| 9K720 Iskander (OTAN: SS-26 Stone) | |
|---|---|
| Tipo | Míssil balístico de curto alcance |
| Local de origem | |
| História operacional | |
| Em serviço | 2006–presente |
| Utilizadores | |
| Guerras | Guerra Russo-Georgiana Guerra Civil Síria Guerra no Alto Carabaque (2020) Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 |
| Histórico de produção | |
| Fabricante | Votkinsk Plant State Production Association (Votkinsk) – mísseis
Production Association Barricades (Volgograd) – Equipamento Terrestre KBM (Kolomna) – Desenvolvimento do sistema |
| Custo unitário | US$ 3 milhões |
| Variantes | Iskander-M Iskander-K Iskander-E |
| Especificações | |
| Peso | 3,800 kg |
| Comprimento | 7.3 m |
| Diâmetro | 0.92 m |
| Velocidade de saída | 2,000 m/s (Mach 5.9) (Mach.6-7 Iskander-M) |
| Alcance máximo | 50 km – 400-500 km Iskander-M |
| Ogiva | Bomba de hidrogénio Arma termobárica Bomba de fragmentação |
| Peso da ogiva | 480–700 kg |
| Propelente | Foguete de combustível sólido |
| Velocidade | 2,000 m/s (Mach 5.9) (Mach.6-7 Iskander-M) |
| Precisão | 5–7 m (Iskander-M) |
| Plataforma de lançamento | Transportador-eretor-lançador |
O 9K720 Iskander (Russo: «Искандер») é um sistema móvel de mísseis balísticos de curto alcance produzido e implantado pelas Forças Armadas da Rússia. Os sistemas de mísseis (Искандер-М) foram projetados para substituir os obsoletos sistemas OTR-21 Tochka, ainda em uso pelos militares russos. O Iskander tem várias ogivas convencionais diferentes, incluindo uma ogiva de bombas de fragmentação, uma ogiva de explosão explosiva de combustível-ar, uma ogiva de alta fragmentação explosiva, um penetrador de terra para o rebentamento de bunkers e um dispositivo de pulso eletromagnético para missões anti-radar. O míssil também pode transportar ogivas nucleares. Em setembro de 2017, a projetista geral da KB Mashinostroyeniya (KBM) Valery M. Kashin disse que havia pelo menos sete tipos de mísseis (e "talvez mais") para Iskander, incluindo um míssil de cruzeiro.
O sistema móvel rodoviário Iskander foi a segunda tentativa da Rússia de substituir a família de mísseis balísticos Scud. A primeira tentativa, o OTR-23 Oka, foi eliminada sob os termos do Tratado INF. Os trabalhos de projeto do Iskander tiveram início em dezembro de 1988, dirigidos inicialmente pelo projetista de mísseis do KBM Serguei Nepobedimi, e não foram significativamente afetados pela dissolução da União Soviética em 1991.
O primeiro disparo de teste bem-sucedido ocorreu em 1996.
Em setembro de 2004, durante reunião com altos oficiais militares para apresentação do projeto de orçamento da defesa de 2005 ao presidente Vladimir Putin, o ministro da Defesa russo Serguei Ivanov declarou a conclusão dos testes estáticos de um novo complexo de mísseis táticos denominado Iskander. Ivanov afirmou que o sistema entraria em produção em série em 2005 e que, até o final daquele mesmo ano, a Rússia contaria com uma brigada armada com o vetor. Em março de 2005, uma fonte do setor de defesa informou à agência Interfax-AVN que o desenvolvimento de novos mísseis com alcance ampliado para 500 a 600 km, derivados do sistema tático Iskander-E existente, era viável, ponderando, contudo, que o processo "poderia levar de cinco a seis anos".
Em 2006, teve início a produção em série do sistema de mísseis balísticos táticos Iskander-M, sendo o complexo formalmente homologado pelo Exército Russo. Em 2014, divulgou-se que o custo de aquisição do sistema fora reduzido em quase um terço após a eliminação da margem de lucro de 20% que incidia cumulativamente em cada elo da cadeia de fornecedores de componentes (que atingia 810% no acumulado), substituindo-a por uma margem de 21% aplicada exclusivamente ao produto final acabado.
Informes emitidos pelo GosNIIP, instituto de projetos encarregado de sistemas de guiamento para mísseis de cruzeiro, indicaram que a Rússia concluiu os testes de aceitação estatal dos "mísseis terrestres 9M728/9M729 e de suas respectivas variantes modernizadas".[carece de fontes]
Em novembro de 2016, as Forças Armadas da Rússia anunciaram que a modernização da frota de Iskander-M estava em andamento. Diversos governos estrangeiros demonstraram interesse em adquirir a variante de exportação do vetor, mas a abertura de negociações formais foi confirmada apenas no início de fevereiro de 2017.
O governo dos Estados Unidos sustentou que os mísseis de cruzeiro 9M728 e 9M729 (designações da OTAN: SSC-X-7 e SSC-X-8) integrados ao sistema Iskander-K violavam as cláusulas do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (Tratado INF), sob a alegação de que seu alcance real superava o teto de 500 km permitido pelo acordo.
Em abril de 2024, o diretor-geral da empresa desenvolvedora do complexo afirmou que a precisão de impacto terminal dos mísseis Iskander-M havia sido incrementada com base nas lições táticas da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Variante para as Forças Armadas russas com dois mísseis quase balísticos 9M723 com alcance publicado de 415 km, rumores de 500 km. Velocidade Mach 6-7, altitude de vôo de até 6-50 km, míssil furtivo com capacidade nuclear, controlado em todos os estágios, não pista de vôo balística. Imediatamente após o lançamento e ao se aproximar do alvo, o míssil realiza manobras intensivas para escapar dos mísseis antibalísticos. O míssil também manobra constantemente durante o vôo. O Iskander-M russo viaja a uma velocidade hipersônica de 2100-2600 m/s (Mach 6-7) e a uma altitude de 50 km. O Iskander-M pesa 4.615 kg, carrega uma ogiva de 710-800 kg, tem um alcance de 500 km e atinge um erro circular provável (CEP) de 5-7 metros (quando acoplado a um cabeçote porta-óptico; 30-70 m em aplicação autônoma.
"K" de Krylataya ("Alado"). Variante destinada ao transporte de vários tipos de mísseis de cruzeiro. No momento, ela inclui:
"E" de Eksport. O diretor da corporação estatal Rostec Sergey Chemezov disse:
"o complexo de mísseis Iskander-E é uma arma ofensiva séria capaz de carregar uma ogiva nuclear. Este sistema de mísseis balísticos está na lista militar de produtos proibidos para exportação"
O complexo de mísseis Iskander não pode ser exportado.


O primeiro emprego documentado em combate do sistema Iskander ocorreu durante a Guerra Russo-Georgiana, na qual o jornalista neerlandês Stan Storimans morreu em 12 de agosto de 2008 na cidade de Gori. Uma investigação conduzida pelo governo dos Países Baixos apurou que um estilhaço singular de 5 mm de uma submunição antipessoal, dispersada por um míssil Iskander, provocou a morte do jornalista.
Em setembro de 2009, o comando militar russo anunciou planos para desdobrar baterias de mísseis Iskander em todos os distritos militares do país em curto prazo.
Segundo relatório elaborado pela consultoria Stratfor em 2010, cinco brigadas de mísseis Iskander achavam-se desdobradas e em prontidão na Rússia: a 26.ª Brigada de Foguetes na cidade de Luga, ao sul de São Petersburgo; a 92.ª Brigada de Foguetes em Kamenka, nas imediações de Penza; a 103.ª Brigada de Foguetes em Ulan-Ude, ao norte da fronteira mongol; e a 107.ª Brigada de Foguetes em Semistochny (posteriormente realocada para Birobidzhan), no Extremo Oriente Russo.
Em junho de 2013, revelou-se que a Rússia havia desdobrado diversos lançadores do modelo Iskander-M na Armênia em localidades não especificadas. Em 2016, a imprensa informou que a Armênia havia incorporado uma divisão operacional do míssil ao seu próprio arsenal militar.
Em novembro de 2014, o general norte-americano Philip Breedlove declarou que meios militares russos "com capacidade de emprego nuclear" haviam sido deslocados para a Crimeia, península anexada pela Federação Russa em março daquele ano. No mês seguinte, o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia confirmou a presença de uma divisão de mísseis Iskander dotada de capacidade atômica na península ocupada. Porta-vozes da chancelaria russa reivindicaram formalmente o direito de instalar armas nucleares no território em dezembro de 2014 e junho de 2015.
Em março de 2016, ao menos um complexo Iskander foi desdobrado na Base Aérea de Khmeimim, na Síria. Em janeiro de 2017, imagens de satélite comercializadas por uma empresa israelense confirmaram a presença operacional de mísseis Iskander na referida base síria.
De acordo com a Fox News, em fevereiro de 2017 as forças russas dispararam quatro mísseis balísticos Iskander contra posições rebeldes na província de Idlibe.
Durante a invasão da Ucrânia em 2022, a Rússia utilizou mísseis balísticos Iskander-M e de cruzeiro Iskander-K para alvejar bases aéreas, depósitos de munições e centros de comando em profundidade. A campanha revelou uma capacidade tecnológica mantida em sigilo nas versões domésticas russas: o lançamento de engodos pirotécnicos e transmissores de interferência eletromagnética integrados à cauda da ogiva para saturar e enganar radares de guiamento antiaéreo, recurso ausente nas versões de exportação. A partir de 23 de abril de 2022, novas unidades operando o Iskander-M foram posicionadas no Oblast de Belgorod, a apenas 60 km da fronteira ucraniana.
Em março de 2023, o porta-voz da Força Aérea Ucraniana, Yuri Ihnat, afirmou que as defesas do país careciam de meios adequados para interceptar mísseis balísticos que mergulhassem em trajetória terminal quase vertical sob altas velocidades. Contudo, em 29 de maio de 2023, os militares de Kiev afirmaram ter interceptado 11 mísseis Iskander (entre variantes balísticas e de cruzeiro) disparados contra a capital durante um ataque diurno.
Em 5 de março de 2024, registros visuais confirmaram a destruição de um lançador múltiplo M142 HIMARS ucraniano por um míssil balístico Iskander nas proximidades de Nykanorivka, no leste do Oblast de Donetsk, marcando a primeira perda confirmada de um veículo HIMARS no conflito.
Em 9 de março de 2024, um ataque com Iskander destruiu dois lançadores M901 de uma bateria de defesa antiaérea MIM-104 Patriot fornecida pela Alemanha perto de Pokrovsk, registrando a primeira destruição confirmada de componentes operacionais do sistema Patriot na Ucrânia.
Em 14 de março de 2024, um míssil Iskander atingiu uma área aberta em Novopavlivka, a oeste de Avdiivka, destruindo dois helicópteros ucranianos Mi-8/Mi-17 da 12.ª Brigada de Aviação do Exército que estavam sendo reabastecidos em solo.
No início de julho de 2024, as forças russas deflagraram uma sucessão de ataques com mísseis Iskander contra bases aéreas ucranianas após reconhecimento aéreo por drones:
Em 22 de novembro de 2024, outro caça MiG-29 foi destruído na Base Aérea de Aviatorske, perto de Dnipro, por um míssil Iskander guiado em tempo real por um drone de vigilância.
Em 23 de fevereiro de 2025, o Ministério da Defesa da Rússia declarou ter atingido mais de 1.400 alvos estratégicos com o sistema Iskander desde o início das hostilidades.
Em 1 de março de 2025, um ataque com míssil balístico atingiu o centro de instrução militar ucraniano de Cherkaske, deixando dezenas de militares mortos e feridos.
Em 5 de junho de 2025, as forças ucranianas afirmaram ter atingido uma base militar na cidade de Klintsy, no Oblast de Briansk, destruindo um veículo lançador Iskander e danificando outros dois.
Conforme relatório da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) dos Estados Unidos, a Rússia modernizou os mísseis 9K720 Iskander e Kh-47M2 Kinzhal na primavera de 2025, incorporando algoritmos evasivos com manobras em alta aceleração lateral na fase terminal para iludir os mísseis interceptores PAC-3 do sistema Patriot. Uma reportagem do jornal Financial Times de outubro de 2025, citando fontes governamentais ocidentais e ucranianas, informou que as taxas de interceptação de mísseis balísticos russos caíram de 37% em agosto para 6% em setembro, resultando em danos significativos a quatro complexos fabris de drones e instalações elétricas vitais antes do inverno.
De acordo com análises do Exército de Terra Francês, o sistema de defesa antiaérea franco-italiano SAMP/T apresentou desempenho superior ao do sistema Patriot na interceptação dos perfis de voo modificados dos mísseis Iskander.
Em 14 de março de 2026, drones de ataque ucranianos destruíram um lançador de mísseis balísticos Iskander desdobrado perto do vilarejo de Vyshneve, na Crimeia.
Em novembro de 2008, o presidente russo Dmitri Medvedev, em seu primeiro pronunciamento anual perante a Assembleia Federal da Rússia, anunciou planos de posicionar baterias do míssil Iskander no Oblast de Kaliningrado — enclave russo encravado entre a Polônia e a Lituânia na costa do Mar Báltico — caso os Estados Unidos avançassem na instalação do escudo antimísseis da OTAN na Europa Oriental. Em 17 de setembro de 2009, o presidente norte-americano Barack Obama anunciou o cancelamento das bases planejadas na Polônia e na Chéquia. Em resposta, Moscou indicou a suspensão dos preparativos de desdobramento no enclave, decisão confirmada formalmente por Medvedev dias depois.
Em março de 2015, a imprensa noticiou que a Rússia havia transferido mísseis Iskander para Kaliningrado no âmbito de manobras militares de prontidão.
Em 8 de outubro de 2016, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou o deslocamento de baterias do Iskander-M para Kaliningrado, sustentando que a operação integrava treinamentos periódicos de rotina.
No início de fevereiro de 2018, o general Vladimir Shamanov confirmou perante a Duma Estatal que a Rússia havia instalado complexos Iskander em bases permanentes no enclave de Kaliningrado e na Ossétia do Norte-Alânia.
A Armênia empregou mísseis Iskander contra forças azerbaijanas durante a Guerra de Nagorno-Karabakh de 2020. De acordo com declarações do ex-presidente armênio Serzh Sargsyan, os mísseis teriam sido disparados contra a cidade de Shusha nos dias finais do confronto militar. Questionado a respeito, o primeiro-ministro Nikol Pashinyan sugeriu publicamente que os mísseis disparados não teriam detonado de forma eficaz ou teriam explodido "apenas em 10% de sua capacidade".[carece de fontes] Tais alegações foram refutadas por parlamentares e peritos russos, bem como pelo ex-ministro da Defesa armênio Seyran Ohanyan, responsável pelas negociações de compra dos sistemas balísticos. O Ministério da Defesa da Rússia emitiu nota declarando que nenhum míssil Iskander fora disparado no conflito de 2020.[carece de fontes]
Por outro lado, fontes militares azerbaijanas anônimas afirmaram que um míssil Iskander fora lançado pelas forças armênias em direção à capital Bacu, tendo sido interceptado em voo por uma bateria do sistema de mísseis antiaéreos israelense Barak 8. Em 15 de março de 2021, equipes da Agência Nacional do Azerbaijão para Ação contra Minas (ANAMA), engajadas na desminagem de Shusha, localizaram destroços de um míssil balístico Iskander-M exibindo a identificação serial russa 9M723.



O complexo Iskander completo compreende:
O sistema foi projetado para o emprego de ogivas convencionais no engajamento e destruição de alvos pontuais e de área, incluindo:
O vetor também é capaz de perfurar e destruir alvos altamente protegidos e fortificados, tais como búnqueres subterrâneos e abrigos blindados de aeronaves.
Embora a identificação oficial pública ainda esteja pendente, relatos da imprensa e outras informações indicam que a violação possivelmente concerne ao sistema Iskander-K, uma modificação do lançador concebida para disparar dois mísseis de cruzeiro em substituição aos dois mísseis balísticos SS-26 Iskander-M.