Marrom

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 Nota: Se procura a cantora brasileira conhecida como "Marrom", veja Alcione (cantora).
Marrom/Castanho
 
De cima, da esquerda para a direita:
grãos de café torrados de cor marrom-escura; um urso-pardo (no Zoológico de Moscou); o planeta Marte; a íris castanha de um olho; um guarda-chuva marrom de papel oleado diante de uma casa de madeira marrom (Luang Prabang, Laos).
Coordenadas de cor
Tripleto hexadecimal#964b00
sRGB (r, g, b)(150, 75, 0)
CMYK (c, m, y, k)(25, 70, 100, 25)
HSV (h, s, v)(30°, 100%, 59%)

Marrom (português brasileiro) ou castanho (português europeu) é uma cor. Pode ser considerado um tom mais escuro e geralmente menos saturado de laranja, podendo frequentemente ser produzido pela combinação de vermelho e amarelo com outra cor, especificamente o azul.

No modelo de cores RGB, usado para projetar cores em telas de televisão e monitores de computador, o marrom é criado pela mistura das três cores primárias: vermelho, amarelo e azul. Especificamente, a luz vermelha é emitida em intensidade média a baixa, a luz verde em intensidade menor e a luz azul com a menor presença na maioria dos tons da cor. No modelo de cores CMYK, usado na impressão e na pintura, o marrom geralmente é produzido pela combinação de tinta amarela com quantidades menores de tintas magenta e pretas.

A cor marrom está fortemente associada ao mundo natural, no qual é amplamente encontrada. Elementos do ambiente, como minerais, solo e madeira, frequentemente apresentam coloração marrom; consequentemente, muitos animais têm pelagem, escamas ou penas marrons para se camuflarem melhor em seus habitats. Da mesma forma, o marrom aparece com frequência na biologia dos seres humanos: cabelo castanho, olhos castanhos e pigmentação da pele são comuns na humanidade. A cor também é frequente em materiais de origem vegetal, como fibras vegetais, cascas, frutos, nozes e sementes.

História e arte

História antiga

O marrom é utilizado na arte desde a pré-história. Pinturas feitas com umbra, um pigmento argiloso natural composto de óxido de ferro e óxido de manganês, foram datadas de 40 000 a.C. Pinturas de cavalos marrons e outros animais foram encontradas nas paredes de Lascaux, datando de cerca de 17 300 anos atrás. As figuras femininas das pinturas de tumbas do Antigo Egito têm pele marrom, pintada com umbra. O castanho-claro era frequentemente usado em ânforas e vasos gregos pintados, como fundo para figuras negras ou de maneira inversa.

Os gregos e romanos antigos produziam uma fina tinta marrom-avermelhada, de uma cor chamada sépia, feita com a tinta de uma variedade de chocos. Essa tinta foi usada por Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e outros artistas durante o Renascimento, além de continuar sendo empregada por artistas até os dias atuais.

Na Roma Antiga, as roupas marrons eram associadas às classes inferiores ou aos bárbaros. O termo empregado para os plebeus, ou pobres urbanos, era "pullati", que significava literalmente "aqueles vestidos de marrom".

História pós-clássica

Na Idade Média, os frades da Ordem dos Frades Menores usavam hábitos marrons como sinal de humildade e pobreza. Esperava-se que cada classe social vestisse uma cor adequada à sua posição; cinza e marrom eram as cores dos pobres. O russet era um tecido grosseiro de lã, feito em casa e tingido com Isatis tinctoria e Rubia tinctorum para adquirir um tom discreto de cinza ou marrom. Pelo estatuto de 1363, os ingleses pobres eram obrigados a usar russet. O poema medieval Piers Plowman descreve o cristão virtuoso:

E se alegra com um traje de russet cinzento
Tanto quanto com uma túnica de Tars ou de verdadeiro escarlate.

Na Idade Média, pigmentos marrons escuros raramente eram usados na arte; os pintores e iluminadores de manuscritos daquele período preferiam cores vivas e distintas, como vermelho, azul e verde, em vez de cores escuras. As umbras não foram amplamente utilizadas na Europa antes do final do século XV; o pintor e escritor renascentista Giorgio Vasari (1511–1574) descreveu-as como relativamente novas em sua época.

Os artistas passaram a empregar marrons em quantidade muito maior com a chegada da pintura a óleo, no final do século XV. Durante o Renascimento, geralmente utilizavam quatro marrons diferentes: umbra natural, a argila marrom-escura extraída do solo nas proximidades da Úmbria, na Itália; terra de Siena natural, uma terra marrom-avermelhada extraída perto de Siena, na Toscana; umbra queimada, a argila úmbria aquecida até adquirir um tom mais escuro; e terra de Siena queimada, aquecida até se tornar marrom-avermelhada escura. No norte da Europa, Jan van Eyck empregou ricos tons marrons terrosos em seus retratos para destacar as cores mais vivas.

História moderna

Séculos XVII e XVIII

Os séculos XVII e XVIII registraram o maior uso do marrom. Caravaggio e Rembrandt empregaram marrons para criar efeitos de chiaroscuro, nos quais o tema parecia emergir da escuridão. Rembrandt também adicionava umbra às camadas de preparação de suas pinturas porque ela favorecia uma secagem mais rápida. Ele também começou a usar um novo pigmento marrom, chamado terra de Cassel ou terra de Colônia. Tratava-se de uma cor terrosa natural composta por mais de noventa por cento de matéria orgânica, como solo e turfa. Foi usada por Peter Paul Rubens e Anthony van Dyck e, posteriormente, tornou-se conhecida como marrom Van Dyck.

Séculos XIX e XX

O marrom era geralmente detestado pelos impressionistas franceses, que preferiam cores vivas e puras. A exceção entre os artistas franceses do século XIX foi Paul Gauguin, que criou retratos luminosos em tons marrons dos habitantes e das paisagens da Polinésia Francesa.

No final do século XX, o marrom tornou-se, na cultura ocidental, um símbolo comum do que era simples, barato, natural e saudável. Refeições levadas de casa eram transportadas em sacos simples de papel pardo, enquanto encomendas eram embrulhadas em papel pardo comum. O pão integral e o açúcar mascavo eram considerados mais naturais e saudáveis que o pão branco e o açúcar branco.

Marrom na ciência e na natureza

Óptica

O marrom é uma cor laranja escura. Pode ser considerado um laranja escuro, embora também possa ser produzido de outras maneiras. No modelo de cores RGB, que utiliza luz vermelha, verde e azul em diferentes combinações para formar todas as cores exibidas em telas de computador e televisão, ele é produzido pela mistura de luz vermelha e verde.

Em termos do espectro visível, "marrom" refere-se a matizes de comprimento de onda longo — amarelo, laranja ou vermelho — combinados com baixa luminância ou saturação. Como o termo marrom pode abranger uma ampla faixa do espectro visível, utilizam-se adjetivos compostos, como marrom-avermelhado, marrom-amarelado, marrom-escuro ou marrom-claro.

Por ser uma cor de baixa intensidade, o marrom é uma cor terciária: uma mistura das três cores primárias subtrativas resulta em marrom quando o teor de ciano é baixo. O marrom existe como percepção cromática apenas na presença do contraste com uma cor mais clara. Objetos amarelos, laranjas, vermelhos ou rosados continuam sendo percebidos como tais quando o nível geral de iluminação é baixo, apesar de refletirem a mesma quantidade de luz vermelha ou laranja que um objeto marrom refletiria em condições normais de iluminação.

Pigmentos, corantes e tintas marrons

Olhos castanhos

Com poucas exceções, todos os mamíferos têm íris castanhas ou de pigmentação escura. Nos seres humanos, os olhos castanhos resultam de uma concentração relativamente elevada de melanina no estroma da íris, o que faz com que a luz de comprimentos de onda mais curtos e mais longos seja absorvida; em muitas regiões do mundo, essa é praticamente a única cor de íris presente. A pigmentação escura dos olhos castanhos é mais comum na Ásia Oriental, Ásia Central, Sudeste Asiático, Sul da Ásia, Ásia Ocidental, Oceania, África e Américas, além de partes da Europa Oriental e da Europa Meridional. A maioria das pessoas no mundo tem olhos castanho-escuros. As íris castanhas variam de olhos fortemente pigmentados, de cor castanho-escura, quase preta, até íris muito claras, quase âmbar ou avelã, compostas parcialmente de lipocromo. Olhos castanho-claros ou com pigmentação intermediária são comuns na Europa, no Afeganistão, no Paquistão e no norte da Índia, assim como em algumas regiões do Oriente Médio, e também podem ser encontrados em populações da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático, embora sejam proporcionalmente raros. Consulte cor dos olhos.

Cabelo castanho

O castanho é a segunda cor mais comum dos cabelos humanos, depois do preto. É causado por níveis mais elevados do pigmento escuro natural eumelanina e níveis mais baixos do pigmento claro feomelanina. A eumelanina castanha é mais comum entre os europeus, enquanto a eumelanina preta ocorre com maior frequência nos cabelos de não europeus. Uma pequena quantidade de eumelanina preta, na ausência de outros pigmentos, resulta em cabelos grisalhos. Uma pequena quantidade de eumelanina castanha, na ausência de outros pigmentos, resulta em cabelos loiros.

Pele marrom

A maioria das pessoas no mundo tem pele em algum tom de marrom, desde um marrom-mel muito claro ou marrom-dourado até uma cor acobreada ou bronzeada, cor de café ou marrom-chocolate escuro. Cor da pele e raça não são a mesma coisa; muitas pessoas classificadas como "brancas" ou "negras" têm, na realidade, pele em algum tom de marrom. A pele marrom é causada pela melanina, pigmento natural produzido no interior da pele por células chamadas melanócitos. A pigmentação da pele humana evoluiu principalmente para regular a quantidade de radiação ultravioleta que penetra na pele, controlando seus efeitos bioquímicos.

A cor natural da pele pode escurecer em consequência do bronzeamento solar provocado pela exposição à luz do Sol. A principal teoria sustenta que a cor da pele se adapta à intensa radiação solar para proporcionar proteção parcial contra a fração ultravioleta, que causa danos e, consequentemente, mutações no DNA das células da pele. Existe uma correlação entre a distribuição geográfica da radiação ultravioleta (RUV) e a distribuição da pigmentação cutânea indígena ao redor do mundo. Populações de pele mais escura encontram-se nas regiões de maior incidência ultravioleta, próximas ao equador, enquanto populações de pele mais clara vivem mais perto dos polos, onde a RUV é menor, embora a imigração tenha alterado esses padrões.

Embora branco e negro sejam comumente empregados para descrever grupos raciais, marrom raramente é utilizado, porque abrange todas as divisões raciais. No Brasil, a palavra portuguesa pardo, que pode designar diferentes tons de marrom, é usada para se referir a pessoas multirraciais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pede que as pessoas se identifiquem como brancas, pardas, pretas ou amarelas. Em 2008, 43,8% da população se identificou como parda. Consulte cor da pele humana.

Solo

A fina camada superior da crosta terrestre nas áreas continentais é formada em grande parte por solo de diferentes tons de marrom. Um solo de boa qualidade é composto por cerca de 45% de minerais, 25% de água, 25% de ar e 5% de matéria orgânica, viva e morta. Metade da cor do solo provém dos minerais nele contidos; solos com ferro tornam-se amarelados ou avermelhados à medida que o ferro se oxida. Manganês, nitrogênio e enxofre tornam-se amarronzados ou enegrecidos à medida que se decompõem naturalmente.

Solos ricos e férteis tendem a apresentar coloração mais escura; o marrom mais profundo do solo fértil provém da decomposição da matéria orgânica. Folhas e raízes mortas tornam-se pretas ou marrons à medida que se decompõem. Solos mais pobres geralmente são de um marrom mais claro e contêm menos água ou matéria orgânica.

Mamíferos e aves

Um grande número de mamíferos e aves predadoras apresenta coloração marrom. Em alguns casos, ela muda conforme a estação; em outros, permanece igual durante todo o ano. Essa cor provavelmente está relacionada à camuflagem, pois o fundo de certos ambientes, como o chão da floresta, costuma ser marrom, sobretudo na primavera e no verão, quando animais como a lebre-americana adquirem pelagem marrom. A maioria dos mamíferos é dicromata e, por isso, não distingue com facilidade a pelagem marrom da grama verde.

Biologia

Marrom na cultura

Pesquisas de opinião pública realizadas na Europa e nos Estados Unidos mostraram que o marrom era a cor menos popular entre os entrevistados. Era a cor preferida de apenas 1% deles e a menos apreciada por 20%.

Uniformes marrons

O marrom é uma cor popular em uniformes militares desde o final do século XVIII, em grande parte por sua ampla disponibilidade e baixa visibilidade. Quando o Exército Continental foi criado, em 1775, no início da Revolução Americana, o primeiro Congresso Continental declarou que a cor oficial dos uniformes seria o marrom; a decisão, porém, não agradou a muitas milícias, cujos oficiais já usavam azul. Em 1778, o Congresso pediu a George Washington que criasse um novo uniforme e, em 1779, Washington estabeleceu o azul e o amarelo-acastanhado como cores oficiais de todos os uniformes.

Em 1846, soldados indianos do Corpo de Guias, na Índia britânica, começaram a usar um tom amarelado de castanho-claro que ficou conhecido como cáqui, palavra da língua urdu que significa "cor de poeira", derivada de um termo persa mais antigo para solo. A cor proporcionava excelente camuflagem natural e foi adotada pelo Exército Britânico na Campanha da Abissínia de 1867–1868 e, posteriormente, nas Guerras dos Bôeres. Foi adotada pelo Exército dos Estados Unidos durante a Guerra Hispano-Americana (1896) e, depois, pela Marinha dos Estados Unidos e pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.

Na década de 1920, o marrom tornou-se a cor dos uniformes do Partido Nazista na Alemanha. A organização paramilitar nazista Sturmabteilung (SA) usava uniformes marrons, e seus integrantes ficaram conhecidos como camisas-pardas. A cor marrom era usada para representar o voto nazista em mapas dos distritos eleitorais alemães. Dizia-se que alguém que votava nos nazistas estava "votando marrom". A sede nacional do Partido Nazista, em Munique, era chamada de Casa Marrom. A tomada do poder pelos nazistas em 1933 foi chamada de "Revolução Marrom". Na residência de Adolf Hitler em Obersalzberg, o Berghof, ele dormia em uma "cama que geralmente era coberta por uma colcha marrom bordada com uma enorme suástica.

A suástica também aparecia no pijama de cetim marrom de Hitler, bordada em preto sobre um fundo vermelho no bolso. Ele tinha um robe de seda marrom combinando". O marrom havia sido escolhido originalmente como cor do partido sobretudo por conveniência: grandes quantidades de uniformes marrons excedentes de guerra, provenientes das antigas forças coloniais alemãs na África, estavam disponíveis a baixo custo na década de 1920. A cor também se adequava à imagem operária e militar que o partido pretendia transmitir.

A partir da década de 1930, os uniformes marrons do partido passaram a ser produzidos em massa por empresas alemãs de vestuário, como a Hugo Boss.

Negócios

O marrom Pullman é a cor da empresa de entregas United Parcel Service (UPS), conhecida por seus caminhões e uniformes marrons. Antes disso, era a cor dos vagões ferroviários Pullman, fabricados pela Pullman Company, e foi adotada pela UPS tanto porque o marrom é fácil de manter limpo quanto pelas associações favoráveis com o luxo evocadas pelo marrom Pullman. A UPS registrou duas marcas sobre a cor marrom para impedir que outras empresas de transporte — e possivelmente empresas em geral — a utilizem quando isso puder causar "confusão no mercado". Em sua publicidade, a UPS refere-se a si própria como "Brown" ("O que a Brown pode fazer por você?"). Labrecque et al. (2012) levantaram a hipótese de que o marrom estaria relacionado à competência quando usado em publicidade, pois a cor costuma ser associada à confiabilidade e ao apoio. Entretanto, não encontraram relação entre marrom e competência.

Religião

Esportes

Exemplos em imagens da natureza e da cultura

Ver também

Referências

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