| Robert Hall | |
|---|---|
| Bob Hall | |
| Nascimento | 13 de agosto de 1943 (83 anos) Palo Alto, Califórnia, Estados Unidos |
| Cidadania | Estados Unidos |
| Cônjuge | Susan Woodward |
| Alma mater | Universidade da Califórnia em Berkeley, bacharelado Instituto de Tecnologia de Massachusetts, doutorado |
| Ocupação | economista, professor universitário |
| Distinções | Clarivate Citation Laureates de 2017 Nobel de Economia de 2026 |
| Empregador(a) | Universidade Stanford, Instituto de Tecnologia de Massachusetts |
| Cargo(s) | |
| Orientador(a)(es/s) | Robert Solow |
| Instituições | Universidade Stanford Instituto de Tecnologia de Massachusetts Universidade da Califórnia em Berkeley |
| Tese | Essays on the Theory of Wealth, 1967 |
| Obras destacadas | BHHH algorithm |
| Orientados | Pete Klenow Valerie Ramey |
| Campos | Macroeconomia e economia aplicada |
| Página oficial | |
| https://profiles.stanford.edu/robert-hall | |
Robert Ernest Hall (Palo Alto, 13 de agosto de 1943) é um economista estadunidense, professor emérito da Universidade Stanford e pesquisador emérito da Instituição Hoover. Em 2026, dividiu o Nobel de Economia com Michael Woodford por pesquisas sobre como as decisões das famílias e empresas afetam a economia e as políticas usadas para estabilizá-la.
Hall trabalha com macroeconomia e economia aplicada, estudando o consumo, as oscilações do emprego e a política econômica. Com Alvin Rabushka, elaborou a proposta de imposto de alíquota única apresentada no livro The Flat Tax.
Depois de estudar em Palo Alto e Los Angeles, Hall concluiu o bacharelado em economia na Universidade da Califórnia em Berkeley, em 1964, e o doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em 1967. Sua tese, Essays on the Theory of Wealth, foi orientada por Robert Solow.
Lecionou em Berkeley de 1967 a 1970 e no MIT de 1970 a 1978, quando ingressou na Universidade Stanford e na Instituição Hoover. Na Hoover, ocupou a posição de pesquisador Robert and Carole McNeil, da qual se tornou emérito. Orientou os doutorados de Pete Klenow e Valerie Ramey em Stanford.
No National Bureau of Economic Research, dirigiu o programa de pesquisas sobre flutuações econômicas e crescimento de 1977 a 2013. Presidiu o comitê que estabelece as datas de início e término das recessões nos Estados Unidos de 1978 a 2024, quando Valerie Ramey assumiu a presidência.
Hall presidiu a American Economic Association em 2010, sucedendo Angus Deaton e sendo sucedido por Orley Ashenfelter no ano seguinte. A associação o escolheu para a conferência Richard T. Ely de 2001 e lhe concedeu o título de Distinguished Fellow em 2011. Foi eleito para a Sociedade Econométrica em 1973, a Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos em 1985 e a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos em 2004.A Clarivate o incluiu entre os Citation Laureates de 2017 por seus trabalhos sobre produtividade dos trabalhadores, recessões e desemprego.
Participou do painel econômico da Brookings Institution e de seu conselho consultivo, que reúne economistas para discutir os trabalhos publicados no Brookings Papers on Economic Activity. Prestou consultoria aos departamentos do Tesouro e da Justiça dos Estados Unidos, ao Federal Reserve e ao Congressional Budget Office, órgão que analisa o orçamento federal para o Congresso.
Ao estudar as decisões de consumo, Hall formulou testes para a hipótese da renda permanente com expectativas racionais, na qual as famílias levam em conta a renda que esperam receber no futuro. Sob as condições do modelo, as mudanças no consumo dependem de informações novas, o que limita a possibilidade de prevê-las com dados que já eram conhecidos. O comportamento pode ser aproximado por um passeio aleatório, e o caso de martingale, em que a melhor previsão para o consumo futuro é o nível atual, passou a ser usado como referência para examinar desvios dessa previsão.
Nas formulações anteriores da hipótese de Milton Friedman, as expectativas adaptativas permitiam usar a renda passada para estimar a renda que a família esperava receber. Na formulação de Hall, as informações disponíveis já entram na decisão de quanto consumir, de modo que as mudanças posteriores dependem do que ainda não era esperado. Nos dados que analisou, a renda passada tinha pouca capacidade de prever as mudanças futuras no consumo.
Parte das variações no consumo pode ser prevista a partir das mudanças na renda, um resultado que não corresponde à versão mais simples do modelo de Hall. Uma família que não consegue tomar dinheiro emprestado pode precisar ajustar suas despesas à renda recebida, mesmo quando espera ganhar mais no futuro, o que limita sua possibilidade de distribuir o consumo ao longo dos anos.
Hall examinou a relação entre os preços cobrados pelas empresas e o custo marginal, o custo de produzir uma unidade adicional. Em sua análise da indústria dos Estados Unidos, os preços ficavam acima desse custo, um resultado incompatível com a hipótese de concorrência perfeita. A possibilidade de vender acima do custo marginal entra em sua explicação das oscilações da produção e do uso da capacidade das empresas.
Ao comparar as medidas de produtividade com os ciclos econômicos, Hall examinou como o uso da capacidade instalada e a intensidade do trabalho afetam a produção medida. A produção por trabalhador pode aumentar pelo uso mais intenso dos recursos disponíveis, sem uma mudança tecnológica, mas essas oscilações não explicavam toda a diferença entre preços e custos encontrada nos dados de sua análise.
Nos modelos de emprego de Hall, os salários não se ajustam imediatamente às mudanças na demanda, e contratar exige que as empresas encontrem e avaliem candidatos. Em uma recessão, a queda do retorno esperado de uma contratação pode diminuir a abertura de vagas mesmo sem uma redução imediata dos salários. Os custos de encontrar uma combinação adequada entre trabalhador e empregador entram na explicação das oscilações do desemprego.
Hall e Alvin Rabushka propuseram aplicar a mesma alíquota à renda do trabalho e ao fluxo de caixa das empresas, calculado com a dedução dos gastos com salários, insumos e investimentos. O projeto previa uma parcela de renda isenta para as famílias, o que fazia a proporção de renda paga em impostos aumentar conforme a renda crescia. A dedução imediata dos investimentos e a dispensa da tributação individual de juros e dividendos eram mecanismos para evitar tributar novamente a renda usada para poupar e investir.
Os dois apresentaram a proposta em 1981 e escreveram The Flat Tax, publicado pela Hoover Institution Press, com uma edição lançada em 2007. Países da Europa Oriental adotaram impostos com alíquota única a partir dos anos 1990, mas esses sistemas não reproduziam integralmente o projeto de Hall e Rabushka. Hall também passou a examinar versões com duas faixas de tributação, porque julgava que o aumento da desigualdade nos Estados Unidos dificultava a aplicação de uma única alíquota positiva.
Em 1982, Hall apresentou a unidade monetária ANCAP, baseada em uma cesta de mercadorias formada por alumínio, cobre, madeira compensada e nitrato de amônio. A cesta era uma alternativa à definição do valor da moeda por uma quantidade de ouro, com o objetivo de acompanhar melhor as mudanças no custo de vida.
Ao comentar o programa econômico de Ronald Reagan em 1981, Hall defendeu cortes de impostos para estimular a atividade econômica e limitar gastos públicos que julgava desperdício de recursos. Havia participado do grupo que preparou recomendações sobre inflação para o presidente eleito, mas não se apresentou como porta-voz do governo. Para os investimentos das empresas, propôs permitir a dedução imediata de todo o valor investido e eliminar a dedução de juros, que, em sua avaliação, favorecia o financiamento por dívida.
Hall defendia um compromisso de política monetária para reduzir a inflação ao longo de cinco a dez anos, com objetivos anunciados de forma clara. Criticava a redução rígida do crescimento da quantidade de moeda e propunha orientar a política pela trajetória do valor nominal da produção, de modo a buscar a estabilidade dos preços sem provocar uma recessão acentuada.
Para estimar relações econômicas em modelos não lineares, Hall desenvolveu com Ernst Berndt, Bronwyn Hall e Jerry Hausman um método de cálculo que ajusta os parâmetros do modelo até encontrar uma solução. O procedimento, publicado em 1974, permite trabalhar com estimadores de máxima verossimilhança e de distância mínima, usados para comparar o modelo com os dados.
Hall e Michael Woodford dividiram igualmente a premiação de 2026, anunciada em 12 de outubro, pelas pesquisas sobre os fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica. O trabalho de Hall sobre o consumo entrou nos modelos usados para analisar como as famílias reagem a mudanças na renda esperada e nas taxas de juros.
Hall é casado com a economista Susan Woodward, com quem escreveu trabalhos sobre riscos do empreendedorismo e o mercado de empréstimos para a compra de imóveis. O casal mora em Menlo Park, na Califórnia.