Beta-glucanos (β-glucanos) são polissacarídeos de monômeros de D-glicose unidos por ligações glicosídicas β. São um grupo diversificado de moléculas que podem variar no que diz respeito à massa molecular, a solubilidade, a viscosidade, e a configuração tridimensional. Elas ocorrem mais comumente como celulose em plantas, o farelo de grãos de cereais, a parede celular de leveduras, certos fungos, cogumelos e bactérias. Algumas formas de beta-glucanos são úteis para a nutrição humana como agentes de texturização e como fibras solúveis de suplementos, mas pode ser um problema no processo de fabricação de cerveja.
A diversidade estrutural está associada a propriedades físico-químicas e efeitos biológicos bastante distintos entre si: beta-glucanos de cereais têm propriedades hipocolesterolemiantes bem estabelecidas e regulamentadas, enquanto beta-glucanos de fungos e levedura são estudados principalmente por seus efeitos imunomoduladores.
Quimicamente, os beta-glucanos diferem entre si principalmente pelo tipo e posição das ligações glicosídicas e pelo grau de ramificação:
A conformação tridimensional adotada em solução (cadeia desordenada, hélice simples, dupla-hélice ou tripla-hélice) influencia diretamente a atividade biológica do polímero. A conformação de tripla-hélice está associada a maior potência imunoestimulante em beta-glucanos fúngicos como o lentinano.
O efeito hipocolesterolemiante do beta-glucano de aveia e cevada é o uso com base científica mais sólida e regulatoriamente mais consolidada entre os beta-glucanos. Em 1997, a FDA dos Estados Unidos aprovou uma alegação de saúde para produtos contendo ao menos 3 g diários de beta-glucano de aveia, associando o consumo à redução da absorção de colesterol dietético e do risco de doença cardíaca coronariana.
Beta-glucanos de aveia e cevada também têm alegação de saúde aprovada na União Europeia quanto à redução da resposta glicêmica pós-prandial, exigindo originalmente um mínimo de 4 g de beta-glucano por 30 g de carboidratos disponíveis numa refeição quantificada; uma reavaliação publicada pela EFSA reduziu essa dose mínima eficaz para 2 g.
Diferentemente dos beta-glucanos de cereais, os beta-glucanos de fungos e levedura são estudados principalmente por seus efeitos imunomoduladores. Três compostos isolados de cogumelos, lentinano (de Lentinula edodes), esquizofilano (de Schizophyllum commune) e PSK/Krestin (de Trametes versicolor), foram aprovados como medicamentos no Japão, usados como adjuvantes à quimioterapia convencional.
A evidência clínica acumulada é heterogênea. Uma meta-análise de dados individuais de pacientes mostrou prolongamento da sobrevida global em câncer gástrico avançado com a adição de lentinano à quimioterapia (razão de risco de 0,80; IC95% 0,68–0,95). Ensaio clínico de fase III mais recente e metodologicamente mais rigoroso, testando lentinano associado a um regime quimioterápico mais moderno (S-1), não encontrou benefício de sobrevida e relatou tempo até falha do tratamento pior no grupo que recebeu lentinano.