| Beatriz Ferreyra | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Nascimento | 1937 Córdoba, Argentina |
| Gêneros | Música concreta, música eletroacústica |
| Ocupação | Compositora |
| Período em atividade | 1963–presente |
| Gravadoras | Recollection GRM, Room40, Persistence of Sound |
| Afiliação | Groupe de Recherches Musicales |
Beatriz Ferreyra (Córdoba, 1937) é uma compositora argentina de música eletroacústica e música concreta, radicada em França. Em 1963 entrou para o Groupe de Recherches Musicales (GRM), em Paris, onde foi assistente de investigação de Pierre Schaeffer. Nas notas de Lawrence English para Echos+, é descrita como uma das poucas compositoras de música concreta ativas desde a segunda metade do século XX até à atualidade.
Estudou piano com Celia Bronstein em Buenos Aires, entre 1950 e 1956, e harmonia e análise musical com Nadia Boulanger em Paris, entre 1962 e 1963. Foi Edgardo Cantón quem a introduziu à música concreta.
Entre 1963 e 1970 trabalhou no GRM, integrado no Service de la Recherche da ORTF, dirigido por Schaeffer. No GRM desenvolveu o projeto Objets construits, que consistia em isolar sons curtos em pedaços de fita separados. Schaeffer confiou-lhe também funções de ensino nos estágios para compositores organizados pelo GRM; colaborou nos cursos do grupo no Conservatório de Paris e orientou os seminários interdisciplinares do Service de la Recherche. Em 1967 frequentou os cursos de verão de composição de Darmstadt, com Earle Brown e György Ligeti.
Em 1970 tornou-se compositora independente de música eletroacústica e, durante mais de dez anos, participou nos trabalhos de Bernard Baschet [en] sobre as Structures sonores. Em 1972 transferiu o seu estúdio de Paris para os arredores de Ruão. Entre 1973 e 1977 dedicou-se à investigação e à criação de obras aplicadas à musicoterapia. Integrou, a partir de 1975, o colégio de compositores do Groupe de Musique Expérimentale de Bourges (GMEB) e, em 1976, foi convidada pelo departamento de música eletrónica do Dartmouth College. Escreveu obras por encomenda do GRM, do GMEB, do Dartmouth College (1998) e da associação belga Musiques & Recherches, entre outros, e compôs também para bailado e cinema. Em outubro de 2014 recebeu o título de membro honorário do CIME/IMC da UNESCO.
Em 2015 a série Recollection GRM, da editora Editions Mego, publicou GRM Works, que reúne peças compostas entre 1967 e 2011. Seguiram-se Huellas Entreveradas (2020), pela Persistence of Sound, com três obras compostas entre 2001 e 2018, e três antologias pela editora Room40: Echos+ (2020), Canto+ (2021) e UFO Forest+ (2023).
Ferreyra trabalhou inicialmente com fita magnética e, mais tarde, com meios digitais. Demeures aquatiques (1967) usa sons de instrumentos inventados pelos irmãos Baschet, e Médisances (1968–1969) é uma peça para quatro canais construída a partir de instrumentos de orquestra, arco de boca, respiração e defeitos técnicos. Echos foi construída a partir de gravações de uma sobrinha da compositora, morta num acidente de viação. Deux Dents Dehors (2007) foi escrita para o 80.º aniversário de Bernard Parmegiani [en], e Jingle Bayle's é dedicada a François Bayle. Numa entrevista de 2001, afirmou que a música eletroacústica precisa de ser tocada no espaço, porque contém espaço em si.