Ume Habiba, nascida Ramela binte Abi Sufiane (em árabe: أم حبيبة رملة بنت أبي سفيان; romaniz.: Umm Ḥabība Ramla bint Abī Sufyān; c. 606 – 664), foi uma das esposas do profeta islâmico Maomé e é venerada pelos muçulmanos como uma das Mães dos Crentes. Filha de Abu Sufiane ibne Harbe, um dos principais líderes dos coraixitas, e irmã do futuro califa Moáuia I, destacou-se por ter integrado os primeiros convertidos ao islão, participado da Migração para a Abissínia e transmitido numerosos hádices.
Ume Habiba nasceu cerca de dezessete anos antes da Hégira. Era filha de Abu Sufiane ibne Harbe, chefe do Banu Omaia, e de Safia binte Abi Alás ibne Omaia. Sua linhagem encontrava-se com a de Maomé em Abede Manafe ibne Cuçai. Casou-se com Ubaide Alá ibne Jaxe, filho de Umaima binte Abede Almotalibe, tia paterna de Maomé. Ubaide Alá era inicialmente um hanife, adepto do monoteísmo antes do advento do islão. Posteriormente, o casal converteu-se entre os primeiros muçulmanos e, no sexto ano da missão profética (616), emigrou para a Abissínia com a segunda leva de refugiados para escapar às perseguições dos coraixitas. Durante a viagem Ume Habiba estava grávida e, já estabelecida na Abissínia, deu à luz sua única filha, Habiba, passando desde então a ser conhecida pela cúnia Ume Habiba.
Na Abissínia, ela e o marido integraram o grupo de emigrados liderado por Jafar ibne Abi Talibe, desempenhando posição de destaque entre os muçulmanos ali estabelecidos. Pouco tempo depois, porém, Ubaide Alá abandonou o islão, retornou ao cristianismo e procurou persuadi-la a fazer o mesmo. Ume Habiba recusou-se firmemente a renegar sua fé, levando ao rompimento do casamento. Ubaide Alá morreu posteriormente como cristão, depois de incentivar outros emigrados a abandonarem o islão. Sem poder regressar a Meca por causa da oposição de seu pai à nova religião, permaneceu sozinha na Abissínia com a filha. Conhecendo sua situação, Maomé decidiu desposá-la. No sexto ou sétimo ano da Hégira (628–629), enviou Anre ibne Omaia Adameri ao negus Axame com duas cartas: uma convidando-o ao islão e outra solicitando que celebrasse seu casamento com Ume Habiba e providenciasse o retorno dos emigrados a Medina. Ao receber a notícia, ela nomeou Calide ibne Saíde como seu guardião matrimonial (uáli). O negus reuniu os muçulmanos residentes na Abissínia, celebrou o casamento por procuração, fixou um dote de quatrocentos dinares em nome de Maomé, presenteou Ume Habiba e colocou sua serva Abrea a seu serviço antes de providenciar o retorno dos emigrados à Medina.
Embora Abu Sufiane ainda fosse politeísta e não tivesse participado do casamento, recebeu a notícia favoravelmente, afirmando que Maomé era um homem cuja proposta não poderia ser recusada. Anos mais tarde, antes da Conquista de Meca, visitou Medina para tentar renovar a trégua de Hudaibia. Ao entrar na casa da filha, tentou sentar-se no leito de Maomé, mas Ume Habiba retirou-o, explicando que aquele era o leito do Mensageiro de Deus e que um idólatra não deveria ocupá-lo. Após a morte de Maomé, manteve-se afastada das disputas políticas que dividiram a comunidade muçulmana. Durante o cerco à residência do califa Otomão (r. 644–656), seu primo materno, visitou-o para prestar solidariedade. Um dos rebeldes arrancou-lhe o véu, expondo-lhe o rosto, ao que ela respondeu com uma maldição. Segundo a tradição, o agressor teve posteriormente o braço amputado. Em reconhecimento à posição de Ume Habiba entre as Mães dos Crentes, os muçulmanos passaram a dirigir-se a seu irmão Moáuia I como "tio dos crentes". Ela continuou a receber os rendimentos que Maomé lhe destinara provenientes de Caibar, correspondentes a oitenta wasqs de tâmaras e vinte wasqs de cevada. Morreu em Medina em 664 e foi sepultada no Cemitério de Albaqui, embora algumas fontes apresentem as datas de 662 ou 679. Também existe uma tradição segundo a qual teria morrido em Damasco durante uma visita ao irmão, versão geralmente rejeitada pelos historiadores. As fontes mencionam ainda que possuía uma serva chamada Ume Aimane Bereca, homônima da ama de Maomé, circunstância que ocasionalmente provocou confusões nas obras biográficas.
Ume Habiba figura entre as mais importantes transmissoras de hádices entre as esposas de Maomé, sendo superada apenas por Aixa e Ume Salama. Segundo Baqui ibne Maclade, transmitiu sessenta e cinco tradições, enquanto o Musnade de Amade ibne Hambal preserva quarenta e três narrativas atribuídas a ela. Entre seus principais transmissores encontram-se seus irmãos Moáuia I e Ambaça ibne Abi Sufiane, seu sobrinho Abu Sufiane ibne Saíde, seu liberto Abu Aljarrá e Zainabe binte Abi Salama. Uma de suas tradições mais conhecidas relata as igrejas que conheceu na Abissínia e serviu de contexto para um ensinamento de Maomé condenando a transformação de túmulos em locais de culto.