A viridina é um metabolito secundário fúngico de elevada relevância no domínio da bioquímica, pertencendo à classe dos furanosteroides, um grupo restrito de esteroides altamente oxigenados estruturalmente caracterizados pela fusão de um anelfurânico tensionado ao esqueleto cíclico principal. Isolada originalmente em meados da década de 1940 a partir do fungo do solo Trichoderma viride, esta substância desperta um grande interesse científico devido às suas potentes propriedades antifúngicas e à sua capacidade de atuar como um inibidor covalente e irreversível de sinalização celular na gama nanomolar. Do ponto de vista molecular, o mecanismo de ação da viridina assemelha-se ao da wortmanina, consistindo no bloqueio específico da via da 3-quinase de fosfatidilinositol (PI3K) através de um ataque nucleofílico sofrido pelo seu anel furânico eletrofílico por parte de uma lisina conservada no sítio ativo da enzima. Biossinteticamente, a viridina é produzida a partir da via clássica dos triterpenoides, partindo da ciclização do esqualeno até ao lanosterol, seguida de complexas modificações oxidativas. Entre estas modificações, destaca-se a clivagem invulgar da cadeia lateral do pregnano — mediada concertadamente por uma mono-oxigenase dependente de flavina, uma esterase e uma desidrogenase —, a desmetilação na posição C-14 via citocromo P450 e a aromatização tardia do anel C. Em termos ecológicos e biotecnológicos, a viridina desempenha um papel fundamental no controlo biológico de pragas agrícolas, uma vez que a sua secreção por fungos benéficos como o Trichoderma virens suprime o crescimento e a germinação de esporos de fitopatogénicos severos. Adicionalmente, em meios de cultura sob variações de acidez, a viridina pode sofrer uma redução metabólica reversível na posição C-3, convertendo-se em viridiol, um derivado que exibe uma marcante atividade fitotóxica em vez de fúngica, ilustrando a versatilidade deste composto no seu ecossistema.