Fenelzina | |||||||||||||||||||
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| Nomes | |||||||||||||||||||
| Nome IUPAC | 2-phenylethylhydrazine | ||||||||||||||||||
| Outros nomes | 2-Phenylethylhydrazine; β-Phenylethylhydrazine; Phenethylhydrazine; Phenylethylhydrazine; Phenylethylamine hydrazide; Phenethylamine hydrazide; β-Hydrazinoethylbenzene; Fenelzine; 1-(2-Phenylethyl)hydrazine | ||||||||||||||||||
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| Página de dados suplementares | |||||||||||||||||||
| Estrutura e propriedades | n, εr, etc. | ||||||||||||||||||
| Dados termodinâmicos | Comportamento de fases Sólido, líquido e gás | ||||||||||||||||||
| Dados espectrais | UV, IV, RMN, EM | ||||||||||||||||||
| Exceto onde denotado, os dados referem-se a materiais sob condições normais de temperatura e pressão. Referências e avisos gerais sobre esta caixa. Alerta sobre risco à saúde. | |||||||||||||||||||
Fenelzina, também conhecida pelo nome comercial Nardil, é um potente antidepressivo inibidor da monoamina oxidase irreversível e não seletivo. Pode ser usado para tratar o transtorno depressivo maior, transtornos bipolares, e alguns transtornos de ansiedade, como transtorno de pânico e transtorno de ansiedade social (fobia social), além de indicações off-label para transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT e TEPT-C).
A fenelzina pertence a uma classe de antidepressivos chamados inibidores da monoamina oxidase (IMAOs). A monoamina oxidase (MAO) é uma enzima que catalisa a desaminação oxidativa de vários neurotransmissores monoaminérgicos, incluindo a serotonina, adrenalina, noradrenalina e dopamina. A MAO é encontrada na membrana externa da mitocôndria, e existe em duas isoformas: MAO-A e MAO-B. A MAO-A é responsável pela degradação da serotonina, noradrenalina, dopamina e tiramina, dentre outros, enquanto a MAO-B degrada primariamente a feniletilamina e tiramina, bem como outras traço-aminas. Acreditava-se, até o início do século 21, que a dopamina era catabolizada igualmente pela monoamina oxidase A e B; no entanto, estudos publicados ao longo de duas décadas demonstraram que a isoenzima MAO-B não participa da desaminação da dopamina (e demais catecolaminas), sendo, ao invés disso, envolvida na síntese de GABA através da transformação da putrescina como uma via secundária da síntese do GABA no encéfalo.
O mecanismo de ação dos IMAOs, incluindo a fenelzina, envolve a elevação das concentrações intra e extra-neuronais de neurotransmissores monoaminérgicos, notoriamente a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, no sistema nervoso central. Embora se tenha postulado, na metade do século 20, que a depressão seria causada por baixos níveis destes neurotransmissores, a partir justamente da observação da atividade antidepressiva dos IMAOs, essa hipótese (conhecida como a "hipótese monoaminérgica") foi contestada ao longo das décadas seguintes. A elevação dos níveis de monoaminas ocorre de alguns minutos a poucas horas após a administração desses fármacos; no entanto, o alívio dos sintomas depressivos costuma levar de duas a três semanas para ter efeito. Isso sugere que a resposta antidepressiva deve-se aos níveis cronicamente elevados desses neurotransmissores, que promovem mudanças estruturais, neuroanatômicas e epigenéticas no encéfalo, como o favorecimento da neurogênese e o aumento do número de receptores de glicocorticóides no hipocampo, regulação do eixo HPA, entre outros.
A fenelzina, uma molécula da categoria das hidrazinas, destaca-se dentre os demais inibidores da MAO, mesmo os não-seletivos e irreversíveis como a isocarboxazida (também uma hidrazina) e a tranilcipromina (uma anfetamina substituída), ao inibir também a atividade das enzimas alanina transaminase (ALA-T) e GABA transaminase (GABA-T) de maneira irreversível. Essa inibição se deve, na realidade, ao metabólito feniletilidenohidrazina, um produto do metabolismo da fenelzina pela própria MAO localizada no intestino delgado. A inibição da enzima GABA-T ocorre com o uso de doses baixas a moderadas da fenelzina, e resulta em uma elevação do ácido gama-aminobutírico (GABA) no sistema nervoso central, chegando a ser superior a 200% em alguns casos, o que se acredita conferir propriedades únicas a este antidepressivo na melhora de sintomas ansiosos em uma gama de condições psiquiátricas.
A inibição da MAO-A parece ser mais relevante para a atividade antidepressiva do que a inibição da MAO-B. Os inibidores seletivos da MAO-B, como a selegilina, não parecem ter efeitos antidepressivos tão expressivos. A resposta à terapia com a fenelzina geralmente leva de 2 a 4 semanas para surtir efeito após o seu início, embora alguns pacientes podem não experimentar alívio completo dos sintomas com menos de 8 semanas de tratamento.
Especialmente a primeira vez que você usa este agente
Em 1951, a isoniazida e iproniazida foi testado se eles eram úteis para o tratamento de tuberculose. Esse foi o caso, mas também provou que iproniazida também tinha antidepressivos como efeito. Este foi encontrado para ser associado com um efeito inibidor da MAO. Em 1957 vieram os primeiros inibidores da MAO no mercado. Uma grande desvantagem da inibição da MAO irreversível que apareceu, foi sua interação com um ingrediente alimentar, a tiramina, presente em queijos envelhecidos. Por exemplo, quando se utiliza um inibidor da MAO com vinho ou queijo curado, pode causar aumento da pressão arterial com risco de vida. Por causa dos muitos efeitos colaterais, os inibidores da MAO irreversíveis foram retirados do mercado desde 1964. Na década de oitenta, os pacientes que só conseguiram ajuda com esses agentes, receberam uma dieta de restrição alimentar para reduzir os riscos de grave hipertensão arterial associada a ingestão da tiramina. A maioria dos alimentos atualmente possuem níveis de tiramina extremamente limitados, devido ao aumento de rigor na fiscalização entre outros fatores, o que torna o seu consumo menos prejudicial do que nas décadas passadas.