Dança dos Tarairiú, por Albert Eckhout (séc. XVII) | |
| População total | |
|---|---|
| Mais de 22 mil indígenas (dados da SESAI e censo de 2022) | |
| Regiões com população significativa | |
| Línguas | |
| Tarairiú | |
| Religiões | |
| Catimbó, Jurema, Pajelança | |
| Etnia | |
| Indígenas brasileiros | |
| Grupos étnicos relacionados | |
| Anacés, ariús/pêgas, arariús, camuçus, canindés, caratiús, coremas, xucurus, janduís, javós, jenipapo-açu, jenipapos-canindés, paiacus, panatis, panacu-açu, tucarijus e xorós | |
*Os caborés, coremas, icozinhos e monxorós eram cariri, não tarairiú. |

Os Tarairiú são uma nação indígena que habita os estados brasileiros do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí, Alagoas e Pernambuco. Seu território corresponde a parte do bioma da caatinga e as regiões sublitorâneas, do agreste e dos Sertões de Fora se extendendo por todo o Planalto da Borborema, Serra da Rajada, Serra de Macaguá, Serra da Ibiapaba, Serra dos Cariris Velhos e nas ribeiras dos rios Piranhas-Açu (Otschunogh), Seridó, Sabugi, Apodi, Jaguaribe, Ipanema, Moxotó e Pajeú, havendo se desenrolado sobre a Ribeira do Rio Açu e Seridó o Levante Geral Otxukayana (Guerra do Açu). Se autodenominam Otxukayana.
Os tarairiús formam, segundo historiadores, um grupo linguístico distinto dentre os povos originários do nordeste brasileiro, e seriam, linguisticamente, uma língua isolada (URBAN, 1992) ao lado dos cariris. Os tarairiús foram retratados pelo artista neerlandês Albert Eckhout em sua caracterização dos tapuias. Outro que também os retratou foi Elias Herckmans em seu livro «Descripção geral da Capitania da Parahyba», publicado em 1639, quando este era administrador da Paraíba.
Os tarairiús são uma das, se não a maior nação indígena do nordeste brasileiro. Historicamente é composta por mais de 22 povos, os quais se organizam sócio-politicamente sob a liderança do maioral Draruk (Janduí) e posteriormente seu filho Kanindé (Comatyn/Komatí). Era comum o povo levar o nome de sua liderança.
Realizam uma endo-migração sazonal e endo-territorial acompanhando os períodos de cheia e baixa do rio sagrado (Piranhas-Açu) e descem ao litoral durante a safra de caju. Realizam a pratica da caça e colheita de mel.
Fazem o uso de armas como propulsores de lança e bordunas e também a prática da agricultura de milho, fumo, legumes, jerimum e mandioca, e fumigavam as sementes e o campo através do plantio. Os grupos eram geralmente divididos em duas metades. A divindade sagrada de sua nação é Otxá (Uxá/Houcha/Taúba).
Detém a técnica de assar alimentos com brasas enterradas. Possuem o rito de iniciação da Korroveara (corrida de toras de carnaúba), rito de passagem para a fase adulta.


A Nação Tarairiú-Otxukayana é composta por 22 povos. Aguerridos, lutaram ao lado dos neerlandeses contra o domínio colonial português durante os séculos XVII e XVIII.
Os invasores portugueses tentaram invadir o território tarairiú, mas foram duramente combatidos no período entre 1630 e 1730, na que é considerada por alguns a maior guerra indígena no país.
A localização geográfica dos povos indígenas ao longo da história brasileira é muito imprecisa, sendo discutido por vários historiadores. Além disso, houve incontáveis migrações nos últimos quinhentos anos. Por isso, as localidades a baixo são baseadas no mapa do antropólogo Curt Nimuendajú.