
O IX.br (Brasil Internet Exchange) é um conjunto de pontos de troca de tráfego (PTTs) em áreas metropolitanas do Brasil, criado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e operado pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Reúne provedores de acesso, operadoras, plataformas de conteúdo e data centers, que trocam tráfego diretamente entre si em vez de usar rotas de terceiros ou internacionais.
Em setembro de 2026, o projeto estava presente em 40 localidades, em todos os estados do país, com mais de 3,7 mil sistemas autônomos participantes e cerca de 7,25 mil conexões. O CGI.br e o NIC.br o descrevem como o maior conjunto de PTTs do mundo, e o PTT de São Paulo, como líder mundial em volume de troca de tráfego e número de participantes. Uma análise publicada no blog do APNIC em junho de 2026, com dados do PeeringDB, apontou o IX.br São Paulo como o ponto de troca de tráfego com mais participantes no mundo e com a maior capacidade de portas instalada pelas grandes redes de conteúdo analisadas, à frente do DE-CIX de Frankfurt. Em 2021, a associação europeia de PTTs Euro-IX já situava o IX.br São Paulo e o DE-CIX Frankfurt como os pontos de maior volume de dados do mundo.
Entre 1996 e 2004 surgiram em São Paulo vários PTTs isolados, o que obrigava os provedores a manter muitas ligações e elevava os custos. Em resposta, o CGI.br criou em 2004 o projeto PTT.br, para promover a infraestrutura de interconexão direta entre as redes que formam a internet brasileira.
As operações começaram em julho de 2004, depois que o CGI.br aprovou a iniciativa do NIC.br, chamada PTT Metro. O primeiro ponto de troca de tráfego do Brasil, operado pela Fapesp desde 1998, foi reintegrado ao projeto. Naquele ano, as localidades eram três: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 2015 o projeto passou de PTT.br para IX.br, num processo de internacionalização do nome. No mesmo ano foi inaugurado um novo data center do NIC.br em São Paulo, com cinco vezes a área e nove vezes a disponibilidade de energia do anterior. Em 2019, o IX.br estava em 31 localidades, cada uma delas um Internet Exchange isolado.
O IX.br é uma iniciativa sem fins lucrativos do NIC.br, apoiada pelo CGI.br, e se financia com a receita do registro de domínios .br.
Segundo o NIC.br, os termos básicos do projeto são:
Cada localidade do IX.br é um Internet Exchange independente, e um participante pode estar presente em quantas quiser; os PIX de uma mesma localidade formam uma única rede de comutação em camada 2. Não é permitido usar o IX.br como rede metropolitana, isto é, trocar tráfego entre duas portas do mesmo sistema autônomo na mesma localidade. Para aderir, a rede precisa ser um sistema autônomo, assinar contrato com o IX.br e cumprir requisitos técnicos. Em vez de uma porta própria, a ligação pode ser feita por um CIX, compartilhando a conexão física de outro participante, em negociação direta entre eles.
O IX.br admite duas modalidades de troca de tráfego:
Os servidores de rotas recebem os prefixos anunciados por cada participante do ATM e os repassam aos demais sem incluir o próprio sistema autônomo no caminho; o tráfego não passa por eles, mas segue diretamente entre os roteadores dos participantes pela matriz de comutação da localidade. Cada participante do ATM mantém sessões com todos os servidores de rotas da localidade, para redundância, e pode manter também sessões opcionais com o looking glass do IX.br.
Segundo o IX.br, na maioria das localidades o NIC.br não cobra pela porta, e os investimentos e custos operacionais são cobertos com a receita do registro de domínios .br. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza há cobrança, segundo tabela própria. Em qualquer localidade, o participante pode ter custos com o enlace até o PIX e com a interligação (cross-connect) dentro dele, negociados diretamente com os fornecedores, sem participação do NIC.br.
O tráfego agregado do IX.br cresce de forma contínua. Os principais recordes divulgados pelo NIC.br e pelo CGI.br foram:
| Data | Pico agregado | IX.br São Paulo | Localidades |
|---|---|---|---|
| jul. de 2023 | 31 Tbit/s | 22 Tbit/s | 36 |
| fev. de 2024 | 35 Tbit/s | 23 Tbit/s | 36 |
| 21 de abril de 2025 | 40 Tbit/s | — | 38 |
| mar. de 2026 | 50 Tbit/s | 32 Tbit/s | — |
| 25 de junho de 2026 | 55 Tbit/s | 35,9 Tbit/s | 39 |
O recorde de junho de 2026 foi atingido em um dia com seis jogos da Copa do Mundo FIFA de 2026, transmitidos por plataformas de streaming. Em março de 2026, o IX.br São Paulo reunia mais de 2,5 mil redes diretamente conectadas. Em setembro de 2026, o pico de 55 Tbit/s de junho continuava sendo o recorde mais recente divulgado pelo NIC.br.
O IX.br São Paulo é o maior ponto do projeto. Em julho de 2023, o NIC.br informou que o PTT de Fortaleza ultrapassou o do Rio de Janeiro e passou a ser o segundo em pico de tráfego e em número de participantes; a entidade atribuiu o fato à localização, próxima à chegada de cabos submarinos dos Estados Unidos e da Europa. Naquele ano, segundo o gerente de infraestrutura do IX.br, Júlio Sirota, o IX.br São Paulo concentrava 67% dos provedores de conteúdo, contra 80% antes, o que indicava descentralização. Em março de 2026, Fortaleza seguia como o segundo maior PTT do país. Em agosto de 2026, segundo o NIC.br, o IX.br São Paulo tinha pico de 35 Tbit/s e 2.696 sistemas autônomos conectados; Fortaleza, 7,7 Tbit/s e 920; e o Rio de Janeiro, 5,5 Tbit/s e 740. Em setembro, São Paulo concentrava cerca de 65% do tráfego total do IX.br.
Em outubro de 2026, o IX.br estava presente em 40 localidades, em todas as unidades da federação. A 40.ª, em Macapá, foi anunciada em 23 de setembro de 2026, com início de operação previsto para o dia 25, e completou a presença do projeto em todos os estados do país; foi a sétima localidade da Região Norte. O número de localidades cresceu ao longo do tempo: três em 2004, 31 em 2019, 36 em 2023, 38 em abril de 2025 e 39 em julho de 2026.
As localidades, por região, são: