| Eukaryota | |||
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| Ocorrência: Estatérico–presente 1780–0 Ma. | |||
| Classificação científica | |||
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| Clados e linhagens de alto nível | |||
| Sinónimos | |||
Os eucariotos, também chamados eucariontes, são os organismos do domínio Eukaryota ou Eukarya. Suas células têm o material genético principal guardado em um núcleo envolvido por membrana, característica que as distingue das células de bactérias e arqueias. Animais, plantas, fungos e os organismos reunidos informalmente como protistas pertencem a esse domínio.
No interior da célula, membranas formam compartimentos onde ocorrem processos diferentes. As mitocôndrias participam da obtenção de energia, os plastídeos realizam a fotossíntese em plantas e em muitas algas, e o citoesqueleto ajuda a sustentar a forma da célula, transportar materiais e organizar a divisão celular.
Há eucariotos formados por uma única célula e outros que formam corpos multicelulares. Eles vivem na água, no solo, no interior de outros seres vivos e em ambientes terrestres, onde podem produzir matéria orgânica, consumir outros organismos, decompor restos, formar simbioses ou atuar como parasitas.
Embora animais, plantas e fungos sejam os grupos mais familiares, grande parte da diversidade eucariótica é microscópica. Muitos desses organismos foram historicamente reunidos como protistas, mas as classificações modernas procuram agrupá-los pelo parentesco evolutivo, sobretudo por meio da comparação de genes e genomas.
Todos os eucariotos vivos descendem de um ancestral comum que já possuía muitas características da célula eucariótica. Sua origem envolveu uma linhagem arqueana e a bactéria que deu origem às mitocôndrias, e a história posterior do grupo inclui a origem dos plastídeos, transições independentes para a multicelularidade e a diversificação de formas de vida muito diferentes. Algumas etapas iniciais dessa história e as relações entre os ramos mais antigos ainda são investigadas.
A palavra eucarioto vem dos termos gregos eu, εὖ, "verdadeiro" ou "bom", e karyon, κάρυον, "noz" ou "caroço", em referência ao núcleo celular.
Os eucariotos abrangem organismos formados por uma única célula microscópica, como os picozoários com menos de 3 micrômetros de diâmetro, e organismos macroscópicos que chegam a dezenas de metros. A baleia-azul pode alcançar cerca de 33,5 m e 150 toneladas, enquanto a maior sequoia-costeira conhecida passa de 115 m de altura. Entre as algas, Macrocystis pyrifera pode ultrapassar 50 m em condições favoráveis.
Os seres humanos também são eucariotos. Como os demais animais, somos organismos multicelulares formados por células do tipo eucariótico. Essa organização celular não pertence apenas aos seres vivos que vemos a olho nu. Ela também existe em organismos microscópicos formados por uma única célula.
Um eucarioto unicelular concentra em uma só célula tudo o que precisa para viver e se reproduzir. Entre os organismos tradicionalmente reunidos como protistas, há células capazes de nadar, capturar alimento, realizar fotossíntese ou mudar seu modo de nutrição conforme as condições do ambiente. Alguns vivem isolados, outros formam colônias e algumas linhagens desenvolveram multicelularidade. Entre os eucariotos, a maior parte da diversidade filogenética pertence a linhagens microbianas, enquanto animais e plantas terrestres são multicelulares e fungos e algas incluem formas unicelulares e multicelulares.
Os eucariotos concentram grande parte da biomassa da Terra, sobretudo por causa das plantas, estimadas em cerca de 450 gigatoneladas de carbono. Fungos, protistas e animais somam parcelas muito menores.
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No núcleo, o DNA é organizado em cromossomos geralmente lineares associados a histonas, e o envoltório nuclear delimita esse compartimento e controla a troca com o citoplasma por meio dos poros nucleares. O último ancestral comum eucariótico já possuía cromossomos lineares, histonas e um complexo de poro nuclear.


Durante a mitose, microtúbulos e proteínas associadas se auto-organizam em um fuso que captura e move os cromossomos. A montagem do fuso pode usar centros organizadores diferentes entre as linhagens e também vias de nucleação de microtúbulos que não dependem de centríolos.
O sistema endomembranoso reúne o retículo endoplasmático, o Complexo de Golgi, vesículas secretoras, endossomos, fagossomos, autofagossomos e lisossomos, com diferenças entre linhagens e tipos celulares. Esses compartimentos cooperam na síntese, modificação, empacotamento, transporte e degradação de proteínas, lipídios e carboidratos.
A membrana do retículo endoplasmático é contínua com a membrana externa do envoltório nuclear, e proteínas destinadas à secreção, à membrana plasmática ou a muitos compartimentos internos entram na via secretora pelo retículo e seguem para o Golgi. Ali, podem ser modificadas e distribuídas para outros destinos. O fluxo inverso e as rotas endocíticas mantêm a troca de material entre esses compartimentos e a superfície celular.

Os lisossomos contêm hidrolases, participam da degradação e reciclagem de macromoléculas e integram sinais ligados à disponibilidade de nutrientes e ao estado metabólico da célula. Os peroxissomos são organelas oxidativas delimitadas por uma membrana, participam do metabolismo de lipídios, entre eles a beta-oxidação de ácidos graxos, e atuam no equilíbrio redox celular.

As mitocôndrias descendem de um endossimbionte bacteriano incorporado durante a eucariogênese e já estavam integradas ao último ancestral comum eucariótico. Nas mitocôndrias aeróbias, a cadeia respiratória da membrana interna transfere elétrons e gera um gradiente de prótons que impulsiona a fosforilação oxidativa e a síntese de ATP.

A membrana interna forma cristas cuja forma e distribuição são controladas por máquinas proteicas conservadas e podem mudar com o estado celular. As mitocôndrias que mantêm um genoma próprio apresentam mitogenomas circulares, lineares, ramificados ou multipartidos. Muitos genes do ancestral bacteriano foram perdidos ou transferidos para o núcleo, e algumas organelas mitocondriais reduzidas perderam o genoma por completo.
Muitos eucariotos anaeróbios não possuem mitocôndrias aeróbias típicas, mas conservam organelas derivadas delas, como hidrogenossomos ou mitossomos. O oximonadídeo Monocercomonoides é um caso documentado de perda secundária da organela mitocondrial.


Os plastídeos primários de Archaeplastida descendem de uma endossimbiose entre um eucarioto e uma cianobactéria. A integração do endossimbionte envolveu transferência de genes para o núcleo e a evolução de sistemas que direcionam proteínas produzidas pela célula hospedeira de volta ao plastídeo. Nas plantas, os plastídeos se desenvolvem a partir de proplastídeos e podem se diferenciar em cloroplastos, cromoplastos e formas voltadas ao armazenamento, entre outras.

Em uma filogenia metagenômica de 2026, os plastídeos de Archaeplastida ficaram junto de uma linhagem cianobacteriana de divergência antiga próxima de Gloeomargaritales. Plastídeos também se espalharam entre ramos distantes da árvore eucariótica por endossimbioses secundárias e de ordem superior, o que explica por que linhagens fotossintéticas não formam um único clado. Em alguns protistas e animais, a cleptoplastia retém temporariamente cloroplastos obtidos de algas ingeridas, permitindo que a célula hospedeira use a fotossíntese por algum tempo.
Em Paulinella, uma cianobactéria incorporada de forma independente da origem dos plastídeos de Archaeplastida deu origem a um cromatóforo fotossintético há cerca de 90 a 140 milhões de anos. A integração inclui transferência de genes, redução do genoma do cromatóforo e importação de proteínas produzidas pelo hospedeiro. Em 2024, a cianobactéria fixadora de nitrogênio UCYN-A de Braarudosphaera bigelowii foi classificada como uma organela em estágio inicial, o nitroplasto, porque sua divisão é coordenada com a célula hospedeira e proteínas codificadas no núcleo da alga são importadas para o compartimento.

O citoesqueleto eucariótico é formado por sistemas de filamentos que mudam continuamente de comprimento e organização. Filamentos de actina e microtúbulos interagem com proteínas motoras, como miosinas, cinesinas e dineínas, para mover cargas, remodelar a célula e organizar estruturas internas. Componentes ancestrais desses sistemas já estavam presentes no último ancestral comum eucariótico.

Cílios e flagelos eucarióticos são extensões revestidas pela membrana plasmática e sustentadas por um axonema de microtúbulos. Os cílios móveis têm frequentemente a organização "9+2", enquanto cílios sensoriais podem ter outras arquiteturas. A construção e a manutenção do axonema dependem do transporte intraflagelar, que leva componentes ao longo do cílio e os traz de volta ao corpo celular.
Os centríolos podem formar corpos basais de cílios e integrar centrossomas que organizam microtúbulos em muitas células, mas não são universais entre os eucariotos nem indispensáveis para a montagem de todo fuso mitótico. Alguns grandes grupos perderam os centríolos por completo, enquanto outros os conservam apenas em partes do ciclo de vida, e diferentes linhagens usam centros organizadores de microtúbulos distintos.
Paredes celulares de plantas, fungos e algas surgem em ramos distintos e não têm uma composição única, enquanto células animais não possuem essa camada. Celulose, quitina e outros polissacarídeos aparecem em combinações diferentes entre essas linhagens.

Nas plantas terrestres, as paredes primárias contêm celulose, hemiceluloses e pectina, mas as proporções e as ligações entre esses componentes variam entre linhagens e tecidos. O xiloglicano é abundante em muitas paredes primárias, mas não é a hemicelulose dominante em todas as plantas. Nas gramíneas, xilanos têm participação maior na organização da parede.
Plantas e muitas algas usam plastídeos para fixar carbono pela fotossíntese, muitos protistas incorporam partículas por fagocitose, fungos liberam enzimas no meio e absorvem produtos solúveis da digestão extracelular, e animais obtêm matéria orgânica pela ingestão de alimento. Entre os protistas também há predadores, parasitas, organismos que consomem detritos e associações simbióticas em que o metabolismo depende da troca de recursos entre parceiros.
Em parte do plâncton eucariótico, fotossíntese e ingestão de presas podem ocorrer na mesma célula, estratégia chamada mixotrofia. Algumas espécies possuem plastídeos permanentes e também fagocitam, enquanto outras obtêm temporariamente plastídeos ou parceiros fotossintéticos de suas presas. A proporção entre fototrofia e alimentação heterotrófica pode mudar com luz, nutrientes e disponibilidade de presas, alterando o fluxo de carbono e nutrientes nas teias alimentares aquáticas.

Entre os genes eucarióticos, muitos sistemas conservados de informação e componentes celulares têm ancestralidade arqueana, enquanto genes ligados ao metabolismo mitocondrial e a outras funções vieram de bactérias ou foram adquiridos em etapas posteriores. As arqueias de Asgard possuem homólogos de proteínas eucarióticas ligadas à actina, ao sistema ESCRT e ao tráfego de membranas, o que reduziu a antiga lista de proteínas tratadas como exclusivas dos eucariotos. O genoma nuclear inclui genes de diferentes grupos bacterianos adquiridos em momentos distintos da eucariogênese, sem se limitar a apenas dois doadores ancestrais.
Em muitos genes eucarióticos, regiões codificantes, os éxons, são interrompidas por íntrons que o spliceossoma remove do pré-RNA mensageiro depois da transcrição. O splicing alternativo permite que diferentes combinações de éxons sejam incorporadas ao RNA maduro. A composição do spliceossomo e genes ligados à meiose já podem ser reconstruídos para o último ancestral comum eucariótico.
Sem fusão de gametas, eucariotos podem se reproduzir por divisão mitótica de células unicelulares, brotamento, fragmentação ou formação de esporos assexuados, conforme a linhagem. Uma mesma espécie também pode alternar fases assexuadas e sexuais conforme o ciclo e as condições ambientais.

Nos ciclos sexuais eucarióticos, a fase haploide ou a diploide pode dominar, uma delas pode ser reduzida a poucas células, ou a reprodução sexuada pode ocorrer apenas sob condições específicas. Em eucariotos unicelulares, os parceiros sexuais nem sempre correspondem a óvulos e espermatozoides, e a fusão celular e a cariogamia podem ocorrer em etapas separadas. Nas plantas terrestres, o ciclo alterna uma geração multicelular haploide, o gametófito, e uma geração multicelular diploide, o esporófito.

O repertório reconstruído para o último ancestral comum eucariótico inclui genes meióticos conservados, e esse ancestral provavelmente possuía uma fase sexual facultativa. Nas linhagens descendentes de LECA, fases do ciclo sexual foram reduzidas, modificadas ou aparentemente perdidas de modo independente.

Em 1818, Georg A. Goldfuss usou Protozoa para uma classe que incluía organismos como os ciliados. Em 1866, Ernst Haeckel propôs o reino Protista para organismos que não se ajustavam às categorias tradicionais de plantas e animais. Essas propostas respondiam a organismos unicelulares e fungos que não cabiam bem na divisão tradicional entre plantas e animais.
Em 1969, Robert Whittaker propôs cinco reinos, Monera, Protista, Plantae, Fungi e Animalia. Monera reunia os procariotos, enquanto os eucariotos eram distribuídos pelos outros quatro reinos. Com a filogenia molecular, "protista" passou a ser usado como termo informal, pois as linhagens reunidas sob esse nome estão espalhadas por muitos ramos da árvore eucariótica.

Édouard Chatton empregou os termos equivalentes a eucarioto e procarioto em 1925, embora sem formular uma classificação baseada nessa divisão. Em 1978, Whittaker e Margulis usaram Eukaryota e Prokaryota como super-reinos em uma classificação dos organismos. Em 1990, Carl Woese, Otto Kandler e Mark Wheelis propuseram os domínios Archaea, Bacteria e Eucarya, colocando todos os reinos eucarióticos no último deles e mantendo "eucariotos" como sinônimo comum. Em 1996, Margulis usou Eukarya em uma classificação filogenética baseada em simbiose.
As classificações filogenéticas não separam Eukaryota em animais, plantas, fungos e um único bloco de protistas. Amorphea reúne Amoebozoa e Obazoa, ramo no qual estão animais, fungos e seus parentes unicelulares. Archaeplastida reúne algas vermelhas, glaucófitas e Viridiplantae, que contém as plantas terrestres. O supergrupo SAR reúne linhagens como ciliados, dinoflagelados, apicomplexos, diatomáceas, algas pardas e rizários.
Discoba, Metamonada, Haptista, Cryptista, Telonemia, CRuMs, Ancyromonadida e Malawimonadida formam outros ramos profundos. Disparia foi delimitado em 2025. Algumas relações entre esses conjuntos mudam conforme a amostragem de espécies, os genes escolhidos e os modelos filogenéticos, por isso classificações de alto nível são revistas quando novos genomas entram nas análises.
A filogenia de Eukaryota é reconstruída com conjuntos de genes ortólogos e modelos que tentam separar sinal evolutivo de artefatos de composição, taxas de evolução e amostragem. Muitos clados de alto nível têm apoio consistente, mas a posição da raiz e algumas relações entre os ramos mais profundos mudam conforme os dados e os modelos usados.

Excavata deixou de ser usado como um único grupo formal em classificações filogenéticas porque as linhagens antes reunidas sob esse nome não formam um clado simples em filogenias baseadas em dados moleculares. Em uma filogenia de 2025 baseada em 93 proteínas mitocondriais, a raiz ficou entre dois conjuntos chamados Opimoda+ e Diphoda+. A raiz de Eukaryota havia recebido posições diferentes em análises anteriores, e sua reconstrução depende de amostragem, escolha de genes e modelos filogenéticos.
Entre linhagens de Opimoda, uma filogenia de 2025 colocou CRuMs como grupo irmão de Amorphea e reuniu Ancyromonadida com Malawimonadida com apoio moderado. Em outro setor da árvore, uma filogenia de 2022 colocou Microheliella junto de Cryptista no clado Pancryptista, como grupo irmão de Archaeplastida. Picozoa, apesar de não terem plastídeos conhecidos, foram recuperados próximos das algas vermelhas em dados genômicos de célula única.
Em 2025, a descrição de Solarion arienae criou o filo Caelestes e colocou Disparia como um supergrupo de Diaphoretickes. Na mesma análise, Provora ficou junto de Membrifera, clado formado por Hemimastigophora e Caelestes, mas a posição exata de Disparia dentro de Diaphoretickes variou entre conjuntos de dados e modelos. A posição de Metamonada também muda entre análises profundas da árvore.

Grande parte dos protistas é microscópica, rara nas amostras ou difícil de manter em cultura, e a disponibilidade de genomas ainda é muito menor do que para animais, plantas e fungos. Sequenciamento de célula única, metagenômica, transcriptômica e leituras longas permitem recuperar dados de organismos não cultivados e testar a posição de linhagens conhecidas apenas por poucas células ou sequências ambientais. Dados genômicos de célula única recuperaram Picozoa perto das algas vermelhas, contornando a falta de culturas adequadas para a filogenômica convencional.
No Brasil, o metabarcoding de DNA de águas doces e lagoas costeiras em fragmentos da Mata Atlântica recuperou comunidades de protistas com fotótrofos, consumidores e parasitas, com diferenças marcadas entre ambientes de água doce e salobra. A amostragem ambiental detectou eucariotos microbianos pouco documentados nos Neotrópicos sem exigir o isolamento prévio de cada espécie.


A eucariogênese culminou no último ancestral comum eucariótico, LECA, que já possuía um núcleo com poros, cromossomos lineares associados a histonas, um sistema endomembranoso, citoesqueleto de actina e tubulina com proteínas motoras, mitose, componentes da meiose e uma mitocôndria integrada. Não há linhagens vivas que correspondam às etapas intermediárias anteriores a LECA, por isso a sequência dessas mudanças precisa ser inferida com filogenias, duplicações gênicas, comparação celular e fósseis.
A linhagem nuclear dos eucariotos é recuperada dentro ou em associação imediata às arqueias de Asgard, enquanto as mitocôndrias descendem de uma linhagem bacteriana aparentada às alfaproteobactérias. A composição do genoma nuclear também inclui genes de outras origens bacterianas, adquiridos em diferentes etapas, de modo que a montagem da célula eucariótica não pode ser reduzida à soma simples de um hospedeiro arqueano e um único doador bacteriano.
A posição exata da linhagem eucariótica entre as arqueias de Asgard muda entre filogenias. Uma análise de 2023 a recuperou como grupo irmão de Hodarchaeales dentro de Heimdallarchaeia, enquanto uma de 2025 a colocou como grupo irmão de Heimdallarchaeia, fora dessa classe.
Um relógio molecular de 2025 baseado em duplicações gênicas colocou a elaboração do citoesqueleto, do tráfego de membranas, do sistema endomembranoso e de componentes ligados ao núcleo antes dessa integração. A aquisição da mitocôndria foi estimada no início do Paleoproterozoico, perto de 2,2 bilhões de anos. A mesma análise não resolveu se a fagocitose completa surgiu antes ou ao mesmo tempo que a endossimbiose e tratou o compartimento nuclear ancestral como um núcleo ou protonúcleo em desenvolvimento. As datas dependem do conjunto de genes, das calibrações e do modelo de relógio, por isso o momento da endossimbiose mitocondrial não está resolvido.
Com uma definição que abrange formas simples, a multicelularidade eucariótica surgiu de modo independente em 45 linhagens distribuídas em seis tipos, e uma definição mais restrita de multicelularidade complexa reconhece seis origens em animais, plantas terrestres, florideófitas, algas pardas, Ascomycota e Basidiomycota.
Entre 81 espécies comparadas em 2025, famílias gênicas ligadas à matriz extracelular, à comunicação entre células e às vias de desenvolvimento apresentaram expansões independentes em duas ou mais linhagens de multicelularidade complexa. Os genes envolvidos nem sempre são homólogos entre as linhagens, o que permite convergência funcional por rotas moleculares diferentes.

Microfósseis da Formação McDermott, na Austrália, datados de cerca de 1,78 a 1,73 bilhão de anos, preservam morfologias compatíveis com citoesqueleto e sistema endomembranoso e formam o registro eucariótico sem controvérsia mais antigo conhecido. A identificação segura de linhagens vivas específicas aparece em fósseis mais jovens. Formas como Tappania também documentam eucariotos paleoproterozoicos, embora a atribuição a grupos modernos seja mais difícil do que reconhecer a organização celular eucariótica.
Qingshania magnifica, do norte da China, com cerca de 1,635 bilhão de anos, foi interpretada como um eucarioto multicelular provavelmente fotossintético. Sua afinidade com grupos eucarióticos vivos não está resolvida. Fósseis atribuíveis com mais segurança a linhagens do grupo coroa aparecem mais tarde. Bangiomorpha pubescens, com cerca de 1,05 bilhão de anos, está entre os exemplos usados para calibrar a diversificação de ramos eucarióticos do grupo coroa.

Estruturas centimétricas da biota Francevilliana, no Gabão, têm cerca de 2,1 bilhões de anos e foram interpretadas como organismos coloniais. A origem biológica dessas estruturas e sua afinidade taxonômica não estão resolvidas. Sinais isotópicos medidos em 2023 podem decorrer de metabolismo eucariótico, mas não estabelecem uma afinidade eucariótica definitiva.
Entre cerca de 1,75 e 1,4 bilhão de anos, muitos fósseis eucarióticos foram interpretados em 2026 como organismos bentônicos aeróbios associados a águas com oxigênio no fundo. A ocupação do plâncton teria aumentado mais tarde no Proterozoico. Uma filogenia ambiental publicada no mesmo ano inferiu diversificação contínua dos eucariotos do grupo coroa ao longo do Proterozoico, com os supergrupos vivos já estabelecidos até o Mesoproterozoico. A inferência depende de relógio e modelos de diversificação e não deriva diretamente do registro fóssil.

Esteranos encontrados em rochas arqueanas da Austrália foram inicialmente usados para propor a presença de eucariotos há 2,7 bilhões de anos, mas esses hidrocarbonetos eram contaminações mais jovens. Esteranos de tipo moderno tornam-se abundantes em rochas muito mais jovens, e sua distribuição no Neoproterozoico foi usada para acompanhar a expansão de algas e outros eucariotos.
Em 2023, protosteroides foram encontrados em rochas proterozoicas com idades de pelo menos 1,64 bilhão de anos. Essas moléculas pertencem a etapas antigas da biossíntese de esteróis e foram interpretadas como produtos de uma biota que pode ter incluído eucariotos do grupo-tronco. A identificação taxonômica não é exclusiva porque bactérias também podem sintetizar esteróis e intermediários relacionados. Um relógio molecular de 2017 estimou em cerca de 2,31 bilhões de anos a idade de maior probabilidade marginal para a divergência entre genes bacterianos e eucarióticos ligados à biossíntese de esteróis. Essa idade situa etapas antigas dessa via no Paleoproterozoico.

Isótopos de zinco em sedimentos marinhos foram usados como indicador indireto da expansão ecológica dos eucariotos, e uma mudança no ciclo marinho do zinco por volta de 800 milhões de anos atrás foi relacionada a uma participação crescente de biomassa eucariótica nos ecossistemas. Como a interpretação depende do comportamento geoquímico do elemento e das diferenças de uso biológico entre organismos, esse registro não equivale a uma contagem direta de eucariotos.

Nos ecossistemas, plantas e algas fotossintéticas formam biomassa a partir de carbono inorgânico, fungos degradam matéria orgânica e organismos consumidores transferem carbono e nutrientes entre níveis tróficos. Entre os protistas, essas categorias se sobrepõem com frequência, com produtores primários, predadores, decompositores, parasitas, simbiontes e mixótrofos, inclusive espécies que mudam de estratégia quando as condições do ambiente se alteram.
Eucariotos microscópicos participam da ciclagem de nutrientes e das teias alimentares em oceanos, águas continentais, solos e organismos hospedeiros. Na Mata Atlântica brasileira, comunidades de água doce e lagoas salobras apresentaram conjuntos distintos de ciliados, diatomáceas e outros protistas. Em Portugal, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera monitora fitoplâncton nocivo e biotoxinas em zonas de produção de moluscos bivalves.
O parasitismo aparece em ramos distantes de Eukaryota, e espécies do gênero Plasmodium, dentro de Apicomplexa, causam malária em seres humanos. No mundo lusófono, Cabo Verde recebeu certificação da Organização Mundial da Saúde de eliminação da malária em 2024, enquanto Moçambique permanecia entre os países com transmissão endêmica acompanhados pelo programa mundial da organização em 2025.