| Tracoma | |
|---|---|
| Sinónimos | Conjuntivite granula, oftalmia egípcia |
| Pálpebra infectada por Chlamydia trachomatis | |
| Especialidade | Infectologia |
| Sintomas | Dor ocular, cegueira |
| Causas | Chlamydia trachomatis transmitida entre pessoas |
| Fatores de risco | Locais sobrepopulados, falta de água potável e saneamento |
| Prevenção | Tratamento em massa, melhoria das condições sanitárias |
| Tratamento | Medicamentos, cirurgia |
| Medicação | Azitromicina, tetraciclina |
| Frequência | 80 milhões |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-11 | 1C23 |
| CID-10 | A71, A71.1, A71.0, A71.9 |
| CID-9 | 076.9, 076, 076.0, 076.1 |
| DiseasesDB | 29100 |
| MedlinePlus | 001486 |
| eMedicine | 1202088 |
| MeSH | D014141 |
Tracoma, também chamada de conjuntivite granulomatosa, é uma doença inflamatória ocular contagiosa, crónica e recidivante, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, que afeta pálpebras, conjuntiva e córnea. Esta infecção causa uma ceratoconjuntivite folicular que torna as papilas aumentadas e com aspecto grosseiramente rugoso. Os sintomas iniciais são geralmente leves e inespecíficos, como prurido ocular, hiperemia leve, pouca ou nenhuma secreção ocular muco-purulenta, edema palpebral e sensação de corpo estranho nos olhos. Nos casos menos agressivos ocorre a regressão espontânea dos folículos, mas muitas vezes o quadro evolui para a necrose dessas estruturas, que formam focos cicatriciais difusos na conjuntiva. Com sucessivas recidivas, esses focos se multiplicam, formando cicatrizes mais extensas, que podem ocasionar o tracionamento e inversão da pálpebra superior - distorção conhecida como entrópio. O contato direto dos cílios com o olho (triquíase tracomatosa), causa lesões corneanas por traumatismo direto, progredindo para opacificação da córnea e perda da visão. Neste estágio, normalmente a sintomatologia é acrescida de dor e fotofobia intensa. A forma cicatricial da doença pode requerer tratamento cirúrgico.
As bactérias que causam a doença podem ser transmitidas por contato direto com o indivíduo infectado sempre que as lesões estiverem ativas. O contato indireto é infectante e ocorre através de roupas, toalhas, fronhas e objetos. Alguns insetos, como as moscas domésticas (Musca domestica) e as moscas-dos-olhos (Hippelates sp) podem servir como vetores mecânicos ao pousar sobre secreções oculares e descargas nasais contaminadas. Uma grande parcela das crianças infectadas é assintomática e esse pode ser um dos motivos pelos quais elas sejam transmissoras mais frequentes que os adultos. A falta de saneamento básico, moradias superlotadas, e água não potável e condições sanitárias precárias são fatores que contribuem com a disseminação.
Os esforços para prevenir a doença incluem a melhoria do acesso à água potável e o uso de antibióticos para a redução do número de infectados. A antibioticoterapia em massa tem sido preconizada no tratamento de portadores da bactéria C. trachomatis com o intuito de reduzir os casos de tracoma ativo. A lavagem facial associada à tetraciclina tópica também mostrou-se eficiente no controle de casos de tracoma grave. As recomendações da Organização Mundial da Saúde incluem o tratamento local com pomadas oftálmicas ou colírios e o tratamento sistêmico para casos resistentes ou de tracoma intenso. Atualmente, o antibiótico de escolha é a azitromicina, que pode ser utilizada em dose oral única.
Cerca de 80 milhões de pessoas no mundo apresentam infecção ativa. Em algumas regiões a doença assume caráter endêmico e pode estar presente em até 60-90% das crianças e afetando mais mulheres adultas do que homens, provavelmente devido ao contato materno. O tracoma é causa de deficiência visual em cerca de 2,2 milhões de pessoas, das quais 1,2 milhões são completamente cegas. A doença pertence ao grupo das doenças tropicais negligenciadas e ocorre em 53 países da África, Ásia, América Central e do Sul, onde cerca de 230 milhões de pessoas correm o risco de contraí-la.
Tracoma é causada por Chlamydia trachomatis, uma bactéria transmitida por contato com secreções dos olhos, nariz e da garganta de indivíduos afetados ou contato indireto através de objetos (fômites) como toalhas e/ou panos, que tiveram contato com essas secreções. As moscas também podem ser uma via de transmissão se tocarem olhos de animais infectadas e depois de outros animais.
A bactéria possui um período de incubação de 5 a 12 dias, depois dos quais o indivíduo apresenta sintomas como:
Infecções repetidas não tratadas resultam em triquiase, também chamada de entrópio, quando as pálpebras se voltam para dentro fazendo com que os cílios arranhem a córnea causando dor e cegueira. As crianças são as mais suscetíveis à infecção, devido à sua tendência sujar-se mais e esfregar sujeira nos olhos, mas os sinais e sintomas mais graves costumam ser em idosos.
É muito comum no Brasil e no mundo, com incidência de 0,4% e 8,8% infectados por ano, sendo cerca de 25% assintomáticos e 1% com complicações. Surtos são mais comuns em escolas e pré-escolas. A OMS classifica que menos de 5% de crianças infectadas é normal e mais de 10% é um surto que requer tratamento em massa com dose única de antibiótico.

Em locais com alta incidência a OMS recomenda tratamento com antibióticos em massa. Assim, quando mais de 10% das crianças menores de 10 anos tenham conjuntivite bacteriana em um período de menos de um ano, é recomendado o uso de azitromicina, em dose única oral de 20 mg/kg ou de tetraciclina tópica 1%, em pomada aplicada na pálpebra duas vezes por dia durante seis semanas. Azitromicina é o mais usado porque é utilizada como uma dose oral única.
No caso de triquiase/entrópio, é necessário uma cirurgia para cortar e suturar a pálpebra de volta à posição correta.
Se não for tratada adequadamente com antibióticos orais, os sintomas poderão escalar e causar cegueira, resultado da ulceração e cicatrização da córnea. A doença pode ser efetivamente tratada com azitromicina, cirurgia, antibióticos e boas condições de higiene.
A doença é uma das mais antigas patologia oculares conhecidas, tendo sido identificada tão cedo quanto 27 d.C. A maioria das pessoas infectadas vive primariamente em países subdesenvolvidos. As áreas consideradas endêmicas são África, Oriente Médio, Índia e Ásia. Alguns dos principais programas de controle são: Iniciativa Internacional do Tracoma, Centro Carter e o Helen Keller International