| Game Boy Camera | |
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Uma Game Boy Camera azul. O acessório também foi comercializado em outras cores | |
| Tipo | Câmera digital; acessório para Game Boy |
| Geração | Quarta geração |
| Fabricante | Nintendo |
| Lançamento | |
| Preço inicial |
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A Game Boy Camera, lançada no Japão como Pocket Camera (ポケットカメラ, Poketto Kamera), é um acessório de câmera digital para o console portátil Game Boy, da Nintendo. Lançada em 1998, permite tirar fotografias monocromáticas, editá-las, criar desenhos e transferir imagens entre unidades da câmera ou para outros equipamentos da Nintendo.
O acessório possui uma lente montada em um mecanismo giratório de 180 graus, o que possibilita tanto fotografar o ambiente quanto o próprio usuário. As imagens também podem ser impressas em papel térmico por meio da Game Boy Printer.
Além das funções fotográficas, o cartucho incorpora ferramentas de edição, um sequenciador musical para criação de chiptunes e quatro minijogos baseados em jogos antigos da Nintendo.
Embora suas especificações já eram obsoletas para a época, a câmera permaneceu em produção até 2002. Posteriormente, a baixa resolução e a paleta limitada passaram a ser exploradas deliberadamente por fotógrafos e artistas como parte de uma estética de fotografia digital de baixa fidelidade.

A Game Boy Camera foi lançada em conjunto com a Game Boy Printer, que utiliza papel térmico para imprimir as imagens armazenadas no cartucho. Ao anunciar os acessórios nos Estados Unidos, tanto a câmera quanto a impressora foram divulgados pela Nintendo como acessórios voltados principalmente para crianças, com funcionalidades recreativas, como inserir fotografias do rosto nos jogos e produzir adesivos com imagens de amigos.
A Game Boy Camera é compatível com todos os modelos da linha Game Boy, com exceção do Game Boy Micro. É possível exibir a imagem em uma televisão utilizando o Super Game Boy para o Super Nintendo, o Game Boy Player para o GameCube ou o Analogue Pocket, por meio de sua base com saída HDMI.
Nos mercados ocidentais, a câmera foi inicialmente vendida nas cores azul, verde, vermelha e amarela; uma versão roxo transparente foi lançada exclusivamente no Japão. Há ainda uma edição limitada dourada inspirada em The Legend of Zelda: Ocarina of Time, que contém carimbos exclusivos e foi disponibilizada apenas nos Estados Unidos por encomenda atráves da revista Nintendo Power.
Em setembro de 2020, documentos da Nintendo divulgados sem autorização revelaram a existência de uma versão temática de Hello Kitty que chegou a ser desenvolvida, mas nunca foi comercializada.
Segundo relatos, a Nintendo planejou lançar um acessório sucessor para o Game Boy Advance, chamado GameEye, que tiraria fotografias coloridas e poderia ser conectado ao GameCube por meio de um jogo chamado Stage Debut. Um protótipo funcional foi apresentado na E3 de 2002, mas tanto a câmera quanto o jogo nunca chegaram a ser lançados comercialmente.

A câmera é controlada por um programa armazenado no próprio cartucho. O mesmo programa administra a captura e edição das fotografias, o álbum de imagens, as ferramentas de criação e os minijogos. A câmera utiliza os botões do Game Boy como controles e não necessita de alimentação elétrica própria.
As imagens podem ser transferidas por meio do Game Link Cable, seja para impressão na Game Boy Printer, seja de uma unidade da Game Boy Camera para outra. Com o Transfer Pak conectado ao controle do Nintendo 64, as fotografias também podiam ser transferidas para um disco do periférico 64DD, embora somente a versão japonesa e somente para alguns jogos da série Mario Artist.
Por meio do Mario Artist, as fotografias podiam servir de base para avatares desenhados ou animados em 3D. Esses avatares personalizados podiam ser usados em diferentes aplicações do 64DD, incluindo Mario Artist e SimCity 64, e parte do conteúdo criado podia ser compartilhada pela rede Randnet.[falta página]
O programa também contém elementos gráficos e referências a outras propriedades da Nintendo. As versões japonesa e norte-americana apresentam algumas diferenças nos carimbos, imagens predefinidas e outros elementos do álbum. O programa possui alguns easter eggs, dos quais alguns, como as imagens rabiscadas dos próprios desenvolvedores, foram descritos como "assustadores".

A Game Boy Camera possui um sensor CMOS de 128 × 128 pixels. As fotografias efetivamente armazenadas possuem 128 × 112 pixels, utilizando a paleta de quatro cores do sistema Game Boy, com pontilhamento. A memória do cartucho pode armazenar até trinta fotografias simultaneamente. Quando esse limite é atingido, é necessário apagar uma fotografia antes de tirar outra.
Durante a captura, o usuário pode ajustar somente o brilho e contraste, alterando, respectivamente, o ponto de branco e a intensidade do pontilhamento. A velocidade do obturador é automática e depende das condições de iluminação. A câmera possui foco fixo, com distância de funcionamento de 20 cm, e não dispõe de zoom óptico ou digital. O sensor CMOS dispõe ainda de um recurso chamado "realce de bordas", utilizado para definir as bordas dos objetos por meio de um discreto contorno preto.
O programa oferece outros recursos de fotografia, como temporizador, fotografia em intervalos, efeitos como espelhamento e redimensionamento, montagens e um modo de fotografia panorâmica que permite combinar várias imagens. Depois da captura, as imagens podem ser editadas com carimbos da Nintendo ou desenhos feitos à mão livre. Também é possível combinar fotografias em sequência como quadros de uma animação.
Como a área da fotografia é menor que a tela do Game Boy, as imagens do álbum são mostradas acompanhadas por uma moldura. Há dezoito desenhos de moldura diferentes, incluindo o padrão. As molduras também aparecem quando uma fotografia é impressa pela Game Boy Printer.

Inicialmente, a ideia de um apetrecho de câmera para o Game Boy encontrou resistência dentro da Nintendo. Masato Kuwahara procurou Hirokazu Tanaka, então presidente da Creatures Inc., para desenvolver o programa da câmera, o que contribuiu para consolidar o projeto. O programa integrado da câmera foi desenvolvido em conjunto pela Nintendo Research & Development 1 e pela empresa japonesa Jupiter, sob direção de Tanaka.
os Estados Unidos, a câmera chegou ao mercado pelo preço sugerido de 49,95 dólares. A Nintendo informou que aproximadamente 500 mil unidades haviam sido vendidas nas três primeiras semanas de comercialização no Japão.
Além de Mario Artist, a integração da câmera com outros jogos do Nintendo 64 também foi planejada mas abandonado durante o desenvolvimento. Em Pokémon Snap, por exemplo, Satoru Iwata experimentou um sistema que permitiria transferir fotografias do jogo para a Game Boy Camera e imprimi-las, mas a ideia foi abandonada porque a qualidade da imagem resultante foi considerada insuficiente. Perfect Dark também chegou a incluir durante seu desenvolvimento um recurso chamado "Perfect Head": por meio da Game Boy Camera e do Transfer Pak, o jogador poderia fotografar um rosto e aplicá-lo aos personagens do modo multijogador. O recurso foi demonstrado publicamente em 1999, mas retirado antes do lançamento. Fontes da época atribuíram a decisão tanto a dificuldades técnicas quanto à onda de críticas em torno de jogos violentos após o massacre de Columbine.
Como uma das primeiras câmeras digitais destinadas ao mercado consumidor, a Game Boy Camera passou a ser utilizada para a criação de conteúdo pelos próprios usuários. Apesar de sua baixa resolução, o acessório tornou-se posteriormente objeto de interesse entre fotógrafos e entusiastas de tecnologia. A aparência granulada, monocromática e fortemente pixelizada das imagens passou a ser deliberadamente explorada como estética lo-fi. Como o sistema não dispõe de um meio nativo de transferência para computadores modernos, fabricantes independentes fizeram engenharia reversa para desenvolver métodos para copiar as fotografias por USB, cartões de memória e mesmo por Wi-Fi.

Em 2000, um fotógrafo profissional desenvolveu um processo de produção de imagens coloridas semelhante ao utilizado nos primórdios da fotografia em cores, no qual as fotografias em tons de cinza da Game Boy Camera eram processadas com filtros vermelho, verde e azul para produzir uma imagem colorida. Em 2017, um engenheiro de pesquisa desenvolveu um projeto baseado em rede neural para colorizar automaticamente as imagens monocromáticas da Game Boy Camera.
Diversos aplicativos modernos para smartphones incluem modos que simulam a aparência das imagens da Game Boy Camera. Em 2016, um artista do Instagram incorporou o antigo equipamento da Game Boy Camera ao seu repertório de filtros estilizados e criou uma galeria dedicada exclusivamente a fotografias produzidas com o acessório, afirmando que a câmera primitiva o "obriga a encontrar uma maneira de tirar fotografias bonitas".
O equipamento também foi empregado experimentalmente na astrofotografia. Em 2017, um estudante acoplou a Game Boy Camera a um telescópio do observatório de Leiden e conseguiu registrar, entre outros objetos, o planeta Júpiter e suas luas.
A fotografia da capa de Silver & Gold, álbum de Neil Young lançado em 2000, foi tirada com uma Game Boy Camera.
Décadas após seu lançamento, adaptadores e modificações continuam sendo desenvolvidos para o equipamento. Em 2021, um youtuber criou um adaptador de lente que pode ser produzido por impressão 3D para acoplar uma lente de câmera DSLR à Game Boy Camera.