| S-PLUS | |
|---|---|
| Autor | R. Douglas Martin (Statistical Sciences) com base na linguagem S (Bell Labs) |
| Desenvolvedor | TIBCO Software (originalmente Statistical Sciences / Insightful Corporation) |
| Lançamento inicial | 1988 |
| Lançamento estável | 8.2
/ 2010 |
| Escrito em | C, C++, S e Fortran |
| Sistema operacional | Microsoft Windows, Linux, Solaris, AIX, HP-UX |
| Plataforma | Multiplataforma |
| Tipo | Pacote estatístico, computação científica, análise de dados |
| Licença | Proprietária comercial |
S-PLUS (frequentemente grafado como S+) é um ambiente integrado de computação estatística, análise de dados, mineração de dados e gráficos científicos de alto nível, constituindo a principal implementação comercial da linguagem S. Desenvolvido originalmente a partir de 1988 pela empresa Statistical Sciences (posteriormente renomeada MathSoft e, mais tarde, Insightful Corporation), o software foi adquirido em 2008 pela TIBCO Software, sendo absorvido em suas plataformas de inteligência de negócios e análise preditiva (notadamente na linha TIBCO Spotfire).
O S-PLUS notabilizou-se historicamente por introduzir inovações metodológicas cruciais na estatística aplicada moderna, tais como os gráficos em treliça (Trellis graphics) desenvolvidos por William S. Cleveland, a modelagem de efeitos mistos e modelos aditivos generalizados (GAM), além de oferecer uma interface gráfica de usuário (GUI) interativa no ambiente Windows sobreposta à flexibilidade da linguagem interpretada S. Ao lado do projeto em código aberto R, o S-PLUS formou a base computacional que revolucionou a pesquisa biomédica, o setor farmacêutico internacional e a modelagem econométrica quantitativa entre as décadas de 1990 e 2000.
A gênese do S-PLUS remonta a meados da década de 1970 nos laboratórios Bell Labs da AT&T, em Nova Jérsei. Uma equipe de estatísticos e cientistas da computação liderada por John Chambers, com contribuições fundamentais de Rick Becker e Allan Wilks, concebeu a linguagem S como um ambiente interativo unificado para exploração de dados, manipulação de matrizes e renderização de gráficos estatísticos em sistemas Unix, evitando a necessidade de compilação tediosa de programas em Fortran.
Embora os Bell Labs distribuíssem a linguagem S sob licenças acadêmicas para universidades e centros de pesquisa, o sistema carecia de suporte comercial formal, documentação profissional para usuários leigos e compatibilidade com computadores pessoais IBM PC e sistemas operacionais MS-DOS e Windows.
Em 1988, o professor de estatística da Universidade de Washington R. Douglas Martin fundou em Seattle a empresa Statistical Sciences, Inc., obtendo da AT&T uma licença exclusiva para desenvolver e comercializar uma versão expandida da linguagem S para microcomputadores e estações de trabalho: o S-PLUS (significando "S acrescido de funcionalidades extras").
A evolução corporativa e tecnológica do pacote desdobrou-se nas seguintes etapas:
O S-PLUS é uma linguagem de script orientada a expressões, funcional e fortemente voltada para objetos matemáticos:
O ambiente incorporou ferramentas estatísticas de fronteira desenvolvidas por acadêmicos renomados:
Diferentemente do S original para Unix (que operava exclusivamente via linha de comando terminal), o S-PLUS no Windows implementou uma interface de usuário com janelas interativas, menus suspensos e caixas de diálogo para importação de planilhas (Excel, SAS, SPSS), ajuste de modelos e edição vetorial direta de elementos gráficos por apontar-e-clicar, registrando simultaneamente todos os comandos gerados no console para fins de reprodutibilidade científica.
Entre as décadas de 1990 e 2000, o S-PLUS converteu-se no software analítico preferencial das grandes corporações da indústria farmacêutica multinacional (como Pfizer, Novartis, Roche e AstraZeneca) para a submissão de relatórios de ensaios clínicos regulamentados perante a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).
Essa predileção sustentava-se na oferta, pela Insightful Corporation, de pacotes de qualificação de instalação (IQ) e validação operacional (OQ), necessários para atender aos rigorosos requisitos de integridade de dados e assinaturas eletrônicas do padrão federal norte-americano 21 CFR Part 11, um nível de suporte formal e responsabilização jurídica contratual que softwares livres comunitários não ofereciam à época.
Em 1993, os professores de estatística Ross Ihaka e Robert Gentleman, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, iniciaram o desenvolvimento do R. O projeto foi concebido como uma implementação alternativa, aberta e livre da linguagem S, combinando a semântica da linguagem S com aspectos conceituais derivados da linguagem Scheme (um dialeto de Lisp).
As principais distinções conceituais e históricas entre ambos os ambientes incluem:
| Característica | S-PLUS | R |
|---|---|---|
| Modelo de distribuição | Software proprietário comercial (licenciamento pago) | Software livre e de código aberto (GNU GPL) |
| Resolução de escopo | Originalmente escopo dinâmico/estático tradicional do S | Escopo léxico estrito (lexical scoping) herdado do Scheme |
| Gerenciamento de memória | Mecanismo de paginação em disco (`bdFrame`) para dados volumosos | Armazenamento predominantemente em memória RAM física |
| Interface padrão | Linha de comando conjugada com interface gráfica (GUI) no Windows | Linha de comando terminal (com IDEs externas como RStudio) |
| Ecossistema de pacotes | Repositório proprietário e pacotes certificados pela empresa | CRAN (milhares de pacotes comunitários gratuitos) |
Com a consolidação do repositório CRAN no início dos anos 2000, o surgimento de bibliotecas gratuitas criadas por pesquisadores do mundo inteiro e a popularização do R em cursos universitários de graduação e pós-graduação, a base de usuários acadêmicos e empresariais migrou massivamente do S-PLUS para o R. Como consequência, o S-PLUS perdeu tração comercial gradual, culminando na descontinuação de seus lançamentos autônomos pela TIBCO Software na década de 2010 e na migração definitiva de suas rotinas para o ambiente TIBCO Spotfire e para o compilador TERR.
O ecossistema S/S-PLUS gerou uma série de tratados de referência metodológica conhecidos na literatura estatística pela cor de suas capas originais: