Algoritmos de verificação
Independência linear em conjuntos de vectores
Suponhamos que
é um conjunto de vectores de
, em que
e

Ainda, fixemos as constantes
, tais que

Por definição, se
for a única possibilidade para que a equação anterior seja verdadeira, então os vectores
serão linearmente independentes. Por outro lado, se qualquer uma das constantes admitir um valor diferente de zero, então o conjunto de vectores será linearmente dependente.
Observe que podemos reescrever a equação

como

Efetuando as multiplicações, teríamos

que também poderia ser representada como segue

Assim, temos uma equação matricial da forma
, em que
e 
Observe que a solução trivial (
) é válida. Porém, é preciso descobrir se tal solução é única. Para isso, podemos resolver o sistema por meio de operações elementares nas linhas da matriz aumentada

Logo, o conjunto de vectores será linearmente independente, caso o sistema linear tenha unicamente a solução trivial (todas as constantes valendo
), ou seja, se o sistema for classificado como possível e determinado (SPD). Porém, se houverem infinitas soluções, de modo que o sistema seja classificado como possível e indeterminado (SPI), então o conjunto de vectores será linearmente dependente.
Sendo assim, em
, é possível descobrir se um conjunto de vectores é linearmente independente ou não por meio da resolução de um sistema homogêneo.
Casos especiais
Em alguns casos, não é necessário utilizar os algoritmos citados anteriormente, pois apenas analisando os vectores do conjunto é possível classificá-lo como linearmente dependente. Vejamos alguns casos citados a seguir.
Vector nulo
Qualquer conjunto de vectores que contenha o vector nulo será linearmente dependente, mesmo que tal conjunto seja unitário, isto é, mesmo que tenha apenas um vector.
Por exemplo, suponha que
,
e
sejam vectores não nulos de
e que
,
,
e
sejam constantes reais. Ainda, seja
o vector nulo de
, de modo que

Observe que fixando
, podemos variar
sem alterar o resultado da combinação, ou seja, as soluções para o sistema são infinitas. Generalizando esse raciocínio para uma quantidade arbitrária de vetores podemos concluir que qualquer conjunto de vectores que contenha o vector nulo é um conjunto linearmente dependente.
Vectores múltiplos
Conjuntos de vectores que contenham dois ou mais vectores múltiplos escalares entre si são conjuntos linearmente dependentes. Isso decorre do fato de que, se existe algum vector do conjunto que é múltiplo de outro vector, então ele pode ser expresso como combinação linear dos demais vectores.
Por exemplo, sejam
e
, com
e
. Note que
, ou seja,
e
são múltiplos e, portanto, temos a possível combinação linear
. Logo, o conjunto
é linearmente dependente.
Número de vectores
Em um espaço vectorial de dimensão finita, se o número de vectores do conjunto a ser verificado for superior à dimensão do espaço vetorial, então o conjunto será linearmente dependente. Assim, um conjunto com
vectores em
é linearmente dependente se
.
De fato, seja
uma matriz de ordem
, com
e
. Note que a equação

é equivalente a um sistema de
equações e
incógnitas. Como
, haverá um número superior de variáveis do que equações e, portanto, o sistema linear homogêneo terá infinitas soluções. Deste modo, a equação
admite solução não trivial, caracterizando as colunas de
como linearmente dependentes. Logo, os vectores
são linearmente dependentes.
Caracterizações de independência linear
Fixe
. Então, são equivalentes:
é linearmente independente.
- O conjunto
é um gerador minimal para
. Ou seja, se
, então 
- Sempre que
são distintos e
, então 
- Toda combinação linear de elementos de
é única, no sentido de que se
são distintos, então

implica que 
- Toda combinação linear de elementos de
é única, no sentido de que se

e

com todos os
distintos entre si, todos os
distintos entre si, e com todos os
e
não nulos, então
, e os índices de
e
podem ser rearranjados de modo que

Propriedades
- Se
for uma base de um espaço vectorial
e
for um conjunto de vectores em
, tal que
, então o conjunto
é linearmente dependente.
De fato, como o conjunto
forma uma base para o espaço vectorial
, segue que os vectores de
são linearmente independentes. Ainda, o número de vectores do conjunto
é igual à dimensão de
. Logo, se
é um conjunto do espaço vectorial
, sendo que o número de vectores de
é maior que o número de vectores de
, segue que o número de vectores do conjunto
será maior que a dimensão de
, de modo que tal conjunto será linearmente dependente.
- Seja
um conjunto de dois ou mais vectores. Dizemos que
é linearmente dependente se, e somente se, pelo menos um dos vectores de
for combinação linear dos demais.
Demonstração:
Vamos mostrar que se pelo menos um dos vectores de
for combinação linear dos demais vectores, então
é linearmente dependente.
De fato, se
for uma combinação linear dos outros vectores de
, então podemos reordenar os vectores do conjunto, escrevendo
como

em que
são constantes que tornam a equação anterior válida. Perceba que é possível subtrair
em ambos os lados da equação

e assim

ou seja,

Como a equação anterior admite uma constante não nula, ou seja, como a equação

possui uma solução não trivial, segue pela definição que o conjunto
é linearmente dependente.
Agora, vamos verificar que se
é linearmente dependente, então pelo menos um dos vectores de
será combinação linear dos demais.
Caso
, então a equação

admite como solução
e, portanto, ao menos um dos vectores de
pode ser representado como combinação linear dos demais.
Porém, se
, então como
é linearmente dependente, existem constantes
, não todas nulas que satisfazem

Suponha que
seja o maior índice para o qual
. Observe que se
e
, teríamos um resultado inválido, pois
seria impossível. Logo
e, assim,




ou ainda,

o que comprova que ao menos um vector do conjunto pode ser escrito como combinação linear dos demais.