Buenos Aires | |
|---|---|
Cidade | |
| Apelido(s) | Baires |
| Gentílico | portenho |
| Localização de Buenos Aires na Argentina | |
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| Coordenadas: 34° 35′ 59″ S, 58° 22′ 55″ O | |
| País | |
| Província | Cidade Autônoma |
| Fundação | 3 de fevereiro de 1536 11 de junho de 1580 |
| Fundador | Pedro de Mendoza Juan de Garay (segunda fundação) |
| Governo | |
| • Prefeito | Jorge Macri (PRO-JxC) |
| • Vice-prefeita | Clara Muzzio [es] |
| Área | |
| • Total | 202 km² |
| Altitude | 25 m |
| População | |
| • Total (2010) | 2 891 082 hab. |
| • Posição | 1º |
| • Estimativa (Urbana) | 2,995,805 |
| Densidade | 14,312 hab./km² |
| • Metropolitana | 12,925,000 |
| Fuso horário | -3 |
| • Verão | -2 |
| CPA | 1000 - 14 |
| IDH (2018) | 0,867 — muito alto |
| • Posição | 1º |
| Sítio | www.buenosaires.gob.ar |
Buenos Aires, oficialmente Cidade Autônoma (português brasileiro) ou Autónoma (português europeu) de Buenos Aires (CABA), é a capital e maior cidade da Argentina. Está localizada no sudoeste do Rio da Prata e é classificada como uma cidade global alfa− de acordo com o ranking GaWC de 2024. A cidade propriamente dita tem uma população de 3,1 milhões, enquanto sua área metropolitana tem uma população de 16,7 milhões, tornando-a a 21ª área metropolitana mais populosa do mundo.
É conhecida por sua arquitetura europeia eclética preservada e rica vida cultural. É uma cidade multicultural que abriga múltiplos grupos étnicos e religiosos, contribuindo para sua cultura, bem como para o dialeto falado na cidade e em outras partes do país. Desde o século XIX, a cidade, e o país em geral, tem sido um grande receptor de milhões de imigrantes de todo o mundo, tornando-se um caldeirão cultural onde muitos grupos étnicos convivem, sendo Buenos Aires considerada uma das cidades mais diversas das Américas.
A cidade é um distrito autônomo e não faz parte da Província de Buenos Aires, nem é sua capital. Em 1880, após a Guerra Civil Argentina, Buenos Aires foi federalizada e separou-se da província homônima. Os limites da cidade foram ampliados para incluir as localidades de Belgrano e Flores, ambas agora bairros da cidade. A emenda constitucional de 1994 concedeu autonomia à cidade, daí sua denominação oficial de Cidade Autônoma de Buenos Aires. Os cidadãos elegeram seu primeiro Chefe de Governo em 1996. Anteriormente, o prefeito era nomeado diretamente pelo presidente da Argentina.
A conurbação da Grande Buenos Aires inclui várias cidades vizinhas, localizadas nos distritos adjacentes da província de mesmo nome. Constitui a quarta área metropolitana mais populosa das Américas e é a segunda maior cidade ao sul do Trópico de Capricórnio. Buenos Aires tem o maior índice de desenvolvimento humano de todas as divisões administrativas argentinas. Sua qualidade de vida foi classificada em 97º lugar no mundo em 2024, sendo uma das melhores da América Latina.
Os arquivos aragoneses registram que missionários catalães e jesuítas que chegaram a Cagliari (Sardenha) sob a Coroa de Aragão, após sua conquista dos pisanos em 1324, estabeleceram sua sede no topo de uma colina com vista para a cidade. A colina era conhecida por eles como Bonaira (ou Bonaria em sardo), pois estava livre do mau cheiro prevalente na cidade velha (a área do castelo), que ficava adjacente a um pântano. Durante o cerco de Cagliari, os catalães construíram um santuário dedicado à Virgem Maria no topo da colina. Em 1335, o rei Afonso, o Gentil, doou a igreja aos mercedários, que construíram uma abadia que permanece até hoje. Nos anos seguintes, circulou uma história que afirmava que uma estátua da Virgem Maria foi recuperada do mar depois de ter acalmado milagrosamente uma tempestade no Mediterrâneo. A estátua foi colocada na abadia. Os marinheiros espanhóis, especialmente os andaluzes, veneravam esta imagem e frequentemente invocavam os "Bons Ventos" para os auxiliar na navegação e evitar naufrágios. Um santuário dedicado à Virgem do Buen Ayre seria posteriormente erguido em Sevilha.
Na fundação de Buenos Aires, marinheiros espanhóis chegaram ao Rio da Prata agradecendo as bênçãos de Santa Maria de los Buenos Aires, 'Santa Maria dos Bons Ventos', a quem eles acreditavam ter dado os bons ventos para chegar à costa do que é hoje a cidade moderna. Pedro de Mendoza chamou a cidade de 'Santa Maria dos Bons Ventos', um nome sugerido pelo capelão da expedição de Mendoza – um devoto da Virgem de Buen Ayre – em homenagem à Madonna de Bonaria da Sardenha (que ainda hoje é a padroeira da ilha mediterrânea). O assentamento de Mendoza logo foi atacado por povos indígenas e foi abandonado em 1541.
Durante muitos anos, o nome foi atribuído a um certo Sancho del Campo, que teria exclamado: "Como são bons os ventos desta terra!" ao chegar. Em 1882, após extensa pesquisa em arquivos espanhóis, o comerciante argentino Eduardo Madero concluiu que o nome estava, na verdade, intimamente ligado à devoção dos marinheiros a Nossa Senhora do Bom Ar. Um segundo assentamento (e permanente) foi estabelecido em 1580 por Juan de Garay, que navegou pelo rio Paraná a partir de Assunção, atual capital do Paraguai. Garay preservou o nome originalmente escolhido por Mendoza, chamando a cidade Ciudad de la Santísima Trinidad y Puerto de Santa María del Buen Aire ('Cidade da Santíssima Trindade e Porto de Santa Maria dos Bons Ventos'). A forma abreviada que eventualmente se tornou o nome da cidade, "Buenos Aires", tornou-se comum durante o século XVII.




O marinheiro Juan Díaz de Solís, navegando em nome do Império Espanhol, foi o primeiro europeu a chegar ao Rio da Prata em 1516. Sua expedição foi interrompida quando foi morto durante um ataque da tribo nativa dos charruas, na região do atual Uruguai. A cidade de Buenos Aires foi estabelecida pela primeira vez como Ciudad de Nuestra Señora Santa Maria del Buen Ayre (literalmente "Cidade de Nossa Senhora Santa Maria dos Bons Ventos") em homenagem a Nossa Senhora de Bonaria (Padroeira da Sardenha) em 2 de fevereiro 1536 por uma expedição espanhola liderada por Pedro de Mendoza. O assentamento fundado por Mendoza estava localizado no atual bairro de San Telmo, ao sul do centro da cidade.
Mas ataques indígenas derrubaram os colonos e, em 1542, o local foi abandonado. Um segundo (e permanente) acordo foi estabelecido em 11 de junho de 1580 por Juan de Garay, que chegou navegando pelo rio Paraná de Assunção (atual capital do Paraguai). Ele apelidou o assentamento Santísima Trinidad e seu porto tornou-se Puerto de Santa María dos Buenos Aires.
Desde os primeiros dias, Buenos Aires dependia principalmente do comércio. Durante a maior parte do século XVI, os navios espanhóis eram ameaçados por piratas, por isso desenvolveram um sistema complexo onde navios com proteção militar eram despachados para a América Central em um comboio de Sevilha, o único porto permitido para comercializar com as colônias, até Lima, no Peru, e para as outras cidades do vice-reino. Por isto, os produtos levavam muito tempo para chegar em Buenos Aires e os impostos gerados pelo transporte os tornaram proibitivos. Este esquema frustrou os comerciantes locais e uma próspera e informal indústria de contrabando, ainda que aceito pelas autoridades, se desenvolveu dentro das colônias e com os portugueses. Isto também inculcou um profundo ressentimento entre os porteños em relação às autoridades espanholas.
Percebendo esses sentimentos, Carlos III da Espanha aliviou progressivamente as restrições comerciais e, finalmente, declarou Buenos Aires um porto aberto no final do século XVIII. A captura de Porto Bello pelas forças britânicas também alimentou a necessidade de promover o comércio através da rota atlântica, em detrimento do comércio baseado em Lima. Uma de suas decisões foi dividir uma região do Vice-Reino do Peru e criar, em vez disso, o Vice-Reino do Rio da Prata, com Buenos Aires como a sua capital. No entanto, as ações de Carlos não tiveram o efeito desejado e os porteños, alguns impulsionados pela Revolução Francesa, ficaram ainda mais convencidos da necessidade de independência da Espanha.


A chegada de ideias liberais fomentou a criação de movimentos emancipadores, que desencadearam em 1810 a Revolução de Maio e a criação do primeiro governo pátrio. Logo depois das guerras civis e da reunificação do país, Buenos Aires foi eleita lugar de residência do Governo Nacional, ainda que este carecesse de autoridade administrativa sobre a cidade, que formava parte da província de Buenos Aires.
Durante a maior parte do século XIX, o estatuto político de Buenos Aires permaneceu um assunto sensível. A cidade já era a capital da Província de Buenos Aires e, entre 1853 e 1860, era a capital do Estado de Buenos Aires. A questão foi combatida mais de uma vez no campo de batalha, até que o assunto finalmente foi resolvido em 1880, quando a cidade foi federalizada e se tornou sede do governo do país, com o seu prefeito nomeado pelo presidente. A Casa Rosada tornou-se a residência oficial do presidente.
As condições de saúde em áreas pobres eram ruins, com altas taxas de tuberculose. Os médicos e os políticos de saúde pública geralmente culpavam os próprios pobres e as suas casas desoladoras (conventillos) pela disseminação da doença temida. As pessoas ignoraram as campanhas de saúde pública para limitar a propagação de doenças contagiosas, como a proibição de cuspir nas ruas, as diretrizes rígidas para cuidar de bebês e crianças pequenas e quarentenas que separaram famílias.
A necessidade do Governo Nacional de federalizá-la, somada ao movimento de tropas ordenado pelo governador da província, Carlos Tejedor, produziu em 1880 uma série de confrontos que terminariam com a derrota da província de Buenos Aires e a união da cidade ao sistema federal. Em 1882, o Congresso Nacional criou a figura dos intendentes e o Conselho Deliberante da cidade. O intendente não era eleito por voto popular e sim designado pelo Presidente da Nação em conformidade com o Senado. O primeiro a exercer o novo cargo foi Torcuato de Alvear, designado em 1883 por Julio A. Roca.

Além da riqueza gerada pela Alfândega de Buenos Aires e pelas terras férteis dos pampas, o desenvolvimento da ferrovia na segunda metade do século XIX aumentou o poder econômico de Buenos Aires à medida que as matérias-primas fluíam para suas fábricas. Um dos principais destinos para imigrantes da Europa de 1880 a 1930, particularmente da Itália e da Espanha, Buenos Aires tornou-se uma cidade multicultural do mesmo nível das principais capitais europeias. O Teatro Colón tornou-se um dos principais casas de ópera do mundo e a cidade tornou-se a capital regional do rádio, da televisão, do cinema e do teatro. As principais avenidas da cidade foram construídas durante esses anos e os alvoreceres do século XX viram a construção de alguns dos edifícios mais altos da América do Sul e seu primeiro sistema de metrô.



Buenos Aires também atraiu migrantes das províncias argentinas e países vizinhos. As favelas (villas miseria) começaram a crescer em torno das áreas industriais da cidade durante a década de 1930, levando a problemas sociais disseminados e contrastes sociais. Esses trabalhadores tornaram-se a base política do peronismo, que surgiu em Buenos Aires durante a manifestação de 17 de outubro de 1945, na Praça de Maio. Trabalhadores industriais do cinto industrial da Grande Buenos Aires são a principal base de apoio do peronismo desde então e a Praça de Maio tornou-se o local para manifestações e muitos dos eventos políticos do país; em 16 de junho de 1955, no entanto, uma facção da Marinha Argentina bombardeou a área da praça, matando 364 civis. Esta foi a única vez que a cidade sofreu um ataque aéreo e o evento foi seguido por um levante militar que depôs o presidente Juan Domingo Perón três meses depois.
Na década de 1970, a cidade sofreu a luta entre movimentos revolucionários de esquerda (Montoneros, E.R.P. e F.A.R.) e o grupo paramilitar de direita Triple A, apoiado por Isabel Perón, que se tornou presidente da Argentina em 1974 após a morte de Juan Perón.
O golpe de março de 1976, liderado pelo general Jorge Videla, apenas aumentou esse conflito; a "guerra suja" resultou em 30 mil desaparecidos (pessoas sequestradas e mortas pelos militares durante os anos da junta). As marchas silenciosas das Mães da Praça de Maio são uma imagem bem conhecida do sofrimento dos argentinos neste período. O prefeito nomeado pela ditadura, Osvaldo Cacciatore, também elaborou planos para uma rede de rodovias destinada a aliviaro trânsito intenso da cidade. O plano, no entanto, exigiu uma destruição aparentemente indiscriminada de áreas residenciais. Aquelas que não foram destruídas, sofreram com as rodovias elevadas intrusas que fizeram com que vários bairros anteriormente confortáveis entrassem em decadência.
O retorno da democracia em 1983 coincidiu com um avivamento cultural, e a década de 1990 viu um renascimento econômico, particularmente nos setores de construção e financeiro. Em 17 de março de 1992, no entanto, uma bomba explodiu na embaixada de Israel, matando 29 e ferindo outras 242 pessoas. Outra explosão, em 18 de julho de 1994, destruiu um prédio que abrigava várias organizações judaicas, matando 85 e ferindo várias outras pessoas. Estes incidentes marcaram o início do terrorismo islâmico na América do Sul.
Após um acordo de 1993, a Constituição argentina foi alterada para dar autonomia a Buenos Aires e rescindir, entre outras coisas, o direito do presidente de nomear o prefeito da cidade (como acontecia desde 1880). Em 30 de junho de 1996 celebraram-se as eleições que designariam o Chefe de Governo da Cidade, assim como os legisladores que sancionariam a Constituição da Cidade. Nas eleições para o Poder Executivo saiu vencedora a fórmula radical de Fernando de la Rúa, que assim se tornava no primeiro Chefe de Governo. Com dois meses de deliberações, a Convenção Constituinte sancionou, finalmente, em 1º de outubro de 1996 a Constituição da Cidade de Buenos Aires.
Em 2003, foi aí promulgada a união civil, tanto para os casamentos homossexuais como para os heterossexuais, tornando-se a primeira cidade na América Latina a oficializar este gênero de união.

O sucessor de De la Rúa na prefeitura, Aníbal Ibarra, ganhou duas eleições populares, mas foi acusado (e, finalmente, deposto em 6 de março de 2006) como resultado do incêndio na discoteca República Cromañón. Jorge Telerman, que tinha sido o prefeito interino, foi colocado no cargo. Nas eleições de 2007, Mauricio Macri, do Partido da Proposta Republicana (PRO), venceu o segundo turno da eleição sobre Daniel Filmus da Frente para a Vitória (FPV), assumindo o cargo em 9 de dezembro de 2007. Em 2011, as eleições foram para uma segunda rodada com 60,96% dos votos para PRO, contra 39,04% para FPV, reelegendo Macri como prefeito da cidade com María Eugenia Vidal como vice-prefeita.
As eleições de 2015 foram as primeiras a usar um sistema de urna eletrônica na cidade, semelhante ao usado na Província de Salta. Nestas eleições realizadas em 5 de julho de 2015, Macri resignou do cargo de prefeito e prosseguiu sua candidatura presidencial e Horacio Rodríguez Larreta ocupou seu lugar como candidato a prefeito do PRO. Na primeira rodada de votação, Mariano Recalde da FPV obteve 21,78% dos votos, enquanto Martín Lousteau do partido ECO obteve 25,59% e Larreta obteve 45,55%, levando as eleições ao segundo turno, uma vez que PRO não conseguiu garantir a maioria exigida para a vitória. O segundo turno foi realizado em 19 de julho de 2015 e Larreta obteve 51,6% dos votos, seguido de perto por Lousteau com 48,4%, assim, o PRO ganhou as eleições para um terceiro mandato com Larreta como prefeito e Diego Santilli como deputado. Nessas eleições, o PRO foi mais forte nos bairros mais ricos do norte de Buenos Aires, enquanto o ECO foi mais forte no sul da cidade.
Em 2019, Larreta foi reeleito para um segundo mandato como prefeito de Buenos Aires. Obteve 55,9% dos votos e venceu ainda no primeiro turno o opositor Matías Lammens, da Frente de Todos, com 20 pontos de vantagem. A vitória rendeu ao PRO o quarto mandato consecutivo no comando do Executivo portenho. Em 5 de dezembro de 2023, Jorge Macri, do PRO, tomou posse como novo prefeito da Cidade de Buenos Aires, sucedendo ao prefeito cessante Horacio Rodríguez Larreta, do mesmo partido.

A cidade de Buenos Aires situa-se na região dos pampas, com exceção de algumas áreas como a Reserva Ecológica de Buenos Aires, a "cidade esportiva" do Boca Juniors, o Aeroporto Jorge Newbery, o bairro de Puerto Madero e o próprio porto principal; todos estes foram construídos em terras recuperadas ao longo das margens do rio da Prata (o rio mais largo do mundo)


Buenos Aires possui mais de 250 parques e áreas verdes, sendo a maior concentração localizada na zona leste da cidade, nos bairros de Puerto Madero, Recoleta, Palermo e Belgrano. Alguns dos mais importantes são:
Buenos Aires tem menos de dois metros quadrados de espaço verde por pessoa, o que representa 90% a menos que Nova York, 85% a menos que Madri e 80% a menos que Paris. A Organização Mundial da Saúde (OMS), preocupada com a saúde pública, publicou um documento afirmando que toda cidade deveria ter no mínimo nove metros quadrados de espaço verde por pessoa; uma quantidade ideal de espaço por pessoa variaria de 10 a 15 metros quadrados. Apesar do baixo número per capita, a cidade é frequentemente percebida como relativamente verde no nível do bairro, uma vez que a vegetação está espalhada por muitas pequenas praças e ruas arborizadas, proporcionando vegetação visual regular e sombra que torna a caminhada mais confortável.

De acordo com a classificação climática de Köppen, Buenos Aires possui um clima subtropical úmido (Cfa). Como resultado das influências marítimas do Oceano Atlântico adjacente, o clima é temperado, com temperaturas extremas sendo raras. Como a cidade está localizada em uma área por onde passam os ventos Pampero e Sudestada o tempo é variável devido a essas massas de ar contrastantes.
Os verões são quentes e úmidos. O mês mais quente é janeiro, com uma média diária de 24,9 °C (76,8 °F). Ondas de calor são comuns durante o verão. No entanto, a maioria delas tem curta duração (menos de uma semana) e é seguida pela passagem do vento frio e seco Pampero, que traz tempestades violentas e intensas, seguidas de temperaturas mais amenas. A temperatura mais alta já registrada foi 43,3 °C (110 °F) em 29 de janeiro de 1957. Em janeiro de 2022, uma onda de calor causou falha na rede elétrica em partes da área metropolitana de Buenos Aires, afetando mais de 700 mil residências.
Os invernos são bastante frescos, com temperaturas amenas durante o dia e noites frias. As temperaturas máximas durante a estação têm uma média 16,6 °C (61,9 °F), enquanto as mínimas ficam em torno 8,3 °C (46,9 °F) . A umidade relativa média fica em torno de 70%, o que significa que a cidade é conhecida por nevoeiros moderados a intensos durante o outono e o inverno. Julho é o mês mais frio, com uma temperatura média de 11,0 °C (51,8 °F) . Ondas de frio originárias da Antártida ocorrem quase todos os anos e podem persistir por vários dias. Ocasionalmente, massas de ar quente vindas do norte trazem temperaturas mais elevadas. A temperatura mais baixa já registrada no centro de Buenos Aires (Observatório Central de Buenos Aires) foi −5,4 °C (22 °F) em 9 de julho de 1918. A neve é muito rara na cidade: a última queda de neve ocorreu em 9 de julho de 2007, quando, durante o inverno mais frio na Argentina em quase 30 anos, fortes nevascas e tempestades atingiram o país. Foi a primeira grande nevasca na cidade em 89 anos.
A primavera e o outono são caracterizados por condições climáticas variáveis. O ar frio do sul pode trazer temperaturas mais baixas, enquanto o ar quente e úmido do norte traz temperaturas altas. A cidade recebe 1 257,6 milímetros (50 in) de precipitação por ano. Devido à sua geomorfologia, juntamente com uma rede de drenagem inadequada, a cidade é altamente vulnerável a inundações durante períodos de chuva intensa.
| Dados climatológicos para Buenos Aires | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima recorde (°C) | 43,3 | 38,7 | 37,9 | 36 | 31,6 | 28,5 | 30,2 | 34,4 | 34 | 34,5 | 36,8 | 40,5 | 43,3 |
| Temperatura máxima média (°C) | 30,4 | 28,7 | 26,4 | 22,7 | 19 | 15,6 | 14,9 | 17,3 | 18,9 | 22,5 | 25,3 | 28,1 | 22,5 |
| Temperatura média (°C) | 25,1 | 23,7 | 21,4 | 17,7 | 14,3 | 11,2 | 10,9 | 12,7 | 14,2 | 17,7 | 20,6 | 23,2 | 17,7 |
| Temperatura mínima média (°C) | 20,4 | 19,4 | 17 | 13,7 | 10,3 | 7,6 | 7,4 | 8,9 | 9,9 | 13 | 15,9 | 18,4 | 13,5 |
| Temperatura mínima recorde (°C) | 5,9 | 4,2 | 2,8 | −2,3 | −4 | −5,3 | −5,4 | −4 | −2,4 | −2 | 1,6 | 3,7 | −5,4 |
| Precipitação (mm) | 121,6 | 122,6 | 153,9 | 106,9 | 92,1 | 50 | 52,9 | 63,2 | 77,7 | 139,3 | 131,2 | 103,2 | 1 214,6 |
| Dias com precipitação (≥ 1 mm) | 9 | 9 | 9 | 9 | 8 | 6 | 7 | 8 | 7 | 10 | 10 | 9 | 101 |
| Umidade relativa (%) | 65 | 70 | 72 | 77 | 76 | 79 | 79 | 74 | 71 | 69 | 69 | 64 | 72 |
| Insolação (h) | 251,1 | 238 | 226,3 | 192 | 161,2 | 123 | 133,3 | 170,5 | 189 | 217 | 231 | 241,8 | 2 374,2 |
| Fonte: Serviço Meteorológico Nacional da Argentina (médias climatológicas de 1981 a 1990; recordes absolutos de temperatura desde 1906). | |||||||||||||
| Fonte 2: National Oceanic and Atmospheric Administration (horas de sol, 1961-1990). | |||||||||||||

No censo de 2010, havia 2.891.082 pessoas residindo na cidade. A população da Grande Buenos Aires era de 13.147.638, segundo dados do censo de 2010. A densidade populacional na cidade de Buenos Aires era 13.680 habitantes por por km², mas apenas cerca de 2,4 mil habitantes por km² nos subúrbios.
A população tem girado em torno de 3 milhões desde 1947, devido às baixas taxas de natalidade e à lenta migração para os subúrbios. No entanto, os distritos vizinhos expandiram-se mais de cinco vezes (para cerca de 10 milhões) desde então.
O censo de 2001 mostrou uma população relativamente envelhecida: com 17% menores de quinze anos e 22% maiores de sessenta, os habitantes de Buenos Aires têm uma estrutura etária semelhante à da maioria das cidades europeias. Eles são mais velhos do que os argentinos em geral (dos quais 28% tinham menos de 15 anos e 14% mais de 60).
Dois terços dos residentes da cidade vivem em prédios de apartamentos e 30% em casas unifamiliares; 4% vivem em habitações precárias. Medida em termos de renda, a taxa de pobreza da cidade era de 8,4% em 2007 e, incluindo a região metropolitana, de 20,6%. Outros estudos estimam que 4 milhões de pessoas na região metropolitana de Buenos Aires vivem em situação de pobreza.
A força de trabalho residente da cidade é de 1,2 milhão de pessoas. Em 2001, a maioria dos trabalhadores do setor de serviços, particularmente os serviços sociais (25%), o comércio e o turismo (20%) e os serviços empresariais e financeiros (17%), empregava apenas 6% da população da cidade, apesar de ser a capital da Argentina. A administração pública ainda empregava 10%.

A maioria dos portenhos tem origem europeia, principalmente das regiões da Andaluzia, Galiza, Astúrias e País Basco, na Espanha, bem como das regiões da Calábria, Ligúria, Piemonte, Lombardia, Sicília e Campânia, na Itália. Ondas irrestritas de imigrantes europeus para a Argentina, a partir de meados do século XIX, aumentaram significativamente a população do país, fazendo com que o número de portenhos triplicasse entre 1887 e 1915, passando de 500 mil para 1,5 milhão.
Outras origens europeias significativas incluem franceses, portugueses, alemães, irlandeses, noruegueses, poloneses, suecos, gregos, tchecos, albaneses, croatas, eslovenos, neerlandeses, russos, sérvios, ingleses, escoceses, eslovacos, húngaros e búlgaros. Nas décadas de 1980 e 1990, houve uma pequena onda de imigração da Romênia e da Ucrânia.
A comunidade judaica na Grande Buenos Aires conta com cerca de 250 mil membros e é a maior do país. A cidade também é a oitava maior do mundo em termos de população judaica. A maioria é de origem asquenazita do norte, oeste, centro e leste da Europa, principalmente judeus suecos, neerlandeses, poloneses, alemães e russos, com uma minoria sefardita significativa, composta principalmente por judeus sírios e libaneses.

A maior parte da imigração do Leste Asiático em Buenos Aires vem da China. A imigração chinesa é a quarta maior na Argentina, com a grande maioria vivendo em Buenos Aires e sua região metropolitana. Na década de 1980, a maioria era de Taiwan, mas desde a década de 1990 a maioria dos imigrantes chineses vem da província chinesa de Fuquiém (Fujian), de onde vieram os chineses continentais que instalaram principalmente supermercados por toda a cidade e nos subúrbios; esses supermercados são tão comuns que, em média, há um a cada dois quarteirões e meio e são simplesmente chamados de el chino ("o chinês"). Os imigrantes japoneses são principalmente da província de Okinawa. Eles iniciaram o negócio de lavanderias a seco na Argentina, uma atividade considerada peculiar aos imigrantes japoneses em Buenos Aires. A imigração de coreanos ocorreu após a divisão da Coreia; eles se estabeleceram principalmente em Flores e Once.
No censo de 2010 do INDEC, 2,1% da população, ou 61.876 pessoas, declararam-se indígenas ou descendentes de primeira geração de indígenas em Buenos Aires (excluindo os 24 partidos adjacentes que compõem a Grande Buenos Aires). Entre as 61.876 pessoas de origem indígena, 15,9% são quéchuas, 15,9% são guaranis, 15,5% são aimarás e 11% são mapuches. Nos 24 partidos adjacentes, 186.640 pessoas, ou 1,9% da população total, declararam-se indígenas. Entre as 186.640 pessoas de origem indígena, 21,2% são guarani, 19% são toba, 11,3% são mapuche, 10,5% são quéchua e 7,6% são diaguita.
Na cidade, 15.764 pessoas se identificaram como afro-argentinas no Censo de 2010.
O dialeto do espanhol falado em Buenos Aires, conhecido como espanhol rioplatense, distingue-se pelo uso do voseo, do yeísmo e da aspiração do "s" em diversos contextos. É fortemente influenciado pelos dialetos do espanhol falados na Andaluzia e na Múrcia e compartilha características com o de outras cidades como Rosário e Montevidéu, no Uruguai. No início do século XX, a Argentina absorveu milhões de imigrantes, muitos deles italianos, que falavam principalmente seus dialetos locais (principalmente napolitano, siciliano e genovês). A adoção do espanhol por esses imigrantes foi gradual, criando um pidgin de dialetos italianos e espanhol chamado cocoliche. Seu uso declinou por volta da década de 1950. Um estudo fonético conduzido pelo Laboratório de Investigações Sensoriais do CONICET e pela Universidade de Toronto mostrou que a prosódia do portenho é mais próxima do napolitano, falado na Itália, do que de qualquer outra língua falada.
A gíria lunfardo teve origem na população carcerária e, com o tempo, se espalhou por todos os portenhos. Utiliza palavras de dialetos italianos, do português brasileiro, de línguas africanas e caribenhas e até mesmo do inglês. O lunfardo emprega truques humorísticos, como a inversão das sílabas dentro de uma palavra (vesre). Hoje, é ouvido principalmente em letras de tango; a gíria das gerações mais jovens tem se afastado dele. Buenos Aires também foi a primeira cidade a sediar um evento Mundo Lingo em 7 de julho de 2011, que foi posteriormente replicado em até 15 cidades em 13 países.

No início do século XX, Buenos Aires era a segunda maior cidade católica do mundo, depois de Paris. O cristianismo ainda é a religião mais praticada em Buenos Aires (~71,4%), uma pesquisa do CONICET de 2019 sobre crenças e atitudes religiosas constatou que os habitantes da Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) eram 56,4% católicos, 26,2% não religiosos e 15% evangélicos, tornando-a a região do país com a maior proporção de pessoas irreligiosas. Uma pesquisa anterior do CONICET, de 2008, havia constatado que 69,1% eram católicos, 18% "indiferentes", 9,1% evangélicos, 1,4% Testemunhas de Jeová ou mórmons e 2,3% adeptos de outras religiões. A comparação entre os dois inquéritos revela que a Grande Buenos Aires é a região onde o declínio do catolicismo foi mais acentuado durante a última década.
Buenos Aires também abriga a maior comunidade judaica da América Latina e a segunda maior do Hemisfério Ocidental, depois dos Estados Unidos. A comunidade judaica de Buenos Aires tem sido historicamente caracterizada por seu alto nível de organização e influência na história cultural da cidade.
Buenos Aires é a sede de um arcebispo metropolitano católico (o primaz católico da Argentina), atualmente o Arcebispo Mario Poli. Seu antecessor, o Cardeal Jorge Bergoglio, foi eleito para o papado como Papa Francisco em 2013. Há também minorias protestantes, ortodoxas orientais, católicas orientais, budistas e de várias outras religiões.

As villas misérias (conhecidas como favelas em português) existem desde o século XIX, alimentadas tanto pelo êxodo rural como por uma grande quantidade de imigrantes europeus, a recente crise econômica do país, que tem feito crescer a desigualdade no ingresso, apesar do crescimento econômico dos últimos anos.
O problema da insalubridade em muitos dos assentamentos informais e tem-se agravado com a contaminação do poluído Riachuelo (um dos rios mais contaminados do mundo) também em várias zonas do centro da cidade existem assentamentos precários, como o caso da Villa 31 nas imediações do bairro do Retiro.
A taxa de homicídios é menor do que as cidades norte-americanas, incluindo Nova Iorque, com 7,0 por 100 mil habitantes, enquanto em Buenos Aires é de 4,57, extremamente baixo quando comparado com a média de 30,7 o que existe na América Latina. Buenos Aires é uma das cidades mais seguras do continente. Nas favelas da periferia, no entanto, houve um aumento da criminalidade no início de 2024, principalmente homicídios relacionados a roubos.


Desde a adoção da Constituição da cidade em 1996, Buenos Aires possui um executivo eleito democraticamente; o Artigo 61 da Constituição estabelece que "O sufrágio é livre, igual, secreto, universal, obrigatório e não cumulativo. Os estrangeiros residentes gozam deste mesmo direito, com as suas correspondentes obrigações, em igualdade de condições com os cidadãos argentinos inscritos no distrito, nos termos estabelecidos por lei ." O poder executivo é investido no Chefe de Governo (em castelhano: Jefe de Gobierno), que é eleito juntamente com um Vice-Chefe de Governo. De forma análoga ao Vice-Presidente da Argentina, o Vice-Chefe de Governo preside o órgão legislativo da cidade, a Assembleia Legislativa Municipal.
Legalmente, a cidade tem menos autonomia do que as Províncias. Em junho de 1996, pouco antes das primeiras eleições para o Executivo da cidade, o Congresso Nacional Argentino promulgou a Lei Nacional 24.588 (conhecida como Lei Cafiero, em homenagem ao senador que a propôs), pela qual a autoridade sobre a Polícia Federal Argentina, composta por 25 mil agentes e a responsabilidade sobre as instituições federais localizadas na cidade (por exemplo, os edifícios do Supremo Tribunal de Justiça da República) não seriam transferidas do Governo Nacional para o Governo Autônomo da Cidade até que um novo consenso fosse alcançado no Congresso Nacional. Além disso, a lei declarou que o Porto de Buenos Aires, juntamente com alguns outros locais, permaneceria sob a jurisdição de autoridades federais constituídas.
A partir de 2007, a cidade embarcou em um novo esquema de descentralização, criando novas comunas que serão administradas por comitês eleitos de sete membros cada. Buenos Aires é representada no Senado argentino por três senadores. O povo de Buenos Aires também elege 25 deputados nacionais para a Câmara dos Deputados da Argentina.

Em quanto as forças de segurança, a Lei Nº 24.588 indica que o governo portenho exerce as funções de segurança em todas as matérias não federais, as quais são exercidas pela Polícia Federal Argentina, a cargo do Poder Executivo nacional.
Para estas tarefas foi criada em 1º de Janeiro de 2017 a Polícia da Cidade de Buenos Aires, com a fusão entre a Polícia Metropolitana de Buenos Aires e a Superintendência de Segurança Metropolitana da PFA.O efetivo da nova força é de 21 mil policiais + 4 mil civis em funções administrativas. Assim, o governo portenho criou a maior polícia civil municipal de ciclo completo de toda a América do Sul e Caribe. A Polícia da Cidade trabalha em conjunto com a Polícia Federal Argentina e na zona portuária, com a Prefeitura Naval Argentina.
A Cidade de Buenos Aires tem tido, ao longo de sua história, diversos geminações com cidades de vários continentes, além de geminações com algumas regiões ou comunidades autónomas.

Oficialmente a cidade se encontra dividida em 48 bairros ou unidades territoriais que derivam das antigas paróquias estabelecidas no século XIX. Ainda que se fale de 100 bairros portenhos, esta expressão tem origem em uma canção popular e não na quantidade real de bairros. Cada bairro tem sua própria história e características populacionais que lhe imprimem cor, estilo e costumes únicos; e são um reflexo da variedade cultural que atua na cidade. Algumas destas unidades territoriais existem desde décadas, no entanto existem outras que foram determinadas recentemente. Este é o caso de Parque Chas, cujos limites foram estabelecidos em 25 de janeiro de 2006 quando foi publicada no Boletim Oficial a Lei 1 907.
Os bairros do norte e noroeste têm-se convertido no centro da riqueza, com lojas exclusivas e várias áreas residenciais da classe alta como Recoleta, Palermo, Belgrano assim como também Puerto Madero, localizado ao sul da cidade. Em outro bairro do sul como Barracas, emerge uma população de classe média e média alta graças ao auge imobiliário na zona. Excetuando estes dois últimos bairros, a zona sul é a que ostenta os menores indicadores socioeconômicos da cidade.



Buenos Aires é o centro financeiro, industrial e comercial da Argentina. A economia da cidade propriamente dita, medida pelo produto geográfico bruto (ajustado pelo poder de compra), totalizou 102,7bilhões de dólares (34,2 mil dólares per capita) em 2020 e representa quase um quarto da economia total do país. A Grande Buenos Aires, segundo um estudo bastante citado, constitui a 13ª maior economia entre as cidades do mundo em 2005. O Índice de Desenvolvimento Humano de Buenos Aires (0,889 em 2019) também é alto para os padrões internacionais.
O setor de serviços da cidade é diversificado e bem desenvolvido para os padrões internacionais, representando 76% de sua economia (em comparação com 59% para toda a Argentina). A publicidade, em particular, desempenha um papel proeminente na exportação de serviços para o mercado interno e externo. No entanto, o setor de serviços financeiros e imobiliários é o maior e contribui com 31% da economia da cidade. O setor financeiro (cerca de um terço disso) em Buenos Aires é especialmente importante para o sistema bancário argentino, representando quase metade dos depósitos e empréstimos bancários do país. Quase 300 hotéis e outros 300 albergues e pousadas possuem licença para turismo, e quase metade dos quartos disponíveis estão em estabelecimentos de quatro estrelas ou superior.
Apesar disso, o setor manufatureiro ainda é proeminente na economia da cidade (16%) e está concentrado principalmente na zona sul. Ele se beneficia tanto do alto poder aquisitivo local e da grande oferta de mão de obra qualificada quanto da sua relação com a intensa agricultura e indústria localizadas nos arredores da cidade. Historicamente, a atividade da construção civil em Buenos Aires tem sido um dos indicadores mais precisos da situação econômica nacional e, desde 2006, cerca de 3 milhões de metros quadrados de construção foram autorizados anualmente.

Nos últimos anos a cidade se converteu em um polo turístico, em especial pela baixa de custos que produziu para os visitantes estrangeiros e a constante desvalorização do peso. Entre 2002 e 2004 a quantidade de estabelecimentos hoteleiros aumentou em 10,7%, porém a taxa de habitações ocupadas teve um importante aumento, de 42,9%, no mesmo período. Na cidade existe um importante desenvolvimento do setor de serviços relacionados a informática, e a alta-tecnologia. Na cidade de Buenos Aires se encontram instaladas, aproximadamente, 70% das empresas geradoras de software da Argentina incluindo o Mercado Livre e o Hurb, que possui um centro de pesquisa dentro do ITBA, que a nível nacional exportou por mais de 3,9 bilhões de dólares líquidos relacionados ao setor, em 2009.


De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, o turismo vem crescendo na capital argentina desde 2002. Em uma pesquisa realizada pela revista de viagens e turismo Travel + Leisure em 2008, os viajantes votaram em Buenos Aires a segunda cidade mais desejável para visitar depois de Florença, na Itália. Em 2008, cerca de 2,5 milhões de visitantes visitaram a cidade.
Buenos Aires tem mais de 250 parques e espaços verdes, a maior concentração está no lado leste da cidade nos bairros de Puerto Madero, Recoleta, Palermo e Belgrano. Alguns dos mais importantes são os Bosques de Palermo, o Jardim Botânico de Buenos Aires, o Jardim Japonês de Buenos Aires, a Plaza San Martín e a Praça de Maio, onde podem ser vistos cinco pontos turísticos importantes: a Casa Rosada, sede do governo da Argentina, o Museu Bicentenário, a Catedral Metropolitana de Buenos Aires, o Museu Histórico Nacional do Cabildo e da Revolução de Maio e o Museu da Administração Federal de Buenos Aires.
Buenos Aires tem mais de 280 teatros, mais do que qualquer outra cidade do mundo. Por isso, Buenos Aires é declarada "capital mundial do teatro". Os teatros da cidade mostram tudo, desde musicais a balé, comédia a circos. O mais famoso é o Teatro Colón, classificado como a terceira melhor casa de ópera do mundo pela National Geographic e é acusticamente considerada como uma das cinco melhores salas de concertos do mundo. O teatro é delimitado pela ampla Avenida 9 de Julho (tecnicamente Rua Cerrito), Rua Libertad (entrada principal), Rua Arturo Toscanini e Rua Tucumán.

Buenos Aires tem vários tipos de acomodações, desde luxuosas cinco estrelas até hospedarias de baixo custo localizadas em bairros que estão mais longe do centro da cidade, embora o sistema de transporte permita acesso fácil e barato à cidade. Em fevereiro de 2008, havia 23 hotéis cinco estrelas, 61 quatro estrelas, 59 três estrelas e 87 dois hotéis ou uma estrela, bem como 25 hotéis boutique e 39 apart-hotéis; outras 298 pensões e outros estabelecimentos não-hoteleiros foram registados na cidade. Ao todo, cerca de 27 mil quartos estavam disponíveis para o turismo em Buenos Aires, dos quais cerca de 12 mil pertenciam a hotéis de quatro estrelas, cinco estrelas ou hotéis boutique. Os estabelecimentos de categoria superior normalmente gozam das maiores taxas de ocupação da cidade. A maioria dos hotéis está localizada na parte central da cidade, nas proximidades das principais atrações turísticas.
Buenos Aires tornou-se um destinatário do turismo LGBT. Devido à existência de alguns sites gay-friendly, a lei de união civil de 2002. Ao legalizar o casamento homossexual em 15 de julho de 2010, a Argentina se tornou o primeiro país da América Latina, o segundo nas Américas e o décimo no mundo a fazê-lo. A Lei de Identidade de Gênero, aprovada em 2012, tornou o país o único que permite que as pessoas mudem suas identidades de gênero sem enfrentar barreiras como terapia hormonal, cirurgia ou diagnóstico psiquiátrico que as rotula como tendo uma anormalidade. Em 2015, a Organização Mundial da Saúde citou a Argentina como um exemplo em direitos de transgêneros.

A Cidade de Buenos Aires conta com o menor índice de analfabetismo da República Argentina, sendo de 0,45% entre os maiores de 10 anos. Segunda uma pesquisa realizada pela Direção General de Estatística e Censos em 2006, a taxa de escolaridade por nível é de 96,5% para o nível inicial (5 anos) é de 98,6% para o nível primário (6 a 12 anos) e de 87,0% para o nível médio (13 a 17 anos). Além da quantidade de alunos matriculados se mantém um aumento, alcançando os 656 571 alunos em 2 318 estabelecimentos durante 2006.
A Cidade de Buenos Aires conta com uma grande quantidade de estabelecimentos educativos. Salvo no caso das escolas primárias onde há mais estabelecimentos estatais, é maior o número de estabelecimentos privados. No entanto a quantidade de alunos matriculados em estabelecimentos educativos de gestão privada é levemente menor registrada nas instituições estatais. A capital argentina recebe também a estudantes que vivem na Província de Buenos Aires, durante 2005 a porcentagem de alunos com residência nessa província que assistiram a escolas estatais foi de 4,5% no nível inicial, de 11,8% no nível primário, de 19,5% no nível médio.
A educação media está destinada aos menores de entre 13 e 18 anos de idade, pode alcançar os 19 anos em algumas modalidades, e está organizada em um ciclo básico que inclui os 3 primeiros anos, e um ciclo de especialização que inclui o período restante (até os 19 apenas nas escolas técnicas). A diferencia de muitas províncias, a Cidade de Buenos Aires manteve suas escolas técnicas, e mediante a Lei 898 se dispôs que o nível médio de educação é obrigatório.
Além das diferentes modalidades de educação terciária, a cidade é sede de algumas das Universidades mais importantes do país. Ali se encontram a maioria das sedes da Universidade de Buenos Aires, uma das mais importantes de América Latina.

Segundo dados divulgados pela Moovit em julho de 2017, o tempo médio gasto por pessoas em deslocamentos de transporte público em Buenos Aires, por exemplo, para ir e voltar do trabalho, em um dia útil, é de 79 minutos. 23% dos usuários do transporte público viajam por mais de duas horas diariamente. O tempo médio de espera em pontos ou estações de transporte público é de 14 minutos, enquanto 20% dos usuários esperam, em média, mais de 20 minutos por dia. A distância média percorrida por pessoa em uma única viagem de transporte público é 8,9 km (5,5 mi), enquanto 21% viajam por mais de 12 km (7,5 mi).

Buenos Aires é baseada em um padrão ortogonal, exceto por barreiras naturais ou pelos raros empreendimentos projetados explicitamente de outra forma (principalmente o bairro Parque Chas). A grade retangular prevê espaçamento de quadras de 110 metros de comprimento chamadas manzanas. Zonas pedonais no distrito comercial central, como a Rua Flórida, são parcialmente livres de carros e sempre movimentadas, com acesso facilitado por ônibus e pela Linha C do metrô. Duas avenidas diagonais aliviam o trânsito e proporcionam melhor acesso à Plaza de Mayo e o centro da cidade em geral; a maioria das avenidas que entram e saem dele são de sentido único e possuem seis ou mais faixas controladas por computador para agilizar o tráfego fora dos horários de pico. As principais avenidas da cidade incluem a Avenida 9 de Julho com 140 metros de largura e os mais de 35 quilômetros da Avenida Rivadavia.
Nas décadas de 1940 e 1950, a construção do anel viário General Paz, que circunda a cidade ao longo de sua fronteira com a província de Buenos Aires, e das vias expressas que levam ao novo aeroporto internacional e aos subúrbios do norte, anunciaram uma nova era para o trânsito em Buenos Aires. Incentivada por políticas pró-montadoras de automóveis, particularmente no final dos governos Perón (1955) e Frondizi (1958-1962), a venda de automóveis em todo o país cresceu de uma média de 30 mil unidades no período de 1920-1957 para cerca de 250 mil na década de 1970 e mais de 600 mil em 2008. Hoje, mais de 1,8 milhão de veículos (quase um quinto do total da Argentina) estão registrados em Buenos Aires. As autoestradas com portagem inauguradas no final da década de 1970 pelo prefeito Osvaldo Cacciatore, agora utilizadas por mais de um milhão de veículos diariamente, proporcionam um acesso conveniente ao centro da cidade.

Existem mais de 150 linhas de ônibus urbanos chamadas colectivos, cada uma gerenciada por uma empresa individual. Elas competem entre si e atraem um uso excepcionalmente alto com praticamente nenhum apoio financeiro público. Os colectivos em Buenos Aires não têm um horário fixo, mas circulam de quatro a vários por hora, dependendo da linha de ônibus e da hora do dia. Com passagens baratas e rotas extensas, geralmente não mais do que quatro quarteirões das residências dos passageiros, o colectivo é o meio de transporte mais popular na cidade.
Buenos Aires incorporou o sistema de trânsito rápido por ônibus, o Metrobus, cujas linhas são utilizadas pelas linhas colectivo padrão, funcionando como vias exclusivas para os ônibus circularem com facilidade por áreas centrais e de grande movimento. O sistema utiliza estações centrais modulares que atendem ambos os sentidos de viagem, permitindo embarque pré-pago, com múltiplas portas e no mesmo nível.
Uma frota de 40 mil táxis pretos e amarelos circula pelas ruas a qualquer hora do dia. Alguns motoristas de táxi podem tentar tirar proveito dos turistas, mas as empresas de rádio-táxi oferecem um serviço confiável e seguro; muitas delas oferecem incentivos para usuários frequentes. Os serviços de limusine de baixo custo, conhecidos como remises, também são populares, embora atualmente esteja cedendo espaço a empresas de transporte compartilhado como a Uber ou a Cabify, cujo status legal tem sido motivo de muita controvérsia com a prefeitura.

Em dezembro de 2010, o governo municipal lançou um programa de compartilhamento de bicicletas, com bicicletas gratuitas para aluguel mediante cadastro. Localizadas principalmente em áreas centrais, existem 31 estações de aluguel espalhadas pela cidade, oferecendo mais de 850 bicicletas que podem ser retiradas e devolvidas em qualquer estação em até uma hora. Desde 2013[update] , a cidade construiu 110 quilômetros (68,35 mi) de ciclovias protegidas e tem planos para construir mais 100 quilômetros (62,14 mi) . Em 2015, as estações foram automatizadas e o serviço passou a funcionar 24 horas por meio do uso de um cartão inteligente ou aplicativo de celular.

O Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, comumente conhecido como Aeroporto de Ezeiza, está localizado no subúrbio de Ezeiza, na província de Buenos Aires, a aproximadamente 22 quilômetros ao sul da cidade. Ele lida com a maior parte do tráfego aéreo internacional de e para a Argentina, além de alguns voos domésticos.
O Aeroparque Jorge Newbery, localizado no bairro de Palermo, junto à margem do rio, é o único aeroporto dentro dos limites da cidade e serve principalmente voos domésticos dentro da Argentina e alguns voos regionais para países vizinhos da América do Sul.
Outros aeroportos menores próximos à cidade são o Aeroporto El Palomar, localizado 18 quilômetros a oeste da cidade, opera alguns voos domésticos regulares para diversos destinos na Argentina, enquanto o menor Aeroporto de San Fernando atende apenas a aviação geral.


O porto de Buenos Aires é um dos mais movimentados da América do Sul, pois rios navegáveis, como o Rio da Prata, conectam o porto ao nordeste da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Como resultado, ele serve como centro de distribuição para essa vasta área do continente sul-americano. O Porto de Buenos Aires movimenta mais de 11 milhões de toneladas métricas anualmente, e o Dock Sud, ao sul da cidade propriamente dita, movimenta outras 17 milhões de toneladas métricas. A arrecadação de impostos relacionados ao porto causou muitos problemas políticos no passado, incluindo um conflito em 2008 que levou a protestos e uma greve no setor agrícola após o governo aumentar as tarifas de exportação.
Buenos Aires também é servida por um sistema de balsas operado pela empresa Buquebus, que conecta o porto de Buenos Aires às principais cidades do Uruguai (Colonia del Sacramento, Montevidéu e Punta del Este). Mais de 2,2 milhões de pessoas viajam anualmente entre a Argentina e o Uruguai com a Buquebus. Uma dessas embarcações é um catamarã, que pode atingir uma velocidade máxima de cerca de 80 quilômetros por hora.


O metrô de Buenos Aires (conhecido localmente como Subte, de "subterráneo", que significa subterrâneo ou metrô) é um sistema que dá acesso a várias partes da cidade. Inaugurado em 1913, é o sistema de metrô mais antigo do Hemisfério Sul e o mais antigo do mundo hispânico. O sistema possui seis linhas subterrâneas e uma linha de superfície, identificadas por letras (A a E e H), com 107 estações e 58,8 quilômetros (37 mi) da rota, incluindo a linha Premetro. A Linha A é a mais antiga (o serviço foi inaugurado em 1913) e as estações mantiveram a decoração da Belle Époque, enquanto o material rodante original de 1913, carinhosamente conhecido como Las Brujas, foi retirado de circulação em 2013. A média diária de passageiros em dias úteis é de 1,7. milhões e em crescimento.
O serviço de trens suburbanos na cidade é operado principalmente pela empresa estatal Trenes Argentinos Operaciones, embora a Linha Urquiza e a Linha Belgrano Norte sejam operadas pelas empresas privadas Metrovías e Ferrovías, respectivamente. Todos os serviços eram operados pela Ferrocarriles Argentinos até a privatização da empresa em 1993, e foram então operados por uma série de empresas privadas até que as linhas voltassem ao controle estatal após uma série de acidentes de grande repercussão.
Buenos Aires possuía um extenso sistema de bondes com mais de 857 quilômetros (533 mi) de trilhos, que foram desmantelados durante a década de 1960 após o advento do transporte de ônibus, mas o transporte ferroviário de superfície teve um pequeno retorno em algumas partes da cidade. O PreMetro ou Linha E2 tem 7,4 quilômetros de veículo leve sobre trilhos que se conecta com a Linha E do metrô na estação Plaza de los Virreyes e vai até General Savio e Centro Cívico. É operada pela Metrovías. A inauguração oficial ocorreu em 27 de agosto de 1987. A Tranvía del Este, uma moderna linha de bondes, foi inaugurada em 2007 no bairro de Puerto Madero, inicialmente utilizando dois bondes emprestados temporariamente de Mulhouse e, posteriormente, um bonde de Madri. No entanto, os planos de extensão da linha e aquisição de uma frota de bondes não se concretizaram, e a queda na demanda levou ao fechamento da linha em outubro de 2012.

Seus habitantes contam com um elevado acesso aos serviços públicos: 99,9% conta com rede de água, a mesma quantidade conta com rede de eletricidade, 92,8% conta com rede de gás, 99,6% com iluminação pública, 99,3% com coleta de resíduos e 89,7% dos lares tem telefone. Estas cifras diminuem para a população residente em vilas, se bem que a totalidade de seus habitantes recebe água corrente (incluindo a torneira pública), 99,5% dispõe de energia elétrica, 93,1% de iluminação pública, 87,8 de coleta de resíduos e apenas 1,3% de gás corrente.
O serviço de gás natural é administrado pela MetroGAS desde dezembro de 1992. Durante 2004 foram distribuídos um total de 4 468 328 m³ de gás, sendo 1 201 756 m³ para usuários residenciais, 371 575 m³ para Gás Natural Comprimido, 243 024 m³ para usuários comerciais, 120 119 m³ para indústrias, 2 484 045 m³ para usinas elétricas e 47 809 m³ para as entidades oficiais.

Como Buenos Aires é fortemente influenciada pela cultura europeia, a cidade às vezes é chamada de "Paris da América do Sul". Com seus inúmeros teatros e produções, a cidade possui a indústria teatral ao vivo mais movimentada da América do Sul. De fato, a cada fim de semana, há cerca de 300 teatros ativos com peças, um número que coloca a cidade em primeiro lugar no mundo, mais do que Londres, Nova York ou Paris. O número de festivais culturais com mais de dez locais e cinco anos de existência também coloca a cidade em segundo lugar no mundo, depois de Edimburgo. O Palácio Libertad, localizado em Buenos Aires, é o maior centro cultural da América Latina, e o terceiro maior do mundo.
Buenos Aires abriga o Teatro Colón, uma casa de ópera de renome internacional. Existem diversas orquestras sinfônicas e coros. A cidade possui inúmeros museus relacionados a artes e ofícios, história, belas-artes, artes modernas, artes decorativas, artes populares, arte sacra, teatro e música popular, bem como as casas preservadas de notáveis colecionadores de arte, escritores, compositores e artistas. A cidade abriga centenas de livrarias, bibliotecas públicas e associações culturais (às vezes é chamada de "cidade dos livros"), além da maior concentração de teatros em atividade na América Latina. Possui um zoológico e um jardim botânico, um grande número de parques e praças arborizadas, bem como igrejas e locais de culto de diversas denominações, muitos dos quais são arquitetonicamente notáveis.
A cidade é membro da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, tendo sido nomeada "Cidade do Design" em 2005.



Buenos Aires possui uma próspera cultura artística, com "um enorme acervo de museus, que variam de obscuros a de nível internacional". Os bairros de Palermo e Recoleta são os tradicionais bastiões da cidade na difusão da arte, embora nos últimos anos tenha havido uma tendência de surgimento de espaços de exposição em outros distritos, como Puerto Madero ou La Boca; espaços renomados incluem o MALBA, o Museu Nacional de Belas Artes, a Fundación Proa, o Centro de Artes Faena e a Usina del Arte. Outras instituições populares são o Museu de Arte Moderna de Buenos Aires, o Museu Benito Quinquela Martín, o Museu Evita, o Museu de Arte Hispano-Americana Isaac Fernández Blanco, o Museu José Hernández e o Palais de Glace, entre outros. Um evento tradicional que ocorre uma vez por ano é La Noche de los Museos (“Noite dos Museus”), quando os museus, universidades e espaços artísticos da cidade abrem suas portas gratuitamente até o início da manhã; geralmente ocorre em novembro.
Os primeiros grandes movimentos artísticos na Argentina coincidiram com os primeiros sinais de liberdade política no país, como a sanção do voto secreto e do sufrágio universal masculino em 1913, a primeira eleição presidencial por voto popular (1916) e a revolução cultural que incluiu a Reforma Universitária de 1918. Nesse contexto, em que persistia a influência da Escola de Paris (Modigliani, Chagall, Soutine, Klee), emergiram três grupos principais. Buenos Aires foi o berço de diversos artistas e movimentos de relevância nacional e internacional e tornou-se um tema central na produção artística argentina, especialmente a partir do século XX. Exemplos incluem: o Grupo de Paris – assim chamado por ter sido influenciado pela Escola de Paris – constituído por Antonio Berni, Aquiles Badi, Lino Enea Spilimbergo, Raquel Forner e Alfredo Bigatti, entre outros; e os artistas de La Boca – incluindo Benito Quinquela Martín e Alfredo Lazzari, entre outros – que na sua maioria vieram de Itália ou eram de ascendência italiana e geralmente pintavam cenas de bairros portuários operários.
Buenos Aires também se tornou um importante centro de arte urbana contemporânea; sua receptividade a transformou em uma das principais capitais mundiais dessa expressão. A turbulenta história política moderna da cidade "gerou um intenso senso de expressão nos portenhos" e a arte urbana tem sido usada para retratar essas histórias e como meio de protesto. No entanto, nem toda a sua arte urbana se refere à política; ela também é usada como símbolo de democracia e liberdade de expressão. Murais e grafites são tão comuns que são considerados "um acontecimento cotidiano" e se tornaram parte da paisagem urbana de bairros como Palermo, Villa Urquiza, Coghlan e San Telmo. Isso se deve à legalidade dessas atividades — desde que o proprietário do imóvel tenha consentido — e à receptividade das autoridades locais, que chegam a subsidiar diversas obras. A abundância de locais para artistas urbanos criarem seus trabalhos e as regras relativamente flexíveis para a arte de rua atraíram artistas internacionais como Blu, Jef Aérosol, Aryz, ROA e Ron English. Visitas guiadas para ver murais e grafites pela cidade têm crescido constantemente.

Buenos Aires é considerada há muito tempo uma capital intelectual e literária da América Latina e do mundo hispânico. Apesar de sua curta história urbana, possui uma abundante produção literária; sua rede mítico-literária "cresceu na mesma proporção em que as ruas da cidade conquistaram suas margens e os edifícios estenderam suas sombras sobre os meios-fios". Durante o final do século XIX e início do século XX, a cultura floresceu juntamente com a economia e a cidade emergiu como uma capital literária e sede da mais poderosa indústria editorial da América do Sul e, "mesmo que o caminho econômico tenha se tornado acidentado, os argentinos comuns abraçaram e mantiveram o hábito da leitura". Na década de 1930, Buenos Aires era a indiscutível capital literária do mundo hispânico, com Victoria Ocampo fundando a influente revista Sur — que dominou a literatura em língua espanhola por trinta anos e com a chegada de proeminentes escritores e editores espanhóis que fugiam da guerra civil.
Buenos Aires é uma das cidades com maior produção editorial na América Latina e possui mais livrarias per capita do que qualquer outra grande cidade do mundo. Tem pelo menos 734 livrarias — aproximadamente 25 livrarias para cada 100 mil habitantes — muito acima de outras cidades globais como Londres, Paris, Madri, Moscou e Nova York. A cidade também possui um mercado próspero de livros usados, ocupando o terceiro lugar em número de livrarias de livros usados por habitante, a maioria delas concentrada ao longo da Avenida Corrientes. O mercado de livros local foi descrito como "eclético em gosto, imune a modismos ou tendências", com "demanda ampla e variada". A popularidade da leitura entre os portenhos tem sido associada à onda de imigração em massa no final do século XIX e início do século XX e à "obsessão" da cidade pela psicanálise.
A Feira Internacional do Livro de Buenos Aires é um evento importante na cidade desde a sua primeira edição em 1975, tendo sido descrita como "talvez o evento literário anual mais importante e maior do mundo hispânico" e "o evento cultural mais importante da América Latina". Na sua edição de 2019, a Feira do Livro recebeu 1,8 milhão de visitantes.
Buenos Aires foi designada Capital Mundial do Livro para o ano de 2011 pela UNESCO.

De acordo com o Dicionário de Música de Harvard, "a Argentina possui uma das mais ricas tradições de música erudita e talvez a vida musical contemporânea mais ativa" da América do Sul. Buenos Aires orgulha-se de diversas orquestras profissionais, incluindo a Orquestra Sinfônica Nacional Argentina, o Ensamble Musical de Buenos Aires e a Camerata Bariloche ; bem como vários conservatórios que oferecem formação musical profissional, como o Conservatório Nacional Superior de Música. Como resultado do crescimento e da prosperidade comercial da cidade no final do século XVIII, o teatro tornou-se uma força vital na vida musical argentina, oferecendo óperas italianas e francesas e zarzuelas espanholas. A música italiana foi muito influente durante o século XIX e o início do século XX, em parte devido à imigração, mas óperas e música de salão também foram compostas por argentinos, incluindo Francisco Hargreaves e Juan Gutiérrez. Uma tendência nacionalista que se inspirava nas tradições, literatura e música folclórica argentinas foi uma força importante durante o século XIX, incluindo os compositores Alberto Williams, Julián Aguirre, Arturo Berutti e Felipe Boero. Na década de 1930, compositores como Juan Carlos Paz e Alberto Ginastera "começaram a adotar um estilo cosmopolita e modernista, influenciado pelas técnicas dodecafônicas e pelo serialismo"; enquanto a música de vanguarda floresceu na década de 1960, com a Fundação Rockefeller financiando o Centro Interamericano de Altos Estudios Musicales, que trouxe compositores de renome internacional para trabalhar e lecionar em Buenos Aires, além de estabelecer um estúdio de música eletrônica.

O Rio da Prata é conhecido por ser o berço do tango, considerado um emblema de Buenos Aires. A cidade se autodenomina a Capital Mundial do Tango e, como tal, sedia muitos eventos relacionados, sendo os mais importantes um festival anual e um torneio mundial. O expoente mais importante do gênero é Carlos Gardel, seguido por Aníbal Troilo; outros compositores importantes incluem Alfredo Gobbi, Ástor Piazzolla, Osvaldo Pugliese, Mariano Mores, Juan D'Arienzo e Juan Carlos Cobián. O tango viveu um período de esplendor durante a década de 1940, enquanto nas décadas de 1960 e 1970 surgiu o nuevo tango, incorporando elementos da música clássica e do jazz. Uma tendência contemporânea é o neotango (também conhecido como eletrotango), com expoentes como Bajofondo e Gotan Project . Em 30 de setembro de 2009, o Comitê Intergovernamental do Patrimônio Imaterial da UNESCO declarou o tango como parte do patrimônio cultural mundial, tornando a Argentina elegível para receber assistência financeira na salvaguarda do tango para as gerações futuras.

A história do cinema argentino começou em Buenos Aires com a primeira exibição de filmes em 18 de julho de 1896 no Teatro Odeón. Com seu filme de 1897, La bandera Argentina, Eugène Py tornou-se um dos primeiros cineastas do país; o filme apresenta uma bandeira argentina tremulando na Plaza de Mayo. No início do século XX, os primeiros cinemas do país abriram em Buenos Aires e surgiram os cinejornais, principalmente El Viaje de Campos Salles a Buenos Aires. A verdadeira indústria cinematográfica emergiu com o advento dos filmes sonoros, sendo o primeiro deles Muñequitas porteñas (1931). A recém-fundada Argentina Sono Film lançou ¡Tango! em 1933, a primeira produção totalmente sonora do país.
Em resposta às grandes produções de estúdio, surgiu a "Geração dos anos 60", um grupo de cineastas que produziu os primeiros filmes modernistas na Argentina durante os primeiros anos daquela década. Entre eles estavam Manuel Antín, Lautaro Murúa e René Mugica, entre outros.
Localizado em Buenos Aires, encontra-se o Museu do Cinema Pablo Ducrós Hicken, o único no país dedicado ao cinema argentino e pioneiro do gênero na América Latina. Todos os anos, a cidade sedia o Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (BAFICI), que, em sua edição de 2015, apresentou 412 filmes de 37 países e atraiu um público de 380 mil pessoas.

Os habitantes de Buenos Aires são historicamente caracterizados como "conscientes da moda". Os estilistas nacionais exibem suas coleções anualmente na Semana de Moda de Buenos Aires (BAFWEEK) e eventos relacionados. Inevitavelmente, por estar uma temporada atrasada, não recebe muita atenção internacional. No entanto, a cidade continua sendo uma importante capital da moda regional. De acordo com o Global Language Monitor, em 2017 a cidade era a 20ª capital da moda do mundo, ocupando o segundo lugar na América Latina depois do Rio de Janeiro.
Em 2005, Buenos Aires foi nomeada a primeira Cidade do Design pela UNESCO e recebeu este título novamente em 2007. Desde 2015, realiza-se o Festival Internacional de Cinema de Moda de Buenos Aires (BAIFFF), patrocinado pela cidade e pela Mercedes-Benz. O governo da cidade também organiza La Ciudad de Moda ("A Cidade da Moda"), um evento anual que serve como plataforma para criadores emergentes e procura impulsionar o setor, fornecendo ferramentas de gestão.
O bairro elegante de Palermo, particularmente a área conhecida como Soho, é onde se apresentam as últimas tendências de moda e design. O "sub-bairro " de Palermo Viejo também é um ponto de referência popular para a moda na cidade. Um número crescente de jovens designers independentes também está abrindo suas próprias lojas no boêmio San Telmo, conhecido por sua grande variedade de mercados e lojas de antiguidades. Recoleta, por outro lado, é o epicentro das filiais de casas de moda exclusivas e sofisticadas. Em particular, a Avenida Alvear abriga os representantes mais exclusivos da alta-costura da cidade.

A arquitetura de Buenos Aires caracteriza-se pelo seu caráter eclético, com elementos que remetem a Paris e Madri. Há uma mistura, devido à imigração, de estilos colonial, art déco, art nouveau, neogótico e bourbon francês.
Em 1912, a Basílica do Santíssimo Sacramento foi aberta ao público; sua construção foi financiada pela generosa doação da filantropa argentina Mercedes Castellanos de Anchorena, membro de uma das famílias mais proeminentes da Argentina. A igreja é um excelente exemplo do neoclassicismo francês. Com decorações de altíssima qualidade em seu interior, o magnífico órgão de Mutin-Cavaillé (o maior já instalado em uma igreja argentina, com mais de quatro mil tubos e quatro manuais) presidia a nave. O altar é todo em mármore e foi o maior já construído na América do Sul naquela época.
Em 1919, começou a construção do Palácio Barolo. Este era o edifício mais alto da América do Sul na época e foi o primeiro arranha-céu argentino construído em concreto (1919–1923). Em 1936, o edifício Kavanagh de 120 metros de altura foi inaugurado. Com seus 12 elevadores (fornecidos pela Otis) e o primeiro sistema de ar condicionado central do mundo (fornecido pela empresa norte-americana Carrier), ainda é um marco arquitetônico em Buenos Aires.

Buenos Aires possui mais de 280 teatros, mais do que qualquer outra cidade do mundo. Por isso, Buenos Aires é declarada a "Capital Mundial do Teatro". Eles apresentam de tudo, desde musicais a balé, comédia a circo.
O Teatro Colón é considerado o terceiro melhor teatro de ópera do mundo pela National Geographic e é acusticamente considerado um dos cinco melhores espaços para concertos do mundo. É delimitado pela ampla Avenida 9 de Julio (tecnicamente Rua Cerrito), Rua Arturo Toscanini, Rua Tucumán, bem como pela Rua Libertad em sua entrada principal.


Buenos Aires sediou o 1º Campeonato Mundial da FIBA em 1950 e o 11º Campeonato Mundial da FIBA em 1990, os 1ºs Jogos Pan-Americanos de 1951, além de ter sido palco de duas partidas da Copa do Mundo FIFA de 1978 e de uma partida do Campeonato Mundial Masculino da FIVB de 1982. Mais recentemente, Buenos Aires teve uma sede na Copa do Mundo FIFA Sub-20 de 2001 e no Campeonato Mundial Masculino de Voleibol da FIVB de 2002, sediou a 125ª Sessão do COI em 2013 e os Jogos Olímpicos de Verão da Juventude de 2018. O Rali Dakar de 2009, 2010, 2011 e 2015 teve início e término na cidade.
O futebol é um passatempo popular entre muitos dos cidadãos da cidade, já que Buenos Aires, com nada menos que 24 times profissionais, possui a maior concentração de times de qualquer cidade do mundo. Muitos desses times disputam a primeira divisão. A rivalidade mais conhecida é a que opõe o Boca Juniors ao River Plate, cujo confronto é mais conhecido como Superclássico. Assistir a uma partida entre esses dois times foi considerado uma das "50 coisas esportivas que você deve fazer antes de morrer" pelo The Observer.
Outros clubes importantes incluem San Lorenzo de Almagro, Club Atlético Huracán, Vélez Sarsfield, Chacarita Juniors, Club Ferro Carril Oeste, Nueva Chicago e Asociación Atlética Argentinos Juniors. Diego Maradona, nascido em Lanús Partido, um município ao sul de Buenos Aires, é amplamente considerado um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Maradona começou sua carreira no Argentinos Juniors e jogou também pelo Boca Juniors, pela seleção nacional de futebol e por outros clubes (principalmente o FC Barcelona, na Espanha, e o SSC Napoli, na Itália).


Em 1912, a prática do basquete na Argentina teve início na Asociación Cristiana de Jóvenes (YMCA) de Buenos Aires,[241] quando o professor canadense Paul Phillip ficou encarregado de ensinar basquete na YMCA da Avenida Paseo Colón. Os primeiros clubes de basquete da Argentina, o Hindú e o Independiente, estavam localizados nas YMCAs da região metropolitana da Grande Buenos Aires. Em 1912, as primeiras partidas de basquete foram realizadas pela sede da YMCA em Buenos Aires. Atualmente, a Confederação Argentina de Basquete tem sede em Buenos Aires.
A Argentina tem sido o berço de campeões mundiais no boxe profissional. Carlos Monzón foi campeão mundial dos médios e, em 1990, foi incorporado ao Salão Internacional da Fama do Boxe.
O amor dos argentinos pelos cavalos pode ser vivenciado de várias maneiras: corridas de cavalos no Hipódromo Argentino de Palermo, polo no Campo Argentino de Polo (localizado do outro lado da Avenida Libertador, em frente ao Hipódromo) e o pato, uma espécie de basquete jogado a cavalo que foi declarado esporte nacional em 1953.
A primeira partida de rúgbi na Argentina foi disputada em 1873 no Campo do Buenos Aires Cricket Club, localizado no bairro de Palermo, onde hoje fica o planetário Galileo Galilei. O rúgbi goza de grande popularidade em Buenos Aires, especialmente na zona norte da cidade, que conta com mais de oitenta clubes de rúgbi. A cidade é sede da franquia argentina do Super Rugby, os Jaguares.
Guillermo Vilas, natural de Buenos Aires (que foi criado em Mar del Plata), e Gabriela Sabatini foram grandes tenistas das décadas de 1970 e 1980 e popularizaram o tênis em todo o território argentino. Juan Manuel Fangio venceu cinco Campeonatos Mundiais de Pilotos de Fórmula 1 e só foi superado por Michael Schumacher e Lewis Hamilton, com sete campeonatos. O Autódromo Oscar Gálvez sediou 20 eventos de Fórmula 1 como o Grande Prêmio da Argentina, entre 1953 e 1998; a competição foi descontinuada.
Decree 17468 of 9/16/1953 decrees that the national sport or game shall be the one known as 'El Pato', as developed from an old game engaged in by the gauchos, and so truly Argentinean in origin.