| Bignoniaceae | |||||||||||||||||||
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| Ocorrência: Ypresiano-recente | |||||||||||||||||||
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| Bignonia L. | |||||||||||||||||||
| Grupos monofiléticos e géneros | |||||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||||































Bignoniaceae é uma família de plantas com flor da ordem das Lamiales, que agrupa cerca de 790 espécies, repartidas por 79 géneros e 8 clados, que inclui maioritariamente plantas lenhosas (árvores, arbustos e lianas), com vasta distribuição natural nas regiões tropicais e subtropicais, sendo pouco frequente nas regiões temperadas. Os maiores géneros são Handroanthus, com 100 espécies, Arrabidaea, com 70 espécies, Adenocalymma, com 50 espécies e Jacaranda, com 40 espécies. Vários géneros tem grande importância económica como produtores de madeira e pela utilização de muitas das suas espécies como planta ornamental.
A família Bignoniaceae, na qual várias espécies são conhecidas pelo nome comum de bignónias ou trepadeiras-trombeta, está integrada na ordem Lamiales, embora a sua filogenia continue pouco conhecida, sendo complexo determinar com qual das outras famílias da ordem está mais intimamente relacionada.
Quase todas as Bignoniaceae são plantas lenhosas, mas algumas são sublenhosas, seja como trepadeiras ou subarbustos. Um pequeno números de espécies são plantas herbáceas de habitats montanhosos de alta altitude, agrupadas em três géneros exclusivamente herbáceos: Tourrettia, Argylia e Incarvillea. A família inclui muitas lianas, que trepam por meio de gavinhas, entrelaçando-se ou, raramente, por meio de raízes aéreas. A maior tribo da família, a tribo Bignonieae, é composta principalmente por lianas e é conhecida pela sua anatomia da madeira única.
De acordo com diferentes relatos, o número de espécies da família é de cerca de 790, cerca de 810, ou cerca de 860. A última monografia de toda a família foi publicada em 2004. Nessa obra, foram reconhecidos 104 géneros. Desde então, as técnicas de filogenética molecular esclareceram bastante as relações genéticas dentro da família, e o número de géneros aceites está agora entre 80 e 85.
A família tem uma distribuição quase cosmopolita, mas é principalmente tropical, com algumas espécies nativas das zonas temperadas. O mais importante centro de diversidade encontra-se no norte da América do Sul. A família foi abordada em alguns grandes projetos florísticos, como Flora da China, Flora Malesiana e Flora Neotropica. Ainda não foi abordada em outros, entre os quais as floras da Austrália e da América do Norte.
As Bignoniaceae são mais conhecidas como plantas ornamentais, especialmente os géneros Jacaranda, Tabebuia e Spathodea, cultivados em parques e jardins e utilizados em arborização urbana pelas suas flores tubulares vistosas. Também são utilizadas como plantas ornamentais algumas espécies dos géneros Campsis e Pyrostegia.
Muitas outras espécies são igualmente valiosas devido ao seu extenso cultivo em jardinagem e vários outros usos têm sido feitos de membros desta família. Várias espécies eram de grande importância para os povos indígenas das regiões tropicais americanas.
As espécies Fridericia elegans, Tanaecium bilabiata e Tanaecium excitosum são tóxicas para o gado e capazes de causar graves perdas econômicas.
As flores são conspícuas e maioritariamente polinizadas por abelhas, vespas, borboletas, mariposas, pássaros e morcegos, e as sementes são dispersas principalmente pelo vento.
Os membros da família Bignoniaceae são árvores ou lianas, por vezes arbustos e, raramente, subarbustos ou plantas herbáceas. O principal grupo de espécies são as lenhosas com hábito escandente, as lianas, especialmente as incluídas na tribo Bignonieae, as quais apresentam uma estrutura vascular única, na qual os canais do floema se estendem para baixo até ao xilema, porque alguns segmentos do câmbio cessam a produção de xilema numa fase inicial do desenvolvimento caulinar. O número dessas ramificações, ou braços, é quatro ou um múltiplo desse número, até às 32 ramificações. Quando são em número de quatro, os braços do floema apresentam uma forma de cruz, daí o nome comum «vide cruzada» que por vezes se dá a estas espécies. O floema nos braços tem tubos crivosos mais largos e menos parênquima do que o floema comum.
Anatomicamente, o caule destas lianas caracteriza-se pela presença de uma variação cambial denominada xilema interrompido, com a formação de cunhas de floema que conferem ao caule em secção transversal a forma de cruz-de-Malta. Essa variação cambial deriva de quatro (ou de múltiplos de quatro) porções de um câmbio que apresenta, inicialmente, atividade normal, mas que passa a produzir menos xilema e mais floema à medida que se alonga. O floema produzido por essas porções variantes, por sua vez, apresenta elementos de tubo crivado muito largos e menos parênquima que as porções com atividade normal. A presença desta variação cambial neste grupo parece conferir flexibilidade às plantas, auxiliar na recuperação dos tecidos após danos e contribuir para a formação de xilema, além de melhorar a condução de fotossintatos.
Os membros desta família apresentam folhas dispostas em filotaxia oposta, podendo, em raros casos, ser alterna ou verticilada em espiral. As folhas pecíoladas são geralmente compostas, bifoliadas, trifoliadas, pinadas, ou palmadas, ocasionalmente de lâmina foliar simples. Os bordos são inteiras a serreadas. Apresentam venação peninérvea e folíolos terminais por vezes modificados em gavinhas ou ganchos.
Não apresentam estípulas, mas ocorrem com frequência pseudoestípulas, formadas em torno de botões (brotos) axilares alargados com tricomas escamiformes. Em alguns géneros ocorrem domácias, originando pequenas câmaras que podem abrigar alguns tipos de artrópodes.
As flores são solitárias ou ocorrem em inflorescências em racemo ou em inflorescências cimosas helicoidais ou dicásicas. As inflorescências apresentam invólucro formado por brácteas involucrais ou bracteolas, persistentes ou caducas.
As flores são andróginas, hipogínicas, zigomórficas (ou seja, com simetria bilateral), bissexuais e geralmente conspícuas ou mesmo muito vistosas. O cálice e a corola são distintos e pentâmeros. O cálice é sinsépalo, com as cinco sépalas soldadas. A corola é simpétala, com as cinco pétalas, frequentemente bilabiadas, fundidas numa estrutura tubular em forma de "S". Os lóbulos da corola são imbricados ou, raramente, valvados no botão, e geralmente muito mais curtos do que o tubo da corola.
As flores apresentam tamanhos grandes e vistosos, com as sépalas conatas imbricadas numa estrutura única e a corola mais ou menos bilabiada, a qual pode apresentar limbos com duas divisões que aparentam dois lábios.
O androceu apresenta quatro estames didínamos (um par de estames visivelmente mais longos que o outro par), inseridos no tubo da corola, alternando com os lóbulos desta. Os membros de cada par são frequentemente conatos e o estame adaxial é geralmente estaminodal atrofiado ou ausente. Embora raramente, ocorrem espécies com cinco estames férteis ou com dois estames férteis e três estaminódios.
O gineceu tem dois carpelos, formando um ovário súpero e geralmente bilocular, com estigma bilamelado, em geral cercado por um disco nectarífero. Os filetes estão unidos à corola e apresentam anteras coniventes, sagitadas, com duas tecas divaricadas (em forma de "V"). O estigma é bilobado e geralmente sensível; com um estilete presente.
O ovário é unilocular no género Tourrettia e quadrilocular no géneros Eccremocarpus . A placentação é axial, mas parietal em Tourrettia. Os óvulos são numerosos.
A família Bignoniaceae não apresenta padrão em sazonalidade. A flores da maioria das espécies apresentam síndrome de melitofilia, ornitofilia e quiropterofilia, pelo que a polinização pode ser entomófila (por meio de insetos), ornitófila (por meio de aves) ou quiropterófila (por meio de morcegos). Como as flores desta família são bissexuais, são capazes de realizar autofecundação em alguns casos.
Os frutos são, geralmente, longos, com cápsula septícida a loculicida, podendo ser também baga ou cápsula indeiscente. As sementes achatadas, aladas ou providas de pêlos. O endosperma está ausente. Os cotilédones são profundamente bilobados, porém há exceções, como nos géneros Kigelia, Crescentia e Colea, que apresentam fruto sem cápsula indiferente e com sementes não aladas. O fruto de Colea é uma baga.
O fruto são, geralmente, longos, em cápsula bivalve, frequentemente com um replum. A deiscência é septicida ou loculicida, com sementes achatadas, aladas ou providas de pelos. As exceções são os géneros Kigelia, Crescentia e seus parentes próximos, e Colea e seus parentes próximos. Nestes, o fruto é indeiscente, em baga, e as sementes não são aladas.
As sementes são pequenas. O arilo está ausente. O endosperma está geralmente ausente e, quando presente, é por vezes escasso.
O número cromossómico não varia muito nas Bignoniaceae. O haplóide (número cromossómico básico) é x = 20 para quase todas as espécies amostradas, mas algumas espécies têm cromossomas muito pequenos, dificultando uma contagem precisa. A presença de cromossomas B é comum nas Bignoniaceae.
O lapachol, uma naftoquinona amarela que irrita a pele, é frequentemente encontrado na madeira. Outras naftoquinonas, bem como antraquinonas, também estão presentes em várias partes da planta. A jacaranona é um quinonoide proveniente das espécies do género Jacaranda. Não existem taninos verdadeiros. Os pigmentos são principalmente flavonas, antocianinas e carotenóides. Os iridoides estão geralmente presentes. Outros compostos detectados nas Bignoniaceae incluem verbascosídeos, cornosídeo, quercetina, ácido ursólico, saponinas e ácido catálpico.
A família apresenta grande importância económica, pois fornece madeiras nobres, especialmente de espécies dos géneros Jacaranda, Tabebuia e Catalpa. Além disso, existem algumas espécies que são muito utilizadas como plantas ornamentais, especialmente dos géneros Clytostoma, Crescentia, Jacaranda, Macfadyna e Tabebuia.
Muitas espécies de Bignoniaceae têm alguma utilidade, comercial ou etnobotânica, mas as mais importantes, de longe, são aquelas plantadas como ornamentais, especialmente as árvores que produzem flores conspícuas. Os géneros Jacaranda, Campsis, Pyrostegia, Tabebuia, Catalpa, Roseodendron, Handroanthus e Crescentia têm espécies de grande importância em jardinagem e paisagismo, pelo menos em climas tropicais e subtropicais. Várias outras, incluindo Tecoma, Podranea, Pandorea, Bignonia e Mansoa, são frequentemente cultivadas como plantas ornamentais, pelo menos em certas áreas dos trópicos e subtrópicos. Muitas espécies são conhecidas em cultivo, embora raramente.
A Jacaranda mimosifolia é comum como árvore de avenida. O pecíolo alado e a folha trifoliada da Crescentia alata assemelham-se a uma cruz, por isso, por vezes, é plantada nas Filipinas como símbolo religioso.
O género Handroanthus, e o gênero não relacionado Guaiacum (Zygophyllaceae), têm a madeira mais dura, pesada e durável dos trópicos americanos. Árvores importantes para a produção de madeira no género Handroanthus são Handroanthus heptaphyllus, Handroanthus serratifolius, Handroanthus guayacan, Handroanthus chrysanthus e Handroanthus billbergii. A espécie Tabebuia rosea (incluindo Tabebuia pentaphylla) é colhida para madeira em toda a região tropical do Novo Mundo. Tabebuia heterophylla e Tabebuia angustata são fontes importantes de madeira para algumas das ilhas das Caraíbas. Várias espécies de Catalpa também são árvores importantes para a produção de madeiras.
O gênero Paratecoma já foi a árvore madeireira mais importante da região do Rio de Janeiro, mas a exploração implacável levou-o à beira da extinção. Várias das espécies raras de Bignoniaceae produzem madeira excelente, mas muitas vezes não são reconhecidas pelos madeireiros.
Várias utilizações das plantas da família Bignoniaceae são conhecidas localmente. A espécie Parmentiera aculeata é cultivada pelos seus frutos comestíveis na América Central e no sul do México. As sementes em pó e, por vezes, a polpa dos frutos, de Crescentia cujete e de Crescentia alata são utilizadas na Nicarágua para fazer um refresco chamado semilla de jicaro. As espécies com aroma de cebola de Mansoa e as espécies com aroma de cravinho de Tynanthus são utilizadas como condimentos.
No norte da Colômbia, lascas dos caules da Dolichandra quadrivalvis são adicionadas ao isco que é deixada durante a noite perto das tocas dos caranguejos. Os caranguejos ficam paralisados por algumas horas após comerem a isca e são recolhidos pelos pescadores pela manhã. Os caranguejos recuperam antes de chegarem ao mercado e não foram relatados danos decorrentes do seu consumo.
O Tanaecium nocturnum é a fonte de uma droga alucinógena. As suas folhas e caules esmagados são usados para acalmar as abelhas enquanto se recolhe o mel por elas produzido.
A espécie Fridericia chica é a fonte de um pigmento vermelho usado na Bacia Amazónica para pintura corporal e para corante em cestaria. A espécie Cybistax antisyphilitica é a fonte de um corante azul frequentemente usado no Peru. A casca de Sparattosperma leucantha é utilizada na Bolívia para produzir um corante castanho para tingir fios de algodão.
As alegações médicas são inúmeras e geralmente espúrias. Gentry descreve um exemplo especialmente ridículo: a casca de várias espécies de Handroanthus é vendida nos mercados sul-americanos. Casca de aparência semelhante é frequentemente vendida fraudulentamente como Handroanthus. É usada de várias maneiras para aliviar certos sintomas de certos cancros. Não há evidências que comprovem que ela previne a doença ou retarda a sua progressão, como frequentemente se afirma.
A espécie Adenocalymma flavida tem sido usada para aliviar dores nas articulações e nos músculos. Um extrato da raiz da Martinella é útil no tratamento da conjuntivite e, possivelmente, de outras doenças oculares.
A identificação incorreta de plantas, mesmo por botânicos, continua a ser um grande problema para a etnobotânica, sendo especialmente grave no caso das Bignoniaceae. Os espécimes usados são frequentemente estéreis e fragmentários, tornando-os quase impossíveis de identificar. As alegações médicas falsas são frequentemente baseadas em identificações erradas.
A família Bignoniaceae foi publicada pela primeira vez na literatura botânica (como Bignonieae) por Antoine Laurent de Jussieu em 1789, na sua obra clássica, Genera Plantarum. A etimologia da designação da família assenta no nome do género Bignonia, o género tipo para esta família, que foi validado por Carl Linnaeus em Species Plantarum em 1753. O nome teve origem com Joseph Pitton de Tournefort, que o batizou em 1694, na sua influente obra Eléments de botanique ou méthode pour connaître les plantes, em homenagem ao seu benfeitor, o padre e naturalista francês Jean-Paul Bignon, bibliotecário do rei Luís XIV de França.
Importantes bases para estudos futuros sobre a família foram estabelecidas entre 1789 e 1837, principalmente por Antoine Laurent de Jussieu, Karl Sigismund Kunth, Wenceslas Bojer e George Don (1798–1856) (e não pelo homónimo George Don, mais velho). George Bentham e Joseph Dalton Hooker investigaram a família para a sua obra Genera Plantarum em 1876. Karl Moritz Schumann escreveu uma monografia sobre Bignoniaceae em 1894 para Heinrich Gustav Adolf Engler e Karl Anton Eugen Prantl em Die Natürlichen Pflanzenfamilien. Após a monografia de Schumann, nenhum tratamento taxonómico de toda a família foi publicado até 2004.
À medida que o número de espécies conhecidas aumentava gradualmente, surgiu uma grande confusão quanto à circunscrição taxonómica dos géneros. Novos géneros eram frequentemente criados para espécies que não pertenciam claramente a nenhum dos géneros descritos anteriormente. Isso resultou na proliferação de géneros monotípicos. Alwyn Howard Gentry reduziu o número de géneros em 1973, 1976 e 1979. No entanto, a revisão de 2004 descreveu 104 géneros, 38 dos quais monotípicos.
Este problema era especialmente grave na tribo Bignonieae. Nessa tribo, muitas espécies de afinidade incerta foram atribuídas a um género vagamente definido, Arrabidaea, transformando esse género num «cesto de lixo» com cerca de 100 espécies.
Desde 2004, estudos de filogenia molecular têm demonstrado que é necessária uma revisão substancial dos géneros. Muito do trabalho realizado com esse objetivo pode ser visto online, mas pouco dele foi publicado em artigos científicos.
Uma história taxonómica detalhada da família Bignoniaceae foi publicada em 1980. Um resumo daquela história foi publicado em 1999.
No sistema APG IV de classificação das plantas com flor, a família Bignoniaceae é uma das 26 famílias da ordem Lamiales (a ordem Lamiales teria 27 famílias se a família Rehmanniaceae fosse aceite). Dentro da ordem, Bignoniaceae está num clado de oito famílias que consiste em Thomandersiaceae, Pedaliaceae, Martyniaceae, Schlegeliaceae, Bignoniaceae, Verbenaceae, Acanthaceae e Lentibulariaceae. Este grupo é descrito como uma politomia, o que significa que não se conhecem dois dos seus membros que sejam mais próximos entre si do que qualquer um dos outros. O suporte estatístico (reamostragem) para este grupo continua fraco, indicando que foram aplicados dados insuficientes ou que o grupo é um artefacto de algum método matemático de optimização usado na detrminação da sua filogenética.
A circunscrição taxonómica das Bignoniaceae tem sido relativamente estável e não sofreu nenhuma alteração no século XXI. No século XX, as únicas questões relativas à circunscrição limitaram-se à determinação se as famílias Paulowniaceae e Schlegeliaceae deveriam ser fundidas na família Bignoniaceae ou aceites como famílias separadas. A família Paulowniaceae era então composta por um a quatro géneros: Paulownia, Shiuyinghua, Wightia e Brandisia. Independentemente da sua circunscrição, sabe-se agora que as Paulowniaceae estão mais próximas das Phrymaceae e das Orobanchaceae do que das Bignoniaceae. A família Schlegeliaceae foi incluída nas Bignoniaceae, como tribo Schlegelieae, ainda em 1980. Atualmente, é aceite como uma família distinta, mas as suas relações com várias outras famílias permanecem por resolver.
Em análises filogenéticas moleculares, a família Bignoniaceae apresenta um suporte bootstrap surpreendentemente fraco, dada a sua coerência morfológica. A tribo Jacarandeae (Digomphia e Jacaranda) é um grupo irmão do resto da família, conhecido como «Bignoniaceae nucelares» (em inglês: Core Bignoniaceae). O clado «Bignoniaceae nucleares» é fortemente apoiada em todas as análises filogenéticas moleculares, mas não tem nenhuma sinapomorfia morfológica conhecida.
Nenhuma subfamília foi proposta para as Bignoniaceae em taxonomias recentes, mas em 2004, Fischer et al. dividiram a família em sete tribos: Tourrettieae, Eccremocarpeae, Tecomeae (sensu lato), Bignonieae, Oroxyleae, Crescentieae e Coleeae. Desde então, Tourrettieae e Eccremocarpeae foram fundidas sob o nome Tourrettieae. Tecomeae sensu lato revelou-se polifilético, consistindo nos seguintes grupos: Astianthus, Jacarandeae, Argylia, Delostoma, Perianthomega, Catalpeae, Tecomeae sensu stricto e toda a Crescentiina, exceto os géneros colocados em Crescentieae ou Coleeae. Todos estes grupos são monofiléticos, exceto Crescentiina pro parte. Contudo, Crescentiina é monofilética quando vista na sua totalidade.
Crescentiina é um tipo de nome sem nível taxonómico definido. Crescentiina é composta por dois clados fortemente apoiados, informalmente denominados «Aliança Tabebuia» e «Clado paleotropical». A tribo Crescentieae está incorporada na «Aliança Tabebuia» e pode ser expandida para incluir Spirotecoma. Coleeae sensu Fischer et al. (2004) é polifilético devido à inclusão de Kigelia e está aninhado dentro do «Clado paleotropical». Perianthomega foi transferida de Tecomeae sensu stricto para Bignonieae, onde é o grupo irmão do restante da tribo. Assim, as Bignoniaceae podem ser divididas em 10 grupos monofiléticos.
A árvore filogenética apresentada abaixo baseia-se nos resultados de quatro estudos filogenéticos. Para todos os clados, a probabilidade posterior é de pelo menos 0,95 e o suporte bootstrap é de pelo menos 70%, exceto quando indicado de outra forma.
| Bignoniaceae |
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Caracteres evolutivos são apresentados são a presença de tricomas não glandulares, tricomas glandulares peltados, tricomas glandulares estipados e tricomas glandulares pateliformes ou cupulares. Três destes tricomas – tricomas não glandulares, tricomas glandulares peltados e tricomas glandulares pateliformes ou cupulares –, provavelmente, já estavam presentes em indivíduos ancestrais, enquanto os tricomas glandulares estipados surgiram mais recentemente e diversas vezes ao longo da evolução.
A família Bignoniaceae é classificada como um grupo monofilético, por apresentar as seguintes sinapomorfias: folhas transformadas em gavinhas (hábito liano) e crescimento secundário anómalo, Sendo esta última característica considerada uma característica derivada. Além disso, estudos moleculares de sequências dos genes rbcL e ndhF, comprovam que esta família pertence a um grupo monofilético. Nesse contexto, a presença de folhas pinadas compostas, na família Bignoniaceae, é considerada uma sinapomorfia deste grupo. Contudo algumas espécies dos géneros Crescentia, Tabebuia e Catalpa apresentam folhas reduzidas, trifoliadas e, às vezes, até unifoliadas. Para além disso, somente espécies dos géneros Crescentia, Parmentiera e Kigelia produzem frutos grandes e indeiscentes.
Na última revisão taxonómica das Bignoniaceae, 104 géneros foram descritos em The Families and Genera of Vascular Plants (As Famílias e Géneros das Plantas Vasculares). Vinte e cinco desses géneros, todos da tribo Bignonieae, foram posteriormente sinonimizados sob outros géneros, com base numa análise cladística de sequências de ADN, publicada em 2006. Os géneros Roseodendron e Handroanthus foram ressuscitados (repristinados) de Tabebuia em 2007. Mayodendron e Pachyptera também foram repristinados.
Em 2009, um estudo filogenético dividiu as Bignoniaceae em 10 grupos monofiléticos, conforme mostrado na lista de géneros abaixo. Seis desses grupos foram reconhecidos como tribos em algum momento e são representados pelos seus nomes tribais. Dois dos grupos são monogenéricos e são designados pelos seus géneros constituintes, Argylia e Delostoma. Os outros dois grupos receberam nomes informais, enquanto se aguarda uma revisão formal da classificação infra-familiar.
O género Astianthus nunca foi amostrada para ADN e a sua posição sistemática dentro da família permanece obscura. Da mesma forma, a colocação de Romeroa na aliança Tabebuia e a colocação de Sphingiphila em Bignonieae estão em dúvida.
O género Tecomaria não está incluída na lista abaixo, e o seu reconhecimento é controverso. É um táxon monotípico (Tecomaria capensis), e foi aceite durante muito tempo, mas foi devolvida ao género Tecoma em 1980. Um estudo filogenético molecular resolveu-o como táxom irmão de outro género da África do Sul, Podranea, mas com apenas um fraco apoio bootstrap. Tecomaria ainda não foi ressuscitado ou transferido para outro género.
A tribo Bignonieae tem sido objeto de uma revisão considerável desde 2006. Fischer et al. colocou 46 géneros nesta tribo. Posteriormente, Perianthomega foi transferido para o agrupamento a partir de Tecomeae sensu lato e Pachyptera foi ressuscitado de Mansoa. Vinte e cinco dos géneros de Fischer foram incluídos noutros géneros, como se segue: Gardnerodoxa em Neojobertia; Memora em Adenocalymma; Leucocalantha em Pachyptera; Pseudocatalpa, Paragonia, Periarrabidaea, Spathicalyx, e Ceratophytum em Tanaecium; Arrabidaea e Piriadacus em Fridericia; Clytostoma, Cydista, Macranthisiphon, Mussatia, Phryganocydia, Potamoganos, Roentgenia e Saritaea em Bignonia; também Distictis, Glaziovia, Haplolophium e Pithecoctenium em Amphilophium. Assim, atualmente são reconhecidos 23 géneros em Bignonieae.
A família Bignoniaceae apresenta a seguinte distribuição natural:
Espécies desta família possui distribuição predominantemente tropical, principalmente na América do Sul. O Brasil apresenta 117 espécies, sendo considerado o centro de diversidade desta família, com 32 gêneros e 391 espécies. Ocorre em quase todos os estados do Brasil, distribuindo-se de Norte a Sul. Esta família não é endêmica do Brasil, ou seja, ainda existem alguns gêneros com ocorrência em regiões temperadas.
O seguintes estados brasileiros têm ocorrências confirmadas:
O seguintes estados brasileiros têm possíveis ocorrências:
A família ocorre nos seguintes domínios fitogeográficos:
As espécies pertencentes à família Bignoniaceae estão associadas aos seguintes tipos de vegetação:
Segundo a lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, a família Bignoniaceae apresenta 10 espécies ameaçadas de extinção, sendo elas:
Estudos genéticos e morfológicos continuam a revelar a vasta diversidade desta família em biomas ameaçados. Em janeiro de 2026, pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), em colaboração com universidades europeias e a USP, descreveram uma nova espécie de cipó endêmica da região serrana do Espírito Santo. A planta, pertencente à mesma família dos ipês, recebeu o nome de Adenocalymma darwinii, em homenagem ao naturalista Charles Darwin. A descoberta, resultante de anos de expedições para encontrar flores vivas da espécie na natureza, destaca a riqueza da flora atlântica e a necessidade de preservação de seus remanescentes.