Albirzali

Alamadim Albirzali (em árabe: علم الدين البرزالي; romaniz.: ʿAlam al-Dīn al-Birzālī), nome completo Abu Maomé Alamadim Alcácime ibne Maomé ibne Iúçufe Albirzali Alixebili Adimaxequi (em árabe: أبو محمد علم الدين القاسم بن محمد بن يوسف البرزالي الإشبيلي الدمشقي; romaniz.: Abū Muḥammad ʿAlam al-Dīn al-Qāsim ibn Muḥammad ibn Yūsuf al-Birzālī al-Ishbīlī al-Dimashqī; Damasco, 1267 – Culais, 13 de junho de 1339), foi um historiador, estudioso dos hádices e cronista da Síria durante o Sultanato Mameluco do Cairo. De origem berbere, pertencia a uma família procedente de Sevilha, no Alandalus, e destacou-se como professor de hádices em diversas instituições religiosas de Damasco. Reconhecido por sua erudição e por suas atividades como copista e colecionador de manuscritos, exerceu influência sobre historiadores como Adaabi e Ibne Catir. Sua principal obra, o Al-Muqtafī, deu continuidade à crônica de Abu Xama e registrou acontecimentos de 665 a 739 A.H. (1267–1339), constituindo uma fonte para a história da Síria mameluca. Também produziu repertórios biográficos e compilações de tradições proféticas. Morreu durante sua quinta peregrinação a Meca, quando se encontrava em estado de irame.

Biografia

Alamadim Albirzali nasceu em 665 A.H. (1267), provavelmente em Damasco, numa família de origem berbere pertencente à tribo dos birzalas, integrada aos zenetas. Seus antepassados haviam vivido em Sevilha, no Alandalus, antes de se estabelecerem na Síria, no início do século XIII. Seu bisavô, Zaquiadim Maomé ibne Iúçufe, morreu em Hamá em 636 A.H. (1239), enquanto seu avô, Boadim, exerceu funções judiciais e administrativas em Damasco. Seu pai, Maomé, também era um estudioso dos hádices. Criado num ambiente familiar dedicado às atividades intelectuais e religiosas, Albirzali memorizou o Alcorão ainda criança. Aos oito anos, começou a assistir às aulas de hádices ministradas por seu pai e por outros estudiosos, entre eles o cádi Izadim ibne Açáigue. Aos doze anos, passou a frequentar as lições de Alcácime Alirbili, conhecido pela transmissão do Ṣaḥīḥ al-Bukhārī de Albucari. Seu interesse pela disciplina intensificou-se ao longo da juventude, levando-o a procurar mestres em diferentes centros de ensino. A partir de 1286, realizou viagens de estudo a Alepo, Balbeque, Jerusalém, Hamá, Meca, Medina e ao Egito. Em 1289, efetuou sua primeira peregrinação a Meca. Segundo os relatos biográficos, ouviu diretamente mais de dois mil mestres e recebeu autorizações para transmitir tradições de mais de mil outros estudiosos. Essa extensa formação contribuiu para sua reputação como especialista em hádices e conhecedor das tradições biográficas dos eruditos de sua época.

Albirzali desenvolveu a maior parte de sua carreira em Damasco. Embora tenha exercido durante algum tempo a função de testemunha oficial, dedicou-se principalmente ao ensino dos hádices. A partir de 1313, ocupou diferentes cargos docentes nas instituições de ensino religioso da cidade, incluindo as escolas Axerafia, Zairia, Nuria e Naficia. Sua principal posição foi a de professor de hádices na Madraça Nuria, em Damasco. Entre os estudiosos que frequentaram suas aulas estavam alguns dos principais historiadores da Síria mameluca. Adaabi, que manteve estreitas relações com Albirzali, atribuiu-lhe papel decisivo em seu interesse pelo estudo dos hádices. O historiador Ibne Catir também figura entre os autores associados à sua atividade intelectual. Albirzali manteve contato com estudiosos de diferentes orientações e era reconhecido por sua generosidade, modéstia e dedicação aos livros. Além do ensino, destacou-se como copista e colecionador de manuscritos. Sua caligrafia era particularmente apreciada, e ele reuniu uma biblioteca considerável por meio da reprodução de obras religiosas e históricas. Seus filhos participaram dessas atividades. Sua filha Fátima, que morreu ainda jovem, copiou o Ṣaḥīḥ al-Bukhārī, e Albirzali confrontou posteriormente a cópia com o exemplar utilizado como referência, corrigindo-lhe o texto. Sua biblioteca e parte de seus bens foram destinados a instituições de ensino religioso. Albirzali realizou cinco peregrinações a Meca ao longo da vida. Durante a última, morreu em 4 de Dulrija de 739 A.H. (13 de junho de 1339), quando se encontrava em estado de irame, em Culais, localidade situada entre Meca e Medina. Foi sepultado no mesmo lugar.

Obras

Historiografia

A principal contribuição historiográfica de Albirzali foi o Al-Muqtafī, também conhecido como Tārīkh al-Birzālī (História de Albirzali). A obra constitui uma continuação do Al-Dhayl ʿalā al-Rawḍatayn, de Abu Xama, e abrange os acontecimentos ocorridos desde 665 A.H. (1267), ano da morte de Abu Xama e do nascimento de Albirzali, até 739 A.H. (1339). Sua composição baseou-se, entre outras fontes, na obra histórica de seu amigo Maomé ibne Ibraim Aljazari. Segundo a tradição bibliográfica, o Al-Muqtafī compreendia cinco volumes. Os dois primeiros foram preservados na biblioteca do Palácio de Topkapi, em Istambul, abrangendo respectivamente os anos de 665 a 698 A.H. (1267–1299) e de 699 a 720 A.H. (1299–1320). Outros dois volumes foram identificados na biblioteca de Leida, sob o título Tārīkh al-Birzālī. A transmissão da obra ocorreu sobretudo por intermédio de manuscritos, embora seu conteúdo tenha sido utilizado e citado por historiadores posteriores.

O historiador Ibne Rafi, discípulo de Albirzali, compôs uma continuação intitulada Al-Wafayāt. Segundo seu próprio testemunho, encontrou a parte da crônica de seu mestre relativa aos acontecimentos até 736 A.H. (1335–1336) em versão definitiva, enquanto os registros dos dois anos seguintes permaneciam em forma de rascunho. Utilizou esses materiais para preparar sua continuação, iniciada nos acontecimentos de 737 A.H. (1336–1337). Rosenthal destacou a importância de Albirzali para a transmissão da historiografia contemporânea, observando que sua crônica foi frequentemente citada por outros autores. Sua atividade como copista também contribuiu para preservar textos históricos, incluindo manuscritos relacionados à narrativa da Batalha de Badre.

Hádices e outras obras

Além da crônica histórica, Albirzali produziu compilações de tradições proféticas, repertórios biográficos e trabalhos de caráter jurídico. Entre as obras que lhe são atribuídas, destacam-se:

As fontes também mencionam uma obra intitulada Muʿjam al-buldān wa-l-qurā, dedicada a localidades e aldeias. Rosenthal registra ainda uma compilação de tradições sobre as virtudes de Amade ibne Hambal, transmitidas por seus mestres. A identificação dos manuscritos atribuídos a Albirzali apresenta dificuldades. Algumas obras tradicionalmente incluídas em sua bibliografia pertencem, na realidade, a outros autores. Yardım observa, por exemplo, que um manuscrito anteriormente atribuído a Albirzali na Biblioteca Köprülü corresponde à história de Maomé ibne Ibraim Aljazari, à qual Albirzali acrescentara uma biografia do autor. Outra identificação equivocada envolveu um manuscrito da obra histórica de Ibne Cacir conservado em Berlim.

Referências

  1. 1 2 Rosenthal 1986, p. 1238.
  2. 1 2 3 4 5 6 Yardım 1992, p. 216.
  3. ↑ Rosenthal 1986, pp. 1238–1239.
  4. 1 2 3 4 Rosenthal 1986, p. 1239.

Bibliografia