O Programa Norte Conectado é uma política pública e programa de infraestrutura estratégica de telecomunicações do governo federal brasileiro, sob coordenação do Ministério das Comunicações (MCom) e participação técnica e regulatória da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Seu objetivo principal é expandir a infraestrutura de comunicação de alta capacidade na Região Norte do Brasil, especialmente na Bacia Amazônica, por meio da implantação de uma rede de transporte em fibra óptica lançada predominantemente nos leitos dos rios amazônicos (cabos subfluviais). A iniciativa visa promover a inclusão digital, a integração regional e conectar serviços públicos essenciais — como escolas públicas, unidades de saúde, tribunais e órgãos de segurança pública — além de estimular o mercado de telecomunicações com a oferta de conexões para provedores regionais.
Historicamente, as cidades do interior da Região Norte do Brasil enfrentavam severas restrições de conectividade à Internet, dependendo quase exclusivamente de enlaces via satélite de comunicação ou enlaces de rádio de baixa capacidade e alta latência sujeitos a instabilidades climáticas. A implantação de redes de fibra óptica terrestres na região esbarrava na densidade da floresta tropical úmida, na ausência de malhas rodoviárias contínuas e nos riscos socioambientais de desmatamento decorrentes da abertura de clareiras e faixas de servidão.
Como alternativa logística e ambiental, o programa adotou a instalação de **cabos ópticos subfluviais**. Os cabos, providos de blindagem reforçada de aço e revestimento de polietileno resistente à tração e atrito, são assentados no fundo dos leitos dos grandes rios navegáveis (como os rios Amazonas, Solimões, Negro e Madeira). Essa abordagem minimiza o impacto ambiental sobre a vegetação nativa e aproveita as calhas hidrográficas naturais para o transporte de dados.
As origens do projeto derivam de estudos de conectividade fluvial e do programa pioneiro *Amazônia Conectada*, conduzido pelas Forças Armadas (notadamente o Exército Brasileiro) em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). O projeto piloto do governo federal, estruturado como **Infovia 00** (interligando Macapá a Alenquer), teve sua execução técnica conduzida pela RNP em 2022.
A consolidação financeira em larga escala do programa ocorreu a partir da realização do **Leilão do 5G** em novembro de 2021, promovido pela Anatel. O edital de licitação da faixa de radiofrequências de 3,5 GHz estabeleceu como compromisso obrigatório de investimento das operadoras vencedoras (Claro, TIM e Vivo) a destinação de mais de 1,5 bilhão de reais para a implementação das infovias amazônicas.
Para gerir os recursos e executar as obras físicas, as concessionárias constituíram a **Entidade Administradora da Faixa** (EAF, comercialmente denominada *Siga Antenado*). O planejamento, o cronograma e a aprovação técnica das rotas ficaram a cargo do **Gaispi** (Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência na Faixa de 3,5 GHz), presidido por um conselheiro da Anatel e composto por representantes do MCom e das empresas vencedoras.
O programa estabeleceu um modelo operacional inovador para evitar o monopólio e assegurar a sustentabilidade econômico-financeira de longo prazo da rede. Os cabos implantados contêm múltiplos pares de fibras ópticas de alta capacidade (geralmente até 24 pares de fibra):
O plano de expansão do Norte Conectado foi delineado em oito infovias principais (Infovias 00 a 07), cobrindo mais de 10 000 quilômetros de cabeamento subfluvial e terrestre e alcançando dezenas de cidades nos estados do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia e Acre: