Radical de Jacobson

 Imagem de Nathan Jacobson olhando fora da câmera em posição sentada
Nathan Jacobson

Em matemática, mais especificamente na teoria dos anéis, o radical de Jacobson de um anel é o ideal que consiste naqueles elementos em que anulam todos os -módulos à direita simples. Acontece que substituir "esquerda" por "direita" na definição produz o mesmo ideal, e assim a noção é simétrica em relação à esquerda-direita. O radical de Jacobson de um anel é frequentemente denotado por (ou a variante ), (ou variantes como ou ), ou ; a primeira notação será preferida neste artigo para evitar confusões com outros radicais de um anel ou um ideal maximal. O radical de Jacobson recebe esse nome em homenagem a Nathan Jacobson, que foi o primeiro a estudá-lo para anéis arbitrários em Jacobson 1945.

O radical de Jacobson de um anel possui inúmeras caracterizações internas, incluindo algumas definições que estendem com sucesso a noção para anéis sem unidade. O radical de um módulo estende a definição do radical de Jacobson para incluir módulos. O radical de Jacobson desempenha um papel proeminente em muitos resultados teóricos de anéis e módulos, como o Lema de Nakayama.

Definições

Existem múltiplas definições e caracterizações equivalentes do radical de Jacobson, mas é útil considerar as definições com base no fato de o anel ser comutativo ou não.

Caso comutativo

No caso comutativo, o radical de Jacobson de um anel comutativo R é definido como a interseção de todos os ideais maximais . Se denotarmos por o conjunto de todos os ideais maximais em R, então

Esta definição pode ser usada para cálculos explícitos em uma série de casos simples, como em anéis locais (R, ), que possuem um único ideal maximal, anéis artinianos e produtos destes. Veja a seção de exemplos para cálculos explícitos.

Nota sobre terminologia potencialmente confusa

O radical de Jacobson de um ideal é definido como a interseção dos ideais maximais de R que contêm o ideal I:

Assim, o radical de Jacobson do anel, refere-se à mesma coisa que o radical de Jacobson do ideal nulo (0) de R, . Isso é análogo à relação entre as definições do radical de um ideal (às vezes também chamado de nilradical de I), , e o nilradical do anel R, .

Caso não comutativo/geral

Para um anel geral com unidade , o radical de Jacobson é definido como o ideal de todos os elementos tais que sempre que é um -módulo simples. Isto é, Isso é equivalente à definição no caso comutativo para um anel comutativo , porque os módulos simples sobre um anel comutativo são da forma para algum ideal maximal de , e os anuladores de em são precisamente os elementos de , ou seja, .

Motivação

O entendimento do radical de Jacobson reside em alguns casos diferentes: nomeadamente em suas aplicações e nas interpretações geométricas resultantes, e em suas interpretações algébricas.

Aplicações geométricas

Embora Jacobson tenha introduzido originalmente seu radical como uma técnica para construir uma teoria de radicais para anéis arbitrários, uma das razões motivadoras pelas quais o radical de Jacobson é considerado no caso comutativo é o seu aparecimento no Lema de Nakayama. Este lema é uma ferramenta técnica para estudar módulos finitamente gerados sobre anéis comutativos que possui uma interpretação geométrica fácil: Se tivermos um fibrado vetorial E → X sobre um espaço topológico X, e escolhermos um ponto p ∈ X, então qualquer base de E|p pode ser estendida para uma base de seções de E|U → U para alguma vizinhança p ∈ U ⊆ X.

Outra aplicação ocorre no caso de anéis comutativos finitamente gerados da forma para algum anel base k (como um corpo, ou o anel dos inteiros). Neste caso, o nilradical e o radical de Jacobson coincidem. Isso significa que poderíamos interpretar o radical de Jacobson como uma medida de quão distante o ideal I que define o anel R está de definir o anel de funções sobre uma variedade algébrica devido ao teorema dos zeros de Hilbert (Nullstellensatz). Isso ocorre porque as variedades algébricas não podem ter um anel de funções com infinitesimais: essa é uma estrutura que só é considerada na teoria de esquemas.

Caracterizações equivalentes

O radical de Jacobson de um anel possui várias caracterizações internas e externas. As seguintes equivalências aparecem em muitos textos de álgebra não comutativa, como Anderson & Fuller 1992, §15, Isaacs 1994, §13B e Lam 2001, Ch 2.

As seguintes são caracterizações equivalentes do radical de Jacobson em anéis com unidade (caracterizações para anéis sem unidade são dadas logo a seguir):

Para anéis sem unidade é possível ter R = J(R); no entanto, a equação J(R / J(R)) = {0} ainda é válida. As seguintes são caracterizações equivalentes de J(R) para anéis sem unidade:

Exemplos

Exemplos comutativos

Exemplos não comutativos

Propriedades

Ver também

Notas

  1. ↑ Prova: Como os fatores Tu / Tu−1 são R-módulos à direita simples, a multiplicação à direita por qualquer elemento de J(R) anula esses fatores.
    Em outras palavras, (Tu / Tu−1) ⋅ J(R) = 0, donde Tu · J(R) ⊆ Tu−1. Por conseguinte, a indução sobre i mostra que todos os inteiros não negativos i e u (para os quais o seguinte faz sentido) satisfazem Tu ⋅ (J(R))i ⊆ Tu−i. Aplicar isso a u = i = k produz o resultado.

Referências

  1. ↑ «Section 10.18 (0AMD): The Jacobson radical of a ring—The Stacks project». stacks.math.columbia.edu. Consultado em 24 de dezembro de 2020
  2. 1 2 3 Isaacs 1994, p. 182
  3. ↑ Isaacs 1994, p. 173, Problem 12.5
  4. ↑ Lam 2001, p. 46, Ex. 3.15
  5. ↑ Isaacs 1994, p. 180, Corollary 13.4
  6. 1 2 Isaacs 1994, p. 181
  7. ↑ Lam 2001, p. 50.
  8. ↑ Lam 2001, p. 63
  9. ↑ Smoktunowicz 2006, p. 260, §5

Bibliografia

Ligações externas