| Fundo com data-alvo | |
|---|---|
| Tipo | Fundo de investimento |
| Organização | Carteira ajustada ao longo do tempo |
| Objetivo frequente | Acumulação para a aposentadoria |
| Garantia de resultado | Sujeito a perdas, inclusive na data-alvo |
Fundo com data-alvo é uma modalidade de investimento coletivo que ajusta a composição de ativos ao longo do tempo, em geral tornando a carteira mais conservadora à medida que se aproxima uma data prevista, frequentemente a aposentadoria. Em inglês, recebe o nome de target date fund, ou TDF. Também é descrito em inglês como lifecycle fund, dynamic-risk fund ou age-based fund. Pode ser organizado como fundo mútuo, como fundo negociado em bolsa, conhecido pela sigla ETF, ou como um collective trust fund.
O participante escolhe uma data de referência, enquanto o gestor decide a distribuição dos recursos entre ações, títulos de renda fixa e outros ativos. Fundos com a mesma data podem adotar estratégias e riscos diferentes. A data no nome não garante uma renda suficiente na aposentadoria nem impede perdas.
O investidor seleciona um fundo compatível com a data em que pretende usar os recursos. Ao se aproximar essa data, o gestor geralmente reduz a participação em ações e aumenta a de títulos de renda fixa. O fundo permite acumular e investir recursos, mas permanece sujeito a perdas. Seu objetivo não é uma garantia de resultado.
Um fundo com data-alvo pode manter cotas de outros fundos de investimento. Nessas estruturas, as taxas podem ser cobradas pelo próprio fundo com data-alvo e pelos fundos de sua carteira.
Nas etapas iniciais de acumulação, a carteira costuma ter maior participação de ativos voltados ao crescimento, como ações. Com a aproximação da data-alvo, pode aumentar a participação de ativos destinados à preservação do capital, como títulos públicos e títulos indexados à inflação.
A sequência de mudanças na composição dos ativos é conhecida pela expressão inglesa glide path. A expressão emprega a analogia de uma aeronave em aproximação para o pouso: a carteira chegaria à data-alvo com a combinação de ativos escolhida para aquele momento.
O glide path estabelece a alocação estratégica ao longo do tempo. A combinação final de ativos pode estar prevista para a própria data-alvo ou para um período posterior. A estratégia também depende de o participante pretender retirar os recursos de uma só vez ou continuar investindo e realizar retiradas para obter renda.
O ponto mais conservador da carteira pode ocorrer na data de referência ou anos depois dela, conforme a trajetória adotada pelo gestor para diferentes necessidades e datas. Por isso, fundos com o mesmo ano no nome podem manter exposições diferentes.
Anup K. Basu, Alistair Byrne e Michael E. Drew analisaram, em 2009, estratégias dinâmicas que ajustam a alocação conforme o patrimônio efetivamente acumulado em relação às metas, em lugar de depender apenas de uma redução previamente fixada da participação em ações. Suas simulações identificaram possibilidades de melhoria sob as hipóteses estudadas. Lionel Martellini e Vincent Milhau também discutiram, em 2010, a passagem de estratégias determinísticas para abordagens estocásticas de investimento ao longo da vida.
A fundamentação teórica do desenho da trajetória de alocação relaciona a teoria moderna do portfólio ao conceito de capital humano, entendido como o valor presente dos rendimentos futuros esperados.
No Brasil, o planejamento para a aposentadoria pode envolver planos complementares ou a administração direta de investimentos, com diferentes responsabilidades na escolha dos produtos e no acompanhamento dos recursos. A avaliação de adequação considera tanto a capacidade financeira de assumir riscos quanto a disposição pessoal do investidor para aceitá-los.
Em Portugal, as recomendações da CMVM aos investidores destacam a compreensão dos produtos, dos riscos e dos custos e a compatibilidade com os objetivos e a situação financeira. A rentabilidade passada não garante resultados futuros.
No Brasil, a classificação da Anbima que entrou em vigor em novembro de 2019 incluiu duas categorias com data-alvo para fundos de previdência privada aberta. Na categoria "Previdência RF Data Alvo", a busca de retorno em um prazo de referência é acompanhada de rebalanceamentos periódicos. A categoria "Previdência Balanceados Data Alvo" abrange aplicações em diferentes classes de ativos orientadas por uma data de referência.
Nos Estados Unidos, a adoção desses fundos em planos com inscrição automática ganhou impulso a partir de 2006, pela conveniência de uma única opção ao longo da vida. Nos fundos mútuos americanos com data-alvo, o patrimônio passou de cerca de US$ 114 bilhões no fim de 2006 para US$ 763 bilhões no fim de 2015. Em março de 2020, o patrimônio de fundos mútuos e collective investment trusts (CITs) com data-alvo foi estimado em cerca de US$ 1,9 trilhão. Para o fim de 2020, foram informados US$ 1,18 trilhão em CITs e US$ 1,57 trilhão em fundos mútuos.

Na estimativa da Morningstar, os fundos com data-alvo reuniam US$ 4,8 trilhões em ativos no fim de 2025. Os CITs detinham 54% desse patrimônio.
Entre os índices de referência citados para esse mercado estão:
Entre os gestores historicamente mencionados estão Fidelity, Vanguard, T. Rowe Price, BlackRock, Principal Funds, Wells Fargo Advantage, American Century e Northern Trust. A BlackRock também é associada aos Lifecycle Funds do Thrift Savings Plan do governo americano.
A comparação do tamanho dos gestores depende dos veículos incluídos nos levantamentos. Posições mantidas em collective trusts podem ficar de fora de estatísticas restritas a fundos mútuos. A Northern Trust é citada como exemplo de uso dessas estruturas. O levantamento da Morningstar para o fim de 2025 inclui tanto fundos mútuos quanto CITs.
O primeiro lançamento britânico é situado em 2003, e uma estimativa histórica indicava cerca de £ 4 bilhões em ativos. A expectativa de expansão era associada à inscrição automática em planos de previdência.
Entre os exemplos de oferta no varejo constam Architas BirthStar, administrada pela AllianceBernstein, e Fidelity. No segmento institucional, são mencionadas AllianceBernstein, BirthStar, BlackRock, Fidelity, JPMorgan, Nest e State Street Global Advisers.
Planos multipatrocinados conhecidos como master trusts estiveram entre os primeiros adotantes da modalidade no mercado britânico. Entre os exemplos citados estão:
Entre os índices de referência mencionados estão os FTSE UK DC Benchmarks.
No modelo do Nest, os fundos de data de aposentadoria têm quatro fases: uma etapa inicial de formação do hábito de poupar, uma fase de crescimento, uma fase de consolidação próxima à data prevista e uma etapa posterior à aposentadoria. A estratégia da fase de consolidação começa aproximadamente dez anos antes da data escolhida.
No Reino Unido, a Pensions Act de 2008 previu a inscrição automática de trabalhadores elegíveis em planos de previdência a partir de 2012. As orientações publicadas pelo Department for Work and Pensions em maio de 2011 tratavam da governança, do desenho, da revisão e da comunicação das opções padrão. O National Employment Savings Trust, ou Nest, utiliza fundos organizados por data de aposentadoria. A expansão desses fundos foi associada à expectativa de que seu desenho atendesse aos critérios das opções padrão nesse sistema.
O uso como opção padrão procura facilitar a escolha de uma estratégia e enfrentar a inércia de participantes que não alteram a composição dos investimentos ao longo do tempo. Essa é uma das justificativas comportamentais discutidas para a alocação automática.
Uma pesquisa da Natixis com dados coletados em 2016 encontrou interesse em investimentos socialmente responsáveis entre participantes de planos de contribuição definida. Na tabela publicada, 74% disseram desejar mais opções desse tipo em seus planos e 78% consideraram importante melhorar o mundo enquanto ampliavam seu patrimônio pessoal.
Entre os participantes da geração millennial, a mesma tabela apresentou 71% como mais dispostos a contribuir ou aumentar suas contribuições se os investimentos produzissem benefícios sociais, 84% como interessados em que os investimentos refletissem seus valores pessoais e 77% como favoráveis a mais investimentos socialmente responsáveis nos planos de aposentadoria. A Natixis encomendou o levantamento à CoreData Research, que ouviu 951 investidores americanos. Desses, 651 participavam dos planos e 300 não participavam. Os dados foram coletados em agosto e setembro de 2016.
A volatilidade de alguns fundos próximos da data-alvo durante a crise financeira de 2008 suscitou críticas à ideia de que seus nomes implicariam posições conservadoras. A SEC registrou que fundos com a mesma data apresentaram riscos e resultados diferentes.
A exposição aos ativos de crescimento costuma ser maior nas fases iniciais de acumulação. A volatilidade de fundos próximos da data-alvo surpreendeu parte dos participantes. Em junho de 2009, a SEC e o Departamento do Trabalho realizaram uma audiência conjunta. Os participantes levantaram preocupações sobre a compreensão dos riscos e as diferenças entre os fundos, inclusive quanto ao significado do ano em seus nomes e à divulgação das trajetórias de alocação.
Em junho de 2010, a SEC propôs alterações nas regras de publicidade para explicar melhor a data no nome e apresentar a distribuição dos ativos ao longo do tempo. Em 2014, reabriu a consulta sobre a proposta e sobre recomendações de seu comitê consultivo.
A criação dos fundos com data-alvo é atribuída a Donald Luskin e Larry Tint, da Wells Fargo Investment Advisors, posteriormente Barclays Global Investors, ou BGI. O lançamento pela BGI é situado no início da década de 1990. Nos Estados Unidos, sua expansão é associada à Pension Protection Act de 2006 e à inscrição automática em planos 401(k), no contexto das opções de investimento padrão qualificadas (qualified default investment alternatives, QDIA). A SEC descrevia, em 2010, a designação dos fundos como opções padrão pelo Departamento do Trabalho e a proteção de responsabilidade atribuída aos empregadores que observassem esse regime.
Uma abordagem semelhante, denominada alocação de ativos por idade, é atribuída a Mark Kantrowitz em meados da década de 1990 e teria sido amplamente adotada nos planos americanos de poupança educacional 529.