Antissionismo é a oposição política, moral ou religiosa às várias correntes ideológicas incluídas no sionismo, inclusive ao estado judeu, criado com base nesse conceito. Antes da Segunda Guerra Mundial, a oposição ao sionismo era comum entre as comunidades judaicas. Críticos seculares viam o sionismo como uma forma de nacionalismo incompatível com o universalismo iluminista, enquanto alguns grupos ortodoxos o rejeitavam por motivos teológicos, considerando que o estabelecimento de um Estado judeu deveria ocorrer apenas com a chegada do Messias.
Eventualmente, o termo também é muitas vezes aplicado à oposição política ao governo de Israel, sobretudo se motivada por denúncias de violações sistemáticas de direitos humanos dos palestinos, incluindo crimes de guerra, mas também à negação ao direito de existência do Estado de Israel.
Os antissionistas condenam o movimento sionista por ter promovido a compra e ocupação das terras no Mandato Britânico da Palestina. O questionamento sobre a definição de Israel como estado judeu ainda suscita controvérsia e oposição entre os antissionistas há mais de sessenta anos, assim como a ocupação da Cisjordânia.
A oposição ao sionismo não surgiu exclusivamente entre não judeus. Desde o surgimento do sionismo político, no final do século XIX, judeus mantiveram posições contrárias ao projeto de criação de um Estado judeu. O próprio sionismo moderno surgiu em um contexto de intenso antissemitismo europeu. Theodor Herzl, um dos principais fundadores do movimento sionista, foi influenciado pela experiência do antissemitismo na Europa, incluindo o Caso Dreyfus e a ascensão de movimentos políticos antissemitas em Viena. Em 1897, Herzl organizou o Primeiro Congresso Sionista, que estabeleceu como objetivo a criação de um lar para o povo judeu na Palestina, então parte do Império Otomano.
O surgimento do sionismo, entretanto, não produziu uma posição única entre os judeus. Alguns grupos religiosos consideravam que a criação de um Estado judeu por meios políticos humanos, antes da chegada do Messias, contrariava determinadas interpretações da tradição judaica. Outros judeus, particularmente socialistas e integrantes de movimentos trabalhistas judaicos, rejeitavam o nacionalismo judaico por razões políticas e defendiam a organização das comunidades judaicas nos países onde viviam.
Um dos principais exemplos de oposição secular ao sionismo foi o Bundismo, movimento socialista judaico criado no Império Russo em 1897. O Bund defendia a organização política e cultural dos judeus onde estes viviam e rejeitava a ideia de que a solução para os problemas enfrentados pelos judeus deveria necessariamente ser a criação de um Estado territorial judeu na Palestina.
Entre os judeus religiosos, a oposição ao sionismo assumiu diferentes formas. A organização Agudat Israel, fundada em 1912, representou setores da ortodoxia judaica que viam o nacionalismo sionista como uma ameaça à tradição religiosa judaica. Segundo a Enciclopédia do Holocausto, a organização foi formada em parte como reação ao crescimento do sionismo e de sua influência cultural e política entre os judeus.
A relação entre antissionismo e antissemitismo é objeto de controvérsia política, histórica e acadêmica. Os dois conceitos não são sinônimos: antissemitismo refere-se à hostilidade, preconceito ou discriminação contra judeus enquanto judeus, enquanto antissionismo refere-se à oposição ao sionismo, movimento político que surgiu na Europa no final do século XIX e que defendia o estabelecimento de um lar nacional ou Estado judeu na Terra de Israel.
Muitos judeus são antissionistas. Antes do estabelecimento do Estado de Israel, a grande maioria dos rabinos se manifestavam em oposição ao sionismo. Depois do estabelecimento do estado, grupos religiosos como Satmar e Neturei Karta mantiveram a mesma oposição que era comum anteriormente, de dizer que o sionismo é idolatria, de que é proibido um judeu se juntar com sionistas, entre outras coisas. Há judeus agnósticos marxistas, como Ralph Shoenman, Michel Warschawski e Norman Finkelstein, que se autodenominam ou são reconhecidos como antissionistas. Igualmente, alguns proeminentes intelectuais judeus que defendem a desocupação dos territórios palestinos e/ou a eliminação do Estado de Israel são considerados antissemitas por alguns outros judeus e frequentemente são proibidos de entrar em território israelense.
A criação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, alterou significativamente o debate sobre o sionismo. O Estado foi criado em um contexto marcado pela destruição das comunidades judaicas europeias durante o Holocausto e pelo crescimento do apoio internacional à criação de um Estado ou lar nacional judaico.
A experiência do Holocausto contribuiu para ampliar o apoio ao sionismo entre muitos sobreviventes e outros judeus europeus. Para muitos deles, a criação de um Estado judeu passou a ser associada à necessidade de garantir segurança e autodeterminação após séculos de perseguição e, especialmente, após o genocídio nazista. Ao mesmo tempo, grupos judaicos antissionistas continuaram a existir depois de 1948. Posteriormente, novas formas de antissionismo surgiram entre judeus seculares e organizações judaicas progressistas, especialmente associadas à oposição à ocupação israelense dos territórios palestinos e à defesa dos direitos dos palestinos.
No século XXI, organizações judaicas que se identificam como antissionistas passaram a atuar em diferentes países. Um exemplo é a Jewish Voice for Peace (JVP), organização judaica estadunidense que se define como antissionista e que atua em defesa dos direitos dos palestinos e contra diferentes políticas do Estado de Israel.
A existência de organizações desse tipo é utilizada como argumento para demonstrar que não existe identidade necessária entre judaísmo, sionismo e apoio às políticas do Estado de Israel. Judeus podem assumir posições políticas diversas em relação ao sionismo, incluindo posições sionistas, não sionistas e antissionistas. Essa diversidade também pode ser observada em movimentos judaicos religiosos. Enquanto algumas correntes religiosas participam politicamente do Estado de Israel e defendem o sionismo, outras continuam rejeitando sua legitimidade por razões teológicas.