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90%-100%
80%-89%
70%-79%
60%-69% |
50%-59%
40%-49%
30%-39%
20%-29% |
10%-19%
0%-9%
No data |
Religiosidade, em seu sentido mais amplo, é um termo abrangente usado para se referir aos numerosos aspectos da atividade, dedicação e crença religiosas. No sentido mais restrito, a religiosidade trata mais de quanto uma pessoa é religiosa e menos de como uma pessoa é religiosa (praticando certos rituais, recontando histórias, reverenciando símbolos ou aceitando uma doutrina sobre deidades e vida após a morte).
Décadas de pesquisas antropológicas, sociológicas e psicológicas estabeleceram que a "congruência religiosa" (a suposição de que as crenças e valores religiosos são fortemente integrados na mente de um indivíduo ou que práticas e comportamentos religiosos decorrem diretamente de crenças religiosas) é realmente rara. As ideias religiosas das pessoas estão fragmentadas, vagamente conectadas e dependem do contexto; como em todos os outros domínios da cultura e da vida. As crenças, afiliações e comportamentos de qualquer indivíduo são atividades complexas que têm muitas fontes, incluindo a cultura. Como exemplos de incongruência religiosa, ele observa: "Os judeus observantes podem não acreditar no que dizem nas suas orações do sábado, os ministros cristãos podem não acreditar em Deus, e as pessoas que dançam regularmente pela chuva não o fazem na estação seca".
Os estudos demográficos muitas vezes mostram uma grande diversidade de crenças religiosas, pertencimentos e práticas em ambas as populações religiosas e não religiosas. Por exemplo, dos americanos que não são religiosos e não procuram a religião: 68% acreditam em Deus, 12% são ateus, 17% são agnósticos; também, em termos de autoidentificação da religiosidade, 18% consideram-se religiosos, 37% se consideram espirituais, mas não religiosos, e 42% consideram-se não espirituais nem religiosos; e 21% oram todos os dias e 24% oram uma vez por mês. Estudos globais sobre religião também mostram diversidade.
Numerosos estudos têm explorado os diferentes componentes da religiosidade humana (Brink, 1993, Hill & Hood, 1999). O que a maioria descobriu é que existem múltiplas dimensões (muitas vezes empregam análise fatorial). Por exemplo, Cornwall, Albrecht, Cunningham e Pitcher (1986) identificam seis dimensões da religiosidade baseadas no entendimento de que há pelo menos três componentes do comportamento religioso: a saber (cognição na mente), sentimento (efeito no espírito) e ação (comportamento do corpo). Para cada um desses componentes da religiosidade, houve duas classificações cruzadas, resultando nas seis dimensões:
Em seu livro Raízes do Brasil, Sergio Buarque de Holanda explica que a religiosidade brasileira é "de superfície, menos atenta ao sentido íntimo das cerimônias do que ao colorido e à pompa exterior, quase carnal em seu apego ao concreto e em sua rancorosa incompreensão de toda verdadeira espiritualidade". Diz que os cultos apelam só ao sentimento e aos sentidos, e não à razão ou à vontade. Holanda cita Daniel Parish Kidder, missionário americano que esteve no Brasil no começo do século XIX, que escreve em tom irônico:
Em meio do ruído e da mixórdia, da jovialidade e da ostentação que caracterizam todas essas celebrações gloriosas, pomposas, esplendorosas, quem deseje encontrar, já não digo estímulo, mas ao menos lugar para um culto mais espiritual, precisará ser singularmente fervoroso.
— Daniel Parish Kidder
Para Holanda, a pouca devoção dos brasileiros (ao menos na fé cristã) deve-se às caracterísicas do homem cordial: averso ao ritualismo, irreverente, excessivamente cordial. "No Brasil, [...], foi justamente o nosso culto sem obrigações e sem rigor, intimista e familiar,[...] que dispensava no fiel todo esforço, toda diligência, toda tirania sobre si mesmo, o que corrompeu, pela base, o nosso sentimento religioso".