Phil Ochs

Phil Ochs
Phil Ochs durante uma atuação em
Ann Arbor, Michigan, em 1973.
Informações gerais
Nome completoPhilip David Ochs
Nascimento19 de dezembro de 1940
OrigemEl Paso, Texas
PaísEstados Unidos
Morte9 de abril de 1976 (35 anos)
GénerosFolk, folk rock
OcupaçãoCantor e compositor
InstrumentosVocais, guitarra, piano
Período em atividade1961–1976
GravadorasElektra, A&M

Philip David Ochs (El Paso, Texas, 19 de dezembro de 1940 – Far Rockaway, Nova Iorque, 9 de abril de 1976) foi um cantor e compositor norte-americano, associado ao renascimento da música folk e ao movimento de canção de protesto dos Estados Unidos durante a década de 1960. As suas composições abordaram frequentemente acontecimentos políticos e sociais contemporâneos, incluindo o movimento dos direitos civis e a oposição à Guerra do Vietname, levando Ochs a descrever-se como um singing journalist («jornalista cantor»).

Depois de se estabelecer em Nova Iorque em 1962, integrou o circuito folk de Greenwich Village e gravou três álbuns para a Elektra Records: All the News That's Fit to Sing (1964), I Ain't Marching Anymore (1965) e Phil Ochs in Concert (1966). Entre as suas canções mais conhecidas encontram-se «I Ain't Marching Anymore», «There but for Fortune», «Changes», «Power and the Glory» e «Love Me, I'm a Liberal».

A partir de Pleasures of the Harbor (1967), já na A&M Records, Ochs alargou a sua linguagem musical através de arranjos e técnicas de produção mais elaborados, afastando-se progressivamente do formato folk predominantemente acústico. Paralelamente à carreira musical, manteve uma intensa atividade política, participando em manifestações contra a Guerra do Vietname e nos protestos realizados durante a Convenção Nacional Democrata de 1968, em Chicago. A sua obra continuou a ser editada e reavaliada após a sua morte, através de reedições, gravações de arquivo e álbuns de tributo.

Biografia

Infância e formação

Philip David Ochs nasceu em 19 de dezembro de 1940, em El Paso, no Texas, filho de Jacob «Jack» Ochs, médico norte-americano, e Gertrude Phin Ochs, de origem escocesa. Durante a infância, a família mudou várias vezes de residência, estabelecendo-se em 1951 em Perrysburg, no estado de Nova Iorque. Foi aí que Ochs iniciou a sua formação musical, depois de a mãe incentivar os filhos a aprenderem um instrumento. Escolheu o clarinete e revelou rapidamente aptidão para o instrumento, dedicando várias horas diárias à prática e obtendo avaliações particularmente favoráveis pela técnica e capacidade de interpretação.

Em dezembro de 1954, a família mudou-se para Columbus, no Ohio, onde Ochs prosseguiu os estudos de clarinete no Capital University Conservatory of Music. Aos dezasseis anos, tornou-se principal solista de clarinete da orquestra da instituição. Apesar da formação clássica, durante a adolescência começou a interessar-se cada vez mais pela música popular norte-americana. Enquanto frequentava a Staunton Military Academy, na Virgínia, ouviu intensamente música country, incluindo artistas como Faron Young, Ernest Tubb, Lefty Frizzell, Johnny Cash e Hank Williams, desenvolvendo também uma forte admiração por Elvis Presley.

Durante a infância e adolescência, Ochs desenvolveu também um forte interesse pelo cinema, em particular pelos westerns e por atores como John Wayne e Audie Murphy, uma paixão que conservaria ao longo da vida. Em Staunton começou igualmente a dedicar-se à escrita, tendo obtido o segundo prémio num concurso da academia com o conto White Milk to Red Wine. Segundo o biógrafo Michael Schumacher, o texto apresentava já elementos de drama e ironia, bem como o tema do confronto entre o indivíduo mais fraco e uma força superior, características que viriam posteriormente a surgir nas suas composições.

Universidade e início da carreira musical

Universidade Estadual de Ohio, onde Phil Ochs estudou jornalismo.

Em 1958, Ochs ingressou na Universidade Estadual de Ohio, onde estudou jornalismo. Após uma interrupção nos estudos, regressou à universidade no outono de 1959 e conheceu Jim Glover, estudante e músico folk que viria a exercer uma influência decisiva na sua formação musical e política. Glover apresentou-lhe a obra de Woody Guthrie, Pete Seeger e The Weavers, ao mesmo tempo que os dois começaram a debater regularmente questões políticas e sociais.

Ochs envolveu-se progressivamente na vida política universitária, participando, entre outras iniciativas, em protestos contra a formação militar obrigatória do ROTC. Paralelamente, escreveu para The Lantern, o jornal estudantil da universidade, e para a revista humorística Sundial, abordando assuntos políticos, música, teatro e questões relacionadas com a vida no campus. Insatisfeito com as limitações editoriais impostas a alguns dos seus textos de natureza política, chegou a criar uma publicação própria, The Word, destinada a divulgar material que considerava demasiado controverso para The Lantern.

A amizade com Glover conduziu também Ochs à guitarra e à composição. Durante a campanha para as eleições presidenciais de 1960, Ochs, que apoiava a candidatura de John F. Kennedy, apostou 50 dólares com Glover, que previa a vitória de Richard Nixon, contra a guitarra acústica Kay deste último. Com a vitória de Kennedy, Ochs ficou com o instrumento e começou a aprender guitarra com Glover.

Ochs e Glover começaram então a atuar juntos, inicialmente sob o nome The Singing Socialists e, posteriormente, como The Sundowners. A dupla interpretava repertório folk e começou a incorporar composições de Ochs inspiradas em acontecimentos políticos contemporâneos. A colaboração foi, contudo, breve, e Glover acabou por partir para Nova Iorque, onde prosseguiu a carreira musical.

Ochs continuou entretanto a atuar na região de Cleveland, já como solista, apresentando-se em clubes de música folk e abrindo concertos de outros artistas. Embora estivesse próximo de concluir o curso de jornalismo, abandonou a Universidade Estadual de Ohio durante o último trimestre e, em 1962, partiu para Nova Iorque, decidido a seguir profissionalmente a carreira musical.

Greenwich Village e primeiros álbuns

Ao chegar a Nova Iorque, em 1962, Ochs instalou-se no ambiente musical de Greenwich Village, então um dos principais centros do renascimento da música folk norte-americana. Começou a atuar regularmente nos cafés e clubes do bairro e aproximou-se de outros compositores e intérpretes da cena folk, entre os quais Tom Paxton, Dave Van Ronk e Bob Dylan.

Petição assinada por Phil Ochs em 1964, solicitando a libertação de Russ Goddard, Gene Keyes e Barry Bassin.

Ochs tornou-se também colaborador da revista Broadside, publicação dedicada à divulgação de novas canções de temática social e política. A ligação à revista proporcionou-lhe um importante espaço para apresentar as suas primeiras composições e aproximou-o de uma comunidade de autores que procurava recuperar a tradição da canção folk de intervenção, aplicando-a aos acontecimentos contemporâneos.

Ochs continuou a atuar na região de Cleveland, já como solista, apresentando-se em clubes de música folk e abrindo concertos de outros artistas. Embora estivesse próximo de concluir o curso de jornalismo, abandonou a Universidade Estadual de Ohio durante o último trimestre e, em 1962, partiu para Nova Iorque, decidido a seguir profissionalmente a carreira musical.

A crescente reputação de Ochs no circuito folk levou-o, em 1963, ao Newport Folk Festival, onde participou ao lado de vários dos principais intérpretes associados ao renascimento da música folk norte-americana. Parte das atuações realizadas no festival foi gravada pela Vanguard Records e posteriormente editada em Newport Broadside 1963.

Durante este período, Ochs desenvolveu rapidamente um repertório centrado em acontecimentos políticos e sociais contemporâneos, consolidando a abordagem que o próprio viria a caracterizar como a de um singing journalist. As suas primeiras gravações surgiram em coletâneas associadas à Broadside, à Folkways e à Vanguard, antes de assinar contrato com a Elektra Records.

Em 1964, Ochs lançou pela Elektra Records o seu primeiro álbum, All the News That's Fit to Sing. O disco refletia a abordagem fortemente ligada à atualidade que caracterizava esta fase da sua composição, abordando acontecimentos e figuras relacionados com a Guerra do Vietname, a Crise dos mísseis de Cuba e o movimento dos direitos civis. A gravação assentava sobretudo num acompanhamento acústico de duas guitarras, com Danny Kalb a acompanhar Ochs em várias faixas.

O álbum revelava também aspetos da composição de Ochs que ultrapassavam a sua vertente mais diretamente ligada à atualidade. «Too Many Martyrs» e «Celia» foram destacadas pelo crítico Mark Deming, da AllMusic, pela sua força emocional, enquanto «The Bells», adaptação musical de um poema de Edgar Allan Poe, foi apontada como exemplo das capacidades musicais de Ochs para além da sua escrita de letras.

O repertório do álbum não se limitava, contudo, ao comentário político imediato. Ochs musicou «The Bells», poema de Edgar Allan Poe, enquanto canções como «Power and the Glory», «Too Many Martyrs» e «Celia» alargavam o repertório para além da simples descrição de acontecimentos contemporâneos. O crítico Mark Deming, da AllMusic, destacou a adaptação de Poe como demonstração das capacidades musicais de Ochs, para além da sua reconhecida aptidão como letrista.

Consolidação artística e Phil Ochs in Concert

Em 1965, Ochs lançou o seu segundo álbum, I Ain't Marching Anymore, novamente pela Elektra Records. Em comparação com o disco de estreia, Ochs apresentava-se já como um intérprete mais seguro, assumindo sozinho o acompanhamento à guitarra. O crítico Mark Deming, da AllMusic, assinalou igualmente uma maior consistência na composição, destacando a evolução registada entre os dois álbuns.

O repertório incluía canções de intervenção como «Draft Dodger Rag» e «Here's to the State of Mississippi», mas também demonstrava a diversidade dos seus interesses musicais e literários. Ochs interpretou «Ballad of the Carpenter», de Ewan MacColl, e adaptou «The Highwayman», poema do escritor britânico Alfred Noyes. Deming destacou estas duas gravações como exemplos da capacidade de Ochs enquanto intérprete, para além do seu trabalho como compositor.

A faixa-título tornou-se uma das mais conhecidas canções de protesto de Ochs e uma das suas composições mais diretamente associadas à oposição à guerra. Na letra, o narrador assume sucessivamente a identidade de soldados que participaram em diferentes conflitos da história dos Estados Unidos, desde a Batalha de Nova Orleães e a Guerra Civil Americana até às duas guerras mundiais, terminando cada evocação com a recusa expressa no refrão de continuar a combater. Richie Unterberger, da AllMusic, destacou esta utilização de uma identidade narrativa que atravessa diferentes períodos históricos como um dos elementos que distinguia a canção de outras composições antiguerra surgidas durante o renascimento da música folk da década de 1960.

Em março de 1966, Ochs editou Phil Ochs in Concert, o seu terceiro e último álbum pela Elektra Records. Ao contrário do que era habitual em muitos álbuns ao vivo, o repertório era constituído inteiramente por canções que Ochs ainda não tinha editado em versões de estúdio, incluindo «When I'm Gone», «Cops of the World» e «Changes». O disco tornou-se o primeiro álbum do músico a entrar na tabela da Billboard, alcançando a 149.ª posição.

Apesar do título, Phil Ochs in Concert não corresponde ao registo integral de uma única atuação. O concerto realizado no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em 7 de janeiro de 1966, foi gravado pela Elektra, mas problemas vocais de Ochs tornaram grande parte do material inutilizável. Foram realizadas novas gravações no Jordan Hall, em Boston, e, posteriormente, no Judson Hall, em Nova Iorque, onde parte substancial das interpretações foi registada sem público. O álbum incorporou ainda excertos das interações de Ochs com as audiências dos concertos anteriores, preservando parte do humor e dos comentários satíricos que caracterizavam as suas apresentações.

A contracapa da edição original incluía traduções de oito poemas de Mao Tsé-Tung, acompanhadas pela pergunta «Is this the enemy?». Numa entrevista publicada em maio de 1966, Ochs chamou a atenção para a inclusão dos poemas ao apresentar o novo álbum e afirmou ter enviado a Mao uma cópia do disco, juntamente com 50 dólares e uma nota de agradecimento.

Ainda em 1966, Ochs voltou a gravar «I Ain't Marching Anymore» numa versão de folk rock elétrico, sob a direção de gravação de Paul A. Rothchild. O novo arranjo contou com músicos dos Blues Project, incluindo Danny Kalb, que já participara no primeiro álbum de Ochs, Steve Katz nas guitarras, Andy Kulberg no baixo, Roy Blumenfeld na bateria e Al Kooper ao piano, além de gaita-de-foles na abertura e no final. A gravação representou uma das primeiras experiências de Ochs com o rock elétrico e foi originalmente editada apenas no Reino Unido, em formato de single.

No Newport Folk Festival de 1966, Ochs apresentou várias composições ainda inéditas que antecipavam a fase seguinte da sua carreira, entre as quais «Cross My Heart», «Half a Century High», «Is There Anybody Here», «The Party» e «Pleasures of the Harbor». As gravações destas atuações, posteriormente editadas em Live at Newport, preservam versões acústicas de temas que viriam a receber arranjos muito mais elaborados nos álbuns Pleasures of the Harbor e Tape from California, evidenciando o contraste entre o formato solo de voz e guitarra e a expansão instrumental que caracterizaria a sua produção posterior.

Cartaz de Phil Ochs em Montreal a 22 de outubro de 1966.

Em 22 de outubro de 1966, Ochs apresentou-se na Salle Claude Champagne, em Montreal, num concerto que documentou outro momento de transição na sua carreira. Ainda sozinho em palco, acompanhado apenas pela guitarra, apresentou um repertório de vinte canções que incluía várias composições recentes, como «Cross My Heart», «Flower Lady», «Pleasures of the Harbor», «Outside of a Small Circle of Friends», «Crucifixion» e «Is There Anybody Here?». O concerto, posteriormente editado como Live in Montreal 10/22/66, tem sido descrito como um ponto de passagem entre o formato acústico que caracterizara os seus discos para a Elektra e os arranjos instrumentais mais elaborados e ecléticos que adotaria em Pleasures of the Harbor.

A&M Records e expansão musical

Em maio de 1967, Ochs assinou contrato com a A&M Records, sendo contratado por Jerry Moss e obtendo controlo artístico sobre o seu trabalho. Em agosto iniciou a gravação de Pleasures of the Harbor, procurando ampliar substancialmente a abordagem musical dos seus discos anteriores. Segundo Ochs, as composições daquele período prestavam-se a uma orquestração de caráter relativamente clássico e à utilização de outros instrumentos, concebendo o álbum como uma experiência sonora mais abrangente.

Pleasures of the Harbor foi lançado nos Estados Unidos pela A&M Records em 31 de outubro de 1967. Para concretizar a nova abordagem musical, Ochs trabalhou com o produtor Larry Marks, o arranjador Ian Freebairn-Smith e o pianista Lincoln Mayorga, todos com formação clássica. O álbum incorporou uma variedade de recursos instrumentais e estilísticos muito superior à dos trabalhos anteriores, refletindo também as transformações então em curso na música popular, nomeadamente a adoção do acompanhamento rock por Bob Dylan e a expansão das possibilidades de produção evidenciada por Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. William Ruhlmann, da AllMusic, considera-o o trabalho musicalmente mais variado e ambicioso de Ochs, observando que, embora as letras fossem geralmente menos diretamente políticas, continuavam a expressar a sua crítica social.

Página da revista Helix dedicada a Phil Ochs, novembro de 1967.

Entre as faixas do álbum destacou-se «Outside of a Small Circle of Friends», inspirada pelo assassinato de Kitty Genovese em Nova Iorque, em 1964, e construída como uma sátira à indiferença perante a violência e outras formas de injustiça. A composição contrapõe deliberadamente temas sombrios a um acompanhamento musical de caráter alegre, criando um efeito irónico. Lançada também como single, com «Miranda» no lado B, a canção encontrou dificuldades de difusão radiofónica devido a uma referência à marijuana, tendo sido preparadas versões censuradas para promoção nas rádios.

Em 1968, Ochs lançou Tape from California, álbum no qual combinou elementos das duas fases anteriores da sua obra. Depois da rutura com a escrita de temas tópicos e com o formato predominantemente acústico que marcara Pleasures of the Harbor, o novo disco recuperou assuntos diretamente políticos, entre os quais a guerra e o movimento sindical, ao mesmo tempo que manteve composições de caráter mais poético e arranjos instrumentais mais complexos, alternados com acompanhamentos simples de guitarra.

A produção voltou a ficar a cargo de Larry Marks, embora os arranjos orquestrais fossem utilizados de forma mais contida do que no álbum anterior. A faixa-título incorporou instrumentação elétrica e uma aproximação ao rock, enquanto «When in Rome», inspirada pelo filme Viva Zapata!, desenvolveu uma narrativa extensa que combina diferentes episódios históricos numa visão de violência e decadência através dos tempos.

Chicago, desencanto político e Rehearsals for Retirement

Em agosto de 1968, Ochs participou ativamente nos protestos realizados em Chicago durante a Convenção Nacional Democrata, num contexto de forte oposição à Guerra do Vietname. Próximo de Jerry Rubin e Abbie Hoffman e das ações do Youth International Party (Yippies), esteve entre os primeiros manifestantes detidos durante a convenção, após participar na apresentação de um porco chamado «Pigasus» como candidato presidencial do grupo. Ochs, Rubin e outros cinco participantes foram detidos por conduta desordeira.

Manifestante diante de soldados da Guarda Nacional em Grant Park, durante a Convenção Nacional Democrata de 1968, em Chicago.

Em 27 de agosto, Ochs atuou com o comediante Dick Gregory no Chicago Coliseum, durante uma manifestação contra a administração de Lyndon B. Johnson, onde interpretou «The War Is Over» e dedicou parte da atuação à memória de Robert F. Kennedy, assassinado meses antes. No dia seguinte, participou com Allen Ginsberg numa marcha de Grant Park em direção ao International Amphitheatre, local da convenção, que foi bloqueada pela polícia com gás lacrimogéneo. Os confrontos entre manifestantes e forças policiais que marcaram aqueles dias seriam posteriormente caracterizados como um «motim policial» (police riot) num relatório federal.

Na noite de 28 de agosto, Ochs voltou a atuar junto ao Conrad Hilton Hotel, acompanhado por Peter Yarrow e Mary Travers, perante manifestantes cercados por unidades da Guarda Nacional. No dia seguinte, durante uma concentração em Grant Park, dirigiu-se diretamente aos soldados e apelou a que um deles depusesse as armas e se juntasse aos manifestantes; nenhum o fez.

O impacto dos acontecimentos de Chicago refletiu-se diretamente no trabalho seguinte de Ochs. Em 1969 lançou Rehearsals for Retirement, álbum marcado pelo desencanto político e pessoal que se seguiu à convenção e à posterior eleição de Richard Nixon. A própria capa apresentava uma lápide com o nome do músico e as inscrições «Born: El Paso, Texas 1940» e «Died: Chicago, Illinois 1968», convertendo simbolicamente os acontecimentos de Chicago num marco de rutura na sua trajetória.

Musicalmente, o álbum manteve a vertente poética de Ochs, mas apresentou uma abordagem mais sombria e conflituosa. «Pretty Smart on My Part», uma das gravações de rock mais vigorosas que realizara até então, adotava a perspetiva de um extremista de direita violento, enquanto «I Kill Therefore I Am» recorria à voz de um polícia para satirizar a repressão e a intolerância. Em «William Butler Yeats Visits Lincoln Park and Escapes Unscathed», uma balada ao piano em compasso de valsa, Ochs evocou diretamente os confrontos entre manifestantes e polícia ocorridos em Chicago. O desencanto provocado pela convenção e pela eleição de Nixon reapareceu em «Another Age», enquanto outras composições, como «My Life» e «The Scorpion Departs but Never Returns», acentuaram o tom de desilusão que atravessa o álbum.

Ochs regressou a Chicago em 1969 para testemunhar no julgamento de oito ativistas acusados na sequência dos protestos durante a Convenção Nacional Democrata do ano anterior. Durante o seu depoimento, o advogado de defesa William Kunstler apresentou a guitarra de Ochs e pediu autorização para que interpretasse «I Ain't Marching Anymore» perante o tribunal. O juiz Julius Hoffman recusou permitir a atuação, autorizando-o apenas a recitar a letra da canção.

Greatest Hits, Elvis Presley e nova direção artística

Após Rehearsals for Retirement, Ochs procurou afastar-se da composição diretamente política e encontrar uma nova direção artística. Em 1970 trabalhou com o produtor e arranjador Van Dyke Parks em Greatest Hits, título deliberadamente irónico para um álbum constituído por material novo e que exprimia também a tentativa de iniciar uma nova fase na sua carreira. A contracapa prolongava a ironia com a frase «Fifty Phil Ochs Fans Can't Be Wrong!». Apesar dessa apresentação, o álbum teve reduzido sucesso comercial.

Grande parte das composições voltou-se para referências pessoais e para as influências musicais da juventude de Ochs. «Boy in Ohio» recuperava memórias da infância, «Jim Dean of Indiana» evocava James Dean, enquanto «Gas Station Women» e «My Kingdom for a Car» se aproximavam do rockabilly e da música country que haviam marcado os seus primeiros interesses musicais. Em contraste, «Chords of Fame» refletia sobre a fama que nunca alcançara plenamente, e «No More Songs», que encerrava o álbum, assumia a forma de uma despedida da própria inspiração criativa. «Ten Cents a Coup» era a única composição diretamente temática do disco.

Após Rehearsals for Retirement, Ochs procurou afastar-se da composição diretamente política e encontrar uma nova direção artística. Em 1970 trabalhou com o produtor e arranjador Van Dyke Parks em Greatest Hits, título deliberadamente irónico para um álbum constituído por material novo. Grande parte das composições recuperava referências pessoais e influências musicais da juventude: «Boy in Ohio» evocava a infância, «Jim Dean of Indiana» homenageava James Dean, enquanto «Gas Station Women» e «My Kingdom for a Car» retomavam elementos do rockabilly e da música country. «Chords of Fame» refletia sobre a fama que Ochs nunca alcançara plenamente, enquanto «No More Songs», que encerrava o álbum, assumia a forma de uma despedida da própria inspiração criativa.

A conceção visual do álbum reforçou essa tentativa de mudança. Na capa, Ochs surgiu vestido com um fato de lamé dourado, encomendado ao alfaiate Nudie Cohn, semelhante ao usado por Elvis Presley na capa de 50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong: Elvis' Gold Records, Vol. 2, de 1959, enquanto a contracapa apresentava a frase irónica «50 Phil Ochs Fans Can't Be Wrong!». Ochs tinha assistido pouco antes a uma atuação de Presley em Las Vegas, e o conceito procurava associar o caráter rebelde do rock and roll dos anos 1950 ao espírito revolucionário do final da década seguinte.

Os concertos no Carnegie Hall

No mesmo período, Ochs iniciou uma digressão em que passou a apresentar-se com o fato de lamé dourado e, pela primeira vez, acompanhado por uma banda. A nova abordagem culminou em dois concertos no Carnegie Hall, em Nova Iorque, realizados nas noites de 27 e 28 de março de 1970, nos quais procurou apresentar ao público a nova conceção artística que vinha desenvolvendo.

Na primeira noite, Ochs entrou em palco com o fato de lamé dourado, procurando fundir simbolicamente a sensibilidade revolucionária de Che Guevara com a música popular de Elvis Presley. A proposta encontrou resistência entre parte do público, habituado ao seu repertório folk e de protesto. A alternância entre composições próprias e temas associados a Presley, Buddy Holly e Merle Haggard provocou vaias e pedidos para que interpretasse as suas próprias canções. Ochs procurou explicar a nova orientação e apelou ao público para que não adotasse uma atitude fechada. A atuação foi ainda interrompida por uma ameaça de bomba, que obrigou à evacuação temporária da sala.

Acompanhado por Lincoln Mayorga, Bob Rafkin, Kevin Kelley e Kenny Kaufman, Ochs apresentou versões de algumas das suas próprias composições e medleys de temas associados a Presley e Holly, além de «Mona Lisa» e «Okie from Muskogee». A seleção posteriormente editada em Gunfight at Carnegie Hall não refletiu integralmente o repertório do concerto, uma vez que várias composições originais ficaram de fora, dando maior destaque às versões de rock and roll. A atuação prolongou-se até cerca das três da manhã e chegou a ser temporariamente interrompida pelo corte da alimentação elétrica do Carnegie Hall devido à hora tardia; Ochs regressou depois ao palco para interpretar «A Fool Such As I» como encore.

Ochs procurou durante algum tempo convencer a A&M Records a editar as gravações dos concertos. A editora acabaria por lançar Gunfight at Carnegie Hall em 1974, numa edição de circulação limitada inicialmente disponível apenas no Canadá. O álbum reuniu cerca de 46 minutos e meio das gravações realizadas no Carnegie Hall e não refletiu integralmente o repertório apresentado, uma vez que várias composições originais ficaram de fora, dando maior destaque às versões de rock and roll. Durante anos de difícil acesso, o disco seria posteriormente reeditado em CD e incluído numa edição conjunta com Rehearsals for Retirement.

Chile, Víctor Jara e ativismo internacional

Em agosto de 1971, Ochs viajou para o Chile, interessado na experiência política do governo de Salvador Allende, eleito presidente no ano anterior. Durante a estadia conheceu o cantor e compositor chileno Víctor Jara, destacado representante da Nueva Canción Chilena e apoiante do governo de Allende. Apesar das diferenças culturais e musicais, os dois estabeleceram rapidamente uma relação de amizade assente no interesse comum pela música de intervenção e pelo envolvimento político.

Túmulo de Víctor Jara no Cemitério Geral de Santiago, no Chile.

Ochs e Jara atuaram juntos durante a passagem do músico norte-americano pelo país, incluindo apresentações perante trabalhadores de uma mina chilena. Jara traduziu para o público as letras das canções interpretadas por Ochs, que registou no seu diário ter ficado profundamente impressionado com a experiência. Segundo Joan Jara, Ochs ficou também marcado pelo compromisso, entusiasmo e sinceridade artística do músico chileno, em quem reconheceu uma grande proximidade de ideais.

Em 11 de setembro de 1973, um golpe de Estado militar derrubou o governo de Salvador Allende. No dia seguinte, Víctor Jara foi detido por militares na Universidade Técnica do Estado e conduzido ao Estadio Chile, utilizado como centro de detenção, onde foi torturado e assassinado poucos dias depois. A morte do músico, com quem Ochs estabelecera uma relação de amizade durante a sua passagem pelo Chile em 1971, teve um forte impacto sobre o cantor norte-americano.

Como resposta ao golpe militar e à morte de Jara, Ochs participou na organização de An Evening with Salvador Allende, concerto de solidariedade promovido pelos Friends of Chile e realizado em 9 de maio de 1974 no Felt Forum, integrado no Madison Square Garden, em Nova Iorque. O evento reuniu músicos, artistas e figuras ligadas à solidariedade com o Chile, entre os quais Pete Seeger, Arlo Guthrie, Gato Barbieri, o diplomata sueco Harald Edelstam e o grupo teatral The Living Theatre. Bob Dylan, que não figurava entre os participantes inicialmente anunciados, acabou por atuar no concerto.

A participação de Dylan foi acertada numa fase tardia da preparação do evento e não constava do cartaz original. Durante o concerto, interpretou «North Country Blues» e «Spanish Is the Loving Tongue», juntando-se ainda a Arlo Guthrie em «Deportee» e a Ochs, Seeger e outros participantes em «Blowin' in the Wind». O evento angariou cerca de 30 mil dólares destinados a refugiados chilenos.

Viagens internacionais e agressão em África

Em setembro de 1973, Ochs viajou para África acompanhado por David Ifshin, com a intenção de percorrer vários países do continente, realizar concertos e palestras e acompanhar de perto movimentos de transformação política e social. O itinerário previsto incluía Etiópia, Quénia, Tanzânia, Malawi e África do Sul, e Ochs manifestou também interesse pela música africana e pela possibilidade de realizar gravações durante a viagem.

Em Dar es Salaam, na Tanzânia, Ochs foi atacado durante a noite enquanto caminhava numa praia. Foi estrangulado, espancado até perder os sentidos e roubado, tendo sido encontrado na manhã seguinte e levado para o hospital. As lesões nas cordas vocais afetaram o seu registo agudo, e os médicos admitiram que a voz poderia nunca recuperar por completo. Apesar disso, Ochs prosseguiu a viagem e ainda realizou algumas atuações.

O fim da Guerra do Vietname e o concerto no Central Park

Phil Ochs durante o concerto no Central Park, em 11 de maio de 1975.

Em 11 de maio de 1975, poucas semanas após o fim da Guerra do Vietname, Ochs participou na organização de The War Is Over, um concerto gratuito e manifestação pela paz realizados no Sheep Meadow, no Central Park, em Nova Iorque. O evento reuniu cerca de 50 000 pessoas e contou com músicos ligados à folk e à canção de intervenção, entre os quais Joan Baez, Pete Seeger, Tom Paxton, Richie Havens, Odetta e Peter Yarrow, além das participações de Paul Simon, Harry Belafonte e Patti Smith.

Durante a sua atuação, Ochs interpretou «I Ain't Marching Anymore», cantou «There but for Fortune» em dueto com Joan Baez e encerrou a sua participação com «The War Is Over», composição que escrevera vários anos antes como expressão da oposição à guerra. A atuação revelou também as dificuldades vocais que continuava a sentir após a agressão sofrida na Tanzânia: antes de «I Ain't Marching Anymore», Ochs reconheceu perante o público que a sua voz já não lhe permitia alcançar com facilidade as notas mais agudas, e durante «The War Is Over» recorreu a um registo mais grave em parte da interpretação.

Últimos anos e morte

Nos meses que se seguiram ao concerto no Central Park, o estado psicológico de Ochs deteriorou-se progressivamente. O cantor atravessava períodos de depressão, enfrentava um prolongado bloqueio criativo e o consumo de álcool tornou-se cada vez mais frequente. O seu comportamento passou também a preocupar familiares e amigos, alternando períodos de isolamento com episódios de agitação e agressividade.

Em meados de 1975, Ochs começou a apresentar-se como «John Butler Train», uma identidade que adotou durante um período de acentuada instabilidade. Segundo relatos de familiares e amigos recolhidos posteriormente pelos seus biógrafos, afirmava que Train tinha matado Phil Ochs e ocupado o seu lugar. Durante este período continuou ocasionalmente a atuar, mas o seu comportamento tornou-se cada vez mais imprevisível, levando familiares e amigos a procurar obter-lhe assistência médica.

Ao longo dos últimos meses de 1975, a identidade de John Butler Train foi gradualmente desaparecendo. Em janeiro de 1976, Ochs mudou-se para casa da irmã Sonny, em Far Rockaway, no bairro nova-iorquino de Queens. Aí levou uma vida cada vez mais recolhida, passando grande parte do tempo a ver televisão e a jogar às cartas com os sobrinhos. Durante este período consultou um psiquiatra e recebeu tratamento para os problemas de saúde mental que o afetavam.

Nos primeiros meses de 1976, Ochs permaneceu em casa de Sonny, levando uma vida cada vez mais recolhida. Apesar do seu estado de saúde, houve ainda momentos em que voltou à música. Em 3 de abril, durante uma pequena reunião em casa da irmã, aceitou tocar algumas canções para os presentes, entre elas «There but for Fortune» e «Changes».

Em 9 de abril de 1976, Phil Ochs morreu por suicídio em casa de Sonny, em Far Rockaway, aos 35 anos. No dia anterior tinha estado com a mãe, Gertrude.

Estilo musical e composição

A obra de Phil Ochs desenvolveu-se inicialmente no contexto do renascimento da música folk norte-americana do início da década de 1960. Influenciado por autores como Woody Guthrie e Pete Seeger, Ochs adotou nos primeiros anos um formato predominantemente acústico, baseado na voz e na guitarra, no qual as letras e a narrativa ocupavam uma posição central.

A sua formação em jornalismo teve particular influência na composição. Ochs descrevia-se como um singing journalist («jornalista cantor») e escreveu numerosas canções a partir de acontecimentos políticos e sociais contemporâneos, abordando temas como os direitos civis, os conflitos laborais e a Guerra do Vietname. A sátira e a ironia constituíram igualmente elementos recorrentes da sua escrita, presentes em composições como «Draft Dodger Rag», «Love Me, I'm a Liberal» e «Outside of a Small Circle of Friends».

Embora tenha ficado particularmente associado à canção de protesto, Ochs começou ainda em meados da década de 1960 a afastar-se da composição estritamente tópica. Surgiram canções de caráter mais pessoal, narrativo ou abstrato, entre as quais «Changes», «Flower Lady», «Pleasures of the Harbor» e «Crucifixion», sem que desaparecesse por completo o comentário político e social que caracterizara o seu trabalho inicial.

A partir de Pleasures of the Harbor (1967), essa evolução tornou-se também musical. O acompanhamento predominantemente acústico dos primeiros discos deu lugar a uma paleta instrumental consideravelmente mais ampla, com piano, cravo, sopros, metais e cordas, e a arranjos que incorporavam elementos de jazz, música clássica, rock e experimentação eletrónica. Apesar do afastamento da canção tópica tradicional, a escrita de Ochs manteve uma forte componente narrativa e uma atenção detalhada a personagens, ambientes e acontecimentos.

«Crucifixion», incluída em Pleasures of the Harbor, constitui um dos exemplos mais marcantes dessa experimentação. Inspirada pelo assassinato de John F. Kennedy, a composição desenvolve uma reflexão mais ampla sobre a criação e destruição de figuras heroicas pela sociedade. Na gravação do álbum, o arranjo de Joseph Byrd afastou a canção do formato acústico em que Ochs habitualmente a interpretava, recorrendo a técnicas associadas à musique concrète, loops, cravo elétrico e efeitos de distorção eletrónica. O resultado exemplificava a crescente utilização do estúdio e dos arranjos como elementos da construção musical das gravações de Ochs.

Apesar da crescente complexidade dos arranjos, a receção crítica contemporânea continuou a salientar a autonomia das composições: numa crítica de 1968, a Melody Maker observou que as canções mantinham a sua força quando interpretadas apenas com acompanhamento de guitarra.

Outro recurso utilizado por Ochs foi o contraste deliberado entre o conteúdo das letras e o caráter do acompanhamento musical. Em «Outside of a Small Circle of Friends», inspirada pelo assassinato de Kitty Genovese, utilizou a sátira para abordar a indiferença perante situações de violência e injustiça, alargando posteriormente a narrativa a outros exemplos de apatia social. O conteúdo sombrio da composição é contraposto por um arranjo de caráter jovial, com piano em estilo ragtime e elementos de Dixieland, criando uma dissonância deliberada entre música e letra que reforça o efeito satírico.

Ao longo da carreira, Ochs conservou assim uma forte ligação entre texto e música, mesmo quando se afastou do formato acústico dos primeiros anos. A sua obra passou da composição tópica e diretamente ligada aos acontecimentos contemporâneos para formas mais pessoais, narrativas e experimentais, sem abandonar a sátira, o comentário social e a atenção à palavra que tinham caracterizado as suas primeiras canções.

Legado

Após a morte de Ochs, as suas composições continuaram a ser interpretadas e gravadas por músicos de diferentes gerações. «There but for Fortune», que Joan Baez já havia popularizado durante a vida do compositor, tornou-se uma das suas canções mais difundidas, enquanto outras obras do seu repertório foram posteriormente interpretadas por artistas provenientes do folk, rock e de outros géneros. A permanência das suas canções para além do contexto político e social em que foram originalmente escritas contribuiu para sucessivas reavaliações da sua obra nas décadas seguintes.

O espólio documental de Ochs encontra-se preservado no Woody Guthrie Center, em Tulsa, Oklahoma. A coleção Phil Ochs Papers, proveniente da sua filha Meegan Ochs, reúne letras originais, cadernos, correspondência, fotografias, gravações e outros documentos relacionados com a sua vida e carreira.

Um exemplo da permanência do repertório de Ochs entre diferentes gerações de músicos foi o álbum de tributo What's That I Hear?: The Songs of Phil Ochs, editado em 1998. A coletânea reuniu 28 composições interpretadas por artistas como Tom Paxton, Peter Yarrow, Dave Van Ronk, Eric Andersen, Iain Matthews, Arlo Guthrie e Billy Bragg, incluindo também algumas canções que Ochs não chegou a gravar oficialmente.

A preservação e divulgação da obra de Ochs foi também promovida pela irmã Sonny Ochs, que organizou durante décadas os Phil Ochs Song Nights, concertos nos quais diferentes músicos interpretam as suas composições. A sua vida e obra foram igualmente abordadas nos documentários Chords of Fame (1984) e Phil Ochs: There but for Fortune (2010), realizado por Kenneth Bowser e posteriormente exibido pela série American Masters, da PBS.

Discografia

Álbuns de estúdio

Álbuns ao vivo

Lançamentos póstumos selecionados

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