| BlackBerry Limited | |
|---|---|
Sede em Waterloo, Ontário, Canadá | |
| Nome(s) anterior(es) | Research In Motion Limited (1984–2013) |
| Empresa de capital aberto | |
| Cotação | TSX: BB NYSE: BB |
| Atividade | Software |
| Fundação | 7 de março de 1984, Waterloo, Ontário, Canadá |
| Fundador(es) |
|
| Sede | Waterloo, Ontário, Canadá |
| Área(s) servida(s) | Mundial |
| Pessoas-chave | John Giamatteo (diretor executivo) |
| Empregados | 2.647 (2024) |
| Produtos |
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| Ativos | US$ 1,39 bilhão (2024) |
| Receita | US$ 853 milhões (2024) |
| Lucro | −US$ 125 milhões (2024) |
| Renda líquida | −US$ 130 milhões (2024) |
| Website | www |
| |
BlackBerry Limited, anteriormente Research In Motion (RIM), é uma empresa canadense de software especializada em comunicações seguras e Internet das Coisas (IoT). Fundada em 1984, a empresa desenvolveu a marca BlackBerry de dispositivos móveis sem fio entre 1999 e 2016. Depois que sua divisão de dispositivos móveis foi separada na BlackBerry Mobile em 2016, operação encerrada em 2020, a BlackBerry Limited passou a concentrar suas atividades em software e serviços e manteve seu portfólio de patentes de aplicações de software.
A empresa liderou o mercado nascente de smartphones em muitos países no fim da década de 2000, entre eles os Estados Unidos, onde permaneceu à frente até o anúncio do iPhone 4 em 2010, e a Indonésia no começo da década de 2010. Em 2010, a BlackBerry valia mais que Adidas, MTV ou Ben & Jerry's. A rápida ascensão da Apple e do Google reduziu sua presença no mercado. Depois do lançamento do BlackBerry 10, a empresa passou a se concentrar em software empresarial e serviços de segurança cibernética sob a direção de John S. Chen. Em 2018, foi lançado o último smartphone BlackBerry, o BlackBerry Key2 LE. Em 2022, a empresa encerrou o suporte ao BlackBerry 10 e deixou o mercado de smartphones.
Os produtos de software da BlackBerry são usados por empresas, fabricantes de automóveis e órgãos governamentais para proteção contra invasões e ataques de ransomware. Entre eles estão o BlackBerry Enterprise Server, depois chamado BlackBerry Unified Endpoint Manager, e a plataforma Unified Endpoint Management, ou UEM.

A Research In Motion Limited foi fundada em 1984. Em 1988, tornou-se a primeira desenvolvedora de tecnologia de dados sem fio da América do Norte e a primeira empresa fora dos países nórdicos a desenvolver produtos de conectividade para as redes Mobitex de comunicação de dados sem fio por comutação de pacotes. O transporte de dados sem fio da Mobitex também se tornou o primeiro serviço de dados sem fio da RIM e foi usado por dispositivos BlackBerry e Palm até sua desativação. Em 1990, a RIM apresentou o leitor DigiSync Film KeyKode. Em 1991, lançou seu primeiro conversor de protocolo Mobitex. Em 1992, apresentou a primeira solução Mobitex para pontos de venda, uma caixa conversora de protocolo que se conectava aos equipamentos já instalados nos terminais e permitia comunicação sem fio. Em 1993, lançou o RIMGate, seu primeiro gateway Mobitex X.25 de uso geral. No mesmo ano, lançou o Ericsson Mobidem AT e modems sem fio da Intel com firmware da RIM. Em 1994, apresentou seu primeiro terminal móvel de ponto de venda para Mobitex e recebeu o Emmy Award for Technical Innovation e o KPMG High Technology Award. Em 1995, lançou o Freedom, o primeiro modem de rádio PCMCIA Tipo II para Mobitex.
Em 1995, a RIM recebeu financiamento de investidores institucionais canadenses e de capital de risco por meio de uma colocação privada. A Working Ventures Canadian Fund Inc. liderou a primeira rodada de capital de risco, com um investimento de C$ 5 milhões. O dinheiro foi usado para concluir o desenvolvimento do hardware e do software de seu sistema de paging bidirecional. A empresa levantou C$ 30 milhões antes de sua oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Toronto, realizada em janeiro de 1998 sob o símbolo RIM.
Em 1996, a RIM apresentou o Interactive Pager, seu primeiro pager bidirecional para mensagens, e o modem de rádio OEM RIM 900. A empresa desenvolveu o protótipo do pager com apoio da Intel Corporation. A empresa trabalhou com a RAM Mobile Data e a Ericsson para transformar a rede de dados sem fio Mobitex, desenvolvida pela Ericsson, em uma rede bidirecional de paging e correio eletrônico sem fio. Um dos produtos resultantes foi o Inter@ctive Pager 950. Em agosto de 1997, um protótipo foi apresentado a executivos da BellSouth, que fecharam um contrato de US$ 70 milhões para o fornecimento de 100 mil aparelhos. As entregas começaram em agosto de 1998. O aparelho, de dimensões semelhantes às de uma barra de sabão, concorria com a rede bidirecional de paging Skytel, desenvolvida pela Motorola.
Em 1999, a RIM apresentou o pager BlackBerry 850. Ele também foi o primeiro dispositivo a usar o BlackBerry OS. O nome BlackBerry foi escolhido pela semelhança do teclado com as pequenas drupas de uma amora. O aparelho podia receber push e-mail de um Microsoft Exchange Server por meio do software servidor complementar BlackBerry Enterprise Server, ou BES. Seu lançamento abriu caminho para outros produtos empresariais da companhia, como o BlackBerry 957, lançado em abril de 2000 e tratado pela empresa como seu primeiro smartphone. A plataforma BlackBerry OS e o BES ganharam novas funções, enquanto a adoção de criptografia e suporte a S/MIME aumentou o uso dos dispositivos BlackBerry por governos e empresas. Entre os exercícios fiscais de 1999 e 2001, os ativos da RIM passaram de US$ 117,9 milhões para US$ 970,1 milhões, crescimento superior a oito vezes.
A RIM passou a oferecer aparelhos BlackBerry ao mercado consumidor, entre eles o BlackBerry Pearl 8100, primeiro telefone BlackBerry com recursos multimídia, entre eles câmera. As vendas do Pearl, primeiro aparelho da empresa voltado diretamente ao público consumidor, elevaram a receita e o número de assinantes da RIM. As famílias Curve 8300 e Bold 9000 também tiveram forte demanda, e a expansão da distribuição por operadoras ampliou o número de usuários da BlackBerry em mercados empresariais e de consumo.
Mesmo depois da chegada do primeiro iPhone da Apple em 2007, a BlackBerry manteve crescimento de participação de mercado até 2011. O lançamento do iPhone na rede da AT&T nos Estados Unidos, no segundo semestre de 2007, levou a RIM a produzir seu primeiro smartphone com tela sensível ao toque para a rede concorrente em 2008, o BlackBerry Storm. O aparelho vendeu bem, mas recebeu avaliações que variaram de medianas a ruins e teve baixa satisfação entre clientes. Nos primeiros anos, o iPhone ficou atrás da BlackBerry em unidades distribuídas e usuários ativos, devido à vantagem inicial da RIM e à sua rede mais ampla de operadoras. Nos Estados Unidos, a base da BlackBerry chegou ao máximo de cerca de 21 milhões de usuários no segundo semestre de 2010. Naquele trimestre, a base mundial da empresa era de 36 milhões de usuários. À medida que o iPhone e o Android cresceram nos Estados Unidos, a BlackBerry perdeu espaço para outras plataformas de smartphones. A linha BlackBerry ainda cresceu no exterior. Em 1 de dezembro de 2012, a empresa tinha 79 milhões de usuários BlackBerry no mundo, dos quais somente 9 milhões estavam nos Estados Unidos.
Apesar do crescimento fora dos Estados Unidos, investidores e veículos de imprensa passaram a questionar a capacidade da empresa de concorrer com aparelhos baseados em iOS e Android. A CNNMoney incluiu a BlackBerry numa lista de seis marcas norte-americanas e canadenses em risco. Analistas também questionavam a estrutura administrativa da companhia.
Depois de tentar atualizar sua plataforma baseada em Java, a empresa comprou a QNX Software Systems para desenvolver uma nova plataforma BlackBerry baseada no sistema operacional de tempo real QNX. Em março de 2011, o então codiretor executivo Jim Balsillie afirmou em uma teleconferência que o "lançamento de alguns novos BlackBerrys poderosos", que acabariam chegando ao mercado como BlackBerry 10, ocorreria no começo de 2012. Analistas temiam que divulgar aparelhos ainda desconhecidos e apresentados como capazes de mudar o mercado cedo demais prejudicasse a venda dos BlackBerrys existentes, num efeito semelhante ao Efeito Osborne. A data anunciada passou a ser vista como ambiciosa demais e afetou a credibilidade da empresa enquanto seus aparelhos antigos perdiam participação de mercado.
Em 27 de setembro de 2010, a RIM anunciou o tablet BlackBerry PlayBook, primeiro produto a executar a nova plataforma QNX, chamada BlackBerry Tablet OS. O PlayBook chegou oficialmente aos consumidores dos Estados Unidos e do Canadá em 19 de abril de 2011. O aparelho foi criticado por chegar às lojas incompleto e vendeu pouco. Depois do envio de 900 mil tablets durante seus primeiros três trimestres no mercado, as vendas fracas e o acúmulo de estoque levaram a companhia a reduzir preços e contabilizar uma baixa de US$ 485 milhões no valor do estoque.
Os principais concorrentes da BlackBerry eram smartphones com Android e o iPhone da Apple. Por alguns anos, o BlackBerry foi o smartphone mais vendido em muitos mercados, sobretudo nos Estados Unidos. A chegada do iPhone e, depois, da plataforma Android, do Google, desacelerou o crescimento da BlackBerry e reduziu suas vendas em alguns mercados, sobretudo o norte-americano. O desempenho levou analistas e a imprensa a questionarem a capacidade da empresa de permanecer independente.
Quando o iPhone foi lançado em 2007, recebeu grande atenção da imprensa e foi chamado por alguns veículos de "BlackBerry killer". Embora as vendas do BlackBerry também crescessem, o iPhone avançou em ritmo maior. A queda de 87% no preço das ações da BlackBerry entre 2010 e 2013 foi atribuída sobretudo ao desempenho do iPhone.
Os três primeiros modelos do iPhone ficaram em geral atrás da BlackBerry em vendas, pois a RIM tinha vantagens na distribuição por operadoras e entre clientes empresariais. A Apple continuou a ganhar mercado. Em outubro de 2008, ultrapassou brevemente a RIM nas vendas trimestrais ao anunciar 6,9 milhões de iPhones vendidos, contra 6,1 milhões de aparelhos da RIM, embora os trimestres comparados não coincidissem por completo. As vendas trimestrais do iPhone caíram para 4,3 milhões no período seguinte, enquanto as da RIM subiram para 7,8 milhões. Alguns investidores, ainda assim, viram o episódio como sinal de fraqueza. O iPhone começou a superar trimestralmente as vendas do BlackBerry em 2010, depois do lançamento do iPhone 4.
Nos Estados Unidos, a BlackBerry atingiu seu auge em setembro de 2010, com quase 22 milhões de usuários, ou 37% dos 58,7 milhões de smartphones existentes no país. O uso começou então a cair no país, e a base instalada da Apple ultrapassou a da BlackBerry em abril de 2011. As vendas do iPhone seguiram em alta junto com o mercado de smartphones, enquanto a BlackBerry perdeu usuários de forma contínua. Em fevereiro de 2016, apenas 1,59 milhão, ou 0,8%, dos 198,9 milhões de usuários de smartphones dos Estados Unidos usavam BlackBerry, contra 87,32 milhões, ou 43,9%, que usavam iPhone.
O sistema operacional Android, do Google, usado em aparelhos de fabricantes como Sony, Motorola, HTC, Samsung e LG, aumentou a pressão sobre a BlackBerry. Em janeiro de 2010, pouco menos de 3 milhões, ou 7,1%, dos 42,7 milhões de smartphones então usados nos Estados Unidos executavam Android, contra 18 milhões de aparelhos BlackBerry, ou 43%. Um ano depois, o Android já havia ultrapassado a base instalada da BlackBerry nos Estados Unidos. Em fevereiro de 2016, somente 1,59 milhão, ou 0,8%, dos 198,9 milhões de usuários de smartphones norte-americanos usavam BlackBerry, contra 104,82 milhões, ou 52,7%, que usavam Android.
A rede segura e criptografada da RIM atraía clientes empresariais, mas seus aparelhos eram por vezes vistos como menos atraentes para consumidores que os smartphones com iPhone e Android. Desenvolvedores também costumavam produzir aplicativos para essas plataformas sem criar versões para a BlackBerry. Na década de 2010, até clientes empresariais começaram a adotar políticas de BYOD por pressão dos empregados. A companhia também era criticada por hardware e sistema operacional vistos como antigos e pouco atraentes diante da concorrência e por recursos de navegação considerados inferiores.
A desaceleração do crescimento levou a empresa a demitir 2 mil empregados em meados de 2011. Em setembro, o BlackBerry Internet Service sofreu uma grande interrupção que afetou milhões de clientes durante dias. O problema ocorreu enquanto a Apple se preparava para lançar o iPhone 4S e aumentou os temores de uma migração em massa para outras plataformas.
Em outubro de 2011, a RIM apresentou o BBX, plataforma planejada para futuros smartphones BlackBerry e baseada no mesmo QNX usado pelo PlayBook. Uma acusação de violação de marca registrada envolvendo o nome BBX levou a empresa a rebatizá-la como BlackBerry 10. O desenvolvimento mostrou-se difícil, e a companhia adiou o lançamento em dezembro de 2011 para algum momento de 2012. Em 22 de janeiro de 2012, Mike Lazaridis e Jim Balsillie deixaram os cargos de diretores executivos, entregando o comando ao executivo Thorsten Heins. Em 29 de março, a empresa anunciou seu primeiro prejuízo líquido em anos. Heins iniciou uma reestruturação, anunciou a demissão de 5 mil empregados, substituiu executivos e adiou o BlackBerry 10 novamente, desta vez para janeiro de 2013.
Depois de críticas e adiamentos, a RIM lançou oficialmente o BlackBerry 10 e dois novos smartphones baseados na plataforma, o BlackBerry Z10 e o Q10, em 30 de janeiro de 2013. O Z10, primeiro smartphone BlackBerry a executar o BlackBerry 10, estreou em vários países em janeiro de 2013 e foi colocado à venda imediatamente no Reino Unido, seguido por outros mercados. Distante do desenho dos aparelhos anteriores, tinha interface inteiramente sensível ao toque, processador de dois núcleos e tela de alta definição. O BlackBerry 10 tinha 70 mil aplicativos disponíveis no lançamento, e a companhia esperava chegar a 100 mil antes da estreia do aparelho nos Estados Unidos. Para divulgar o lançamento, a empresa exibiu seu primeiro comercial de televisão durante o Super Bowl XLVII nos Estados Unidos e no Canadá.
Ao falar sobre a escolha de criar um sistema operacional próprio em vez de adotar uma plataforma existente, como o Android, Heins disse: "Se você observar a capacidade de outros fornecedores de se diferenciarem, há muito pouca margem. Nós analisamos seriamente essa possibilidade, mas, se você entende o que a BlackBerry promete à sua base de usuários, tudo gira em torno de fazer as coisas. Jogos e mídia, precisamos ser bons nisso, mas temos de apoiar aqueles que estão à frente. Eles têm muito pouco tempo para consumir e aproveitar conteúdo. Se você se mantiver fiel a esse propósito, precisa construir sobre essa base. E, se quisermos atender esse segmento, não podemos fazer isso seguindo uma abordagem 'eu também'." O diretor de operações Kristian Tear afirmou: "Queremos recuperar nossa posição como número um do mundo". O diretor de marketing Frank Boulben declarou: "Pode ser a maior recuperação da história da tecnologia. As operadoras estão conosco. Elas não querem um duopólio", em referência à Apple e à Samsung.
No evento de lançamento do BlackBerry 10, a companhia também anunciou que deixaria de usar Research In Motion como sua marca pública e passaria a usar BlackBerry. A mudança buscava colocar a marca BlackBerry no centro das marcas da empresa e reconhecia que consumidores de alguns mercados já conheciam a companhia por esse nome. Os acionistas votaram a mudança formal do nome para BlackBerry Limited na assembleia geral anual seguinte. Antes disso, em 4 de fevereiro de 2013, os códigos de negociação na TSX e na Nasdaq haviam sido alterados para BB e BBRY.
Em 12 de agosto de 2013, a empresa anunciou que estava aberta a uma possível aquisição.
Mark Wiseman, diretor executivo do Canada Pension Plan Investment Board, disse que avaliaria um investimento na BlackBerry caso a empresa fechasse seu capital. Também em 12 de agosto de 2013, o principal acionista Prem Watsa deixou o conselho de administração da BlackBerry.
Em 20 de setembro de 2013, a empresa anunciou a demissão de 4.500 empregados e um prejuízo operacional de C$ 1 bilhão. Três dias depois, anunciou uma carta de intenções para ser adquirida por um consórcio liderado pela Fairfax Financial Holdings, de Prem Watsa, por US$ 9 por ação. Watsa confirmou a negociação.
Em 29 de setembro de 2013, a companhia passou a vender diretamente a consumidores nos Estados Unidos, oferecendo smartphones Q10 e Z10 desbloqueados por seu próprio site. Em 15 de outubro, publicou uma carta aberta em 30 publicações de nove países para tranquilizar clientes e afirmar que continuaria em operação. Anthony Michael Sabino, professor de administração da Universidade de São João, afirmou ao Washington Post: "Esta é a última tentativa da BlackBerry de simplesmente sobreviver diante da concorrência esmagadora em um mercado que ela essencialmente inventou."
Em 4 de novembro de 2013, o acordo com a Fairfax e Prem Watsa foi abandonado em favor de uma injeção de US$ 1 bilhão em dinheiro. Um analista interpretou o investimento como uma medida da confiança que o maior acionista da BlackBerry ainda depositava na companhia. Na mesma ocasião, a BlackBerry nomeou John Chen diretor executivo no lugar de Heins. O The Globe and Mail escreveu que a empresa esperava que Chen, conhecido por recuperar companhias em dificuldades, pudesse salvá-la.
"Começamos a mover a companhia para um mundo multiplataforma e BYOD, adotando uma nova plataforma de gerenciamento de mobilidade e uma nova estratégia para dispositivos", escreveu Chen em uma carta aberta pouco depois de assumir o cargo. "Acredito no valor desta marca. Com a equipe certa e a estratégia certa, estou confiante de que reconstruiremos a BlackBerry em benefício de todas as partes envolvidas."
Em abril de 2014, Chen apresentou sua estratégia de recuperação numa entrevista à Reuters. Ele pretendia investir em empresas de setores regulamentados, entre eles saúde, finanças e serviços jurídicos, ou formar parcerias com elas. Depois esclareceu que a divisão de aparelhos ainda fazia parte da estratégia e que a BlackBerry buscava investir em "soluções emergentes, como tecnologias de comunicação máquina a máquina, que ajudarão a sustentar a Internet das Coisas". Ele aprofundou essa ideia em uma conferência de segurança da BlackBerry em julho de 2014.
Em maio de 2014, a BlackBerry lançou na Indonésia o Z3, aparelho de baixo custo para um mercado em que a marca tinha forte presença. O telefone foi produzido em parceria com a fabricante taiwanesa Foxconn, responsável pelo projeto e pela distribuição. Uma análise do The New York Times interpretou o modelo como uma tentativa de Chen de gerar receita enquanto transferia o foco da empresa para serviços e software. Para adaptar a promoção do Z3 ao mercado local, o painel traseiro trazia a palavra "Jakarta". O preço, porém, ainda era mais de duas vezes superior ao de modelos Android vendidos na Indonésia.
No primeiro trimestre do exercício fiscal de 2015, Chen afirmou: "Este é, claro, apenas o começo da nossa tarefa e esperamos poder apresentar resultados melhores daqui para a frente... Estamos bastante satisfeitos com a posição em que estamos." A Quartz informou que as ações haviam subido 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em setembro de 2015, Chen apresentou o BlackBerry Priv, smartphone Android com teclado físico deslizante e modificações de software desenvolvidas pela BlackBerry, entre elas um carregador de inicialização seguro, criptografia integral do armazenamento, proteção de integridade e BlackBerry Hub.
Em 2020, a BlackBerry assinou um novo contrato de licenciamento de smartphones com a startup norte-americana OnwardMobility. A OnwardMobility não chegou a lançar um aparelho e encerrou suas atividades em 2022.
Em junho de 2021, a receita de segurança cibernética, US$ 107 milhões, e a de IoT, US$ 43 milhões, correspondiam juntas a 86% da receita de US$ 174 milhões do primeiro trimestre fiscal de 2022. Chen afirmou: "Estamos direcionando a organização mais fortemente ao mercado ao criar duas unidades de negócios, Cybersecurity e IoT... forneceremos receita e margem bruta por unidade de negócios, além de outras métricas selecionadas."
Em 4 de janeiro de 2022, a BlackBerry desativou a infraestrutura e os sistemas operacionais usados por seus telefones que não executavam Android.
Em outubro de 2023, a empresa anunciou que separaria sua unidade de IoT e faria uma oferta pública inicial do negócio no ano seguinte.
Nesse período, a BlackBerry ampliou sua oferta de software e serviços com a compra de empresas como a WatchDox, especializada em segurança de arquivos, a AtHoc, voltada a comunicações de crise, e a concorrente de gerenciamento de mobilidade empresarial Good Technology. Os produtos dessas empresas foram aos poucos rebatizados e integrados ao portfólio da BlackBerry. A empresa lançou também os Good Secure EMM Suites, reunindo produtos da WatchDox e da Good Technology em pacotes de diferentes níveis junto com seus próprios programas.
A BlackBerry anunciou o DTEK50, smartphone Android de faixa intermediária, em 26 de julho de 2016. Ao contrário do Priv, o DTEK50 era uma versão rebatizada de um smartphone já existente, o Alcatel Idol 4, fabricado pela TCL Corporation, uma das parceiras de hardware da companhia. Ele seria o penúltimo telefone desenvolvido internamente pela BlackBerry, seguido pelo DTEK60 em outubro de 2016. Em 28 de setembro, a companhia anunciou que deixaria de desenvolver hardware internamente para se concentrar em software, transferindo o desenvolvimento, o projeto e a fabricação dos aparelhos a parceiros.
A primeira dessas parceiras foi a BB Merah Putih, empreendimento conjunto na Indonésia. Chen declarou que a companhia "já não é apenas sobre o smartphone, mas sobre o 'smart' no telefone". Em 15 de dezembro de 2016, a BlackBerry anunciou um acordo de longo prazo com a TCL para a fabricação de smartphones com a marca BlackBerry vendidos fora de Bangladesh, Índia, Indonésia, Nepal e Sri Lanka. Em 6 de fevereiro de 2017, a empresa assinou um acordo com a Optiemus Infracom para produzir aparelhos destinados à Índia e a mercados vizinhos, entre eles Sri Lanka, Nepal e Bangladesh.
Depois do anúncio dessas parcerias, a TCL lançou o BlackBerry KeyOne, e a BB Merah Putih lançou o BlackBerry Aurora.
Em fevereiro de 2016, a BlackBerry comprou a empresa britânica de segurança cibernética Encription, com o objetivo de entrar no mercado de consultoria em segurança.
Em 8 de dezembro de 2016, a empresa anunciou o BlackBerry Secure, apresentado como uma plataforma abrangente de segurança móvel para a "Enterprise of Things". O produto aprofundou a integração das empresas adquiridas ao portfólio principal. A Forbes escreveu que a plataforma reunia os produtos da BlackBerry "sob um único guarda-chuva".
Em fevereiro de 2017, a empresa de análise 451 Research publicou um relatório sobre a melhora financeira da BlackBerry e sua concentração de produtos. O relatório apontou a presença da BlackBerry na Internet das Coisas e sua estratégia de licenciamento de aparelhos como pontos fortes.
Em 30 de outubro de 2023, John S. Chen anunciou sua saída do cargo de diretor executivo por meio de uma carta aos empregados publicada no blog da BlackBerry. Ele deixou a função em 4 de novembro.
Até 2013, o número de usuários ativos de BlackBerry cresceu de forma quase contínua. No quarto trimestre do exercício fiscal encerrado em 3 de março de 2012, a RIM distribuiu 11,1 milhões de smartphones BlackBerry, queda de 21% em relação ao trimestre anterior. Foi a primeira queda em um trimestre que incluía o Natal desde 2006. A companhia anunciou prejuízo líquido de US$ 125 milhões no período, seu primeiro prejuízo trimestral desde o quarto trimestre fiscal de 2005. A perda de participação da RIM acelerou em 2011 com o crescimento das vendas de aparelhos Android da Samsung e da HTC. Sua participação anual no mercado norte-americano caiu de 9% para 3%.
No trimestre encerrado em 28 de junho de 2012, a RIM anunciou que o número de assinantes BlackBerry havia chegado a 78 milhões no mundo. A empresa também divulgou receita do primeiro trimestre fiscal de 2013 e prejuízo líquido GAAP de US$ 518 milhões, além de um programa de redução de custos de US$ 1 bilhão. O lançamento do BlackBerry 10 foi adiado para o primeiro trimestre de 2013.
Depois do lançamento do iPhone 5 em setembro de 2012, Thorsten Heins anunciou que o número de usuários mundiais havia subido para 80 milhões, provocando alta de 7% nas ações. Em 2 de dezembro, a companhia informou que sua base mundial havia recuado para 79 milhões, depois de atingir o máximo de 80 milhões no trimestre anterior. Ainda naquele mês, reportagens informaram que a BlackBerry havia perdido US$ 1,049 bilhão no segundo trimestre fiscal de 2013. Heins afirmou: "Estamos muito decepcionados com nossos resultados operacionais e financeiros neste trimestre e anunciamos uma série de mudanças para enfrentar o ambiente competitivo de hardware e nossa estrutura de custos."
Entre 2010 e 2013, as ações da companhia perderam 87% de seu valor em meio à popularidade do iPhone. A Goldman Sachs estimou que, em junho de 2014, a BlackBerry tinha 1% das vendas de smartphones, ante um máximo de cerca de 20% em 2009.
Ao divulgar os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2015 em junho de 2014, Chen apresentou uma empresa mais estável e com prejuízo menor que nos trimestres anteriores. O The New York Times classificou o resultado como um prejuízo trimestral menor que o esperado. Chen disse que a BlackBerry estava confortável com sua posição. Seu plano se concentrava principalmente em empresas e governos, e não em consumidores.
| Ano fiscal | Receita (US$ milhões) |
Lucro operacional (US$ milhões) |
Lucro líquido (US$ milhões) |
Assinantes ativos do BlackBerry |
|---|---|---|---|---|
| 1999 | 47 | 4,8 | 6,4 | |
| 2000 | 84 | 10 | 10 | |
| 2001 | 221 | (4,6) | (6,2) | |
| 2002 | 294 | (58) | (28) | |
| 2003 | 307 | (64) | (149) | 534.000 |
| 2004 | 595 | 78 | 52 | 1.069.000 |
| 2005 | 1.350 | 386 | 206 | 2.510.000 |
| 2006 | 2.066 | 617 | 375 | 4.900.000 |
| 2007 | 3.037 | 807 | 632 | 8.000.000 |
| 2008 | 6.009 | 1.731 | 1.294 | 14.000.000 |
| 2009 | 11.065 | 2.722 | 1.893 | 25.000.000 |
| 2010 | 14.953 | 3.507 | 2.457 | 41.000.000 |
| 2011 | 19.907 | 4.739 | 3.444 | 70.000.000 |
| 2012 | 18.423 | 1.497 | 1.164 | 77.000.000 |
| 2013 | 11.073 | (1.235) | (646) | 79.000.000 |
| 2014 | 6.813 | (7.163) | (5.873) | 69.000.000 |
| 2015 | 3.335 | (423) | (304) | 46.000.000 |
| 2016 | 2.160 | (223) | (208) | |
| 2017 | 1.309 | (1.181) | (1.206) | |
| 2018 | 932 | 283 | 405 | |
| 2019 | 904 | 60 | 93 | |
| 2020 | 1.040 | (149) | (152) | |
| 2021 | 718 | (2) | 12 |
A empresa recebeu críticas frequentes por manter dois diretores executivos. Alguns críticos viam o arranjo como uma estrutura administrativa disfuncional e acreditavam que a RIM operava como duas empresas, retardando o desenvolvimento do BlackBerry 10. Em 30 de junho de 2011, uma proposta de investidores para separar as funções na administração foi retirada depois de um acordo com a RIM.
Em 2007, Jim Balsillie foi obrigado a deixar a presidência do conselho depois que a companhia anunciou a reformulação de US$ 250 milhões em seus resultados devido a erros na concessão de opções de ações a empregados. Uma revisão interna encontrou centenas de concessões de opções retrodatadas para coincidir com preços mais baixos das ações e aumentar seu valor.
Em janeiro de 2009, reguladores canadenses buscavam uma multa recorde de US$ 80 milhões dos dois principais executivos, Balsillie e Mike Lazaridis. A Ontario Securities Commission, OSC, defendia que Balsillie pagasse a maior parte do valor e deixasse temporariamente o conselho de administração da RIM. Em 5 de fevereiro, executivos e conselheiros da Research In Motion concordaram em pagar valores para encerrar a investigação. Balsillie, Lazaridis e o diretor de operações Dennis Kavelman pagaram em conjunto C$ 68 milhões à RIM para ressarcir perdas relacionadas à retrodatação e os custos da investigação interna. Os três também tiveram de pagar C$ 9 milhões à OSC. Balsillie deixou temporariamente o conselho e permaneceu como executivo. Em maio de 2010, pouco depois do fim das sanções da OSC, Balsillie voltou ao conselho apesar da oposição de alguns acionistas.
Lazaridis e Balsillie deixaram os cargos de codiretores executivos em janeiro de 2012. Depois de anos de tensão, Balsillie deixou a companhia por completo em março de 2012, quando saiu também de sua função executiva. Os dois foram substituídos por um único diretor executivo, o antigo codiretor de operações Thorsten Heins. Heins contratou os bancos RBC Capital Markets e JP Morgan para procurar possíveis compradores da RIM e reforçou os esforços para lançar o BlackBerry 10.
Depois de assumir o comando, Heins alterou parte da direção da empresa. Deixaram a companhia o diretor de tecnologia David Yach, o diretor de operações Jim Rowan, o vice-presidente sênior de software Alan Brenner, a diretora jurídica Karima Bawa e a diretora de informação Robin Bienfait.
Heins contratou Kristian Tear como diretor de operações e Frank Boulben como diretor de marketing, e nomeou Dan Dodge, diretor executivo da QNX, para a função de diretor de tecnologia. Em 28 de julho de 2012, Steven E. Zipperstein foi nomeado vice-presidente e diretor jurídico.
Em 28 de março de 2013, Lazaridis deixou a vice-presidência do conselho e anunciou sua saída do próprio conselho. No fim daquele ano, Heins foi substituído por John S. Chen, que assumiu o cargo de diretor executivo na primeira semana de novembro. O pacote de remuneração de Chen era composto principalmente por ações da BlackBerry, num total de 13 milhões, às quais teria direito integral depois de cinco anos na empresa. Heins recebeu um pacote de saída de US$ 22 milhões.
Chen havia adquirido reputação por recuperar empresas em dificuldades, depois de conduzir a empresa de software e serviços Sybase até sua venda à SAP em 2010. Ao chegar à BlackBerry, deixou claro que pretendia reduzir a fabricação de hardware e concentrar a empresa em software empresarial, entre eles QNX, BlackBerry UEM e AtHoc.
Em junho de 2011, a RIM previu que a receita do primeiro trimestre cairia pela primeira vez em nove anos e anunciou planos para reduzir seu quadro de empregados.
Em julho, a companhia cortou 2 mil postos de trabalho, a maior demissão coletiva de sua trajetória até então e a primeira de grande escala desde 12 de novembro de 2002, quando havia dispensado 10% de sua força de trabalho, cerca de 200 pessoas. O corte de 2011 reduziu o quadro em cerca de 11%, de 19 mil para 17 mil empregados.
Em 28 de junho de 2012, a companhia anunciou que pretendia eliminar 5 mil postos até o fim do exercício fiscal de 2013 como parte de uma iniciativa para economizar US$ 1 bilhão.
Em 25 de julho de 2013, foram dispensados 250 empregados das áreas de pesquisa e desenvolvimento e de testes de novos produtos. Os cortes faziam parte da reestruturação da empresa.
Em 20 de setembro de 2013, a BlackBerry confirmou que eliminaria 4.500 postos até o fim do ano, cerca de 40% de seu quadro.
No auge, a BlackBerry empregava cerca de 20 mil pessoas. Depois da chegada de John Chen em 2013, houve novas demissões em fevereiro de 2015, quando o quadro havia caído para 6.225 pessoas. Em 21 de julho de 2015, a empresa anunciou outra rodada de cortes, sem informar o número de empregados atingidos, e mais 200 postos foram eliminados em fevereiro de 2016.
Em fevereiro de 2022, a empresa tinha 3.225 empregados.
O BlackBerry OS foi criado para operar em condições mais simples, entre elas dispositivos de baixo consumo de energia, redes com pouca largura de banda e ambientes empresariais com fortes exigências de segurança. Com o envelhecimento da plataforma, surgiram dificuldades para acompanhar a navegação móvel na web, aplicativos para consumidores, multimídia e interfaces de tela sensível ao toque. Usuários enfrentavam problemas de desempenho, usabilidade e estabilidade.
A empresa tentou ampliar a antiga plataforma, mas acabou decidindo criar um novo sistema baseado no QNX.
O BlackBerry PlayBook foi o primeiro produto da RIM com o BlackBerry Tablet OS baseado em QNX. Lançado em abril de 2011, concorria com o iPad da Apple. O aparelho foi criticado por software incompleto e pela pequena seleção de aplicativos. Vendeu pouco até que o preço fosse reduzido de forma acentuada, assim como aconteceu com muitos tablets lançados naquele ano. O BlackBerry Tablet OS recebeu uma grande atualização em fevereiro de 2012 e outras atualizações menores.
O BlackBerry 10, versão amplamente atualizada do BlackBerry Tablet OS destinada à geração seguinte de smartphones BlackBerry, estava planejado inicialmente para o começo de 2012. A empresa adiou o produto repetidas vezes após as críticas ao lançamento do PlayBook e dizia que o sistema precisava estar pronto para competir no mercado. O último modelo equipado com o sistema foi o BlackBerry Leap.
Em setembro de 2015, a BlackBerry anunciou o Priv, aparelho com Android 5.1.1 "Lollipop". Foi o primeiro telefone da companhia a não executar um sistema operacional desenvolvido internamente. A versão do Android usada no Priv era semelhante à versão padrão do Google, com modificações voltadas à produtividade e à segurança. A BlackBerry levou ao Android recursos do BlackBerry 10, entre eles BlackBerry Hub, BlackBerry Virtual Keyboard, BlackBerry Calendar e BlackBerry Contacts.
Em 26 de julho de 2016, a empresa apresentou o BlackBerry DTEK50, modelo intermediário com teclado apenas na tela, Android 6.0 "Marshmallow" e tela Full HD de 5,2 polegadas, equivalente a 13,2 cm. David Kleidermacher, diretor de segurança da BlackBerry, enfatizou a proteção de dados no lançamento e afirmou que o aparelho tinha proteção integrada contra malware e criptografia das informações do usuário. O BlackBerry Classic, equipado com BlackBerry 10, já havia sido descontinuado.
Em julho de 2016, observadores do setor esperavam que a companhia anunciasse mais dois smartphones nos doze meses seguintes, provavelmente também com Android. Marty Beard, diretor de operações da BlackBerry, disse à Bloomberg que "a companhia nunca afirmou que não construiria outro aparelho BB10".
Em 2018, foi lançado o último smartphone BlackBerry, o BlackBerry Key2 LE. Em 2022, a BlackBerry encerrou o suporte ao BlackBerry 10 e, na prática, deixou o mercado de smartphones.
Com a mudança de foco para segurança cibernética, a BlackBerry comprou empresas e tecnologias de terceiros em diferentes momentos.
A Slipstream Data Inc. desenvolvia software de otimização de redes, compressão de dados e aceleração de redes. A BlackBerry comprou a empresa em 11 de julho de 2006 e a transformou em subsidiária integral. A operação permaneceu em Waterloo.
A Certicom Corp. é uma empresa de criptografia fundada em 1985 por Gordon Agnew, Ron Mullin e Scott Vanstone.
Seu portfólio de propriedade intelectual reúne mais de 350 patentes concedidas ou pendentes em vários países e cobre aspectos da criptografia de curva elíptica, ou ECC.
A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos licenciou 26 patentes de ECC da Certicom para permitir a adoção de curvas elípticas na proteção de informações governamentais norte-americanas e de países aliados.
Em 23 de janeiro de 2009, a VeriSign fechou um acordo para comprar a Certicom. A Research In Motion apresentou uma contraproposta considerada superior. A VeriSign não igualou a oferta, e a Certicom anunciou um acordo de venda à RIM. Depois da conclusão da operação, a Certicom tornou-se subsidiária integral da RIM e deixou de ser negociada na Bolsa de Valores de Toronto em 25 de março de 2009.
Em junho de 2009, a RIM anunciou a compra da Dash Navigation, fabricante do Dash Express.
Em agosto de 2009, a RIM comprou a Torch Mobile, desenvolvedora do Iris Browser. A aquisição permitiu incluir um navegador baseado em WebKit nos dispositivos BlackBerry. O navegador passou a integrar os sistemas baseados em Java BlackBerry 6 e BlackBerry 7 e, depois, o BlackBerry Tablet OS e o BlackBerry 10, baseados em QNX. O primeiro produto a usar o navegador, o BlackBerry Torch 9800, recebeu seu nome em referência à empresa.
Em 8 de setembro de 2010, a DataViz, Inc. vendeu à Research In Motion por US$ 50 milhões sua suíte de escritório Documents To Go e outros ativos. O aplicativo, que permitia visualizar e editar documentos do Microsoft Word, Microsoft Excel e Microsoft PowerPoint, passou a ser incluído em smartphones e tablets BlackBerry.
Em 26 de março de 2010, a empresa anunciou a compra da Viigo, companhia de Toronto responsável pelo aplicativo Viigo for BlackBerry, que reunia conteúdo de notícias da web. Os termos financeiros não foram divulgados.
A RIM chegou a um acordo com a Harman International em 12 de abril de 2010 para comprar a QNX Software Systems. A empresa adquirida seria a base da geração seguinte da plataforma BlackBerry para diferentes tipos de dispositivos. O QNX tornou-se a plataforma do BlackBerry PlayBook e do BlackBerry 10.
A The Astonishing Tribe (TAT), empresa de design de interfaces com sede em Malmö, Suécia, foi comprada pela RIM em 2 de dezembro de 2010. A TAT havia criado interfaces e aplicativos móveis e trabalhou na experiência de uso do BlackBerry 10 e no desenvolvimento do framework gráfico Cascades.
Em julho de 2011, a RIM comprou a JayCut, empresa sueca responsável por um editor de vídeo online. A tecnologia da JayCut foi incorporada ao software de mídia do BlackBerry 10.
Em março de 2012, a RIM comprou a Paratek Microwave, levando sua tecnologia adaptativa de sintonia de radiofrequência aos aparelhos BlackBerry.
Em 18 de setembro de 2012, foi anunciado que o serviço de calendário social Tungle.me, comprado pela RIM em abril de 2011, seria encerrado em 3 de dezembro de 2012.
Em julho de 2011, a RIM comprou a NewBay, empresa irlandesa que fornecia ferramentas online para vídeo, fotografias e redes de mídia. A RIM vendeu a NewBay à Synchronoss em dezembro de 2012 por US$ 55,5 milhões.
Em 7 de junho de 2011, a BlackBerry comprou a Scoreloop por US$ 71 milhões. A empresa fornecia ferramentas para adicionar elementos sociais a jogos, como conquistas e recompensas, e sua tecnologia foi usada no aplicativo Games do BlackBerry 10. Todos os serviços da Scoreloop foram encerrados em 1 de dezembro de 2014.
A BlackBerry comprou a Gist em fevereiro de 2011. O serviço reunia contatos de diferentes fontes num único local. A Gist encerrou seus serviços em 15 de setembro de 2012 para que a equipe se concentrasse no BlackBerry 10.
A BlackBerry comprou a Scroon em maio de 2013. A startup francesa administrava contas em redes sociais para grandes clientes, entre eles LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, Orange e Warner Bros. Entertainment. A compra foi anunciada publicamente em novembro. O fundador da Scroon, Alexandre Mars, disse que havia evitado divulgar a aquisição antes por causa da atenção negativa que cercava a BlackBerry. A Scroon passou a integrar a estratégia de monetização do BlackBerry Messenger por meio do BBM Channels. Os valores não foram divulgados.
A BlackBerry comprou a Movirtu em setembro de 2014. A startup britânica permitia manter mais de um número telefônico ativo no mesmo aparelho. No anúncio, a BlackBerry informou que pretendia levar a função para além do BlackBerry 10, incluindo Android e iOS.
A Secusmart foi comprada em 2014. A empresa alemã desenvolvia tecnologia de criptografia de voz e dados usada em aparelhos protegidos do governo alemão. A chanceler Angela Merkel e outros integrantes da administração federal usavam dispositivos BlackBerry equipados com criptografia da Secusmart.
A WatchDox era uma empresa israelense de sincronização e compartilhamento empresarial de arquivos especializada em proteger o acesso a documentos armazenados em nuvem. A BlackBerry comprou a companhia em abril de 2015. Em 8 de dezembro de 2016, o nome WatchDox foi substituído por BlackBerry Workspaces.
Em agosto de 2019, a BlackBerry fechou seu centro de desenvolvimento em Israel.
Em 22 de julho de 2015, a BlackBerry anunciou a compra da AtHoc, fornecedora de sistemas seguros de comunicação de emergência em rede.
Em 4 de setembro de 2015, a BlackBerry anunciou a compra da fornecedora de segurança móvel Good Technology por US$ 425 milhões. Em 8 de dezembro de 2016, os produtos da Good foram rebatizados e integrados ao BlackBerry Enterprise Mobility Suite, conjunto de pacotes de software oferecidos a clientes empresariais.
Em 24 de fevereiro de 2016, a BlackBerry comprou a consultoria britânica de segurança cibernética Encription.
Em 16 de novembro de 2018, a BlackBerry comprou a Cylance por US$ 1,4 bilhão em dinheiro. A tecnologia da Cylance permitiria acrescentar recursos de inteligência artificial aos produtos de software da BlackBerry para IoT e outros serviços. A Cylance funcionou como uma divisão separada dentro da BlackBerry Limited.
Em 16 de dezembro de 2024, foi anunciado que a BlackBerry venderia a Cylance à Arctic Wolf por US$ 160 milhões.
O BlackBerry Unified Endpoint Manager é uma plataforma de gerenciamento de mobilidade empresarial que administra acesso e configuração de smartphones, tablets, laptops e computadores de mesa. Oferece suporte a plataformas como iOS, Android, incluindo Android for Work e Samsung KNOX, BlackBerry 10, Windows 10 e macOS. O UEM, antes chamado BES, também funciona como console unificado de administração e servidor para BlackBerry Dynamics, BlackBerry Workspaces e BlackBerry 2FA.
O BlackBerry Dynamics, antes chamado Good Dynamics, é uma plataforma de gerenciamento de aplicativos móveis que administra e protege dados de aplicativos por meio de virtualização de aplicações. Sua suíte inclui correio eletrônico, calendário, contatos, tarefas, mensagens instantâneas, navegação e compartilhamento de documentos. O BlackBerry Dynamics SDK permite que desenvolvedores usem a segurança da plataforma e acrescentem aos próprios aplicativos funções de outras soluções da BlackBerry.
O BlackBerry Workspaces, antes chamado WatchDox, é uma plataforma empresarial de sincronização e compartilhamento de arquivos. O sistema combina sincronização e compartilhamento com controles de gestão de direitos digitais aplicados aos próprios arquivos, permitindo controlar ações como visualização, impressão, cópia e download mesmo depois de um documento ser compartilhado.
O BlackBerry 2FA é uma solução de autenticação de dois fatores que pode ser integrada a gateways VPN. O sistema combina a autenticação do usuário com a autenticação do dispositivo ou com uma senha de uso único.
O BBM Enterprise é uma plataforma empresarial de mensagens instantâneas baseada em IP que oferece criptografia de ponta-a-ponta para comunicações por voz, vídeo e texto. Em 7 de fevereiro de 2017, a BlackBerry lançou o BBM Enterprise SDK, um kit de "Communications Platform as a Service" que permite incorporar a aplicativos de terceiros funções de mensagens do BBM Enterprise. Entre elas estão mensagens seguras, voz, vídeo, compartilhamento de arquivos e informações de presença.
O BlackBerry AtHoc é um sistema de comunicação de emergência que oferece mensagens bidirecionais e notificações em diferentes dispositivos e plataformas. Em 17 de maio de 2017, a BlackBerry lançou o AtHoc Account, ferramenta destinada a facilitar a localização e o acompanhamento de empregados durante emergências.
O SecuSUITE oferece comunicação protegida com criptografia de ponta a ponta para voz, mensagens e compartilhamento de arquivos.
O QNX é um sistema operacional embarcado de tempo real usado em sistemas de software de veículos. Também forma a base de produtos como o BlackBerry Radar, sistema de rastreamento de ativos baseado em IoT destinado ao setor de transportes.
BlackBerry IVY é uma plataforma de dados de veículos que opera da borda à nuvem.
Desde o começo do século XXI, a RIM esteve envolvida em processos relacionados a supostas violações de patentes.
Em 2001, a Research In Motion processou a concorrente Glenayre Electronics Inc. por violação de patente, em parte como resposta a um processo anterior da Glenayre contra a RIM. A RIM pediu uma ordem judicial para impedir a Glenayre de infringir sua patente "Single Mailbox Integration". As empresas encerraram os processos em fevereiro de 2002. A Glenayre aceitou a validade da patente "Single Mailbox Integration", e as duas companhias concordaram em trabalhar juntas na integração de serviços.
Em junho de 2002, a Research In Motion abriu um processo contra a startup e concorrente Good Technology, fundada em 2000. A RIM apresentou outras reclamações ao longo daquele ano. Em março de 2004, a Good aceitou um acordo de licenciamento que encerrou os litígios pendentes.
Em 16 de setembro de 2002, a Research In Motion recebeu uma patente sobre o desenho de teclados para dispositivos portáteis de correio eletrônico. Depois de obter a patente, processou a Handspring por causa do Treo. A Handspring aceitou licenciar a patente da RIM em novembro daquele ano, evitando novos litígios.
Durante os recursos judiciais, a RIM encontrou técnica anterior que, em sua avaliação, levantava uma "nova questão substancial de patenteabilidade" e pediu o reexame das patentes da NTP ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos, USPTO. O reexame ocorreu separadamente dos processos de violação. Em fevereiro de 2006, o USPTO rejeitou todas as reivindicações da NTP em três patentes discutidas no litígio. A NTP recorreu, e o processo de reexame ainda estava em andamento em julho de 2006.
Em 3 de março de 2006, a RIM anunciou que havia chegado a um acordo com a NTP para encerrar a disputa de patentes do BlackBerry. Pelos termos, a RIM pagou US$ 612,5 milhões à NTP para a quitação definitiva de todas as reivindicações. A RIM afirmou que todos os termos haviam sido concluídos e que o processo contra a empresa fora encerrado por ordem judicial, eliminando a necessidade de outras decisões sobre indenizações ou medidas cautelares.
Em 17 de julho de 2003, enquanto ainda litigava com a NTP e a Good Technology, a RIM processou a Xerox no tribunal federal de Hartford, Connecticut. A ação surgiu após discussões sobre patentes da Xerox que poderiam afetar os negócios da RIM e pedia também que essas patentes fossem declaradas inválidas.
Em 1 de maio de 2006, a Visto processou a RIM por suposta violação de quatro patentes. As patentes foram questionadas, e uma decisão no Reino Unido foi contrária à Visto. A RIM encerrou o processo nos Estados Unidos em 16 de julho de 2009, concordando em pagar US$ 267,5 milhões à Visto, além de outros termos não divulgados.
Em 22 de janeiro de 2010, a Motorola pediu que a importação de smartphones BlackBerry para os Estados Unidos fosse proibida por suposta violação de cinco patentes. As patentes tratavam de recursos de interface de usuário, gerenciamento de energia e Wi-Fi. A RIM respondeu com uma ação própria no mesmo dia, acusando a Motorola de comportamento anticompetitivo e de violar um acordo de licenciamento de 2003 ao se recusar a estender seus termos para além de 2008. As empresas chegaram a um acordo extrajudicial em 11 de junho de 2010.
Em 5 de dezembro de 2011, a Research In Motion obteve uma ordem que acolheu seu pedido para rejeitar as alegações da Eatoni de que a RIM havia violado a Seção 2 do Sherman Antitrust Act e disposições equivalentes da lei Donnelly, do estado de Nova York. A Eatoni alegava que a suposta violação, pela RIM, da patente 317 da empresa constituía uma infração antitruste. O caso era Eatoni Ergonomics, Inc. v. Research In Motion Corp., nº 08-Civ. 10079 (WHP), S.D.N.Y., 5 de dezembro de 2011, Memorandum and Order, p. 1, juiz Pauley.
Em julho de 2012, um júri de tribunal federal dos Estados Unidos concedeu US$ 147 milhões em indenização contra a Research In Motion, decisão que depois foi anulada. O júri concluiu que a RIM havia infringido patentes da Mformation e calculou US$ 8 por aparelho sobre 18,4 milhões de unidades vendidas a clientes norte-americanos não governamentais. O valor não incluía royalties futuros dentro ou fora dos Estados Unidos. Em 9 de agosto de 2012, a decisão foi anulada. A RIM havia sustentado que as reivindicações da Mformation eram inválidas porque os processos descritos já estavam em uso quando a empresa apresentou o pedido de patente. O juiz James Ware concluiu que a Mformation não demonstrou que a RIM havia infringido sua patente.
Em 26 de maio de 2017, a BlackBerry anunciou um acordo com a Qualcomm Incorporated sobre todos os valores a pagar em decorrência da decisão arbitral provisória anunciada em 12 de abril. Depois de uma petição conjunta das partes, o painel arbitral emitiu decisão final determinando o pagamento de US$ 940 milhões pela Qualcomm à BlackBerry. O valor incluía juros e honorários advocatícios, descontados determinados royalties devidos pela BlackBerry referentes ao ano de 2016 e ao primeiro trimestre de 2017.
Em 8 de março de 2018, a BlackBerry Limited processou o Facebook em um tribunal federal de Los Angeles. A BlackBerry alegou que o Facebook havia construído parte de seus serviços de mensagens usando tecnologias originalmente desenvolvidas pela companhia na época em que Mark Zuckerberg ainda estudava na Universidade Harvard. A BlackBerry sustentava que funções do serviço de mensagens do Facebook infringiam suas patentes. Em janeiro de 2021, as ações da BlackBerry subiram 20% depois que a disputa de patentes com o Facebook foi encerrada por acordo.
Em novembro de 2011, a BlackBerry, ainda chamada RIM, ficou na 15ª e última posição entre os fabricantes de eletrônicos avaliados na nova edição do Guide to Greener Electronics do Greenpeace. Em um relatório de 2012 sobre minerais de conflito, o Enough Project colocou a RIM na sexta posição entre 24 empresas de eletrônicos de consumo. Em 2014, a RIM participou da iniciativa Solutions for Hope, voltada à ampliação de regiões produtoras de minerais livres de conflito na República Democrática do Congo.
Em 10 de outubro de 2011, a RIM sofreu uma das maiores interrupções de serviço de sua trajetória. Dezenas de milhões de usuários BlackBerry na Europa, no Oriente Médio, na África e na América do Norte ficaram sem enviar ou receber correios eletrônicos e mensagens pelo BBM. A causa foi uma falha em um comutador central. A transferência para o equipamento de reserva não funcionou como havia funcionado em testes e provocou um grande acúmulo de dados. O serviço foi restabelecido em 13 de outubro. A RIM ofereceu a usuários um pacote de aplicativos premium avaliado em US$ 100 e extensões de suporte a clientes empresariais.
Depois de quatro anos de impasse com o governo da Índia sobre o acesso às redes seguras da RIM, a empresa demonstrou capacidade para interceptar tráfego de correio eletrônico e mensagens de consumidores entre aparelhos BlackBerry e disponibilizar essas comunicações criptografadas aos órgãos de segurança indianos. O acordo não abrangia os serviços empresariais da companhia.
Por meio da lei canadense de assistência jurídica mútua em matéria criminal, a BlackBerry forneceu suas chaves mestras de criptografia às autoridades policiais, permitindo que a Real Polícia Montada do Canadá acessasse comunicações e outras informações criptografadas. John Chen defendeu a entrega de dados e afirmou que a companhia mantinha havia muito tempo a posição de que empresas de tecnologia, como boas cidadãs corporativas, deveriam cumprir pedidos legais razoáveis de acesso.