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Um buraco de minhoca é uma estrutura hipotética que conecta pontos distintos do espaço-tempo. Pode ser visualizado como um túnel com duas extremidades em pontos separados do espaço-tempo, ou seja, em lugares diferentes, em momentos diferentes ou com essas duas diferenças ao mesmo tempo. Os buracos de minhoca se baseiam em uma solução particular das equações de campo de Einstein e são compatíveis com a relatividade geral.
Em 1995, Matt Visser propôs que poderia haver muitos buracos de minhoca no universo caso cordas cósmicas de massa negativa tivessem se formado no universo primordial. Alguns físicos, como Kip Thorne, propuseram maneiras de criar buracos de minhoca artificialmente.
Em 1928, o matemático, filósofo e físico teórico alemão Hermann Weyl propôs uma hipótese da matéria baseada em buracos de minhoca ao analisar a massa em relação à energia do campo eletromagnético. Ele, porém, não usou o termo "buraco de minhoca", mas a expressão "tubos unidimensionais".
O astrônomo britânico Arthur Eddington usou o termo inglês worm-holes em seu livro de divulgação The Nature of the Physical World, de 1928. Ali, a expressão é uma metáfora para partículas materiais que atravessam o "veio" do espaço-tempo, sem o sentido de atalho pelo espaço-tempo.
O físico teórico estadunidense John Archibald Wheeler, inspirado pelo trabalho de Weyl, empregou o termo wormhole, "buraco de minhoca" em inglês. Em um artigo de 1957, escrito com Charles W. Misner, os autores escreveram:
Esta análise nos obriga a considerar situações... em que há um fluxo líquido de linhas de força através do que os topólogos chamariam de uma "ansa" do espaço multiplamente conexo, e que os físicos talvez possam ser perdoados por chamar, de maneira mais expressiva, de "buraco de minhoca".
Charles Misner e John Wheeler, em Annals of Physics.
Do ponto de vista topológico, um buraco de minhoca intrauniverso, que conecta dois pontos de um mesmo universo, é uma região compacta do espaço-tempo cuja fronteira é topologicamente trivial, mas cujo interior não é simplesmente conexo. A formalização dessa ideia leva a definições como a apresentada por Matt Visser em Lorentzian Wormholes, de 1996.
Se um espaço-tempo lorentziano contém uma região compacta , e a topologia de tem a forma , em que é uma variedade tridimensional de topologia não trivial, cuja fronteira tem topologia da forma , e as hipersuperfícies são todas do tipo espaço, então a região contém um buraco de minhoca intrauniverso quase permanente.
Do ponto de vista geométrico, buracos de minhoca são regiões do espaço-tempo que impõem restrições à deformação gradual de superfícies fechadas. Em The Physics of Stargates, de Enrico Rodrigo, por exemplo, um buraco de minhoca é definido informalmente como:
uma região do espaço-tempo que contém um "tubo de universo", a evolução temporal de uma superfície fechada, que não pode ser deformado continuamente, por encolhimento, até se tornar uma linha de universo, a evolução temporal de um ponto ou observador.

O primeiro tipo de solução com buraco de minhoca a ser descoberto foi o buraco de minhoca de Schwarzschild, que estaria presente na métrica de Schwarzschild de um buraco negro eterno. Verificou-se, porém, que ele entraria em colapso rápido demais para que qualquer coisa o atravessasse de uma extremidade à outra. Acreditava-se que os buracos de minhoca que poderiam ser atravessados nos dois sentidos, chamados de buracos de minhoca atravessáveis, só seriam possíveis se fosse usada matéria exótica com densidade de energia negativa para estabilizá-los. Trabalhos posteriores propuseram que buracos de minhoca microscópicos atravessáveis poderiam existir sem matéria exótica. Eles exigiriam apenas matéria fermiônica com carga elétrica e massa pequena o suficiente para não entrar em colapso e formar um buraco negro carregado. Embora esses buracos de minhoca, se forem possíveis, talvez permitam apenas a transferência de informações, buracos de minhoca atravessáveis por seres humanos poderiam existir caso o modelo Randall-Sundrum 2, uma teoria baseada em branas e compatível com a teoria das cordas, corresponda à realidade.
As pontes de Einstein-Rosen, ou pontes ER, receberam esse nome em referência a Albert Einstein e Nathan Rosen. Elas conectam regiões do espaço e podem ser modeladas como soluções do vácuo das equações de campo de Einstein. São partes intrínsecas da versão maximamente estendida da métrica de Schwarzschild para um buraco negro eterno, sem carga elétrica e sem rotação. Nesse caso, "maximamente estendida" significa que o espaço-tempo não deve ter "bordas". Qualquer trajetória possível de uma partícula em queda livre, que segue uma geodésica no espaço-tempo, deve poder ser prolongada arbitrariamente para o futuro ou o passado da partícula.
Para satisfazer essa exigência, é necessário que, além da região interior do buraco negro, na qual as partículas entram ao atravessarem o horizonte de eventos a partir do exterior, haja uma região interior separada, a de um buraco branco. Essa região permite extrapolar as trajetórias das partículas que um observador externo vê se afastando do horizonte de eventos. Assim como há duas regiões interiores separadas no espaço-tempo maximamente estendido, também há duas regiões exteriores separadas, às vezes chamadas de dois "universos" diferentes. O segundo universo permite extrapolar algumas trajetórias possíveis de partículas nas duas regiões interiores. Isso significa que o interior do buraco negro pode conter partículas que caíram de qualquer um dos universos. Um observador que tenha caído de um deles poderia, então, ver a luz que caiu do outro. Da mesma forma, partículas do interior do buraco branco podem escapar para qualquer um dos universos. As quatro regiões podem ser vistas em um diagrama do espaço-tempo que usa coordenadas de Kruskal-Szekeres.
Nesse espaço-tempo, é possível escolher sistemas de coordenadas nos quais uma hipersuperfície de tempo constante forme uma superfície do tipo espaço. Trata-se de um conjunto de pontos com a mesma coordenada temporal, separados entre si por intervalos do tipo espaço. Se for traçado um "diagrama de imersão" da curvatura espacial nesse instante, ele terá a forma de um tubo que conecta as duas regiões exteriores, a "ponte de Einstein-Rosen". A métrica de Schwarzschild corresponde a um buraco negro idealizado que existe eternamente do ponto de vista de observadores externos. Um buraco negro mais realista, formado em algum instante pelo colapso de uma estrela, exigiria outra métrica. Quando a matéria estelar em queda é acrescentada a um diagrama das regiões de um buraco negro, desaparecem as partes correspondentes ao interior do buraco branco e ao outro universo.
A ponte de Einstein-Rosen foi descoberta por Ludwig Flamm em 1916, poucos meses depois de Schwarzschild publicar sua solução, e foi redescoberta por Albert Einstein e seu colega Nathan Rosen, que publicaram o resultado em 1935. Em 1962, John Archibald Wheeler e Robert W. Fuller publicaram um artigo no qual demonstraram que esse tipo de buraco de minhoca é instável quando conecta duas partes do mesmo universo. A passagem se fecha rápido demais para que a luz, ou qualquer partícula mais lenta que ela, consiga ir de uma região exterior à outra.
Na relatividade geral, o colapso gravitacional de uma massa suficientemente compacta forma um buraco negro de Schwarzschild com uma singularidade. Na teoria gravitacional de Einstein-Cartan-Sciama-Kibble, esse colapso forma uma ponte de Einstein-Rosen regular. Essa teoria amplia a relatividade geral ao retirar uma restrição de simetria da conexão afim e adotar sua parte antissimétrica, o tensor de torção, como variável dinâmica. A torção incorpora naturalmente o momento angular intrínseco da matéria na mecânica quântica, o spin. O acoplamento mínimo entre a torção e os espinores de Dirac produz uma interação repulsiva entre spins que se torna intensa na matéria fermiônica em densidades extremamente altas. Essa interação impede a formação de uma singularidade gravitacional, como a de um buraco negro. A matéria em colapso atinge uma densidade enorme, mas finita, e volta a se expandir, formando o outro lado da ponte.
Embora os buracos de minhoca de Schwarzschild não sejam atravessáveis nos dois sentidos, sua existência inspirou Kip Thorne a imaginar buracos de minhoca atravessáveis nos quais a "garganta" de um buraco de minhoca de Schwarzschild seria mantida aberta por matéria exótica, material com massa ou energia negativa.
Outros buracos de minhoca não atravessáveis são os buracos de minhoca lorentzianos, propostos inicialmente por John Archibald Wheeler em 1957. Eles formam uma espuma do espaço-tempo em uma variedade do espaço-tempo da relatividade geral com geometria lorentziana. Há também os buracos de minhoca euclidianos, cujo nome vem das variedades euclidianas, uma estrutura de variedade riemanniana.
O efeito Casimir mostra que a teoria quântica de campos permite que a densidade de energia em certas regiões do espaço seja negativa em relação à energia do vácuo da matéria comum. Entretanto, demonstrou-se teoricamente que essa teoria não permite estados em que a energia seja arbitrariamente negativa por um intervalo de tempo arbitrário. Alguns físicos, como Stephen Hawking, Kip Thorne e outros, defenderam que esses efeitos poderiam permitir a estabilização de um buraco de minhoca atravessável. O único processo natural conhecido cuja previsão teórica permite formar um buraco de minhoca no âmbito da relatividade geral e da mecânica quântica foi proposto por Juan Maldacena e Leonard Susskind na conjectura ER = EPR. A hipótese da espuma quântica é às vezes usada para propor que pequenos buracos de minhoca poderiam surgir e desaparecer espontaneamente na escala de Planck.:494–496 Versões estáveis desses buracos de minhoca foram propostas como candidatas a matéria escura. Também se propôs que, se um pequeno buraco de minhoca mantido aberto por uma corda cósmica de massa negativa tivesse surgido por volta do Big Bang, a inflação cósmica poderia tê-lo expandido até dimensões macroscópicas.

Buracos de minhoca lorentzianos atravessáveis permitiriam viagens nos dois sentidos entre partes do mesmo universo em muito pouco tempo, ou viagens de um universo a outro. A possibilidade de buracos de minhoca atravessáveis na relatividade geral foi demonstrada pela primeira vez em um artigo de Homer Ellis, de 1973, e, de forma independente, em um artigo de K. A. Bronnikov publicado no mesmo ano. Ellis analisou a topologia e as geodésicas do buraco de drenagem de Ellis, demonstrando que ele é geodesicamente completo, não tem horizonte nem singularidades e pode ser atravessado integralmente nos dois sentidos. Esse buraco de drenagem é uma variedade que resolve as equações de campo de Einstein para um espaço-tempo de vácuo, modificadas pela inclusão de um campo escalar minimamente acoplado ao tensor de curvatura de Ricci com polaridade oposta à usual, negativa em vez de positiva. Ellis rejeitou expressamente chamar esse campo escalar de "exótico" por causa do acoplamento, pois não achava convincentes os argumentos para isso. A solução depende de dois parâmetros, m, que determina a intensidade do campo gravitacional, e n, que determina a curvatura das seções transversais espaciais. Quando m é igual a zero, o campo gravitacional do buraco de drenagem desaparece. Resta o buraco de minhoca de Ellis, atravessável, puramente geométrico e sem campo gravitacional.
Kip Thorne e seu aluno de pós-graduação Mike Morris descobriram o buraco de minhoca de Ellis de forma independente em 1988 e defenderam seu uso no ensino da relatividade geral. Por isso, o tipo de buraco de minhoca atravessável que propuseram, mantido aberto por uma casca esférica de matéria exótica, também é chamado de buraco de minhoca de Morris-Thorne.
Depois foram descobertos outros tipos de buracos de minhoca atravessáveis como soluções admissíveis das equações da relatividade geral. Entre eles está o tipo analisado por Matt Visser em um artigo de 1989, no qual é possível traçar um caminho pelo buraco de minhoca que não passa por uma região de matéria exótica. Na gravitação de Gauss-Bonnet pura, porém, buracos de minhoca podem existir mesmo sem matéria. Essa modificação da relatividade geral admite dimensões espaciais adicionais e às vezes é estudada na cosmologia de branas. Visser, Cramer e seus colaboradores propuseram um tipo de buraco de minhoca mantido aberto por cordas cósmicas de massa negativa que poderia ter surgido naturalmente no universo primordial.
Os buracos de minhoca conectam dois pontos do espaço-tempo e, em princípio, permitiriam viajar no tempo, além de viajar pelo espaço. Em 1988, Morris, Thorne e Yurtsever calcularam como transformar um buraco de minhoca que atravessa o espaço em outro que atravessa o tempo, acelerando uma de suas duas bocas. Na relatividade geral, porém, um buraco de minhoca não permitiria voltar a um momento anterior à sua primeira transformação em "máquina" do tempo. Antes disso, não seria possível percebê-lo ou utilizá-lo dessa maneira.:504
Para entender por que a matéria exótica é necessária, pode-se considerar uma frente de luz que se aproxima ao longo de geodésicas, atravessa o buraco de minhoca e volta a se expandir do outro lado. A expansão passa de negativa a positiva. Como a garganta do buraco de minhoca tem tamanho finito, não se espera a formação de cáusticas, ao menos nas proximidades da garganta. Pelo teorema óptico de Raychaudhuri, isso exige uma violação da condição de energia nula média. Efeitos quânticos, como o efeito Casimir, não podem violar essa condição em nenhuma vizinhança do espaço com curvatura nula. Cálculos de gravitação semiclássica, porém, apontam que efeitos quânticos poderiam violá-la em um espaço-tempo curvo. Embora se esperasse que efeitos quânticos não pudessem violar uma versão acronal da condição de energia nula média, foram encontradas violações. Assim, permanece em aberto a possibilidade de usar efeitos quânticos para sustentar um buraco de minhoca.
Em algumas hipóteses que modificam a relatividade geral, um buraco de minhoca pode permanecer aberto sem o uso de matéria exótica. Isso é possível, por exemplo, na gravitação R2, uma forma de gravitação f(R).

A impossibilidade de uma velocidade relativa superior à da luz só se aplica localmente. Buracos de minhoca poderiam permitir viagens efetivamente superluminais, isto é, mais rápidas que a luz, sem que a velocidade da luz fosse ultrapassada localmente em nenhum momento. A travessia do buraco de minhoca ocorreria a velocidades subluminais, inferiores à da luz. Se dois pontos estiverem conectados por um buraco de minhoca cujo comprimento seja menor que a distância entre eles fora dele, o tempo da travessia poderá ser menor que o tempo necessário para um feixe de luz fazer o percurso pelo espaço exterior ao buraco de minhoca. Um feixe de luz que percorresse o mesmo buraco de minhoca ainda chegaria antes do viajante.
Se existirem, os buracos de minhoca atravessáveis poderiam permitir viagens no tempo. Uma máquina do tempo que usasse um buraco de minhoca atravessável poderia, em hipótese, funcionar da seguinte maneira. Uma extremidade do buraco de minhoca seria acelerada até uma fração elevada da velocidade da luz, talvez por algum sistema de propulsão avançado, e depois trazida de volta ao ponto de origem. Outra maneira seria levar uma das entradas para o campo gravitacional de um objeto com gravidade mais intensa que a existente na outra entrada e depois trazê-la para perto desta. Nos dois casos, a dilatação do tempo faria a extremidade que foi deslocada envelhecer menos, ou ficar "mais jovem", que a extremidade estacionária, do ponto de vista de um observador externo. A conexão temporal através do buraco de minhoca, porém, difere da existente fora dele. Por isso, relógios sincronizados nas duas extremidades permaneceriam sincronizados para um observador que atravessasse o buraco de minhoca, independentemente dos movimentos dessas extremidades.:502 Um observador que entrasse pela extremidade "mais jovem" sairia pela "mais velha" no momento em que esta tivesse a mesma idade da primeira. Para um observador externo, ele teria voltado no tempo. Uma limitação dessa máquina é que só seria possível voltar até o instante de sua criação.:503 Ela seria um caminho pelo tempo, e não um aparelho que se desloca no tempo, e não permitiria enviar a própria tecnologia ao passado.
Nas teorias sobre buracos de minhoca que exigem energia negativa, a construção de um buraco de minhoca atravessável dependeria de uma substância geralmente chamada de "matéria exótica". Em termos técnicos, o espaço-tempo do buraco de minhoca exige uma distribuição de energia que viole condições de energia, como a condição de energia nula e as condições fraca, forte e dominante. Efeitos quânticos podem produzir pequenas violações mensuráveis da condição de energia nula.:101 Muitos físicos acreditam que o efeito Casimir da física quântica poderia tornar possível a energia negativa necessária. Embora os primeiros cálculos exigissem uma quantidade muito grande de energia negativa, cálculos posteriores demonstraram que essa quantidade pode ser arbitrariamente pequena.
Em 1993, Matt Visser argumentou que as duas bocas de um buraco de minhoca com essa diferença induzida entre os relógios não poderiam ser aproximadas sem produzir efeitos gravitacionais e de campos quânticos que fariam o buraco de minhoca entrar em colapso ou suas bocas se repelirem, ou que impediriam de outra forma a passagem de informações. Por isso, as duas bocas não poderiam se aproximar o suficiente para permitir uma violação da causalidade. Em um artigo de 1997, porém, Visser propôs a hipótese de que uma configuração elaborada, chamada de "anel de Roman" em referência a Tom Roman, com N buracos de minhoca dispostos em um polígono simétrico, ainda poderia funcionar como máquina do tempo. Concluiu, no entanto, que isso provavelmente seria uma falha da teoria clássica da gravitação quântica, e não uma prova de que a causalidade pode ser violada.
Uma possível solução para os paradoxos das viagens no tempo por buracos de minhoca se baseia na interpretação de muitos mundos da mecânica quântica.
Em 1991, David Deutsch demonstrou que a teoria quântica é plenamente consistente em espaços-tempos com curvas fechadas do tipo tempo, no sentido de que a chamada matriz densidade pode ser livre de descontinuidades. Depois se demonstrou que esse modelo de curvas fechadas do tipo tempo pode apresentar inconsistências internas, pois permite fenômenos incomuns, como distinguir estados quânticos não ortogonais e diferenciar misturas próprias de impróprias. Nesse modelo, evita-se o ciclo destrutivo de retroalimentação positiva de partículas virtuais que circulam por uma máquina do tempo de buraco de minhoca, previsto em cálculos semiclássicos. Uma partícula que retorna do futuro chega a um universo paralelo, e não ao seu universo de origem. Uma máquina do tempo de buraco de minhoca com um salto temporal extremamente curto seria, assim, uma ponte teórica entre universos paralelos no mesmo momento.
Como uma máquina do tempo de buraco de minhoca introduz um tipo de não linearidade na teoria quântica, essa comunicação entre universos paralelos é compatível com a proposta de um telefone de Everett, de Joseph Polchinski. O nome faz referência a Hugh Everett, e a proposta usa a formulação de mecânica quântica não linear de Steven Weinberg.
A possibilidade de comunicação entre universos paralelos foi chamada de viagem interuniversal.
Buracos de minhoca também podem ser representados em um diagrama de Penrose de um buraco negro de Schwarzschild. Nesse diagrama, um objeto que viajasse mais rápido que a luz atravessaria o buraco negro e sairia pela outra extremidade em um espaço, tempo ou universo diferente. Esse seria um buraco de minhoca interuniverso.
As teorias das métricas de buracos de minhoca especificam sua geometria do espaço-tempo e fornecem modelos teóricos para viagens no tempo. Um exemplo de métrica de buraco de minhoca atravessável é:
apresentada inicialmente por Ellis, no buraco de minhoca de Ellis, como um caso particular do buraco de drenagem de Ellis.
Um tipo de métrica de buraco de minhoca não atravessável é a solução de Schwarzschild, mostrada no primeiro diagrama:
A ponte de Einstein-Rosen original foi apresentada em um artigo publicado em julho de 1935.
A solução estática de Schwarzschild com simetria esférica é
em que é o tempo próprio e .
Substituindo por , com , obtém-se
O espaço de quatro dimensões é representado matematicamente por duas partes congruentes, ou "folhas", correspondentes a e , unidas por um hiperplano , ou , no qual se anula. Chamamos essa conexão entre as duas folhas de "ponte".
A. Einstein e N. Rosen, "The Particle Problem in the General Theory of Relativity".
Para o campo combinado da gravidade e da eletricidade, Einstein e Rosen obtiveram a seguinte solução estática de Schwarzschild com simetria esférica:
em que é a carga elétrica.
As equações de campo sem denominadores, para , podem ser escritas como
Para eliminar as singularidades, substitui-se por pela relação
Com , obtém-se
e
A solução é livre de singularidades em todos os pontos finitos do espaço das duas folhas.
A. Einstein e N. Rosen, "The Particle Problem in the General Theory of Relativity".
Ver artigo principal: Buracos de minhoca na ficção.
Buracos de minhoca são frequentes na ficção científica porque permitem viagens interestelares, intergalácticas e, às vezes, entre universos em intervalos compatíveis com a duração de uma vida humana. Na ficção, também são usados como meio de viagem no tempo.
Na física teórica e na ficção científica, o conceito de dobra ou portal de dobra é usado com frequência para apresentar atalhos pelo espaço que só seriam possíveis por meio de uma dimensão espacial superior. Assim como um espaço bidimensional exigiria uma terceira dimensão espacial para que seu plano fosse curvado ou dobrado até aproximar dois pontos distantes, um espaço tridimensional precisaria estar imerso em uma quarta dimensão espacial para permitir uma manipulação semelhante. Essa analogia fundamenta muitas representações de portais de dobra, nas quais o espaço tridimensional é curvado ou dobrado ao longo de um quarto eixo espacial, fazendo com que regiões distantes se tornem vizinhas.
A interpretação literal desse mecanismo pressupõe que o universo tenha uma estrutura espacial de quatro dimensões, ou esteja imerso nela, mesmo que essa dimensão não seja diretamente observável. A geometria dessas construções costuma ser modelada com soluções das equações de campo de Einstein, como os buracos de minhoca e a bolha de dobra de Alcubierre, representadas nessa analogia por uma curvatura em uma dimensão superior.