| Conquista de Azamor | |||
|---|---|---|---|
Fresco representando o desembarque das forças do Duque de Bragança, durante a Conquista de Azamor, localizado no Paço Ducal de Vila Viçosa | |||
| Data | 29 de agosto de 1512 – 2 de setembro de 1513 | ||
| Local | Azamor, Marrocos | ||
| Desfecho | Vitória portuguesa | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
| |||
| Forças | |||
| |||
| Baixas | |||
| |||
A conquista de Azamor foi uma batalha travada entre os exércitos de Portugal e da Dinastia Oatácida, que ocorreu na cidade de Azamor, Marrocos, entre 29 de Agosto e 2 de Setembro de 1513. Foi causada pela recusa do governador da cidade em cumprir as suas obrigações de vassalo e pagar um tributo ao rei português. Como consequência, a cidade de Azamor foi ocupada sem resistência pelo exército português, que fortificou-a e ali deixou uma guarnição.
Azamor, originalmente dependente do rei de Fez, embora gozando de grande autonomia, prestava vassalagem e pagava um tributo ao rei D. João II já desde 1486, devido à instabilidade política na região. A troco do pagamento de 10,000 sáveis, peixe abundante no rio Morbeia, que a banha, e de autorização para abrir uma feitoria portuguesa na cidade, as suas autoridades recebiam a protecção do rei português. O rei D. Manuel I confirmou este acordo em 1497, dois anos após a sua ascensão ao trono.
As desavenças geradas pelo governador Moulay Zayam, que se recusou pagar o tributo e preparava um exército para se defender, levariam ao envio de uma frota àquela cidade a mando de D. Manuel I.
Já em 1507, Duarte de Armas foi enviado numa expedição para debuxar a foz do seu rio, em preparação para um ataque à cidade. Os habitantes da cidade encontravam-se divididos entre si e alguns manifestavam interesse em tornarem-se súbditos de Portugal, facto que chegou aos ouvidos de D. Manuel por via de Rodrigues Bérrio, um armador de Tavira que costumava ir pescar sáveis a Azamor. Ainda neste ano, portanto, uma pequena armada de 50 navios e 2500 homens foi enviada para Azamor sob o comando de D. João de Menezes mas a tentativa de submeter então a cidade falhou.
A cidade foi conquistada cinco anos mais tarde. O rei D. Manuel enviou uma frota de mais de 400 navios para a África em 15 de agosto de 1513, e um exército de 2,450 cavaleiros e 18,000 infantes, liderados pelo seu sobrinho Jaime I, Duque de Bragança. A expedição desembarcou na baía de Mazagão a 29 de Agosto. Naquele dia, o exército desembarcou em Mazagão e marchou em direcção a Azamor. A 2 de Setembro, os moradores de Azamor, sem resistência, abriram as portas da cidade aos portugueses. Azamor foi ainda mais fortificada e os portugueses deixaram uma guarnição para conter os constantes ataques.
Assim descreve o feito Pedro de Mariz:
Ainda, Que elRey Dom Emanoel, tinha por tributaria a Cidade Azamor em Affrica, todavia desejava ser Senhor della: porque muitas vezes lhe negava o tributo, & se ajuntava com seus inimigos; polo, que determinou mandalla conquistar. E pera isso era o anno do Senhor mil, & quinhentos, & treze, mandou fazer huma poderosa armada, de mais de quatrocentas vellas, & dezoito mil homens de pé, de que três mil erão do Duque de Bragança Dom Gemes, que hia por General desta armada, que também levava quatrocentos, & cincoenta homens de cavallo, & cento acubertados, & todos seus criados, & vassallos: além destes hião mais de dous mil de cavallo, & duzentos acubertados, todos criados delRey affora a pionagem, que estes todos levávão. Partido o Duque com esta fermosa companhia, foy surgir duas léguas de Marzagão a 28 de Agosto[…]. De Marzagão partio o exercito ao primeiro de Setembro, […] A Azamor, & mandou logo dar o primeiro combate, com tanta ordem cometido, & com tanto fervor, & valentia; que os Mouros, ainda, que muitos, & bem armados, & fortalecidos, e muito versados em cavallarias; desconfiarão de se poderem defender. Principalmente quando virão morto de húa bombarda o Capitão mor da Cidade; cuja vista os acabou de desenganar de todo, & sobrevindo a noite, se sahirão da Cidade com muita pressa […]. Ao outro dia, sendo o Duque avisado do que passou, deu logo graças a Deos publicamente, & com grande triumpho entrou na cidade, & muito mayor contentamento em o seu animo, por huma tão grande, & tão barata vitória, que lhe não custou nem hum só homem. E tanto assombrou esta conquista a todos aquelles bárbaros Mauritanos, que logo as Cidades Titer & Almedina, se despejarão, & os portuguezes, se entregàrão dellas; Nuno Fernandez de Attaide capitão de Çafim, se entregou de Almedina a cujos moradores fez logo tornar a ella, com promessas, & liberdades: & pera que não se pudesse levantar mais, mandou derribar dous lanços do muro, hum da parte de Azamor: outro da de Çafim (safi). E todas as mais cousas da Cidade novamente conquistada, ordenadas como convinha ao governo, & defenção della, se veyo o Duque de Bragança ao Reyno, deixando encomendada sua casa a seu primo Dom Francisco Portugal, que foy o primeiro Conde de Vimioso: & por Capitão-mor do exercito Dom João de Menezes. E elRey Dom Emanoel mandou em o seu Reyno dar publicas graças a Deos por aquellas obras de sua omnipotencia, tanto em seu louvor acabadas: & o mesmo mandou o papa Leão decimo fazer em Roma, tanto que o soube, com huma solene procissão, em que elle disse missa em Pontifical, & houve prégação em louvor dos portuguezes, & de suas heroicas obras pola exaltação a Fé, & augmento de sua Igreja.
Participou na expedição Francisco Danzilho que, a pedido de D. Jaime, desenhou a praça-forte de Azamor para enviar ao rei. A cidade tinha um tamanho fora do comum. A cidade era amuralhada, com muitos edifícios nobres, o seu circuito tinha o formato de um rectangulo irregular ao longo do rio e ocupava cerca de nove hectares. Após a conquista da cidade, as terras circundantes da Xerquia passaram a ser controladas pelos portugueses, que assim dominaram toda a região da Duquela. Fernão de Magalhães participou na expedição mas perdeu o seu cavalo e sofreu uma grave lesão no joelho, da qual nunca recuperou totalmente. Após uma disputa sobre a distribuição do butim capturado, deixou o exército português sem permissão, e ficou por isso mal visto na corte portuguesa. Isso o levou a ingressar serviço em Castela, a serviço da qual liderou a primeira viagem de circum-navegação do mundo.