Jejum é a privação de comida ou redução das refeições diárias a uma só durante um período. Existem diversos motivos que levam uma pessoa a fazer jejum, sendo os principais religiosos ou medicinais. Outros motivos incluem a greve de fome política.

Jejum intermitente é um termo designado para um padrão alimentar no qual alterna-se períodos em jejum e de alimentação. Alguns protocolos adotados são:
O jejum seco (Dry fasting, em inglês) é um jejum absoluto, onde o praticante se abstém de comida e líquidos. É o jejum que se faz naturalmente enquanto se dorme. Ele foi praticado por algumas figuras bíblicas como, por exemplo, Moisés (Êxodo 34:28 e Deuteronômio 9:18) e pelo apóstolo Paulo (Atos 9:9).
É um jejum comumente praticado pelo cristianismo ortodoxo russo e, por essa razão, é na própria Rússia onde se têm o maior número de praticantes, livros e pesquisas a respeito deste tipo de jejum.
As cirurgias requerem entre 8 a 12 horas de jejum pré-operatório. A importância deste jejum é que o paciente pode vomitar e obstruir as vias respiratórias, ocasionando a morte. Além disso, cirurgias realizadas sobre o aparelho digestivo são dificultadas pela presença de alimentos.
Cada religião tem um modo diferente de abordar a prática do jejum.
Para os fiéis da Igreja Católica, a prática da abstinência e o jejum são formas de penitência interior. O Catecismo da Igreja Católica define este interior como "uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às más obras […]".
O católico deve praticar o jejum semanalmente, mais precisamente às sextas-feiras, e nas datas da quarta-feira de cinzas e sexta-feira da Paixão de Jesus Cristo, consoante o Código de Direito Canónico em seu cânone 1251.
Na Idade Média, várias mulheres, em nome da religião, praticavam longos jejuns, numa condição que contemporaneamente se denomina anorexia mirabilis.
Os Evangélicos não têm datas específicas para jejuar e também tempo determinado para os dias de jejum. Jejum é baseado no sentido bíblico literal, que é uma forma de 'matar a carne'. O jejum pode ser a abstinência não só de alimentos e líquidos, mas de qualquer coisa ou hábito que tenha se tornado 'indispensável', como forma de entrega e dependência real de Deus. Há vários relatos desta prática na Bíblia.
O jejum é observado durante todo o mês do Ramadão, da alvorada ao pôr-do-sol, eles não comem e não bebem nada, nem mesmo água, o jejum também aplica-se às relações sexuais. O crente deve não só abster-se dessas práticas como também não pensar nelas e manter-se concentrado em suas orações e recordações de Deus, sendo neste mês a frequência mais assídua à mesquita. Além das cinco orações diárias (salá), durante esse mês sagrado recita-se uma oração especial chamada Taraweeh (oração noturna).
O jejum (as-sawm) na linguística árabe é um substantivo que significa: a abstenção absoluta. Esta abstenção pode referir-se ao caminhar, à ação e ao movimento, ou à fala, ao comer e ao beber, entre outros. Abu Ubaidah afirmou: «Todo aquele que se abstém de comida, fala ou movimento é um jejuador». A sua raiz é: (S W M), sendo que o verbo sama (jejuou) se conjuga como qala (disse); os termos as-sawm e as-siyam detêm o mesmo significado. No dicionário Al-Qamus al-Muhit, lê-se: «Sama sawman wa siyaman wa istama: absteve-se de comida, bebida, fala, coito e movimento», e Ibn Faris referiu: «(Sawm) o Sad, o Waw e o Mim constituem uma raiz que indica abstenção e imobilidade num lugar; daí que o jejum do jejuador seja a sua abstenção de alimento, de bebida e de tudo o que lhe é vedado. A abstenção da fala também é considerada jejum». Daí a palavra de Deus Exaltado: [Alcorão 19:26], sobre a qual Ibn Abbas explicou: «Silêncio, ou seja: abstenção da fala», interpretação reforçada pela Sua palavra: «(...) por isso, hoje não falarei com ser humano algum».
A abstenção da fala com esta descrição mencionada na história da Maria constitui apenas um relato de uma norma numa lei (xaria) anterior. Na lei do Islão, a abstenção de falar com as pessoas não é considerada um ato de adoração, sendo antes vista como um tipo de extremismo (tanattu) proibido. Assim, o julgamento na lei islâmica segue uma via intermédia entre o excesso e a negligência, conforme indica o hádice: «Aquele que crê em Deus e no Último Dia, que diga o bem ou que se cale», e o hádice: «Não é lícito a um muçulmano afastar-se do seu irmão por mais de três dias».
Ibne Manzur afirmou: Citação: Sawm: abandonar a comida, a bebida, o coito e a fala; sama yasumu sawman wa siyaman wa istama. O homem é sa'im (jejuador) e sawm.... Assim, o jejum consiste na abstenção de qualquer ação ou palavra. O silêncio perante a fala é designado, na linguagem, como jejum. Al-Khalil afirmou: «Sawm é a permanência sem ação», e o jejum é também a abstenção do paladar. Diz-se que o cavalo "jejuou" quando permanece parado sem pastar; diz-se que o dia "jejuou" quando o sol atinge o zénite e estabiliza; e o termo aplica-se ainda à imobilidade dos ventos. Ibn Faris acrescentou: «Sawm: o equilíbrio do sol ao meio-dia, como se este estivesse imóvel na sua rotação». Inru Alcaice ibne Hujer escreveu: «Se o dia jejuar e aquecer». O local de paragem do cavalo é denominado masam. No Al-Qamus al-Muhit consta: «Sama maniyatahu: provou a morte»; o ato do avestruz expelir dejetos é chamado sawm; e diz-se que o homem "jejuou" quando se abrigou à sombra de uma árvore chamada as-sawm. O termo as-sa'im é utilizado tanto para o singular como para o plural; uma terra sawam é aquela que é árida e desprovida de água. No tratado Al-Muhkam, refere-se que o cavalo "jejuou" quando não se alimenta, sendo o "jejuador" entre os equinos aquele que se mantém imóvel e nada consome; escreveu Anabiga Adubiani: Predefinição:Auro-métrica Abu Almançor Alazari explicou, na aceção de sawn: o cavalo sa'in é o que se apoia na ponta do casco por fadiga, enquanto o sa'im é o que se apoia nas quatro patas sem dificuldade. No Al-Tahdhib: o jejum, na linguagem, é a abstenção e o abandono de algo; o jejuador chama-se sa'im pela abstenção de comer, beber e de relações íntimas; e o silencioso é chamado sa'im pela abstenção da fala. Sufyan ibn Uyaynah declarou: «O jejum é paciência; o ser humano exercita a paciência perante a comida, a bebida e o coito», recitando de seguida: «Aos pacientes, ser-lhes-á paga a sua recompensa sem medida».
Ibne Manzur registou: Citação: E no hádice: O Profeta Maomé disse: Deus Exaltado disse: "Toda a ação do filho de Adão é para ele, exceto o jejum, pois este pertence-Me". Abu Ubaid explicou: Deus reservou o jejum para Si... porque o jejum não se manifesta no filho de Adão através de palavras ou atos que os anjos escribas possam registar; trata-se apenas de uma intenção (niyya) no coração e de uma abstenção do ato de comer e beber. Deus diz: "Eu encarrego-Me da sua recompensa"... por isso o Profeta afirmou: "Não há ostentação (riya') no jejum". Jejum: cessação do comer. Al-Khalil disse: «Sawm é a imobilidade sem ação». O vento "jejuou" quando amainou. O dia "jejuou" quando estabilizou ao meio-dia; escreveu Inru Alcaice: Predefinição:Auro-métrica O sol "jejuou" significa que estabilizou no firmamento. Segundo o Al-Tahdhib: o sol jejuou ao meio-dia quando parou e não abandonou o seu lugar. O avestruz "jejuou" quando evacuou o conteúdo do ventre. Abu Zaíde mencionou: «Permaneci em Baçorá por dois jejuns, isto é, dois meses de Ramadão». Aljauari afirmou: «Um homem sawman é um jejuador». Aljauari referiu ainda que Sawm é um tipo de árvore na linguagem dos hudailitas. Ibne Barri acrescentou: «Sawaman» é o nome de uma montanha; como disse o poeta:
Os judeus fazem jejum no Dia do Perdão (Yom Kippur). Do pôr-do-sol de um dia ao pôr-do-sol do outro dia, não comem e não bebem nada, nem mesmo água. Outros jejuns judaicos são o de Guedaliah e o Jejum de 10 de Tevet
Os Budistas vêem o ato do jejum como uma reflexão à necessidade de consumir. O jejum muitas vezes é um ato de sacrifício pessoal em respeito ao alimento e uma forma de refletir a importância dos alimentos e vícios.
Os membros d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são encorajados a praticar o jejum completo (abstinência total de alimentos e líquidos) durante um período que inclua duas refeições (aproximadamente 24 horas), em todo primeiro sábado/domingo de cada mês, e incentivados a fazer uma oferta de jejum, ou seja, aquilo que gastariam com alimentação no período do jejum é destinado para pessoas e entidades carentes. Os membros que não podem jejuar por motivos médicos são incentivados a colaborar com a oferta de jejum.
Os membros da Sã Doutrina Espiritual do Sétimo Dia (também conhecidos como crente-espiritual) praticam o jejum completo (abstinência total de alimentos e líquidos) durante períodos determinados, normalmente aos sábados, iniciando ao amanhecer, e concluindo ao meio dia, ou ainda às 18:00 horas).
O Jejum Bahá'í, consiste em que no último mês do Calendário bahá'í, que compreende o período de 2 a 21 de março, os bahá'ís abstêm-se de alimentos e bebidas do nascer ao pôr-do-sol.