aprovação em referendo local. Uma comissão de conferência não conseguiu conciliar os dois textos antes do encerramento da sessão legislativa.

A Assembleia Legislativa aprovou ainda um projeto de lei que aumentava os salários dos supervisores dos condados, mas Mabus vetou a medida em 30 de abril.

No início de junho, anunciou que convocaria uma sessão extraordinária da Assembleia Legislativa para deliberar sobre a reforma do sistema de governo dos condados. A sessão foi marcada para 10 de agosto. Em discurso perante uma sessão conjunta das duas casas legislativas, Mabus classificou o sistema beat como uma forma antiquada de governo que "tornava o roubo fácil demais e tentador demais" e gerava ineficiência administrativa.

Em 16 de agosto, a Assembleia Legislativa aprovou a Lei de Reorganização do Governo dos Condados (County Government Reorganization Act), estabelecendo que cada condado decidiria, em um referendo realizado em novembro, qual sistema de governo adotaria. A lei também definiu os requisitos para a implantação do sistema unit. Mabus sancionou a proposta.

Posteriormente, os supervisores dos condados elaboraram estimativas do custo de implantação do novo sistema. As projeções apresentadas por 47 condados variavam entre US$ 500 e US$ 1,48 milhão. Mabus e outros observadores criticaram esses cálculos, considerando-os exagerados e apontando que eles desconsideravam as economias que seriam obtidas após a transição.

No referendo realizado em novembro, 46 dos 82 condados do Mississippi aprovaram a adoção do sistema unit, com 61% dos eleitores votando favoravelmente à mudança.

Em janeiro de 1991, Mabus criou a Força-Tarefa do Governador para o Sistema Unitário dos Condados (Governor's County Unit Task Force) para acompanhar a implementação da reforma e propor aperfeiçoamentos. Entretanto, em razão do término de seu mandato, nenhuma de suas recomendações chegou a ser implementada.

Reforma fiscal do Estado e questões orçamentárias

Durante a sessão legislativa de 1988, Mabus vetou um projeto de lei que obrigaria o Conselho de Gestão Fiscal (Fiscal Management Board) — do qual era presidente na condição de governador — a reduzir uniformemente as despesas sempre que fosse constatada uma previsão de queda na arrecadação. Também convenceu a Assembleia Legislativa a destinar o superávit de receita projetado ao aumento dos salários dos professores da rede pública e obteve a aprovação de diversas propostas de reorganização administrativa do governo, entre elas a criação do Departamento de Finanças e Administração (Department of Finance and Administration).Pugh, Brian R. (2020). The History of Public Accounting in Mississippi. [S.l.]: University Press of Mississippi. pp. 35, 43–45. ISBN 9781496830214 Verifique |isbn= (ajuda) </ref>

O novo departamento substituiu o Conselho de Gestão Fiscal, assumindo suas atribuições de formular recomendações orçamentárias e realizar ajustes fiscais. A reorganização também extinguiu o Conselho Estadual de Instituições Beneficentes (State Eleemosynary Board) e os hospitais beneficentes administrados pelo estado, cujos recursos passaram a ser direcionados ao programa estadual do Medicaid.

Mabus manifestou desapontamento pelo fato de a Assembleia Legislativa não ter aprovado a maior parte de suas propostas de reorganização — que teriam reduzido significativamente o número de conselhos e comissões estaduais —, mas afirmou que as medidas efetivamente aprovadas proporcionariam uma economia anual de pelo menos US$ 928.744 aos cofres públicos.

Na sessão legislativa de 1989, propôs que a Assembleia Legislativa autorizasse a emissão de títulos de obrigação geral (general obligation bonds) para financiar um plano quinquenal de investimentos em infraestrutura (capital improvement plan), permitindo que parte das receitas gerais fosse destinada a outros serviços públicos.

A proposta expirou em razão de divergências entre o Senado do Mississippi e a Câmara dos Representantes do Mississippi, levando Mabus a convocar uma sessão extraordinária da Assembleia Legislativa para tratar da questão. Ao final, os parlamentares autorizaram a emissão de US$ 78,1 milhões em títulos para o ano fiscal de 1990 e, na sessão legislativa de 1990, aprovaram a emissão de outros US$ 69,5 milhões.

No início de 1991, diante de um déficit orçamentário de US$ 120 milhões, Mabus determinou expressivos cortes nas despesas do governo estadual, conforme exigido pela legislação vigente.

B.E.S.T.

Mabus decidiu concentrar seus esforços na melhoria da educação pública durante a sessão legislativa de 1990. Quando a Assembleia Legislativa iniciou seus trabalhos, em janeiro, o governador já havia apresentado em todo o estado seu plano educacional. Denominado Better Education for Success Tomorrow (B.E.S.T., "Melhor Educação para o Sucesso de Amanhã"), o programa incluía novas iniciativas de alfabetização de adultos e de famílias, ações para reduzir a evasão escolar no ensino médio, a criação de clínicas de saúde nas escolas, um sistema de monitoramento das escolas com baixo desempenho e de incentivos financeiros e redução de exigências regulatórias para aquelas com desempenho de excelência, além da criação de um novo fundo destinado à construção e à reforma de instalações escolares.

Para financiar suas propostas, Mabus rejeitou aumentos nos impostos sobre vendas e sobre a renda, afirmando que "os trabalhadores do Mississippi já pagam impostos suficientes", e defendeu a criação de uma loteria estadual. A Constituição do Mississippi proibia loterias, e sua autorização dependeria de uma emenda constitucional aprovada por dois terços da Assembleia Legislativa e posteriormente ratificada em referendo popular. O Senado do Mississippi recusou-se a aprovar a realização do referendo, mas a Assembleia Legislativa aprovou a maior parte do programa B.E.S.T., acrescentando uma cláusula que determinava sua expiração em 30 de junho caso não fosse encontrada uma fonte de financiamento.

Em 18 de junho, Mabus convocou a Assembleia Legislativa para uma sessão extraordinária destinada a discutir alternativas para financiar o programa. Entre as opções apresentadas estavam a criação da loteria estadual, a tributação dos jogos de azar e o aumento das taxas cobradas por serviços públicos. Contudo, recusou-se a considerar aumentos de impostos, argumentando que esse expediente já havia sido utilizado em excesso para financiar reformas educacionais anteriores. A Assembleia Legislativa encerrou a sessão sem aprovar qualquer plano de financiamento. Mabus continuou defendendo o financiamento do B.E.S.T. durante o ano seguinte, mas sem obter êxito.

Com o passar do tempo, muitos parlamentares passaram a considerar Mabus arrogante e entenderam que ele não desejava atuar em parceria com a Assembleia Legislativa na formulação das políticas públicas do estado. Grupos focais organizados pela equipe de campanha de Mabus após a sessão extraordinária concluíram, em sua maioria, que o fracasso do governador decorrera de sua falta de disposição para negociar com o Poder Legislativo.

Durante seu governo, Mabus concedeu aos professores o maior reajuste salarial do país. Também foi incluído pela revista Fortune entre os dez melhores governadores dos Estados Unidos na área da educação.

Assuntos políticos

Em janeiro de 1988, Mabus indicou que pretendia substituir o presidente do Partido Democrata do Mississippi, Ed Cole, o primeiro afro-americano a ocupar o cargo. A iniciativa desagradou muitos democratas afro-americanos do estado. Alguns apoiadores de Cole acusaram Mabus de racismo, embora a maioria o tenha criticado por tentar assumir o controle do partido em benefício próprio. Mabus e seus aliados procuraram retratar Cole como um representante da "velha guarda", um moderado à frente de uma organização ineficaz, enquanto apresentavam sua candidata preferida, Billie Thompson, como uma reformista eficiente e capaz de arrecadar recursos. Em 9 de abril, o comitê executivo do partido votou pela recondução de Cole à presidência. Em seu discurso de vitória, Cole declarou: "Quero que [Mabus] saiba que ele pertence ao nosso partido, mas o nosso partido não pertence a ele".

Eleição de 1991

Beneficiado por uma emenda constitucional sobre sucessão governamental ratificada em 1986, Mabus tornou-se o primeiro governador do Mississippi no século XX a disputar a reeleição. Nas eleições primárias do Partido Democrata em 1991, enfrentou o ex-deputado federal Wayne Dowdy, que fez campanha com o slogan "Save us from Mabus" ("Salvem-nos de Mabus"), e George Blair.

Apresentando-se como um populista, Dowdy conduziu uma campanha nos moldes tradicionais e procurou retratar Mabus como um governante arrogante, chamando-o de "o governante". Também ironizou o slogan de campanha de Mabus de 1987 ao afirmar que, se fosse eleito, "o Mississippi nunca mais estaria perdido". Mabus respondeu classificando o adversário como integrante da "velha guarda" da política do Mississippi e criticando seu histórico de comparecimento ao Congresso dos Estados Unidos. Contando com muito mais recursos financeiros, Mabus gastou cerca de cinco vezes mais do que Dowdy e venceu as primárias com 50,7% dos votos.

Na eleição geral, Mabus enfrentou o republicano Kirk Fordice, ex-executivo do setor de construção de Vicksburg. A maioria dos analistas não esperava que Fordice vencesse sequer as primárias republicanas; por isso, ele chegou fortalecido à eleição geral, enquanto Mabus saiu enfraquecido por sua vitória apertada nas prévias democratas. A campanha de Mabus concentrou-se em tornar Fordice pouco atraente ao eleitorado, ao passo que a campanha republicana procurou transformar a eleição em um referendo sobre o desempenho do governador.

Fordice declarou apoio à imposição de limites de mandato para parlamentares e à reforma da assistência social. Também classificou Mabus como um "liberal ao estilo dos Kennedy", afirmando que ele dedicava atenção excessiva à educação e criticando sua política de déficit orçamentário. Grupos focais organizados pelos republicanos concluíram que o governador era visto como distante e indiferente às necessidades dos cidadãos "comuns" do Mississippi, enquanto o principal anúncio televisivo de Fordice afirmava que Mabus havia "tentado", mas "não realizado muita coisa".

Mabus continuou defendendo maiores investimentos na educação pública e atacando Fordice como lobista e alguém de fora da política estadual que não compreendia as necessidades do Mississippi. Na fase final da campanha, a questão racial ganhou destaque quando Fordice declarou apoio ao workfare e ao fim das cotas raciais. Em resposta, Mabus veiculou uma série de anúncios televisivos acusando o adversário de pretender fechar as instituições de ensino historicamente destinadas à população afro-americana do estado.

O governador gastou aproximadamente o dobro dos recursos de seu adversário e liderou as pesquisas até a eleição, embora muitos eleitores ainda se declarassem indecisos. Em 5 de novembro, Fordice venceu com 50,8% dos votos, contra 47,6% de Mabus, obtendo a primeira vitória republicana em uma eleição para governador do Mississippi desde 1874. Tendo recebido cerca de seis pontos percentuais a menos de votos do que em 1987, diversos analistas atribuíram a derrota de Mabus à percepção de que era um líder arrogante. A participação do eleitorado afro-americano também foi menor em 1991, e alguns democratas em nível nacional acusaram Fordice de utilizar apelos raciais durante a campanha.

Mabus foi sucedido por Fordice em 14 de janeiro de 1992.

Embaixador na Arábia Saudita e atividades posteriores

Mabus foi nomeado pelo presidente Bill Clinton para o cargo de Embaixador dos Estados Unidos na Arábia Saudita. Confirmado pelo Senado dos Estados Unidos em 1.º de julho de 1994, permaneceu no cargo até 1996, quando renunciou para retornar ao Mississippi e trabalhar na empresa madeireira de sua família.

Durante sua permanência no posto, cinco norte-americanos morreram em um atentado a bomba contra uma instalação de treinamento militar em Riade. Antes de deixar a Arábia Saudita, foi agraciado pelo governo saudita com a Ordem do Rei Abdulaziz.

Após retornar ao Mississippi, Mabus passou a exercer a advocacia. Em 2000, assumiu um cargo executivo na Foamex International. Atuou como diretor-presidente (CEO) da empresa durante seu processo de recuperação judicial e deixou o cargo em 2007, retornando ao Mississippi.

Secretário da Marinha

Nomeação

Mabus reunido com o presidente Barack Obama no Salão Oval em junho de 2010.
O general James T. Conway, o secretário Mabus e o almirante Gary Roughead prestam depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos em fevereiro de 2010.
O vice-almirante Walter E. Carter Jr., o almirante John M. Richardson, o secretário Mabus, o subsecretário de Defesa Robert O. Work e o general Robert Neller durante a 117.ª edição do Jogo Army–Navy em dezembro de 2016

Em 2008, Mabus fez campanha no Mississippi em favor do candidato democrata à presidência Barack Obama, que posteriormente foi eleito presidente dos Estados Unidos.

Em 27 de março de 2009, Obama indicou Mabus para o cargo de Secretário da Marinha dos Estados Unidos.

Tomou posse em 19 de maio de 2009, e participou de uma cerimônia oficial de posse no Washington Navy Yard em 18 de junho de 2009, ocasião em que prestou novamente o juramento de posse perante o secretário de Defesa Robert Gates.

Grande Frota Verde

Poucos meses após assumir o cargo, Mabus declarou que pretendia fazer com que metade das necessidades energéticas da Marinha dos Estados Unidos fosse suprida por fontes não derivadas do petróleo até 2020. Como parte dessa estratégia, anunciou a iniciativa Grande Frota Verde (Great Green Fleet), por meio da qual um grupo de navios passaria a operar parcialmente com fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis.

Mabus argumentava que o uso de fontes alternativas de energia reduziria a dependência das Forças Armadas em relação às importações de petróleo estrangeiro e, consequentemente, aumentaria sua independência energética.

Durante sua gestão, a Marinha realizou experiências com o uso de biocombustíveis, embora o elevado custo desses combustíveis frequentemente gerasse ceticismo. Um dos críticos foi o senador John McCain, que observou que um relatório sobre um exercício realizado em 2012 indicava que uma mistura composta por 50% de biodiesel custava à Marinha US$ 26,75 por galão, em comparação com os US$ 3,25 por galão do combustível convencional.

Como consequência, o Congresso dos Estados Unidos determinou que todas as grandes aquisições de combustíveis alternativos fossem realizadas apenas mediante preços competitivos. Em 2016, a Marinha introduziu uma mistura de combustível produzida a partir de gordura bovina, cujo custo era de US$ 2,05 por galão.

Nos últimos anos de sua gestão, o destróier USS|Mason DDG-876 operou com sucesso utilizando uma mistura de biocombustível que custava apenas US$ 1,99 por galão, fato que, segundo Mabus, recebeu pouca atenção pública.

Controvérsias sobre a denominação de navios

Como secretário da Marinha, Mabus era responsável por atribuir nomes aos navios da força naval.

Em abril de 2010, surgiu uma grande controvérsia quando foi noticiado que Mabus propôs dar a um navio de guerra da Marinha dos Estados Unidos o nome de USS John P. Murtha (LPD-26), em homenagem ao falecido congressista democrata da Pensilvânia John Murtha.

Outras controvérsias sobre a denominação de navios ocorreram devido à escolha do nome do navio auxiliar USNS Cesar Chavez (T-AKE-14), em homenagem ao ativista dos direitos civis Cesar Chavez, bem como do navio de combate litorâneo USS Gabrielle Giffords (LCS-10), batizado em homenagem à ex-congressista democrata do Arizona Gabby Giffords, após ela ter sofrido ferimentos com risco de morte no ataque a tiros em massa de 2011 ocorrido em seu distrito eleitoral, em Tucson, Arizona.

Posteriormente, em 6 de janeiro de 2016, Mabus anunciou que outro navio auxiliar seria denominado T-AO-205, em homenagem ao ativista dos direitos civis e então congressista democrata da Geórgia John Lewis. Também declarou que toda essa nova classe de navios auxiliares receberia nomes de líderes do movimento pelos direitos civis.

Em abril daquele ano, anunciou sua intenção de batizar um destróier em homenagem ao ex-presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado dos Estados Unidos, Carl Levin. Parlamentares republicanos acusaram Mabus de politizar o processo de denominação dos navios, e o deputado Steven Palazzo tentou, sem sucesso, aprovar uma emenda a um projeto de lei de dotações para a defesa que impediria o secretário de atribuir nomes de congressistas que não tivessem servido nas Forças Armadas.

Em 14 de julho de 2016, Mabus anunciou que o navio T-AO-205 receberia o nome do político de São Francisco e ícone dos direitos LGBT Harvey Milk. O navio foi renomeado em 2025 como parte da reversão de políticas e programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) promovida pelo governo Trump por meio da Ordem Executiva 14151.

Recuperação da Costa do Golfo

Em junho de 2010, Obama encarregou Mabus de elaborar um plano de longo prazo para restaurar a Costa do Golfo dos Estados Unidos após o derramamento de petróleo da Deepwater Horizon. Alguns empresários da região e ambientalistas criticaram a nomeação, demonstrando preocupação com os investimentos anteriores de Mabus em empresas de comercialização de energia e argumentando que, como secretário da Marinha, ele não conseguiria dedicar atenção integral ao esforço de recuperação ambiental.

Em setembro, apresentou um plano de recuperação que recebeu apoio bipartidário no Congresso. Com base em suas recomendações, o Congresso aprovou posteriormente a RESTORE Act, destinando mais de US$ 5 bilhões para a recuperação da costa do Golfo.

Disputas orçamentárias

Após um relatório publicado em janeiro de 2015 pelo Defense Business Board e pela McKinsey & Company concluir que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos gastava US$ 134 bilhões — cerca de 23% de seu orçamento total — em atividades administrativas, além de manter uma estrutura burocrática com mais de um milhão de funcionários, quase equivalente ao número de militares em serviço ativo, o conselho recomendou um plano para eliminar US$ 125 bilhões em desperdícios ao longo de cinco anos.

Entretanto, quando Ash Carter assumiu o cargo de secretário de Defesa no mês seguinte, substituiu o presidente do conselho, classificou como sigilosos os resultados do estudo da McKinsey e determinou a retirada do relatório dos sítios eletrônicos públicos. Mabus reagiu com um discurso no American Enterprise Institute, no qual destacou as conclusões do estudo, classificou os custos administrativos como "mera sobrecarga" e criticou especialmente o Defense Finance and Accounting Service e a Defense Logistics Agency.

Posteriormente, o subsecretário de Defesa para Aquisição, Tecnologia e Logística, Frank Kendall III, enviou-lhe uma carta solicitando que "por favor, evite fazer novos ataques públicos [...] Não quero que isso se estenda ainda mais ao debate público".

Ao longo de sua gestão, Mabus autorizou a construção de 86 navios para a Marinha dos Estados Unidos.

Em 2016, elaborou a proposta orçamentária da Marinha para o ano fiscal de 2018, que previa bilhões de dólares destinados à construção de dezenas de novos navios. Contudo, a proposta orçamentária do Departamento de Defesa preparada por Carter não incorporou esses recursos. Em dezembro de 2016, Mabus divulgou um memorando afirmando que não desejava reduzir os investimentos na construção naval, citando a diminuição do tamanho da Marinha entre 2001 e 2008. Também escreveu a Carter que "você e eu sabemos que este orçamento é quase totalmente simbólico", fazendo referência ao fato de que o governo Obama estava prestes a chegar ao fim.

Assuntos relacionados ao pessoal

Mabus afirmou que uma de suas principais prioridades durante sua gestão foi "desenvolver uma força mais diversa". Alguns integrantes das Forças Armadas o acusaram de promover políticas de "engenharia social".

A política "don't ask, don't tell", que restringia o serviço militar de pessoas homossexuais declaradas nas Forças Armadas dos Estados Unidos, foi revogada em 2011. Dois anos depois, a Marinha introduziu testes aleatórios de bafômetro para militares em serviço, com o objetivo de reduzir o abuso de álcool.

Mabus também criou novos programas do Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva (ROTC) em diversas universidades, entre elas a Universidade Harvard e a Universidade Estadual do Arizona. Além disso, eliminou a distinção entre áreas de atuação nos processos de promoção, permitindo que militares fossem avaliados em igualdade de condições para ascensão de posto, independentemente de sua especialidade. Sob sua direção, a Marinha ampliou as oportunidades de formação em nível de pós-graduação e instituiu um programa que permitia a oficiais subalternos de destaque trabalharem durante três anos em empresas integrantes da lista Fortune 500.

Em 2011, autorizou o ingresso de mulheres na força de submarinos da Marinha. Também defendeu a adoção de uniformes unissex na Marinha e no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Em julho de 2015, ampliou a licença-maternidade dos integrantes do Departamento da Marinha para 18 semanas, embora Ash Carter posteriormente a tenha reduzido para 12 semanas em todas as Forças Armadas, em janeiro de 2016.

No final de 2015, o Corpo de Fuzileiros Navais divulgou os resultados de um estudo realizado ao longo de nove meses sobre o desempenho das mulheres na corporação. O relatório concluiu que, em média, as recrutas sofriam o dobro de lesões em relação aos homens, apresentavam menor precisão com armas de infantaria e tinham desempenho inferior na remoção de soldados feridos do campo de batalha.

Mabus rejeitou imediatamente essas conclusões, afirmando que o estudo não descrevia o desempenho das mulheres com melhores resultados nem apresentava justificativa suficiente para continuar excluindo mulheres das funções mais exigentes da corporação. Em cumprimento a uma determinação do secretário de Defesa Ash Carter, em 1.º de janeiro de 2016, ordenou que o Corpo de Fuzileiros Navais elaborasse, no prazo de quinze dias, um plano para tornar todo o treinamento militar integrado entre homens e mulheres, além de determinar que todas as denominações de cargos passassem a utilizar linguagem neutra em relação ao gênero.

Posteriormente, reuniu-se com o comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, general Robert B. Neller, e concordou em manter o treinamento básico militar separado por sexo. Suas decisões provocaram forte reação de membros do Congresso dos Estados Unidos. O deputado Duncan D. Hunter exigiu sua renúncia, enquanto outros parlamentares criticaram o curto prazo concedido ao Corpo de Fuzileiros Navais para elaborar as mudanças exigidas.

Saída do cargo

Em março de 2016, Mabus declarou que cogitava se aposentar. Deixou o cargo de secretário da Marinha em 20 de janeiro de 2017, por ocasião da posse do presidente Donald Trump. Foi sucedido interinamente pelo secretário assistente da Marinha Sean Stackley, que assumiu a chefia da pasta até a confirmação de um novo titular permanente.

Mabus foi um dos poucos integrantes da área de segurança nacional que permaneceram continuamente em seus cargos durante todo o governo de Barack Obama. Também foi o secretário da Marinha com o mandato mais longo desde Josephus Daniels, que ocupou o cargo entre 1913 e 1921. Ao deixar a função, declarou: "Para mim, liderar o Departamento da Marinha foi a maior honra da minha vida".

Prêmios, homenagens e atuação comunitária

O secretário da Marinha Ray Mabus entrega a Medalha de Serviço Público Distinto da Marinha ao senador dos Estados Unidos Richard Blumenthal.

Mabus recebeu o Prêmio de Serviço Público Distinto do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o Prêmio de Serviço Civil Distinto do Exército dos Estados Unidos, o Prêmio de Responsabilidade Social Martin Luther King Jr. concedido pelo King Center for Nonviolent Social Change, em Atlanta, o Prêmio de Realização em Conservação da National Wildlife Federation, a Ordem do Rei Abdulaziz do Reino da Arábia Saudita e o prêmio Friend of Education, concedido pela Associação de Educadores do Mississippi.

Em 2013, foi incluído na lista dos "CEOs mais bem avaliados" da Glassdoor, ocupando a 43.ª posição, com índice de aprovação de 82%. Em 2017, o Mississippi Center for Justice concedeu a Mabus o prêmio Champion of Justice ("Campeão da Justiça"). Em 2019, a cidade de Ackerman inaugurou marcos históricos em homenagem a Mabus e ao também natural da cidade e ex-governador J. P. Coleman, instalados no Governor's Park.

Mabus participa ativamente de diversas iniciativas comunitárias, principalmente na área da educação. Após o furacão Katrina, fundou a Help and Hope Foundation, organização dedicada a atender às necessidades de crianças afetadas pelo desastre.

Vida pessoal

Mabus casou-se com Julie Hines, filha de um banqueiro de Jackson, em 1987, pouco antes de concorrer ao governo do Mississippi. Alguns observadores especularam que o casamento teria como objetivo melhorar sua imagem antes da campanha eleitoral. O casal teve duas filhas. Eles se divorciaram em 2000. O processo de separação e a disputa pela guarda das filhas foram marcados por intenso conflito. Ao final, um tribunal do condado de Hinds concedeu a Mabus a guarda compartilhada das crianças.

Em 2007, casou-se com Lynne Horecky. Mabus é torcedor do Boston Red Sox, equipe que passou a acompanhar durante a Série Mundial de 1975, quando era estudante da Faculdade de Direito de Harvard. Durante sua gestão como secretário da Marinha, realizou o arremesso cerimonial em todos os 30 estádios das equipes da Major League Baseball nos Estados Unidos, sendo considerado a única pessoa a ter conseguido esse feito.

Atuação como ator

Em 2009 e novamente em 2014, Mabus fez participações especiais na série de televisão NCIS, interpretando um agente do Naval Criminal Investigative Service chamado "Ray", respectivamente nos episódios "Child's Play", da sétima temporada, e "Semper Fortis", da décima segunda temporada.

Em 2012, apareceu no filme Battleship, interpretando o comandante do USS Ronald Reagan.

Também fez uma participação especial interpretando a si próprio no episódio "It's Not a Rumor" da série The Last Ship, no qual transmite ordens gravadas à tripulação do Nathan James. Na trama, quando o navio recebe a mensagem, Mabus já havia morrido em decorrência do vírus da "Gripe Vermelha" (Red Flu).

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Bibliografia

Ligações externas

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