| Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa | |
|---|---|
| Defense Advanced Research Projects Agency | |
Logotipo da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa | |
Sede em Ballston, no condado de Arlington, Virgínia, em 2022 | |
| Resumo da agência | |
| Formação | 7 de fevereiro de 1958, como ARPA |
| Predecessores |
|
| Jurisdição | Governo federal dos Estados Unidos |
| Sede | 675 North Randolph Street, Ballston, Virgínia, Estados Unidos 38° 52′ 44″ N, 77° 06′ 32″ O |
| Empregados | Estimativa de 1.122 em 2026 |
| Orçamento anual | US$ 4,322 bilhões no ano fiscal de 2026 |
| Executivos |
|
| Agência mãe | Departamento de Defesa dos Estados Unidos |
| Sítio oficial | www.darpa.mil |
A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, em inglês Defense Advanced Research Projects Agency, ou DARPA, é uma agência de pesquisa e desenvolvimento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos responsável pelo desenvolvimento de tecnologias emergentes para uso pelas Forças Armadas. Criada em 7 de fevereiro de 1958 pelo presidente Dwight D. Eisenhower, recebeu inicialmente o nome de Agência de Projetos de Pesquisa Avançada, ou ARPA. Sua criação foi uma resposta ao lançamento do Sputnik-1 pela União Soviética em 1957. Em colaboração com universidades, empresas e órgãos governamentais, a DARPA formula e executa projetos de pesquisa e desenvolvimento para ampliar as fronteiras da ciência e da tecnologia, muitas vezes além das necessidades militares imediatas dos Estados Unidos. A agência adotou o nome DARPA em março de 1972, voltou a se chamar ARPA em fevereiro de 1993 e retomou o nome DARPA em março de 1996.
A revista The Economist chamou a DARPA de "a agência que moldou o mundo moderno" e incluiu a vacina da Moderna contra a COVID-19, os satélites meteorológicos, o GPS, os drones, a tecnologia furtiva, as interfaces de voz, o computador pessoal e a Internet entre as inovações pelas quais a agência tem parte do crédito. Os resultados de seus programas levaram governos de outros países a criar agências semelhantes de pesquisa e desenvolvimento.
A DARPA trabalha de forma independente das demais organizações militares de pesquisa e desenvolvimento e responde diretamente à direção do Departamento de Defesa. A Revelio Labs estimou seu quadro em 1.122 pessoas em 2026. Em 2018, a agência informava ter quase 100 gerentes de programa, responsáveis por cerca de 250 programas de pesquisa e desenvolvimento distribuídos entre seis escritórios técnicos. Stephen Winchell assumiu a direção em maio de 2025.

O Comitê Consultivo Científico do Presidente propôs a criação da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada ao presidente Dwight D. Eisenhower em uma reunião convocada após o lançamento do Sputnik. Eisenhower autorizou formalmente a ARPA em 1958 para formular e executar projetos de pesquisa e desenvolvimento que ampliassem as fronteiras da ciência e da tecnologia e fossem muito além das necessidades militares imediatas. A criação teve como bases a Autorização Suplementar de Construção Militar da Força Aérea, a Lei Pública 85-325, e a Diretriz 5105.15 do Departamento de Defesa, de fevereiro de 1958. A agência ficou subordinada ao Gabinete do Secretário de Defesa e tinha cerca de 150 pessoas. Sua criação decorreu do lançamento do Sputnik e da percepção dos Estados Unidos de que a União Soviética havia adquirido a capacidade de aproveitar rapidamente os avanços da tecnologia militar. O financiamento inicial da ARPA foi de US$ 520 milhões. Roy Johnson, seu primeiro diretor, deixou um cargo de gestão na General Electric, com salário de US$ 160 mil, para assumir um posto na ARPA que pagava US$ 18 mil. Herbert York, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, foi contratado como seu assistente científico.
Johnson e York se interessavam pelos projetos espaciais, mas a criação da NASA, ainda em 1958, levou à transferência desses projetos e de grande parte dos recursos da ARPA para a nova agência. Johnson renunciou, e a ARPA passou a se dedicar à pesquisa básica "de alto risco", "de alto retorno" e de objetivos distantes das aplicações imediatas. Cientistas e universidades de pesquisa do país receberam essa orientação com entusiasmo. O segundo diretor, o brigadeiro-general Austin W. Betts, renunciou no início de 1961. Seu sucessor, Jack Ruina, permaneceu no cargo até 1963. Ruina foi o primeiro cientista a dirigir a ARPA e elevou seu orçamento anual para US$ 250 milhões. Também contratou Joseph Carl Robnett Licklider como primeiro administrador do Information Processing Techniques Office, o escritório de técnicas de processamento de informações que participou da criação da ARPANET, base da futura internet.
Nos meios políticos e de defesa, havia a percepção de que o Departamento de Defesa precisava de uma organização de alto nível capaz de formular e executar projetos de pesquisa e desenvolvimento além das exigências imediatas de cada ramo militar e de seus laboratórios. Para cumprir essa missão, a DARPA desenvolveu e transferiu programas tecnológicos de diferentes disciplinas científicas, voltados às necessidades de segurança nacional.
De 1958 a 1965, a ARPA concentrou seus esforços em questões nacionais como a exploração espacial, a defesa contra mísseis balísticos e a detecção de testes nucleares. Em 1960, todos os seus programas espaciais civis foram transferidos para a NASA, e os programas espaciais militares passaram aos respectivos ramos das Forças Armadas.
Com isso, a ARPA pôde se concentrar no projeto Defender, de defesa contra mísseis balísticos, no projeto Vela, de detecção de testes nucleares, e no projeto AGILE, de pesquisa e desenvolvimento em contrainsurgência. A agência também começou a trabalhar com processamento computacional, ciências do comportamento e ciência dos materiais. Os programas Defender e AGILE deram início às pesquisas da DARPA em sensores, vigilância e energia dirigida, sobretudo nos estudos de Radar, sensoriamento infravermelho e detecção de raios X e raios gama.
Em 1959, a ARPA participou do desenvolvimento inicial do Transit, também chamado de NavSat, antecessor do Sistema de Posicionamento Global, o GPS. Naquele ano, um trabalho conjunto da agência e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins começou a aperfeiçoar as descobertas iniciais. Financiado pela Marinha e desenvolvido sob a direção de Richard Kirschner na Universidade Johns Hopkins, o Transit foi o primeiro sistema de posicionamento por satélite.
No fim da década de 1960, a transferência dos programas já amadurecidos para os ramos militares levou a ARPA a concentrar seu trabalho em programas de pesquisa relativamente pequenos e de caráter exploratório. Em 1972, a agência passou a se chamar Defense Advanced Research Projects Agency. No início da década de 1970, deu prioridade à energia dirigida, ao processamento de informações e às tecnologias táticas.
Na área de processamento de informações, a DARPA apoiou inicialmente o desenvolvimento do tempo compartilhado. Os sistemas operacionais modernos empregam conceitos criados para o Multics, desenvolvido em conjunto pelos Bell Labs, pela General Electric e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. A DARPA financiou o projeto MAC do MIT com uma verba inicial de US$ 2 milhões.
A agência apoiou o desenvolvimento da ARPANET, a primeira rede de longa distância com comutação de pacotes, da Packet Radio Network e da Packet Satellite Network, até chegar à internet. Também financiou pesquisas em inteligência artificial, nas áreas de reconhecimento de fala e processamento de sinais, incluindo partes do robô Shakey. A DARPA apoiou ainda os primeiros trabalhos em hipertexto e hipermídia. Financiou um dos dois primeiros sistemas de hipertexto, o NLS, de Douglas Engelbart, e a apresentação que ficou conhecida como "a mãe de todas as demonstrações". Depois, financiou o Aspen Movie Map, um dos primeiros sistemas de hipermídia e precursor da realidade virtual.
A Emenda Mansfield de 1973 limitou expressamente as verbas de pesquisa em defesa, distribuídas pela DARPA, a projetos com aplicação militar direta.
A "fuga de cérebros" resultante estimulou o desenvolvimento da nascente indústria de computadores pessoais. Jovens cientistas da computação deixaram as universidades para trabalhar em empresas recém-criadas e laboratórios privados de pesquisa, como o Xerox PARC.
Entre 1976 e 1981, os projetos da DARPA se concentraram em tecnologias aéreas, terrestres, navais e espaciais, programas de blindagem e combate a blindados, sensoriamento infravermelho para vigilância a partir do espaço, lasers de alta energia para defesa espacial contra mísseis, guerra antissubmarino, mísseis de cruzeiro avançados, aeronaves avançadas e aplicações militares da computação.
Programas que tiveram êxito foram transferidos para os ramos militares. Tecnologias de reconhecimento automático de alvos, sensoriamento espacial, propulsão e materiais passaram à organização responsável pela Iniciativa Estratégica de Defesa, a SDIO. Ela depois recebeu o nome de Organização de Defesa contra Mísseis Balísticos, a BMDO, e, mais tarde, de Agência de Defesa contra Mísseis, a MDA.
Na década de 1980, a agência concentrou sua atenção no processamento de informações e em programas aeronáuticos, incluindo o National Aerospace Plane, ou NASP, e o programa de pesquisa hipersônica. O Strategic Computing Program permitiu à DARPA explorar tecnologias avançadas de processamento e redes e retomar a colaboração com universidades após a Guerra do Vietnã. A agência também começou a desenvolver conceitos para satélites pequenos e leves no programa LIGHTSAT e lançou programas de fabricação de equipamentos de defesa, tecnologia de submarinos, blindagem e combate a blindados.
Em 1981, os engenheiros Robert McGhee e Kenneth Waldron começaram a desenvolver o Adaptive Suspension Vehicle, ou ASV, apelidado de "Walker", na Universidade Estadual de Ohio, sob contrato de pesquisa com a DARPA. O veículo media cerca de 5,2 m de comprimento, 2,4 m de largura e 3,2 m de altura. Tinha seis pernas que sustentavam uma estrutura de alumínio de aproximadamente 2,7 toneladas e foi projetado para transportar carga em terrenos difíceis. A DARPA perdeu o interesse no ASV após problemas nos testes em clima frio.

Em 2001, a DARPA criou o Information Awareness Office, ou IAO, com a missão declarada de aplicar tecnologias de vigilância contra terroristas e outras ameaças por meio do programa Total Information Awareness. O projeto previa enormes bancos de dados para reunir e armazenar informações pessoais de todas as pessoas nos Estados Unidos, incluindo e-mails, redes sociais, transações com cartões de crédito, chamadas telefônicas e prontuários médicos, sem exigir mandado de busca. Em 2003, após críticas de que isso resultaria em um sistema de vigilância em massa, o Congresso dos Estados Unidos retirou o financiamento do IAO. Parte de seus projetos prosseguiu sob outros nomes até ser exposta por Edward Snowden nas revelações de vigilância em massa de 2013.
Em 4 de fevereiro de 2004, a agência encerrou o projeto LifeLog, que pretendia "reunir em um só lugar praticamente tudo o que uma pessoa diz, vê ou faz".
Em 28 de outubro de 2009, começaram as obras de uma nova sede no condado de Arlington, Virgínia, a poucos quilômetros do Pentágono.
No outono de 2011 no hemisfério norte, a DARPA realizou o simpósio 100-Year Starship, com o objetivo de incentivar o público a pensar seriamente em viagens interestelares.
Em 5 de junho de 2016, a NASA e a DARPA anunciaram planos para construir novos aviões experimentais da série X. A NASA pretendia desenvolver uma sequência dessas aeronaves nos dez anos seguintes.
Entre 2014 e 2016, a DARPA organizou a primeira competição de segurança computacional entre sistemas automatizados, o Cyber Grand Challenge, ou CGC. Especialistas em segurança da computação desenvolveram sistemas capazes de encontrar vulnerabilidades, explorá-las e produzir correções de forma inteiramente automática. A competição integrou os concursos com prêmios da DARPA destinados a estimular inovações.
Em junho de 2018, dirigentes da agência demonstraram tecnologias desenvolvidas no programa GXV-T. O objetivo era criar um veículo de combate compacto, com blindagem leve, capaz de enfrentar sistemas de armas antitanque graças à capacidade de manobra e a outros recursos.
Em setembro de 2020, a DARPA e a Força Aérea dos Estados Unidos anunciaram que o Hypersonic Air-breathing Weapon Concept, ou HAWC, estava pronto para testes de voo livre no ano seguinte.
Victoria Coleman assumiu a direção da DARPA em setembro de 2020.
A agência também contratou empresas para executar funções de apoio. No ano fiscal de 2020, a Chenega cuidava da segurança física das instalações, a System High Corp. cuidava da segurança dos programas e a Agile Defense prestava serviços de tecnologia da informação não sigilosos. A General Dynamics prestava os serviços de TI sigilosos. A Strategic Analysis Inc. fornecia apoio em engenharia, ciência, matemática, atendimento e administração.
Em 2023, a DARPA tinha seis escritórios técnicos responsáveis por suas pesquisas e dois escritórios adicionais para projetos especiais. Todos respondiam ao diretor da agência.
Uma reorganização em 1991 criou escritórios que funcionaram durante o início daquela década.
Em 2010, o Transformational Convergence Technology Office, ou TCTO, e o Information Processing Techniques Office, ou IPTO, foram reunidos no Information Innovation Office, o I2O.
A DARPA teve os seguintes diretores.
| N.º | Imagem | Diretor | Início do mandato | Fim do mandato | Referências |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Roy W. Johnson | 1958 | 1959 | ||
| 2 | Austin W. Betts | 1960 | 1961 | ||
| 3 | Jack Ruina | 1961 | 1963 | ||
| 4 | Robert Sproull | 1963 | 1965 | ||
| 5 | Charles Herzfeld | junho de 1965 | março de 1967 | ||
| 6 | Eberhardt Rechtin | 1967 | 1970 | ||
| 7 | Stephen J. Lukasik | 1970 | 1975 | ||
| 8 | George Heilmeier | 1975 | 1977 | ||
| 9 | Robert R. Fossum | 1977 | 1981 | ||
| 10 | Robert S. Cooper | 1981 | 1985 | ||
| 11 | Robert C. Duncan | 1985 | 1988 | ||
| 12 | Ray S. Colladay | 1988 | 1989 | ||
| 13 | Craig I. Fields | 1989 | 1990 | ||
| 14 | Victor H. Reis | 1990 | 1992 | ||
| 15 | Gary L. Denman | 1992 | 1995 | ||
| 16 | Verne L. "Larry" Lynn | 1995 | 1998 | ||
| 17 | Fernando L. "Frank" Fernandez | 1998 | 2001 | ||
| 18 | Anthony J. Tether | 18 de junho de 2001 | 20 de fevereiro de 2009 | ||
| interino | Robert Leheny | 21 de fevereiro de 2009 | 19 de julho de 2009 | ||
| 19 | Regina E. Dugan | 20 de julho de 2009 | março de 2012 | ||
| interino | Kaigham "Ken" Gabriel | março de 2012 | 29 de julho de 2012 | ||
| 20 | Arati Prabhakar | 30 de julho de 2012 | 20 de janeiro de 2017 | ||
| interino | Steven H. Walker | 20 de janeiro de 2017 | 8 de novembro de 2017 | ||
| 21 | 8 de novembro de 2017 | 10 de janeiro de 2020 | |||
| interino | Peter Highnam | 11 de janeiro de 2020 | 23 de setembro de 2020 | ||
| 22 | Victoria Coleman | 24 de setembro de 2020 | 20 de janeiro de 2021 | ||
| interino | Peter Highnam | 20 de janeiro de 2021 | 14 de março de 2021 | ||
| 23 | Stefanie Tompkins | 15 de março de 2021 | 20 de janeiro de 2025 | ||
| interino | Rob McHenry | 20 de janeiro de 2025 | 19 de maio de 2025 | ||
| 24 | Stephen Winchell | 19 de maio de 2025 | No cargo | ||
O site da agência mantém listas de projetos em andamento e encerrados. Os programas são abertos e encerrados conforme as necessidades do governo dos Estados Unidos. Também há dados públicos estruturados sobre parte dos contratos e projetos da DARPA.
A DARPA aparece em obras de ficção como uma agência governamental de alta tecnologia. Em Tom Swift and the Visitor from Planet X, é chamada de ARPA e presta consultoria sobre uma ameaça tecnológica. Episódios de The West Wing abordam a distinção entre os nomes ARPA e DARPA. A agência também é mencionada em Numb3rs e no filme Spectral, da Netflix.
Trabalhei na ARPA/DARPA de meados de 1971 a meados de 1974.
Dotação de US$ 520 milhões e um plano orçamentário de US$ 2 bilhões.Edição Kindle.
Roy Johnson, o primeiro diretor da ARPA, era um empresário, como seu superior. Aos 52 anos, foi recrutado pessoalmente por McElroy, que o convenceu a deixar um emprego de US$ 160 mil na General Electric e aceitar um de US$ 18 mil em Washington.Edição Kindle.
Herbert York, que Killian queria para o posto, foi contratado e deixou o Laboratório Lawrence Livermore para trabalhar na ARPA.Edição Kindle.
A equipe da ARPA viu uma oportunidade de redefinir a agência como um grupo dedicado à pesquisa realmente avançada, de objetivos distantes. A comunidade científica apoiou sua transformação em financiadora de pesquisas de alto risco e alto retorno, o tipo de organização de pesquisa e desenvolvimento com que sempre sonhara.Edição Kindle.
No início de 1961, o segundo diretor da ARPA, o brigadeiro-general Austin W. Betts, renunciou.Edição Kindle.
Ruina elevou o orçamento anual da ARPA para US$ 250 milhões.Edição Kindle.
J. C. R. Licklider.Edição Kindle.
Os projetos de defesa contra mísseis balísticos e detecção de testes nucleares, formulados como pesquisa básica, eram as prioridades.Edição Kindle.
A ameaça é suficientemente concreta para que a DARPA tenha financiado o projeto Media Forensics, destinado a encontrar meios de detectar automaticamente vídeos deepfake e outras mídias digitais enganosas.