Escopoletina

Escopoletina
Estrutura química da escopoletina
Estrutura química da escopoletina
Nomes
Nome IUPAC 7-hidroxi-6-metoxi-2H-cromen-2-ona
Outros nomes 7-Hidroxi-6-metoxicumarina
Ácido gelsemínico
Ácido crisotrópico
6-Metilesculetina
Murrayetina
Escopoletol
Metilesculetina
6-O-Metilesculetina
Éter 6-metílico da esculetina
6-Metoxiumbeliferona
Escopoletina
Identificadores
Número CAS 92-61-5
PubChem 5280460
ChemSpider 4444113
MeSH Scopoletin
ChEBI 17924
SMILES
 
  • COC1=C(C=C2C(=C1)C=CC(=O)O2)O
Escopoletina
Propriedades
Fórmula química C10H8O4
Massa molar 192.17 g/mol
Aparência Cristais aciculares (agulhas) ou pó cristalino amarelado a bege-claro
Densidade 1.39 g/cm³
Ponto de fusão 204 a 207 °C
Ponto de ebulição 415 °C (estimado)
Solubilidade em água 1,4 g/L (a 25 °C em água fria)
Solubilidade Solúvel em água fervente, etanol, metanol, acetona, clorofórmio, ácido acético e dimetilsulfóxido (DMSO); altamente solúvel em soluções aquosas alcalinas
Página de dados suplementares
Estrutura e propriedades n, εr, etc.
Dados termodinâmicos Comportamento de fases
Sólido, líquido e gás
Dados espectrais UV, IV, RMN, EM
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão.

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

A escopoletina (conhecida quimicamente como 7-hidroxi-6-metoxicumarina e historicamente denominada ácido gelsemínico ou ácido crisotrópico) é um composto orgânico natural pertencente à classe das cumarinas O-metiladas e dos fenilpropanoides.

Isolada originalmente a partir de raízes de plantas do gênero Scopolia (família Solanaceae), como Scopolia carniolica e Scopolia japonica (de onde provém seu nome vulgar), a substância está amplamente distribuída no reino vegetal, onde atua como uma importante fitoalexina — um metabólito secundário sintetizado ativamente pelos tecidos vegetais em resposta a estresses bióticos (ataques fúngicos e bacterianos) e abióticos.

Quimicamente, a escopoletina é notável por apresentar intensa fluorescência azul sob radiação ultravioleta (UV). Em virtude de sua sensibilidade a reações oxidativas catalisadas por peroxidases, é frequentemente empregada em ensaios bioquímicos e laboratoriais como sonda fluorimétrica para a detecção e quantificação de peróxido de hidrogênio (H2O2).

Propriedades físico-químicas e fluorescência

Em condições ambientes, a escopoletina apresenta-se como um sólido cristalino em forma de agulhas ou prismas incolores a amarelados, com ponto de fusão situado entre 204 e 207 °C. É fracamente solúvel em água fria, mas dissolve-se prontamente em água a quente, álcoois e solventes polares orgânicos como etanol e dimetilsulfóxido (DMSO).

Uma das características mais marcantes da escopoletina é o seu comportamento espectroscópico:

Ocorrência natural

A escopoletina é encontrada em uma grande diversidade de famílias botânicas:

Biossíntese e papel fisiológico nas plantas

Rota biossintética

A escopoletina é biossintetizada através da via dos fenilpropanoides: 1. O precursor metabólico inicial é o 4-cumaroil-CoA, originado a partir do aminoácido L-fenilalanina pela ação sequencial da fenilalanina amônia-liase (PAL), cinamato 4-hidroxilase (C4H) e 4-cumarato-CoA ligase (4CL). 2. O intermediário sofre hidroxilação na posição 3 e metilação para gerar o feruloil-CoA. 3. A enzima-chave na formação da escopoletina é a feruloil-CoA 6′-hidroxilase 1 (F6′H1), uma dioxigenase dependente de 2-oxoglutarato e Fe(II), que catalisa a orto-hidroxilação estereosseletiva do feruloil-CoA. 4. Segue-se uma isomerização conformacional da ligação dupla lateral de trans para cis, culminando na lactonização espontânea intramolecular entre a hidroxila fenólica e o grupo éster carboxílico, fechando o anel heterocíclico característico das cumarinas.

Mecanismo de defesa e fitoalexina

Em vegetais como o tabaco e a espécie-modelo Arabidopsis thaliana, a escopoletina atua como uma barreira química ativa:

Armazenamento na forma de escopolina

Para evitar toxicidade às próprias células vegetais, a escopoletina é prontamente glicosilada na posição 7 pela enzima UDP-glicose:escopoletina glicosiltransferase (SGT), originando o glicosídeo escopolina (7-O-β-D-glicosilescopoletina), que é armazenado de forma estável e inerte no vacúolo. Quando a planta sofre dano mecânico ou infecção, enzimas β-glicosidases hidrolisam a escopolina de volta a escopoletina livre no local da lesão.

Homeostase e captação de ferro

Estudos em fisiologia vegetal demonstraram que raízes de plantas sob carência de ferro aumentam expressivamente a síntese e a exsudação radicular de escopoletina e cumarinas análogas no solo da rizosfera. A escopoletina atua mobilizando e reduzindo quimicamente o ferro insolúvel (Fe3+ para Fe2+), facilitando sua absorção pelos transportadores radiculares da planta.

Aplicações em bioquímica e análise laboratorial

Em virtude da extinção seletiva de sua fluorescência por oxidação, a escopoletina é amplamente empregada em química analítica e biologia celular:

Atividades biológicas e farmacologia

A escopoletina tem sido objeto de intensas pesquisas farmacológicas decorrentes do seu uso em fitoterápicos e na medicina tradicional chinesa:

Compostos relacionados

Ver também

Referências

Referências

  1. 1 2 3 Paul M. Dewick (2009). Medicinal Natural Products: A Biosynthetic Approach (em inglês) 3ª ed. [S.l.]: John Wiley & Sons. pp. 164–167. ISBN 978-0470741689
  2. 1 2 3 4 Kai, K.; et al. (2008). «Scopoletin is biosynthesized via ortho-hydroxylation of feruloyl CoA by a 2-oxoglutarate-dependent dioxygenase in Arabidopsis thaliana». The Plant Journal (em inglês). 55 (6): 989–999. doi:10.1111/j.1365-313x.2008.03568.x
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Ligações externas

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