Apsu

Abzû
Deus das águas celestiais
Outro(s) nome(s)Apsû, Engur, Engurru
Genealogia
Cônjuge(s)Tiamat
Filho(s)Lamu, Lacamu
Cosmologia Babilônica

O Abzû (também chamado de Apsû ou Engur em sumério; em cuneiforme: 𒀊𒍪; lit. "ab" = 'água', "zu" = 'profunda'), nas mitologias Suméria e Acádia, é o termo usado principalmente para se referir às águas doces subterrâneas, sob o domínio do deus Enki. É considerado o oceano primordial de criação e de onde se originam as águas das nascentes, enchentes, rios, poços e lagos, além de ser retratado como um elemento estrutural do universo. Segundo o épico babilônico Enūma Eliš, é referido também como uma divindade personificada.

O termo também era utilizado para se referir à água cerimonial retida em tanques nos templos, usada em rituais de purificação, e para se referir à fontes de água doce em geral.

Cosmologia

Abzu era conhecido como o oceano primordial, localizado abaixo nas profundezas da Terra, o reino de Enki, deus da sabedoria, que o habitava muito antes da criação da humanidade. Era habitado também por Damgalnuna, sua consorte, Nammu, sua mãe, e uma série de criaturas subordinadas à Enki. Na cidade de Eridu, seu templo, localizado às margens de um pântano era conhecido como Eabzû (‘casa das águas profundas’).

Abaixo do Abzû, na mitologia suméria, localizava-se o Kur (ou Irkalla), o submundo, regido por Ereshkigal. Na mitologia babilônica, Irkalla é representado logo abaixo da terra, antes do Abzû.

Na Mitologia Babilônica

No épico babilônico da criação do mundo (Enūma Eliš), Apsû, e sua consorte Tiamat, são retratados como divindades primordiais que deram origem à outros deuses.

"Quando no alto não nomeado o firmamento,
Embaixo o solo por nome não chamado,

Apsu, o primeiro, gerador deles,
Matriz Tiamat, procriadora deles todos,

Suas águas como um só misturam,
Prado não enredam, junco não aglomeram."

— Jacyntho Lins Brandão, Enūma Eliš, A situação primeva, página 49.

Apsû então tem sua paz perturbada pelos deuses mais novos, decidindo destruí-los.

Muito sagaz, o deus Ea (Enki na mitologia suméria) percebe o plano de Apsû e é escolhido entre os deuses mais novos para derrotá-lo.

Ele então lança um feitiço sob Apsû, colocando-o em sono profundo, matando-o, apoderando-se de seus poderes e tornando seu corpo sua morada e domínio.

"...


E recitou-o, nas águas o fez repousar,
Sono nele inseminou, dormiu ele em paz,


E fez dormir Apsu do sono nele inseminado.
(Múmmu, o mentor, extenuado atordoava-se.)


Desatou-lhes os tendões, arrebatou-lhe a coroa,
Sua aura tirou, em si revestiu-a,


Encadeou Apsu, matou-o.
(Prendeu Múmmu, sobre ele pôs a tranca.)


Firmou sobre Apsu seu assento.
(Capturou Múmmu, reteve-lhe a brida.)


..."

— Jacyntho Lins Brandão, Enūma Eliš, A derrota de Apsu, páginas 51 e 52.

Referências

  1. ↑ «Abzu: ePSD2». Electronic Pennsylvania Sumerian Dictionary. 31 de agosto de 2024. Consultado em 24 de julho de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026
  2. ↑ «Água: ePSD2». Electronic Pennsylvania Sumerian Dictionary. 31 de agosto de 2024. Consultado em 24 de julho de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026
  3. ↑ «Profunda: ePSD2». Electronic Pennsylvania Sumerian Dictionary. 31 de agosto de 2024. Consultado em 24 de julho de 2026. Cópia arquivada em 24 de julho de 2026
  4. 1 2 BLACK, Jeremy; GREEN, Anthony (1992). Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia (PDF). Londres: The British Museum Press. p. 27. ISBN 0 7141 1705 6. Cópia arquivada (PDF) em 28 de novembro de 2025
  5. ↑ GREEN, Margaret Whitney (1975). «Eridu in Sumerian Literature (Ph.D. thesis)». University of Chicago Library
  6. ↑ BRANDÃO, Jacyntho Lins (2024). Epopeia da Criação: Enūma Eliš. Belo Horizonte: Autêntica. p. 49-55. ISBN 978-65-5928-201-2

Ligações externas

Ícone de esboço Este artigo sobre mitologia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Ícone de esboço Este artigo sobre religião é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.